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  • A internet que a gente quer é a que a gente trabalha pra construir: se a gente quer compartilhar idéias pra geral ler com tempo, pra que haja resposta consistente e troca significativa, então é justo (e natural!) que a gente dedique tempo e pensamento crítico à essa construção, a esse trabalho. Nosso compartilhamento de conteúdo não funciona no piloto automático, nem na superficialidade, nem “entre tarefas”, nem “quando sobra tempo” (quando sobra?).

    Aqui na ODE é comum a gente ouvir: “Nossa, como o conteúdo de vocês é legal, eu também adoraria produzir conteúdo assim — mas não tenho tempo”. A primeira parte é de sentir orgulho, a segunda parte é de sentir incômodo. Nossa agenda tem períodos de toda semana separados pra esse trabalho, com tarefas organizadas a partir de planejamento e propósito.

    Ó:

    Toda segunda-feira a gente tem uma reunião interna pra estruturar os conteúdos das próximas newsletters, rascunhar os temas dos próximos posts pro nosso blog, e então esmiuçar essas idéias em posts rápidos pensados pras nossas redes sociais — hoje o Instagram, o Twitter e o Pinterest. Tudo pensado a partir das experiências mais frescas vividas com clientes de consultoria, dos aprendizados mais recentes visitando lojas e conhecendo designers/projetos novos, das aulas que a gente dá e das trocas com nossas alunas, dos livros que a gente vem lendo, dos conteúdos com que tivemos contato.

    E toda quarta-feira tem gente aqui 100% dedicada a fazer essa estrutura/essa organização/esses esqueletos tomarem vida, e se materializarem em forma de conteúdo. Cada postagem é pensada do zero pra sua própria rede, cada texto redigido com atenção, cuidado e pesquisa, cada imagem produzida e tratada por nós mesmas — ajeitando as fotos das nossas clientes, feitas nas sessões de montagem de looks da consultoria, ou fotografando no nosso pequeno estúdio caseiro o que melhor representa os assuntos de que a gente quer falar.

    É trabalho, já que todo compartilhamento de conteúdo sai daqui conectado com o que a gente tem pra oferecer como serviço aqui na ODE. Os questionamentos e as práticas que movem o nosso fazer estão disponíveis também em forma de cursos presenciais e online, de consultoria e de livros pra quem quer se aprofundar, se apropriar, experimentar na própria vida, “personalizadamente”. E a gente procura responder comentários e e-mails sabendo que esses questionamentos se retroalimentam, e que a partir dessa troca o conteúdo é abastecido com novas idéias, novos insights, novas possibilidades de prática.

    Então a energia que a gente coloca nesse trabalho devolve pra gente resultados individuais e também coletivos. Quando a gente cuida com autenticidade da internet que produz, a gente entende que tá cuidando também do ambiente virtual em que quer estar inserida \o/ fazendo a nossa parte pra construir uma internet em que o ganha-ganha seja lei. Permanecemos aqui na ODE cheias de amor pela rede mundial <3 e comprometidas com essa nossa entrega, usufruindo nós mesmas de quaisquer resultados.

    ((Texto complementar e versão mais íntima desse outro post aqui, feito a convite da Dani Arrais e da Luiza Voll no blog da Contente))


  • O Enjoei é uma boa alternativa pra vender o que não serve pra gente, mas que ainda dá um caldo (alô encaminhamento responsável de descartes/excessos). Funciona em forma de site e também em forma de app, com linguagem e aparência e ferramentas que facilitam organizar uma lojinha só sua e acompanhar as vendas. Daí as fotos do que vai ser vendido e como a gente comunica valor fazem o resto do serviço, ó!

    como trabalhar pra vender direitinho no Enjoei (e descartar com responsabilidade os excessos de guarda-roupa).

    FOTOS MANEIRAS

    Fotos maneiras = em luz natural, direto da janela \o/ com cores bem definidas, com nitidez, num cenário discreto mas fuefo. O próprio Enjoei tem um vídeo com dicas de como produzir essas fotos, ó. Aí é tentar pensar com a mente de quem vai comprar: a gente quer ver o produto de frente, de costas, quer ver os detalhes e né, quer ver como veste num corpinho real. A gente aqui, que ensina clientes a avaliar qualidade e custo-benefício, quer ver até por dentro da roupa: como é o acabamento, como são as costuras. ;-)

    Na vida real é bom juntar tudo que vai ser fotografado, separar por categorias e, já com o cenário arrumadinho, passar/vaporizar e ir fazendo as fotos — todas de uma vez só, pra agrupar trabalhos e otimizar o tempo. Vale fazer pelo menos 5 fotos diferentes pra cada peça, pra aproveitar do melhor jeito os espaços disponíveis na página de venda — e ó, a gente sente que as fotos funcionam melhor em formato vertical, já que muita gente vê na tela do celular.

