Todo mundo já passou ou ainda vai passar por essa – e se é parte da vida, pode ser mais legal se a gente se prepara. Não porque o que a gente veste é a parte mais importante de se “conhecer os pais” de quem a gente curte e tals, mas porque o que a gente veste influi diretamente na segurança/confiança que a gente sente. Conhecer a família do namorado precisa ser uma delícia, super natural, mas pode ser quase-quase como uma entrevista de trabalho – sendo que você vai ser “avaliada” por um ‘emprego’ que já é seu (haha!). Tem expectativa em mão dupla: o que vão achar da gente e o que a gente quer que achem. São aqueles primeiros (e cruciais) cinco minutos, né, em que a gente vai deixar claro como a gente é NA VIDA – daquele momento em diante!
Pensa que não é ocasião pra usar roupa de trabalhar, mas também não é balada ’sozinha com o namorado’ (tu-do menos usar roupa escandalosa nessa hora, hein gente) – nem ‘fim de semana desarrumada’. É alguma coisa entre todas essas outras que não tem dresscode definido, mas tem um elemento que comunica além da roupa: o conforto. Na hora de conhecer a família o conforto que a roupa proporciona pode querer dizer, também, que Read more
O Scott Schuman disse no seu livro algo mais ou menos assim: “a gente costuma achar que pra se ter um super estilo pessoal a gente tem que saber muito bem quem a gente é e no que a gente acredita. Eu discordo. Acredito que ter um certo conflito sobre a própria personalidade acaba levando pra expressões ainda mais interessantes. É por isso que os jovens, mesmo os jovens de alma, são aqueles que mais inspiram e mais ousam na moda. Eles ainda estão buscando sua identidade: “eu sou roqueira?”, “eu sou esportiva?”, “ou um pouco de cada?”. Essas contadições acabam gerando os looks mais interessantes”.
E eu discordo do Scott, sabia!?! Acho importantíssimo pra se vestir com personalidade a gente saber quem a gente é, saber do que a gente gosta, saber quais são as nossas escolhas. Isso dá segurança e quem é seguro se permite experimentar mais. Mas acredito também que o único jeito da gente descobrir quem a gente é e do que a gente gosta é tentando e errando e acertando. E é nessas tentativas que a gente se permite ousar e brincar e daí pode render, sim, ótimos looks. Read more
“A questão da identidade brasileira é colocada pelos criadores e pensadores de moda, mas não se reflete nas ruas, que já têm um estilo colocado, efetivo”. Foi assim que Alcino Leite Neto, editor de Moda da Folha de São Paulo, encerrou (E AO MESMO TEMPO CRITICOU!) o tema debatido por Gloria Kalil (consultora e jornalista de moda), Heitor Dhália (cineasta), Marcio Kogan (arquiteto) e Valdick Jatobá (diretor do Banco Privado Português e colecionador de arte) sobre a questão da identidade brasileira nas expressões artísticas.
Glória Kalil (chic, inteligente, ponderada) discutiu a questão com pontos de vista bem interessantes: ser brasileiro pode ser uma condição tanto vantajosa quanto restritiva, pois se nos beneficiamos da simpática imagem externa de que somos livres, acolhedores e sensuais, ao mesmo tempo estamos fadados a uma estética de verão eterno (não é?!). O produto brasileiro, analisado individualmente, não carrega tanta força – é o estilo de vida de nosso país o que realmente vende (aquela velha história do samba, carnaval e futebol). No Brasil, como ressaltou Gloria, não existem marcas de moda realmente representativas (as que mais se aproximam disso são Havaianas e H.Stern).
Gente, sendo assim, em que a moda no Brasil está, de fato, investindo?
