Qual é a real colocação da moda masculina brasileira?
Bem, difícil dizer. Mesmo depois desta terceira palestra do segundo dia de Pense Moda. Ivan Aguilar, Li Camargo, Vitor Santos, Thiago Ferraz, Sylvain Justum, Cacá Ribeiro e Renato De Cara discutiram e se posicionaram enquanto consumidores, mas nenhuma conclusão foi realmente arrematada. A velha questão de como inovar este segmento de mercado sem recair na questão da sexualidade – ou homossexualidade – foi abordada, bem como se o comportamento feminino influencia a maneira dos homens se vestirem. A adequação às exigências e expectativas do público consumidor também foi lançada como pauta – até onde ela deve interferir na criação do estilista?
Sim, todas estas questões são pertinentes e exigem discussão. Entretanto o debate de hoje não resolveu nenhuma delas, somente as direcionou. Ok, o grande disseminador da moda masculina pode ser o público homossexual, mas a sexualidade não é condição e pressuposto de inovação. Pode ser uma fronteira, mas jamais a causa. Sobre a influência feminina no vestir-se masculino, elas exercem, obviamente, significativa interferência, mas assim como a sexualidade, não são motor. E as expectativas do público enquanto direcionamento na criação dos estilistas só são válidas a partir do momento em que se fazem presentes juntamente com o repertório e os desejos do próprio criador (pois só assim a roupa terá autenticidade).
Por fim, Oliveros, editor de moda da revista Playboy, da platéia se colocou: 70% dos anunciantes da Playboy são de moda masculina. O homem se aceita, sim, vaidoso, mas não aceita que esta vaidade incite questionamentos sobre sua sexualidade. Colocação vinda de editor de revista feminina voltada ao público masculino a gente escuta e acredita. Ele sabe do que está falando.
Por Tati Rodrigues, do Avesso do Espelho. =)
O último dia do Fashion Rio teve desfiles queridos de Rita Wainer (ela mesma conta tudo!) e de Ivan Aguilar, super elogiados os dois (o Sylvain vai voltar aqui depois da temporada pra falar mais pros meninos, daí o Ivan aparece de novo!). A Rita fez a gente ter vontade de ter um inverno tão colorido quanto tá sendo esse verão, com cores animadas e intensas tipo vermelhão, roxo, turquesa (um bem fechado, incrível) e amarelo. A gente tá doida pra ver as coisas da coleção na vida real, que deve vir cheia de bordados delicados (micro perolinhas nos cardigans? era isso?) e tricôs gostosíssimos.
Então a gente vai juntar aqui as coisas mais legais que a gente viu nesse Fashion Rio pra ir pensando e postando até quando o inverno chegar mesmo, pra então usar tudo na vida real. Ninguém reinventou a roda e se depender do que foi mostrado lá (no RJ) a gente vai continuar vestindo mais ou menos as mesmas coisas, acrescentando detalhes de ’styling’ e ajustando modelagens. Tá fácil, né?

A gente já tinha visto flores nos desfiles internacionais (especialmente no Balenciaga) e elas aparecerm no Fashion Rio também. Sinal de que a gente também deve ver floral no SPFW e de que vai todo mundo ter vontade de usar, nem que seja num lenço, num broche, num detalhe. =)

Quer já se atualizar, gata? Corre pra um brechó e arranja um coletinho bem de terno de menino, bem alfaiataria, e arrasa. A Maria Bonita Extra desfilou colete por cima dos vestidinhos soltos e curtinhos (modelagem super de a-go-ra!) e ficou uma graça. Dá pra conseguir o look com qualquer peça tipo ‘alfaiataria’, não só o colete; calça alfaiataria, sortinho alfaiataria, paletozinho – mais: vestido chemise, camisa ajustadinha… tudo que “deriva” do guarda-roupa dos meninos, sabe como? Mais legal ainda se as peças são feitas em tecidos masculinos, com padronagem tipo de terno, e coordenadas com coisas super femininas, detalhes delicados, cores fofas. E o tema ainda vai super render por aqui.