    DESCRIÇÕES ESPERTAS

    Com as fotos feitas, é hora de contar que peça é essa em título e descrição: de que marca é, por que é legal, de que jeito pode ser usada, de que material é feita (alô etiqueta interna!), como deve ser cuidada (alô manutenção), que sensação ela rende quando vestida. :) É legal tentar inserir na descrição palavras-chave sobre o produto (quanto mais palavras, mais oportunidade de ser encontrada nas buscas dos usuários!). E muito muito importante é dizer quais as medidas da peça! Sabemos que P-M-G ou 38-40-42 não são medidas padrão, então vale verificar com fita métrica quais as circunferências e alturas de cada peça — atenção pra peito, cintura, quadril, mangas, barras, ganchos, decotes.

    COMBINADO NÃO SAI CARO

    O Enjoei tem toda uma política pra facilitar as vidas de quem vende e de quem compra, e pra isso trabalha com parceiros e… também ganha um dinheirinho, claro. No próprio site dá pra estudar que facilidades o site oferece, como funciona a política de frete, que comprometimentos demanda (como tratar perguntas/respostas, como cuidar de devoluções, como como receber reembolsos, etc), quais as taxas de intermédio cobradas e que parceiros vão fazer parte do trâmite do dindin que se ganha com as vendas. Clica aqui pra conhecer a área de ajuda do Enjoei que é bem completona, e então estudar antes mesmo de botar a lojinha pra jogo.

    + tutorial bem explicadinho de como vender no Enjoei
    + instruções dos Correiros pra embalar encomendas diferentes
    + um guia simpático de como tocar a lojinha
    + depoimento de uma moça que ganhou R$ 2.000 no primeiro mês de vendas no Enjoei

    01 EMPURRÃOZINHO

    É preciso ajudar o Enjoei a te ajudar a vender \o/ e contar pra amigas, parentes, colegas de trabalho que a lojinha tá no ar, funcionando, pronta pra vender. Dentro do próprio site/app é possível se fazer conhecida: tem como seguir outras lojinhas (como em rede social) e, através de notificações, as donas dessas lojinhas vão ver que você tá seguindo, e assim a energia já vai circulando, né?

    01 extra bem importante

    A consultoria de estilo funciona como uma revisão do nosso relacionamento com o próprio guarda-roupa desde sempre (pra se definir um novo relacionamento, mais eficaz, objetivo, afetivo, consciente), e por isso é até natural que haja um grande descarte num primeiro processo de reflexão e auto-conhecimento e definição de objetivos de vida. A idéia é olhar pro que foi comprado em excesso e não fez sentido e, então, fazer melhores escolhas a partir do aprendizado PRA NÃO COMPRAR MAIS EM EXCESSO E NEM PRECISAR RE-VENDEROU RE-DESCARTAR TUDO DE NOVO EM CICLOS INSANOS DE DESPERDÍCIO. Não somos a favor de se manter lojinhas sazonais pra desovar consumismo!

    Outro extra

    Esse conteúdo é o que a gente aqui na ODE tem pra compartilhar: nossa experiência (orientando clientes a vender no Enjoei) tem sido bem boa, serena, eficaz. A gente sente muito se você teve ou tem uma experiência diferente, mas né, permanecemos todas em good vibes. \o/

    + LIMPEZA ESTRATÉGICA DE GUARDA-ROUPA
    + ABRINDO ESPAÇO FÍSICO E MENTAL NO ARMÁRIO


  • A gente tá convencida de que autoestima bem exercitada é chave pra se conquistar mais na vida, pra se descomplicar o guarda-roupa, pra crescer e brilhar. E autoestima tá 100% relacionada com AUTO-ACEITAÇÃO: é essencial entender que a gente é incompleta e imperfeita, que nunca vamos estar “prontas”, que paralisar vida e escolhas pra que “um dia” o momento certo aconteça… é furada.

