A temporada internacional de moda acabou e confirmou o que já era fato (Regina Guerreiro E Ricardo Oliveros falam disso há tempos): não tem mesmo mais tendências. Os desfiles que vimos agora podem mostrar micro e mini tendências, mas não dá pra identificar grandes temas – diz que bastante por causa das mudanças de clima no planeta, que fizeram as maisons “trocar” os especialestas em tendências por especialistas em temperatura. E o advento das megalojas de fast fashion tipo Zara e H&M e afins despertou o mercado pra urgência em vender, não? Junto com a enxurrada de coleções feitas em parcerias de celebrities e marcas (que não chegam aqui pra gente, mas que mexem com o mercado inteiro), que geram vontades e vendas relâmpago. Ok, ok.
O que importa é que a gente tá no meio do tempo mais “tem pra todo mundo” que já se viu. É a melhor hora pra se escolher como se quer ser, como se quer parecer, todo dia, a cada ocasião. Todo mundo pode tudo (conhecendo seus limites e vontades autênticas e tals). Nunca se falou tanto em serviços de personal stylists e autoconhecimento e fazer valer sua essência e mais. Tá fácil ter estilo, amigos. Tem pra todo mundo, é só escolher com coerência e algum carinho por si mesmo, daí já se tem meio caminho andado. Ivete Sangalo (ahãm, adoro por causa da “roupa do amor”!) falou essa semana que “se ela bota uma roupa masculina, vira um homem; com uma roupa mais poderosa, vira Sophia Loren; com um boné, fica esportiva; e com uma mini-saia vira pantera”. E ela completou: “das duas, uma – ou eu não tenho personalidade ou eu sou uma mulher multifacetada”.

A gente aqui acha que não existe pessoa sem personalidade. Existe quem não comunique sua personalidade através do que veste (isso existe!), mas não existe ninguém vazio, ninguém sem opinião, sem desejo, sem objetivo, sem grupo de amigos, sem atividades e coisas pra fazer no dia a dia. E todo mundo é, de um jeito, “multifacetado”: dá pra ter uma vontade diferente todo dia, com coerência. Ivete Sangalo deve se vestir desses jeitos todos sempre com cara de Ivete Sangalo, não? Esse é o segredo: se aproveitar da multiplicidade de “minin e micro tendências” que a moda nos oferece agora pra moldar nosso rótulo, nossa identidade visual. Com consistência, com coerência, com algum élãn, sem chatice, sem regrinha. Ninguém depende de direção de ninguém pra se vestir como realmente é – e pra voltar pra casa com alguns elogios na bolsa, não?!??
O que mais “abraça” a gente durante a vida toda é a roupa que a gente veste. Mais do que pai e mãe, mais do que filhos, mais do que cachorro, mais do que amigos. A gente cria relações afetivas com peças preferidas e tudo, tipo peças que a gente usou em dias especiais, com pessoas especiais, em momentos incríveis. E uma coisa acaba motivando outra.

Que a gente pode amar uma roupa pela lembrança que ela carrega ou a gente pode providenciar uma roupa pra lembrar de alguma coisa. Ou pra aproveitar melhor algum momento, ou pra fazer alguém querer dividir um momento com a gente. Gente apaixonada tem vontade de comprar roupa nova pra impressionar, pra parecer mais magrinha, pra ficar mais bonita… não tem? Mesmo pra confortar, pra fazer sentir melhor. Esse texto quer achar alguma relação entre gente apaixonada e moda, e ninguém aqui tem a pretensão de ter a resposta porque tudo que envolve gente apaixonada (e quase sempre moda também!) não tem resposta exata, não depende do pensamento de um só.

Revistas de moda sempre têm editoriais de dia dos namorados em junho (e em fevereiro pras internacionais), com casais e meninas felizes por estarem usando o que vai deixar os meninos ainda mais apaixonados. Comédias românticas quase sempre têm mocinhas que começam o filme usando figurinos cinzas e pretos e neutros e, na medida que o mocinho vai ganhando espaço, esses figurinos ficam coloridos e alegres. Vermelho é a cor da paixão – e a cor do coração também! – e faz muito sentido a gente ligar o que a gente veste ao que a gente sente. Mas como?

