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  • Uma das teclas em que a gente mais gosta de bater é que não existe ocasião ou lugar para estar mal arrumada, que o cuidado consigo precisa ser o mais constante possível para quem está ao seu redor absorver a imagem que você quer criar de si mesma. Para conseguir que todo mundo associe aquela imagem de pessoa bonita e bem arrumada à sua pessoa, não adianta estar bonitinha “quando precisa”. Seria como ser educada apenas “quando precisa” e depois querer ser vista pelos outros como educada.

    Pensa naquela sua tia gordinha que faz dietas loucas e sempre aparece magra nos festões da família. A imagem que você tem dela é de uma gordinha ou de uma magrinha?

    Ser arrumadinha de ocasião funciona se o propósito é a ocasião, mas aqui na Oficina a gente gosta de trabalhar o conceito de “identidade visual”. Ou seja: a gente acha importante manter um padrão de cuidado para que todo mundo nos identifique daquela maneira.

    Praticamente todos os seres humanos do universo acham importante se arrumar para um festão. Uma quantidade consideravalmente menor acha importante se arrumar para sair no fim de semana. Menos gente ainda se arruma para ir ao trabalho. Quem chegou ao nível avançado se importa com o que vai vestir para comprar pão, para ir até a academia, para ficar em casa e até para dormir.

    O último degrau é se importar com a lingerie que veste mesmo em dias em que ninguém vai ver. Essa é uma das maiores provas de que você realmente incorporou o zelo pessoal para sua vida e está se arrumando para si mesma, para uma eventualidade, para qualquer coisa.

    Para Jennifer Alfano, que escreve na Vogue e Harper’s Bazaar, usar lingerie “de verdade” é também uma espécie de rito de passagem para a idade adulta. Ela diz que lingerie gera confiança e muda a postura.

    Em 1954, Christian Dior dedicou algumas páginas de seu “Pequeno Dicionário de Moda” para falar da importância da roupa de baixo como um elemento que pode melhorar ou destruir o caimento de um vestido. O livro todo é voltado para moças com menos dinheiro, mas Dior faz questão de frisar que o sutiã é uma peça em que não se pode economizar demais.

    No material especial do dvd de “Um Homem Sério”, dos irmãos Coen, a figurinista Mary Zophres também ressalta a importância da lingerie como modeladora do corpo. Ela diz que todas as atrizes e figurantes do filme vestiam lingeries baseadas nos modelos da época do filme – 1967 – e que isso era imprescindível porque mesmo sutiãs sem bojo alteram o formato do corpo e não era por um surto genético que as moças daquela época tinham peitos mais pontudos enquanto as de hoje parecem ter circunferências perfeitas.

    Se convenceu a olhar com mais carinho para a gaveta de calcinhas? Então temos dicas tanto para escolher quando para conservar essas peças tão importantes.

    Dicas para escolher lingerie:

    1. As alças do sutiã devem ficar centralizadas no ombro e ajustadas de maneira que não fiquem nem frouxas nem apertadas. Alças largas demais deixam o sutiã desajeitado e podem causar dores nos ombros e no pescoço. Já as alças muito apertadas atrapalham a circulação.

    2. Quando estiver procurando um modelo para um decote específico, leve a roupa até a loja e experimente o sutiã com a peça.

    3. Quem quer aumentar os seios pode usar enchimento, mas sem exagero e mantendo um certo padrão, senão fica parecendo que a gente muda o tamanho do peito todo dia. Sutiã com fecho na frente une os seios e faz eles parecerem maiores mesmo sem enchimento!

    4. Quem tem peitão precisa de sustentação. Modelos com alças largas, costas e laterais reforçadas são super indicados.

    5. Quando for comprar um sutiã, tente comprar ao menos três calcinhas que combinem com ele, assim você anda de conjuntinho sem precisar ter um sutiã para cada calcinha.

    6. Ao contrário do que todo mundo costuma imaginar, as alças não são responsáveis pela sustentação dos seios, e sim a faixa que fica no tórax! Essa parte deve ficar bem ajustada ao corpo. A peça não pode ficar subindo nas costas ou na frente e nem fazer pressão demais.

    7. É muito importante ter algumas peças com cores semelhantes ao seu tom de pele para poder usar com roupas claras. Quem torce o nariz para o bege pode se jogar no nude.

    Dicas para manter a lingerie:

    1. Lave as peças à mão, com água morna e sabão neutro. Pode lavar durante o banho, mas se certifique de que o sabonete é neutro ou compre aqueles produtinhos para lavar lingerie no box.

    2. Sutiã com bojo não pode ser guardado de qualquer forma. Mantenha as peças abertas e encaixadas na gaveta, sem apertar muito.

    3. Usar protetor diário (tipo Carefree!) mantêm as calcinhas novas por mais tempo, mas é bom consultar sua ginecologista antes porque nem todas são fãs do protetor.

    4. Quando a peça fica encardida e a alça forma bolinhas é porque está na hora de trocar.

    *Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui — e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!


  • Os significados que o dicionário dá pra ‘íntimo’ são: muito de dentro, profundo; da alma, do coração; doméstico, familiar; vestido diretamente sobre a pele, sob outra roupa: roupa íntima. Ou seja, nem o Aurélio consegue desligar a intimidade da roupa que a gente veste!

    A gente tá vivendo um momento de muita intimidade com as outras pessoas – por conta dos blogs pessoais, de reality shows e dos twitters da vida, é normal a gente saber quando alguém tá passeando com o cachorro, ver alguém tomar banho, saber o que esse alguém pensa sobre a manchete do jornal do dia. Mesmo que a gente se relacione cada vez menos com as pessoas no “plano material” (ainda que a gente sinta por aqui um contra-movimento) – a gente tá cada vez mais íntimo no “plano digital”. Não é?

    E aí, se moda é refelexo de comportamento, se é materialização de como a gente está pensando/sentindo/agindo num determinado momento, faz todo sentido pensar nessa “lingerinização” da moda. Quando a roupa íntima se revela, o que deveria estar por baixo, escondidinho, escapa ou acaba vindo à superfície – desde 2008 as passarelas tão mostrando coleções cheias de transparências, rendas, alças de sutiã e modelagens de sutiãs rendendo outras peças. A referência mais fresca – e a que mais tá impressionando a gente aqui, pro bem! – é a lingerinização da moda praia que a gente já viu/vai ver pro verão que já já vem. Se essas referências todas já tão quase banalizadas na roupa de todo dia, nos biquínis e maiôs elas aparecem espertamente pra supreender com uma imagem super feminina… e elegante! (Mesmo pra praia, não é demais?)

    “Lingerie aparente” pode inspirar alguma vulgaridade, mas quando biquínis se apropriam de tecidos lustrosos (pensa em lycra) e cores neutras/tons de pele (todo mundo tem que ter conjuntinhos “básicos” na gaveta de calcinhas e sutiãs, né?), o resultado é bem sofisticado – tá vendo aqui em cima nas fotos de Adriana Degreas e Rosa Chá? E se, nesses mini-micro pedacinhos de tecido, a inteligência fashion dos estilistas consegue inserir vazados, recortes, transparências estratégicas, drapeados e bojos e corsets e estruturas… essa inteligência passa a ser atributo também de quem escolhe usar. Ó que bom: imagem bonita com estória sobre o espírito do tempo – boa de contar vendo as fotos no futuro!


curtimos

ideias complementares às da Oficina