    Tamos nessa vida pra fazer o melhor que a gente pode com os recursos disponíveis NO AGORA. Somos todas humanas — e haja energia pra investir na idéia de ter tudo perfeito ao mesmo tempo agora. Querer alcançar o inalcançável é já perder a corrida desde a largada: expectativas inatingíveis nunca serão atingidas mesmo!

    querer alcançar o inalcançável é já perder a corrida desde a largada: expectativas inatingíveis nunca serão atingidas mesmo!
    (foto de adelaide ivánova)

    _corpo perfeito: é o que se alimenta bem, se exercita e descansa direitinho
    _família perfeita: é a que vive as dificuldades do dia-a-dia com resiliência (e com uma dose de bom-humor na medida do possível!)
    _trabalho satisfatório: é o que paga um dinheirinho suficiente e, se possível :) permite a gente servir a algo maior que a gente mesma, dá sensação de produzir/entregar algo de bom pro mundo

    E tudo tem dia bom e dia ruim, tudo tem um lado-luz e outro mais sombra… e compreender, desculpar e tolerar levam a gente pro (auto)amor. Quando a gente (se) desculpa, (se) compreende e (se) tolera, a gente tem mais facilidade pra entregar essas sensações também pra quem tá em volta da gente. E que ambiente bom se cria assim, com conexão, compreensão, empatia!

    Todo mundo sente frustração, raiva, tédio, inveja. Toda vida tem essas sensações ou partes não tão legais — tamos TODAS na jornada da tentativa, dando o nosso melhor: umas horas a gente erra e fica brava mas em tantas outras a gente acerta! Não existe humanidade em condição diferente dessa.

    A gente administra melhor tempo e recursos quando deixa de querer criar a ‘família da propaganda de margarina’ e quando se desprende de idéias vazias de status/riqueza ou corpo “perfeito”. E assim, aceitando quem a gente É e a vida que a gente tem (com parte boa e parte ruim, tudo lindo, tudo funcionando!), pode ser possível lidar melhor com quaisquer frustrações e raivas. E tudo passa, uma hora querendo ou não passa!

    Desse jeito pode ser possível também que a gente passe a lidar melhor com vontades, e não precise comprar tanto, e tenha mais força emocional interna pra sustentar os ‘nãos’  que precisa (ou quer) dizer pro sistema de consumo. E a gente assim passaria a descartar menos, e passaria mais tempo com as nossas coisas, e desenvolveria relação de amor com o que tem, e poderia ganhar serenidade na vida toda.

    E isso pode irradiar, ó: “Quem consegue se aproximar da condição de aceitar ser como é irradia uma emoção tão positiva que sua aparência física vai para segundo plano.” (Flavio Gikovate)

    + QUER TRABALHAR COMO PERSONAL STYLIST?

  • A revista de moda publica um texto explicativo da retomada do “visual militar” (a volta dos que não foram né, desde quando se deixou de usar verde oliva?). O título da matéria é: “aliste-se já na tendência…”.

    Sérião.

    Serviu de gatilho aqui pra gente questionar esse surto de afetação que toma conta da comunicação de moda feita aqui no BR: é um tal de “aposte nisso” — aposte o quê? fichas? dinheiro? prendas?; “corra antes que acabe” — péra, ou a gente corre pelo bem-estar da atividade física, ou corre de algum perigo iminente… não? Uma onda de artificialidade, de expressões que querem ser engraçadinhas mas que não funcionam na prática. Você ou alguém que você conhece diz com naturalidade, numa conversinha corriqueira, algo como “esse look está em sintonia com o mood artsy“?

    A gente tem tido impressão de que se faz um esforço pra se falar/vender as mesmas coisas de sempre, mas com palavras diferentes. Desde que não tamos mais na era das grandes tendências — e sim das vontades plurais e singulares, sem regra, sem pode-não-pode — não tem nenhuma grandessíssima novidade a ser comunicada por revistas de moda, nénão? “Turbine o seu closet” com mais do mesmo, essa parece ser a sugestão.

    Nesse nosso tempo/na nossa sociedade as coisas todas tão sendo cuspidas tão no piloto automático, tão rapidamente e sem qualquer reflexão, que essa linguagem toda vazia de significado fez a gente esticar o pensamento: tem mesmo assunto pra fazer tanta revista de moda? Todo mês? Pra gente a lógica parece estar inversa — no lugar de caçar/requentar assunto pra publicar, seria legal escrever quando houvesse o que dizer. Mas né, revista tem compromisso com anunciante que tem compromisso com vendas, que hoje tem total conexão com pressa e superficialidade e descarte inconsequente.