Tudo que a gente veste e usa tem elementos. Cores são elementos, acessórios também, formas e cortes e recortes. Texturas super lisas ou fofinhas, que dão vontade de pegar e abraçar, tipo seda e tricôs finos, podem ser boas pedias pra quem está apaixonado. Rosa, vermelho, lilás, roxo e variações desses tons rendem combinações incríveis, femininas, que têm mesmo sensação de gente apaixonada (eu a-do-ro rosa e vermelho). Corações e laços também têm espaço garantido no guarda-roupa de gente romântica (ou num momento romântico): o coração é o primeiro a bater diferente numa hora dessas e laços são o que a gente mais quer fazer e não desfazer, né?!??

A Ivete Sangalo, no blog dela essa semana (ahãm, eu leio!) , postou uma foto dela embrulhada em mil cartazes feitos por fãs, com o mesmo título desse post aqui. Ela resolveu viver aquele momento envolvida pelo que de mais carinhoso ela tinha. Ainda bem que a gente pode, de vez em quando, escolher se envolver com peças que a gente ama, que nos garantem uma lembrança boa… porque quando a gente ama o que mais se quer é fazer o sentimento durar, não deixar de viver nada nem de aproveitar nada. Roupa também é amor (de um jeito!) e pode fazer mais feliz. Não pode?!??
A primeira música da trilha do desfile da Neon era ‘No Surprises’, e quando começou a tocar a gente já sabia o que ia ver: a Neon, como a Osklen, descobriu um ‘nicho’, uma fórmula que só eles têm, por isso não precisam se reinventar a cada temporada – o que eles fazem é inovador por si só. Que o trabalho do Dudu Bertholini e da Rita Comparato é mega conhecido pelas estampas multicoloridas, mas desde a última coleção eles estão mais calmos, com mais peças lisas e estampas mais “organizadas”.

Eles chamaram um time de artistas/ilustradores e eles ficaram responsáveis pelas cinco (eu acho) estampas diferentes apresentadas no desfile de hoje. O tema da coleção era ’samba’, mas a gente achou que era todo um carnaval! Tava tudo lá: microvestidos, maiôs, cáftans e vestidões, tudo com caimento soltinho. Teve também alfaiataria e camisaria, também continuação da coleção passada, e as cinturas eram super altas (eles fazem desde sempre). A estampa que misturava marrom, vermelho e amarelo era incrível, minha preferida.

O desfile foi dividido em duas partes e na segunda várias meninas entraram juntas na passarela (quadriculada, super colorida) e elas usavam elementos de fantasias de bailinhos, tipo de quando a gente era criança: tinha índia, pirata, pierrot, baiana… E a entrada da Ivete Sangalo, no fim, confirmou o clima de bailinho que a gente sentia: rainha do carnaval, né?
(a gente já sobe as fotos, pra ver tudo é só clicar aqui)
pra estreiar o layout novo e dar tempo de teodo mundo ver no fim de semana:

• diz que Juliana Paes vai ter uma marca de roupas só dela, ainda esse ano, tipo Sarah Jessica Parker e todas as outras famosas que se arriscam como estilista. Diz aqui que vai ser “bem casual”. Ahãm. (Sério, eu torço sinceramente pra ser legal, pra gente ter uma experiência boa com celebridades locais à frente de marcas de ‘moda’.)
• e Pedro Lourenço, mesmo ‘tirando um tempo off pra estudar’, não fica de fora da temporada de moda paulista. O moço crioue 5 looks masculinos que vão ser defilados pela G, marca da Glória Coelho – mãe dele. É a primeira vez que a marca faz masculino e que o jovem estilista cria pros meninos. Tem tudo pra ser bem legal (vi aqui).
• o desfile da Neon nessa edição do SPFW vai ter Ivete Sangalo no casting: acho tuuudo (daqui). Se é pra vender e familiarizar todo mundo com o que eles fazem, não tem garota propaganda mais tudo a ver, não? Quero muito ver de perto.
• mal acabou o Fashion Rio já tem listinha de tendências prováveis de confirmar no SPFW pro próximo verão: as que eu mais gosto são a da Glória Kalil e a da Alexandra Farah. Tem aqui listinha de peça-chave escolhidas por fashionistas especiais, incluindo o Oliveros.