Belgas e japoneses (países com estilistas super reconhecidos no mercado de moda internacional) desenvolveram uma estrutura com seus respectivos governos e levaram seus estilistas para desfilar no alto circuito da moda (Paris, Milão e Nova Iorque, por exemplo). Já o Brasil prioriza semanas de moda regionais em vez de seus criadores. Não que elas não sejam importantes, mas como pretende um país ser reconhecido por sua identidade na criação em moda se suas marcas e seus criadores não conseguem desenvolver uma estrutura mínima de planejamento, produção e distribuição? Assim como Heitor Dhália pontuou o problema para o cinema brasileiro, nossos produtos em moda (e nossos filmes, e nossa música, e nossa literatura) necessitam ultrapassar a fronteira nacional para que possam estabelecer um ‘debate’ com o mercado mundial. Um criador deve manifestar suas vontades em concordância com o desejo e a expectativa do público consumidor, afinal ninguém faz um filme, escreve um livro, compõe uma música ou costura uma roupa somente para si, néam?!??
Claro que o assunto é abrangente e não conseguiu se esgotar com esta discussão. Mas o debate foi ótimo para pensarmos sobre como estamos conduzindo nossa identidade e, consequentemente nossa indústria de moda. Ginga e potencial criativo nós temos de sobra, já sabemos. Não seria a hora, então, de reconsiderarmos as nossas questões para que, enfim, possamos amadurecer e vestir o mundo com a nossa roupagem ?
Já está mais do que na hora, não é mesmo?!
O texto é da linda e talentosa Tati Rodrigues, que tá assistindo a tudo do Pense Moda com a gente – e que vai escrever aqui no Oficina durante o evento – legal, não?!?? Os outros videozitos que a gente fez (juntas!) nessa palestra tão disponíveis no nosso canal no YouTuba, quer ver? =)
No vídeo tem a abertura do Pense Moda hoje de manhã, com fala super pertinente da Camila Yahn. Ela chamou atenção pra falta de atenção que a nossa moda recebe do mundo, relacionando com a atenção que a nossa arquitetura, a nossa arte contemporânea, a nossa música e até o nosso cinema recebem. E logo em seguida as palestras começaram – tivemos duas palestras ótemas e complementares: uma sobre o pensamento estratégico de moda (aqui no BR) e a outra sobre identidade brasileira. Tudo vai virar post hoje bem tardão (que o shopping funciona até as dez e a gente tá em jornada dupla!), cheio das nossas opiniões – que tudo que a gente ouviu já super fez pensar. E olha que o Pense Moda só começou. =)
Mais: tem resumo de todas as palestras, feitos pelo Luigi do About Fashion, lá no site do Pense Moda. E tem mais lá também.
Olha, moda não é alguma coisa que a gente estuda uma vez e pronto-sabe-tudo. É um assunto dinâmico, que envolve consumo, comportamento, economia, artes e beeeeem mais. A gente precisa estar de olho o tempo todo, refletindo sobre tudo (o tempo todo!). Tem que estar atento e tem que ouvir tanto quanto possível, pra então pensar, ter opinião própria e daí fazer caminhos próprios. Por isso o Pense Moda é um evento que a gente ama (a-ma!) aqui na Oficina. Porque não fica só lá, onde acontece. O conteúdo sai junto com a gente, continua acontecendo todo dia no pensamento e logo logo acontece também na nossa rotina, no nosso trabalho. A experiência que a gente teve no ano passado foi a de ouvir, pensar, aprender e refletir – com tanta eficácia – que o aprendizado virou aperfeiçoamento de vida profissional e pessoal também.
clica pra ver o flyer com atrações-bafo… e com a gente! =)
O Pense Moda desse ano vai acontecer dos dias 17, 18 e 19 de novembro (segunda, terça e quarta). De manhã sempre tem palestras com convidados (ilustres, importados!) que têm super experiências pra dividir (portanto, coisas incríveis pra ensinar), e de tarde tem mesas de debate entre profissionais ótemos daqui de perto da gente – tipo pra falar do lifestyle brasileiro (como produto) e pra discutir a relação entre fotógrafos, stylists e editores (lembra do bafo?). No ano passado, além de assistir tudo tudo tudo que teve no Pense Moda, a gente também ficou por conta dos textos-relatos de todas as palestras (que a gente a-mou fazer!). Esse ano a gente participa de toda a programação também, e mais: vai ter uma mesa de debate pra conversar sobre ‘novas mídias’ em moda e a Oficina vai participar! Não é legal? A gente tá achando ótemo falar do meio que a gente usa não só pra divulgar o nosos trabalho e adquirir experiência mas também desse ambinete que virou extensão de tudo -tradicional’ que a gente já lê (sobre moda).