    + carreira em moda sem futilidade, com significado

    Todo o fundamento de se sugerir sensação de escassez (“não fique fora dessa”) pra incentivar o desejo pelo extra/pelo excesso faz oposição ao que é necessário, funcional, atemporal, precioso. Tira atenção do que é recurso interno –criatividade, novo olhar pro que já se tem no armário, habilidade pra versatilizar peças e usos — e põe o foco no que é recurso externo: no produto, na compra, na marca. E nutrir recurso interno empodera, fortalece emocionalmente, mas depender do recurso externo (pra sentir satisfação) só esvazia a conta bancária, cultiva ciclos de ansiedade, estimula comparação e competição.

    No fim do dia, esse dress é um vestido, esse jumpsuit é um macacão como outro qualquer, essa clutch é só uma bolsinha. Por favor vamos maneirar, pessoal.

    CONSULTORIA DE ESTILO, METODOLOGIA QUE HUMANIZA E O VAZIO DA COMUNICAÇÃO DE MODA NO BRASIL

    “Não deveria ser surpresa alguma saber que há lugares que hostilizam o luxo; e que Rolex, Louis Vuitton, Prada e Aston Martin se saem espetacularmente mal na Dinamarca, país com terceira maior renda per capta do mundo, com distribuição de riqueza super equilibrada.

    O caso da Dinamarca ilustra uma grandessíssima possível solução para a questão do luxo. O desejo pelo luxo é inversamente relacionado ao nível de dignidade de uma vida típica; na medida em que a dignidade aumenta, o desejo pelo luxo diminui. Nunca teve a ver com cobiça ou ganância, o amor pelo luxo foi apenas uma resposta a um fracasso político: a inabilidade dos governantes para garantir que uma vida típica possa ser uma vida próspera.” (daqui)

    + pra entender como a humanização + a naturalidade são fundamento
    na nossa metodologia de consultoria de estilo
    + pra compartilhar questionamentos com a gente via email
    + pra entender como funciona uma consultoria de estilo
    + pra conhecer o que uma personal stylist estuda pra se profissionalizar


  • [ insira aqui o emoji das velhinhas ]

    A gente completa 10 anos de internet em 2016 \o/ e tem uma galera que se espanta quando se dá conta de que a Oficina já existia/funcionava 3 anos antes, desde 2003 na ativa da consultoria de estilo. Fizemos nosso 1º post em fevereiro de 2006 e desde então seguimos compartilhando insights e aprendizados que nossa carreira rende na prática, através do atendimento às nossas clientes, na vida real.

    + quer trabalhar como personal sylist com a nossa metodologia?

    E isso é um fundamento: antes de comunicar o nosso serviço, a gente presta esse serviço! Com a nossa entrega profissional (como personal stylists) temos vivenciado demais a independência de escolha e o consumo inteligente como potenciais geradores de empoderamento das nossas clientes. Nos consideramos boas comunicadoras-compartilhadoras de idéias libertadoras do pensar (e do vestir) — mas não queremos evangelizar ou assumir posto de porta-voz de coisa alguma. Compartilhar tem a ver com a nossa natureza e com o nosso propósito: assim acreditamos que estendemos os bons efeitos do questionamento e do autoconhecimento praticados na consultoria de estilo pra quem mais quiser se apropriar e usufruir.

    10 ANOS DE OFICINA DE ESTILO NA INTERNET

    Com essa consciência, nesse aniversário de 10 anos, nossa vontade na internet tá se voltando pras nossas origens. Em 2006 a gente conversava via blog e pronto: não existia rede social e se usava o espaço de auto-publicação pra conversar sobre idéias de uma forma um pouco mais aprofundada, em mais do que pequenas legendas ou 140 caracteres apenas — com menos likes e mais troca significativa.

    Tamos sentindo que a voracidade e a velocidade das redes sociais tem mais a ver com consumismo do que com consciência — a gente se propõe a exercitar nossa expertise na prática com nossas clientes, e então organizar idéias pra compartilhar de maneira inclusiva (todo mundo pode usufruir!), e isso demanda tempo, reflexão. Tem mais a ver com postagens semanais ou quinzenais no blog e também com mais proximidade com as idéias de quem lê o que a gente posta (alô campo dos comentários). Tamos sentindo saudade dessa dinâmica e vamos, nesse novo ano, abrir espaço pra re-experimentar isso daí.