E os mega tricôs, hein? Mega textura, mega trama, mega volume e mega aquecimento de pescoço, principalmente. Diz que a gente vai ter inverno mais rigoroso esse ano, então ótimo, porque a gente viu mointa malha e cachecol e até mantinha – que não era tão ‘inha’, sempre com esses volumões. Bom pra quem quer namorar porque dá vontade de abraçar, de passar a mão, de apertar… mas com atenção na hora de usar porque engooooooooooorda!
Agora é confirmar essas vontades e ter outras novas no SPFW. A Folha de SP também fez lista de tendências, beeeeem mais detalhadinha que essa nossa (só pra assinantes do UOL ou da própria Folha!). E esperar esse ‘inverno rigoroso’ chegar. =)
A gente tá com vontade de conversar mais com os meninos desse blog há tempos, e de aprender mais de moda masculine também. Daí convidamos o Sylvain pra uma “coluna pros meninos” e ele topou! Eeeeeee! A gente é fã do C’est Hypercool, blog que o Sylvain edita (entre Vogues e GNT’s Fashion, que ele é mointo chique!), e da liguagem dele lá – o blog é cheio de referências jovens e eshpertas e mega vale a visita! Agora a gente tem que cruzar dedinhos pro Sylvain topar aparecer mais e mais por aqui: meninos, façam coro nos comentários! =)
Verão chegando e as dúvidas de como estar bem vestido debaixo de uma lua de 35 graus são bem normais e freqüentes. Afinal, quem agüenta manter a linha e se preocupar com moda na estação mais quente do ano quando o que mais se quer é tirar tudo e vegetar a beira-mar? Antes de tudo, obrigado meninas, pelo espaço e por poder falar um pouco mais pros desamparados homens brasileiros que gostam de moda. Achei um ótimo complemento pro c’est hypercool poder postar aqui alguns dos meus pitacos. Vou tentar dar umas dicas básicas, com peças-chave do momento, pra não fazer feio e ainda assim ficar confortável.

looks de john galliano, osklen, do estilista, v.rom e ivan aguilar
Quem acompanha a moda masculina de uns tempos pra cá já deve ter ouvido falar da calça dhoti, folgada no cavalo e seca nas pernas. Espécie de saruel light – ou seja, o cavalo não é tão baixo assim -, é indicada pra quem tem menos de um metro e setenta e não quer parecer anão vestindo uma saruel tradicional, principalmente se for de cor clara. No Brasil, recomendo as da Osklen, que já aposta no formato há algumas estações e domina bem o shape. Quem puder comprar a da coleção nova do John Galliano (na foto aqui em cima), melhor ainda. Prefira uma cor escura, sempre. É mais fácil de combinar e vai durar mais de um verão no seu armário. Se tiver uma clara e não sabe mais como usar, mande tingir. Fiz isso com uma saruel cinza antiga e ficou ótimo. Quando for usar uma calça dhoti, combine com uma parte de cima mais seca, próxima do corpo. Valoriza a calça e alonga a silhueta. Nos pés, tênis flats, tipo Converse completam bem.
Na França, calças pretas vivem um momento de hype absoluto, em seus mais diferentes cortes (look Osklen na foto). Os meninos da banda Phoenix estavam TODOS de calça escura no show do Nokia Trends. Vale skinny, tradicional e dhoti. Pro verão, eu acho lindo combinar com camisetas de cores suaves mas contrastantes, tipo lilás e verde-água. Nem precisa gastar muito nas t-shirts: a cartela de cores de verão da Hering tá uma delícia. Vai lá.
Esquentou demais? Troca a calça por uma bermuda…escura. É sempre a melhor base se precisar montar uma produção elegante. As largonas utilitárias estão em alta também. Se for uma produção urbana, com cara de trabalho, o shape seco ainda é o melhor. Looks monocromáticos dificilmente dão errado, por isso são uma solução prática. Dá pra acender com acessórios em cores vivas. Isso tudo pra um homem que gosta de pensar em combinações na hora de se vestir. Pra quem não tá nem aí pra combinações, boa notícia: pode misturar tudo! Claro, com bom senso, sempre. Essa é uma dica para os mais jovens, principalmente. Xadrezes e listras podem e devem conversar, já provaram a V.Rom e a Do Estilista, (na foto, aqui em cima) melhores exemplos nacionais dessa tendência. No entanto, se a intenção é valorizar uma peça estampada ou listrada, melhor completar com uma peça lisa. Seja na parte de cima ou na de baixo.