a gente a-mou a campanha do pense moda! =)
Nessa mesa, no último dia (de tarde!), quem vai mediar a conversa vai ser ninguém mais ninguém menos que Pa-pa-paaaaaaaulo Borges! E os conversadores são todos amigos inteligentes, sinal de que a conversa vai ser boa de verdade: Ricardo Oliveros, Laura Artigas, Victoria Ceridono e Maria Prata. Tem a programação completa, com horários e convidados, no blog de Vitor Ângelo (que junto com a Alexandra Farah e com o Luigi Torre fazem mega falta nessa conversa de novas mídias). E ainda tem Henry Holland, Nicholas Formichetti e mais gente que ensina, numa conversinha, mais que um cursão inteiro. Vamos nos ver lá?!?? =)
“O estilo não requer cartão de crédito, mas auto-conhecimento, sensibilidade e coragem de fazer misturas. Estilo pede ousadia.” Quem falou foi o Dudu Bertholini pra revista de domingo da Folha de SP (num domingo antiiiiigo), e a gente não podia concordar mais. Que auto-conhecimento, sensibilidade e coragem a gente tem que ter pra quase tudo nessa vida, né? E ousadia não significa só “usar coisas ousadas”, ousadia é sair do cômodo, arriscar, experimentar. E vale a pena, que o sorriso em frente ao espelho sai fácil fácil assim.
A gente na Oficina não é a favor do “pode” e do “não pode”. Não tem essa de “regras e mandamentos” – especialmente os que generalizam. Mas a gente curte informação. Porque informação simplifica escolhas, ajuda a escolher melhor – quando a gente sabe de efeitos e significados do que a gente usa, fica fácil saber o que a gente quer e o que a gente não quer. Que a gente sempre tem humores e vontades, mas mesmo se sentindo diferente a gente não deixa de ser quem a gente é. Então não tem porque se vestir como se a gente fosse outra pessoa. Não tem o conselho de ‘pensar antes de falar ou de agir’? A GENTE QUER QUE TODO MUNDO PENSE ANTES DE VESTIR, PORQUE COMUNICA IGUAL. Pra comunicar direitinho, né? Ninguém quer desentendimento na mensagem!
Então o fundamento da consultoria de imagem é olhar pra dentro, estudar o que se tem dentro, pra fazer esse “conteúdo” refletir do lado de fora. E se a gente tem personalidade super bacana pra mostrar, melhor ainda se essa personalidade pode ser enfeitada com o que veste as nossas formas do melhor jeito. Não? Por isso, a gente é a favor de todo mundo saber o que deixa mais gordinha, o que deixa mais alta, as mensagens que as cores transmitem, o que disfarça isso e aquilo – e todo mundo pode ou não usar, mas vai escolher sabendo, com consciência. Porque mais que tudo, a gente é a favor de todo mundo ser feliz com a moda – não é todo mundo que já nasce com super senso fashion, e é estudando que a gente aprende qualquer coisa nessa vida, não é mesmo?
O Hitchcock dizia que limitação aumenta a criatividade. Tipo quando se pode tudo, não se exercita a criatividade de burlar regras, não se pensa em jeitos diferentes de fazer alguma coisa funcionar ou em soluções. Ele mesmo se impunha limitações no trabalho, tipo fazer um filme inteiro sem cortes – ele foi criativo, se superou e fez “Festim Diabólico”, um super filme celebrado e tals. Eu aposto que ele teve um trabalhão, mas que se divertiu como nunca e que se sentiu super recompensado por ter alcançado um resultado legal mesmo com adversidades. Quando a gente tem limitações a gente se esforça mais, estuda mais, experimenta mais – e nem por isso perde em espontaneidade (as if!). Então nossas limitações de peso e medidas e proporções viram estimuladores de criatividade. E dão trabalho pra gente, sentir linda e feliz em frente ao espelho é uma super recompensa.