    A gente ainda curte documentar os bastidores do nosso trabalho no Instagram (não sabemos por quanto tempo ainda, não é uma rede que tem despertado nossa simpatia…), ainda AMA distribuir indicações de links legais no Twitter e ainda usa muito o Pinterest pra fazer nossas pesquisas de trabalho. A gente mantém nossos “lotes” nesses territórios com a mesma animação, mas aqui nessa terra que é genuinamente NOSSA é que a nossa energia vai estar nesse 2016.

    Adiante!
    <3

    + COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA INTELIGENTE
    + COMO SE TORNAR UMA PERSONAL STYLIST


  • A stylist americana Rachel Zoe ensina no livro dela como a gente pode “pegar emprestadas” dicas de estilo pessoal das celebridades que a gente mais admira. O que ela sugere é que a gente colecione imagens que façam o olho brilhar, e daí comece a observar elementos que aparecem com frequência nessas imagens. Depois de identificar o que a gente gosta mais nessas referências (sensações, valores, detalhes, idéias), a sacada é procurar sentido pra apropriar aquilo ao nosso look e, aí sim, traduzir cada elemento pro nosso próprio estilo, do nosos jeitinho.

    mural de referências consultoria de estilo inspiração

    Tipo: vale pensar no que você mais curte e nos porquês de tanto gosto. No livro a gente tem exemplos das clientes dela: a Mischa Barton tem fascinação pela Twiggy; então a Rachel Zoe ensinou a atriz a usar sapatilhas e calças justinhas como a inspiração. Lindsay Lohan ama Brigitte Bardot e Marilyn Monroe — dá super pra identificar o estilão, não dá? Não é pra copiar — é pra inspirar, pra exercitar as nossas interpretações e a nossa capacidade de afinar escolhas. Se a gente ama tanto, se se identifica… certamente tem a ver com quem a gente é! Pro exercício vale colecionar imagem de pessoas, de acessórios, de coordenações de cores, de tudo — a gente aqui na Oficina acha até que vale também ter imagens de arquitetura, de comida, de paisagens, de design, etc etc etc.

    Daí, com nossas coleções crescendo em referências variadas, a gente vai identificando elementos visuais e sensações que se quer procurar nas próprias escolhas, pra interpretar assim: isso é confortável pra mim? é possível acontecer no meu guarda-roupa, rende coordenações com o que eu já tenho? faz sentido pra rotina que se tem, pros horários, programas, ocasiões? E na medida em que a gente se aplica nesse exercício, nossas escolhas vão sendo aperfeiçoadas. E vai ficando até divertido (a gente garante!): a gente sempre pode querer comunicar alguma coisa com o look, né?

    ((post original de abril de 2008, agora revisado/atualizado!))


  • É muito possível comprar com consciência via internet, viu! Dá trabalho e é pras fortes, pra quem topa assumir responsabilidade em todos os níveis da compra. Mas compensa :) e pode dar menos errado e render satisfação prolongada no guarda-roupa com esse nosso passo-a-passo aqui, ó.

    É muito possível comprar com consciência via internet :) e pode dar menos errado e render satisfação prolongada no guarda-roupa com esse nosso passo-a-passo aqui, ó.

     PREPARO
    Antes mesmo de sentar em frente ao computador ou trazer o tablet pro colinho, a gente pode:

    _dar aquela olhada no armário pra mapear cores (tem mais neutras ou mais coloridas? mais claras ou mais escuras?);
    _mapear também quantidades de partes de cima e de baixo (levando em consideração as de trabalho e de lazer, de balada, de ficar em casa, etc);
    _ter uma anotação com medidas: as mais úteis são altura (pra comparar com a da modelo nas fotos dos sites e tentar prever alturas de barras), circunferência de peito, de cintura e de quadril, largura dos ombros, comprimentos dos braços (pra comparar com os comprimentos de mangas).

    De saída a gente garante: consumo consicente é o que FAZ A DIFERENÇA nas nossas vidas. Então é natural que o que a gente menos tenha (tipos de cores que a gente tem menos, tipos de peças que a gente ainda nem tem…) seja o que pode mais fazer render o que a gente já tem, dando cara nova às nossas coisas mais antigas.