aqui tem mais v.rom (fotos 1, 2 e 4), mais ivan aguilar (colete) e por último mais osklen (cardigan)
A hora é das sobreposições. Abuse. E como eu adoro os tons pastel da cartela de cores do verão atual, não posso deixar de indicar as combinações dos tons entre si. Chique, fresco e atual. Por falar em frescor, sempre bate aquela brisa de fim de tarde, mesmo no verão (esses últimos dias têm sido assim em SP). Nessa hora, chega de moletom. Tire do armário outra peça-chave da estação e dê um toque mais elegante no seu look: o cardigan é hit na Europa toda e tem tudo pra pegar por aqui. Recomendo. Pronto. Já dá pra começar a pensar num verão mais elegante, né?
O desfile do Ivan Aguilar ontem mostrou o que tem de mais novo no guarda-roupa dos meninos: ternos mais ajustados e paletós com um botão só, misturas de alfaiataria e esportivo, novos acabamentos em tecidos de jaquetas e paletós. Mas o que a gente mais curtiu foram os teninhos all star que os modelos usavam – especialmente quando o look era escuro e o tênis era branco!

Que já no backstage, enquanto o stylist Maurício Ianês terminava de arrumar os modelos, a Cris chamou atenção pros tênis e a gente fotografou na hora! Que look escuro com tênis branco (all star ainda é favorito!) fica bom pros meninos de vários jeitos:

Com peças informais, tipo calça de brim e camiseta, o têninhos funciona tão bem quanto com calça mais tipo alfaiataria e paletó. E pros mais ousados, quem sabe, não rola até com terninho – a gente curte (dependendo da formalidade da ocasião, né?)!
Depois de um Amni Hot Spot sem nada que nos chamasse a atenção (tem tudo aqui e aqui), a Casa de Criadores acontece aqui em SP hoje, amanhã e depois de amanhã. Esses são os dois principais eventos que mostram o trabalhos de “novos” ou “jovens” estilistas/marcas, de onde a gente conhece nomes tipo Rita Wainer da Theodora, Fabiana Bauman, Patrícia Grejanin da Laundry e mais tantos outros. Depois de algumas edições na incrível locação embaixo do Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú, a Casa de Criadores se muda pro Hotel Renaissance querendo ficar menor e receber menos gente: “Estamos adorando a nova locação. Assim podemos reduzir o número de convidados e receber apenas pessoas ligadas ao mercado. (…) Não existe mais espaço para megaeventos em SP, são tantos! Queremos desta forma evidenciar as criações dos estilistas”. A gente leu isso do André Hidalgo (que é o idealizador do evento) no EP, pra quem ele ainda explicou que está buscando um novo formato pro evento, “mais compacto e focado”.
Amanhã a gente vai pra ver o desfile do Ivan Aguilar, de quem já falamos aqui. O Ivan é bem conhecido por conta dos seus ternos e desfilou coleções masculinas até hoje, mas a partir dessa edição do Casa de Criadores ele desfila também sua coleção feminina (estamos na expectativa!). Junto com ele vêm do ES mais um monte de estilistas pra apresentar seus trabalhos numa intervenção sob a curadoria do próprio Ivan – dá pra ler mais no Chic, onde também tem o line-up dos desfiles de todos os dias. Diz que esses estilistas trazem o tema “impressões” e o relacionam com o ‘papel’: cartas de amor, partituras, convite, jornal, fotografia e celulose são os conceitos que veremos traduzidos, cada um de um jeito, nos trabalhos desses estilistas (vimos aqui). Eu sou do ES mas não conheço o trabalho desses estilistas que vêm pra cá, mas já ouvi muito falar da Gabi Lima (tipo principal promessa da moda capixaba) e vou prestar atenção amanhã pra depois comentar aqui.

fotinhos do trabalho da Gabi Lima
A gente ainda vai prestar atenção nas marcas Moshe, João Pimenta e Gustavo Silvestre (de moda masculina), e estamos ansiosas pra ver a moda fofita da Laundry e da Fabiana Bauman. O evento Casa de Criadores é voltado pra mídia, mas a gente torce pra que ele também funcione (na prática) como gerador de negócios e oportunidades pra que essas marcas/esses designers tenham oportunidades pra aperfeiçoar seus trabalhos e lapidar seus talentos – pra que esse fuá todo vire produto BOM, bacana e diferente pro consumidor final. Né?