A blogolândia ferveu essa semana com a conversa sobre streetstyle brasileiro e identidade local no vestir, ainda tá fervendo (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. ufa!). O Romeuuu resumiu tudo desde o começo. Hoje a gente conversou com um grupo incrível de pessoas/bloggers (que agora uma coisa não anda separada da outra – não no nosso grupo!!!) e a gente continua sem certezas, concordando com vários pontos de vista, mas pensando de um jeito diferente – melhor, for sure.
A gente ainda acha que estilo pessoal é contar história, ter história pra contar através do que se veste, comunicar conteúdo visualmente. Estilo tem a ver com individualidade, com a construção de originalidade no vestir. Moda tem a ver com coletivo, com aceitação e repetição de elementos/padrões. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Então “estilo de rua” não devia chamar ‘moda de rua’?
Pode ser que a gente não esteja enxergando as nossas ruas, pode ser que a gente veja tudo e todos com “olhar estrangeiro”. Pode ser que a gente esteja tentando impor um padrão sobre o que é criativo na moda e super pode ser que a gente pense que o “nosso” padrão de moda é melhor do que o que a gente vê nas ruas. O Oliveros pensou nisso e fez pensar.
Pode ser que as pessoas não precisem saber de moda pra se vestir de forma interessante – pode ser que elas precisem apenas saber delas mesmas e da sua cultura. Pode ser mais fácil encontrar grupos com identidades definidas do que indivíduos com estilo próprio, tipo motoboys, meninas do funk, etc. Esse comentário levantou a questão, e também fez pensar.
as fotos são do “meninas do brasil”, da mari stockler
A Mari Stockler, autora do livro ‘Meninas do Brasil’, chamou as ruas, bailes, sambas e shoppings que fotografou de “mundo paralelo”. O livro é uma coletânea de fotos de meninas-mulheres funkeiras, moradoras de favelas, comuns, cariocas, brasileiras. O que chamou atenção da fotógrafa foi a quantidade de tops, calças, shorts e colants em todas as cores, com todo tipo de detalhes, decotes e transparência que essas meninas usam dia e noite. Pode ser que ela tenha enxergado moda, de um jeito.
elas têm estilo, né?
Desde o fim de semana tá rolando uma conversa sobre a existência – ou não! – de um ’street style’ brasileiro, ou mesmo de uma identidade brasileira em moda. Tem que clicar aqui e aqui pra ficar por dentro do assunto todo (e vale, viu? aula fashion!). A gente pensou, na coluna do BlogView, em como essa conversa pode servir também pro assunto ‘estilo pessoal’. Passa lá pra ver, pode ser?!??
A primeira música da trilha do desfile da Neon era ‘No Surprises’, e quando começou a tocar a gente já sabia o que ia ver: a Neon, como a Osklen, descobriu um ‘nicho’, uma fórmula que só eles têm, por isso não precisam se reinventar a cada temporada – o que eles fazem é inovador por si só. Que o trabalho do Dudu Bertholini e da Rita Comparato é mega conhecido pelas estampas multicoloridas, mas desde a última coleção eles estão mais calmos, com mais peças lisas e estampas mais “organizadas”.
Eles chamaram um time de artistas/ilustradores e eles ficaram responsáveis pelas cinco (eu acho) estampas diferentes apresentadas no desfile de hoje. O tema da coleção era ’samba’, mas a gente achou que era todo um carnaval! Tava tudo lá: microvestidos, maiôs, cáftans e vestidões, tudo com caimento soltinho. Teve também alfaiataria e camisaria, também continuação da coleção passada, e as cinturas eram super altas (eles fazem desde sempre). A estampa que misturava marrom, vermelho e amarelo era incrível, minha preferida.
O desfile foi dividido em duas partes e na segunda várias meninas entraram juntas na passarela (quadriculada, super colorida) e elas usavam elementos de fantasias de bailinhos, tipo de quando a gente era criança: tinha índia, pirata, pierrot, baiana… E a entrada da Ivete Sangalo, no fim, confirmou o clima de bailinho que a gente sentia: rainha do carnaval, né?
(a gente já sobe as fotos, pra ver tudo é só clicar aqui)