    PESQUISA
    Daí, com algum foco, é possível selecionar umas 4 lojas online legais pro que se pretende encontrar: as que tão mais perto da gente (na mesma cidade, no mesmo estado, em estado vizinho, no mesmo país), as que tem política de troca mais tudo-a-ver com a gente (busca a troca em casa? tem que levar no correio? facilita o envio, paga o envio? tá fácil encontrar um número de telefone pra ligar lá?), as que tem o tipo de entrega que a gente prefere (tem entrega facilitada em menos dias? tem fretes mais em conta?).

    E então, com esses 4 sites abertos, a gente dá aquela repassada marota nas novidades de cada um :) pra então clicar nas seções de peças específicas — tamos atrás de blusas? de saias? de calças? de sapatos? A idéia é especificar tanto quanto possível a nossa pesquisa, e assim facilitar a seleção. Vale já passar tudo no filtro da numeração/do tamanho e do preço (a gente aqui ama muito o filtro que mostra as peças na ordem baratinha pra mais cara).

    SELEÇÃO
    A essa altura a quantidade de peças disponíveis pra gente avaliar já é bem menor que a que os sites disponibilizam no geral (UFA!). No passeio pelas peças, já pode abrir em outras abas as peças que tem valor ok pro nosso orçamento, as que tem a ver com as direções de estilo que a gente delineou na etapa de preparo, as que parecem ser super ótimas assim à primeira vista. Daí vale avaliar pra cada grupo de peças:

    _de que material as peças são feitas? quais são de tecidos naturais e tecidos sintéticos? quais valem o preço, pensando nisso?
    _demanda uma manutenção que caiba no meu estilo de vida? vou conseguir lidar com a lavagem demandada?
    _tá bonito na modelo? o caimento tea bacana? as medidas da peça batem com as minhas medidas (com uma folga)?
    _era isso mesmo o que eu queria? eu preciso disso?

    DEFINIÇÃO
    Com umas 3 peças finalistas pra definir, vale re-lembrar o que se tem no guarda-roupa e pensar em possibilidades variadas de uso (a gente aqui gosta de pensar pelo menos 3 looks diferentes com a mesma peça). Se a peça não rende essas 3 possibilidades, tá muito fora da seleção, né?

    COMPRA
    A gente nunca, em circunstância alguma, compra

    _o que não ama,
    _o que não vai usar (ou não tem função clara),
    _o que já tem (alô duplinhas).

    Né?

    Daí é clicar, pagar e acompanhar os emails de confirmação e envio. E quando chegar a compra, é bom conter a ansiedade e abrir a embalagem com cuidado, sem estraçalhar o pacote — se for o caso de devolver, muitas vezes a gente re-envia a mercadoria na mesma caixa que recebeu. Bom também experimentar no primeiro momento pós-recebimento, pra não correr o risco de perder prazos de devolução (que geralmente são de 7 dias a partir da entrega).

    ((Comprar online funciona melhor com quem tem facilidade de desapegar: a gente quer muito alguma coisa, faz todo esse processo aqui pra pesquisar, selecionar, etc… e quando chega, eventualmente não dá certo mesmo. É a vida, fazer o quê? Desapegar, mandar de volta, esperar o estorno no cartão. Com maturidade, com serenidade, que ninguém vai deixar de ser feliz por isso.))

    FEEDBACK
    Com experiência boa ou ruim, é legal mandar email pra loja online e contar como foi, dizer o que foi mais legal e o que pode melhorar. Essa é uma modalidade super nova de consumir, e a gente pode assumir responsabilidade por moldar um mercado mais legal a partir da nossa própria experiência.

    A gente aqui sempre manda email pedindo ajuda quando o site não disponibiliza informação de procedência das peças (produzido na China? em Bangladesh?), quando tem dúvida sobre numeração (às vezes as medidas de uma numeração parecem bem menores ou bem maiores do que o comum… a gente escreve pra perguntar se a modelagem é propositalmente pequenina ou maiorzona), quando o material tem um nome fantasia (“tecido alfaiataria”, “toque de seda”), quando tem dúvida sobre prazo de entrega (quando clientes precisam receber algo pra levar em malas de viagem, por exemplo, a gente se certifica dos prazos de empacotamento e encaminhamento pro correio).

    UM SICERÃO PRA TERMINAR
    A gente aqui na Oficina entende que consumo consciente significa comprar o essencial, escolhendo com clareza onde (e no que) deixar o dindin gasto, com propósito de uso/versatilização, com disposição manter e fazer durar.

    Essas direções já tão mapeadas por quem se propõe a estudar o próprio guarda-roupa, quem procura ter clareza de vontades (quem sabe o que quer sentir e como quer se parecer) — e por isso mesmo busca informação de moda pra fazer na prática isso acontecer — seja aqui no nosso blog ou com o nosso livro <3 ou em tantas outras ótimas referências disponíveis hoje (se liga no nosso blogroll!).

    A gente também tem levado em consideração não só o que é bom pra gente, mas o que não é ruim nem pra outros serzinhos humanos e nem pro mundo. Ética + estética, sabe como? Tamos estudando materiais e processos que não inviabilizam reuso e que não reforçam escassez de recursos; tamos ligadas no app ModaLivre (pra iphone e pra Android) pra saber quem repassa o nosso dinheiro pros funicionários e quem lucra às custas de sofrimento, tamos preferindo escolher o que é atemporal e pode durar muuuitas temporadas no GR sem datar.

    Ó que tem mais info pra quem mais quiser estudar junto com a gente!

    + não faça gastos, faça as coisas gastarem
    + por que não comprar roupas de fast-fashion feitas na China
    + não adianta mudar de marca, você precisa mudar a sua lógica de consumo
    + lista de algumas marcas que a gente aqui na Oficina curte (e das que a gente evita)

    + COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA INTELIGENTE
    +COMO TRABALHAR COMO PERSONAL STYLIST


  • Sem querer ser chatonas mas não é normal um vestido INTEIRO custar 15 dólares (preço justo é diferente de preço improvável!). Alguém tá recebendo muito pouco pra alguém ganhar muito mais, né não? Roupa barata-baratíssima pode parecer uma boa na hora em que se compra, mas é ruim pro mundo… e se é ruim pro mundo, é ruim pra gente.

    "A gente é pessoalmente responsável por ser mais ética que a sociedade em que cresceu."

    Quanto mais a gente compra de grandes magazines, mais dinheiro põe na carteira de 3 acionistas e menos nas de milhares de funcionários — ao passo que quando a gente compra de pequenas confecções ou direto de quem faz o dinheiro fica ali mesmo – e não na China ou em Bangladesh. E todo desperdício gera desigualdade — no mesmo mundo em que A GENTE VIVE AGORA, não numa outra dimensão ou muito longe da gente mesma! Comprar com consciência é diferente de ‘não comprar’ –> mas não dá pra incentivar geral a comprar 300 blusinhas de R$ 12,99 cada só porque tão oferecendo em todo lugar.

    A gente aprende que acumular é sinal de sucesso — quando inteligente mesmo não é ter ‘mais’ (ninguém precisa de TANTO) e sim ter ‘melhor’, pagar por durabilidade e não por influência ou status. Comprar sem excesso, de perto da gente, pagando o melhor que a gente puder dentro da nossa própria demanda, do nosso próprio orçamento (consciência é individual!).

    Sem querer criar um climão nem nada, mas né, querendo que nossas crianças cresçam sabendo que comprar não é a mesma coisa que existir — e que comprar — bem ou mal, com ou sem consciência — tem consequências equivalentes.

    “A gente é pessoalmente responsável por ser mais ética que a sociedade em que cresceu”. (via)


  • A gente reclama tanto de revistas femininas, da TV e da propaganda — desse esquema de sugestão de perfeição impossível de alcançar, que mascara a vida real com mulheres lindamente photoshopadas, faz a gente se sentir oprimida (quem nunca?) e que conduz geral a aliviar essa angústia… com compras. A gente aponta o dedo, toma consciência dessa “manipulação” de mídia, mas sem perceber tem feito a mesma coisa com as nossas vidas na rede social.

    Quando a gente edita/limpa a parte natural da vida, a gente perde nossa humanidade.

    Geral editando as próprias vidas, limpando toda sujeirinha, selecionando fragmentos de realidade pra só compartilhar a fração mais maravilhosíssima do próprio cotidiano ~ em especial nos looks do dia. E vejam bem, a gente AMA a rede social e é muito entusiasta do compartilhamento (em tudo!). Mas a gente entende que uma coisa é dividir com amigos (e com quem se tenha afinidade) as nossas aspirações, vivências, experiências; outra coisa é se colocar na posição de modelo ou de exemplo — e isso é ainda mais cruel do que o que a operação manipuladora da mídia.

    Quando a gente edita/limpa a parte natural da vida e usa quaisquer ferramentas pra só exibir roupas perfeitas, maquiagens perfeitas, viagens perfeitas, filhos perfeitos, casa perfeita, refeições perfeitas, fins de semana perfeitos… a gente perde nossa humanidade e, por consequência, a liberdade de aceitar nossas próprias singularidades. Enquanto a gente não aceita e abraça as nossas próprias singularidades, a gente não se liberta pra também admirar essas singularidades nos outros. E aí não tem como não competir. :(

    Então a rede social vira um espaço de competição e de corrida e de angústia, em que a gente se esforça pra camuflar o que tem de imperfeito e se pergunta a cada foto: “gente essa pessoa é tão como eu, tá tão próxima de mim… como ela consegue ter essa vida espetacular e eu não?”. Ces entendem? A revista Caras já oprimia a gente com famosas sem celulite tomando banhos de banheira com pétalas de rosa numa ilha paradisíaca… a gente não precisava ter trazido a Ilha de Caras pro Instagram.

    Não tem como a gente incentivar/valorizar singularidades dizendo “olhe pra mim como referência”. Mesmo que essa referência pareça muito espontânea, pra existir na rede social ela é fragmento de vida apenas, calculadamente compartilhada pra construir uma narrativa manipulada (e esse exibicionismo é o oposto do exercício da empatia). E se a rede social ~a internet toda!~ é abastecida pelos usuários, então qualquer mudança de rota tem que partir das nossas próprias postagens, dos nossos próprios comentários, do nosso questionamento individual… pra assim impactar o coletivo. Vamos?


  • Pensa com a gente: o que é comum não necessariamente é natural. Certo? Com essa clareza a gente pode então questionar por que é que a gente conversa tão corriqueiramente assim: “olha, Fulana tem 65 anos MAS NÃO PARECE, menina! ninguém diz!”–> Sabe esse jeito de ‘desculpar’ idade?

    Tem sido mais e mais comum geral se entregar a médicos e procedimentos pra tentar segurar a passagem do tempo, pra fingir que não tá ficando velha. Mas gente, não tá todo mundo envelhecendo desde agora, desde que nasce? Por mais que seja comum a gente encontrar peles superesticadas e rostos mais e mais sem expressão nenhuma, isso não é natural! Só fica jovem pra sempre quem morre jovem — natural é envelhecer, e envelhecer é então uma bênção.

    Só fica jovem pra sempre quem morre jovem -- natural é envelhecer, e envelhecer é então uma bênção.

    É claro que envelhecer doente é ruim, envelhecer sem mobilidade ou com dor não deve ser nada fácil. E se a gente passar o tempo todo da vida se preocupando com o externo, com aparência e só, é pra esse tipo de velhice que se caminha. Mas né, se a gente entende que esse corpo e essa carinha podem aproveitar a vida por muuuuuito tempo ainda, e se a gente ESCOLHE cuidar das engrenagens e do combustível e do que faz as nossas máquinas funcionarem no seu melhor… então que coisa deliciosa pode ser envelhecer!

    Procurar médico pra cuidar desse caminho pode ser incrível. E, ao contrário do que se pretende, ir ao médico pra manipular aparência com procedimentos que só alcançam a casca não faz ninguém parecer mais jovem: faz, sim, parecer não lidar bem com a passagem do tempo. Quem mexe muito demais da conta na cara passa a fazer parte de um “limbo etário”, uma velhice indefinida — não se sabe se com 55, 65 ou 75… mas se sabe que essa alma não parece estar tranquila.

    Ao longo da vida toda a gente, em tudo, tem ônus e bônus. Quando a gente tem 20 e poucos anos o bônus é ter pele linda, ter musculatura durinha, estar com tudo em cima (que delícia!), colágeno aos litros. E quando passa pros 35, 45, 55… a gente pode perder esse tônus mas ganha super em sabedoria, em confiança, em segurança, a gente liga menos pras pequenas coisas, a gente releva mais, se permite mais, tem mais tolerância e compaixão, fica mais esperta, mais atenciosa. É ou não é?

    Quanto mais a gente vive, mais experiência a gente ganha pra entregar o nosso melhor pro mundo. E o que a gente entrega pro mundo vai muito, mas MUITO além da aparência que a gente tem. Isso sim é natural, mesmo que não seja tão comum nos nossos dias. ;-)

    + um guarda-roupa que combine com quem você é
    + uma carreira que compartilha colaboração (e não comparação)


curtimos

ideias complementares às da Oficina