• O Independent Fashion Bloggers tá provando ser um canal eficiente de aprendizado e aperfeiçoamento pra blogs de moda, disponível num clique e na medida do interesse do povo. Essa semana teve post contando o que fazer e o que não fazer nas entrevistas feitas pra blogs, muito muito legal.
• O blog Santa Rendeira refletiu sobre novidades e cópias na moda, questionando se tudo já foi feito mesmo – vale refletir junto e lembrar que o João Braga falou que a novidade é ter idéias diferentes pra usar o que já foi feito! Também do Santa Rendeira é a lista de músicas que tratam de moda nas letras, muuuito legal!

• Vai ter curso de cinema e moda com ninguém mais ninguém menos que Alexandra Farah em agosto, e já dá pra fazer programação e inscrição desde agora. Lá no FilmeFashion tem mais info desse que é um curso bem imperdível. Read more
Mais da entrevistona que o João Braga deu pra revista Claudia desse mês: o professor organizou um pensamento sobre o nosso jeito de usar a moda hoje, nos nossos dias, e esse pensamento serve muito como direção praquele momento em frente ao guarda-roupa, toda manhã, quando a gente pensa no que vestir. Olha só!

O professor João Braga diz que vê “uma nova forma de criatividade que consiste não na invenção de novas proporções, e sim nas novas possibilidades de combinar o que existe – eis o ponto forte dessa época.” E completa dizendo que tem três maneiras de se colocar em prática essa ‘nova criatividade’: Read more
A revista Cláudia desse mês tem uma entrevistona com João Braga, top professor de disciplinas de moda aqui no Brasil. O João é o maior especialista em história da moda que a gente tem no nosso mercado e todo mundo que a gente respeita já fez aulas com ele – e recomenda. Hoje ele dá aula em faculdades, dá palestras pelo Brasil e também uns cursos ótemos na Casa do Saber aqui em SP (vale o investimento e até a viagem). Na entrevista ele dá um monte dessas aulas só pela leitura – corre pra banca que é imperdível. Aqui tem as partes favoritas dessa Oficina que aprende mais um tanto a cada contato com o professor. Olha só!

Sobre desfiles, o professor diz que “as tendências desfiladas são só propostas. Quem dita a moda é a rua, ao legitimar a proposta. Quando o estilista faz o desfile não está lançando moda, mas propondo idéias que têm a ver com seu estilo e que poderão ou não encontrar ressonância no desejo de consumo que validará esta ou aquela tendência.” Entendeu?!?? Read more
A legendária Regina Guerreiro disse num seminário fashion no ano passado que “o mundo ficou um lugar meio tedioso, as pessoas estão se vestindo igual, estão industrializando a mesmice.” A gente concorda. Falamos em estilo pessoal, em individualização e personalização o tempo todo, mas ninguém é tão original quando se depende do mercado: tudo que a gente veste vem das mesmas lojas, dos mesmos shoppings, dos mesmos lugares, não?

as costureiras da tarsila!
Durante a segunda guerra mundial a recessão e o racionamento de tecidos obrigou a mulherada a se virar pra conseguir um look bom: “devido ao aproveitamento de sobras de tecido tornou-se moda o debrum de outra cor nas golas, mangas, etc; ou a gola, tampos de bolsos e acabamentos em outro tecido, servindo de enfeite para os momentos de crise econômica”, foi o que o professor João Braga escreveu num artigo antiguinho para a revista Costura Perfeita. As melheres da década de 30 customizaram por uma necessidade. A gente acha que hoje há uma outra necessidade, diferente da delas: só dá pra individualizar (de verdade!) quando a gente mesmo põe “a mão na massa”. Como não dá pra tecer o prórpio tecido, tingir em casa, criar, modelar, costurar… quem salva a gente são as costureiras! Tipo tem que ter, essas senhorinhas que salvam a gente na hora dos ajustes e acertos também podem salvar a gente no look todo.

infância na costureira: montação pra festas juninas!
Uma delícia adaptar uma peça pra que fique perfeita pra gente: mudar uma manga, diminuir uma prega, subir uma bainha (fundamental!) ou acrescentar um botãozinho a mais pode fazer toda a diferença. Mais delícia ainda ver materializada, pelas mãos dessas fofas, uma criação/inspiração/invenção autoral, nossa! Tipo parte de cima do vestido da celebrity com a parte de baixo vista numa vitrine – na medida perfeita, construída sobre o corpo, com cuidado e carinho, com as mãos. Escolher tecidos, então…! Quem mais tem looks assim, “desenvolvidos” em conversinhas entre duas pessoas apenas, na intimidade de ateliês quase sempre simples? Só quem tem uma costureira incrível!

vestido de casamento TEM QUE ser personalizado, né?
Mais do João Braga: “interferir naquilo que já está pronto ou mesmo criar uma nova peça que seja única ou individualizada; pegar alguam coisa e transformá-la em outra – a palavra ideal da língua portuguesa para identificar esse processo é ‘personalização’. E nisto brasileiro é craque, talvez até mesmo por necessidade de expressar criatividade. Qualquer costureira das mais simples sabe o que é fazer uma reforma de roupa e inventar alguma coisa nova a partir de algo já existente.” E se a gente tem repertório, se tem história pra contar, a gente tem estilo. E dá pra imprimir isso em vontade autêntica, super pessoal, não dá?

ronaldo fraga homenageou: suas costureiras foram pra passarela! – a gente tá no mesmo time
Mas será que a gente é craque nisso mesmo? Que todo mundo quer ‘expressar criatividade’, mas e o medo? E o preconceito? Fora de SP a coisa rola muito mais tranquila, mas aqui tem meio uma tensão em relação à costureiras e à “roupa mandada fazer”! Se for por falta de indicação de gente super bacana e cheia de habilidade, aqui tem a listinha de profissionais que trabalham com a Oficina, sempre incríveis. E todo mundo pode contribuir nos comentários com contatos de costureiras bacanas de outros lugares, pra gente montar uma agenda exteeeensa. Que tal?
Tamos de férias, amigos! Esse post foi escrito há um tempão e programado pra reaparecer aqui desde antes! A gente explicou essa “programação piloto-automático” aqui, ó! ;-)
O professor João Braga foi quem explicou esse (suposto) ciclo da moda pra gente, num curso que fizemos juntas em 2002 (o ciclo tá num caderno velhinho, uma graça!). Acontece que nossos ciclos de aceitação e rejeição diminuíram bastante de tempos pra cá – acontecem em beeeeem menos tempo – como o Lula Rodrigues explicou no Dus Infernus e como a gente percebe nas nossas próprias escolhas. Mesmo assim é diversão garantida, pelo menos na teoria… e quem sabe não faz sentido pro guarda-roupa dos meninos, que demora um pouquinho mais a mudar do que o nosso, néam?!??
10 anos antes de “pegar”, uma moda é considerada INDECENTE
5 anos antes, DESAVERGONHADA
1 ano antes, OUSADA
no seu tempo, ELEGANTE
1 ano depois, FORA DE MODA
10 anos depois, MEDONHA
20 anos depois, RIDÍCULA
30 anos depois, DIVERTIDA
50 anos depois, CURIOSA
70 anos depois, ENCANTADORA
100 anos depois, ROMÂNTICA
150 anos depois, LHINDA
Depois de copiar esse ciclo aqui (que no caderno tá chamado “Lei de Leiver”, alguém lembra porque? Lei de Laver), comecei a pensar que dá pra gente atualizar números e adjetivos. Pra deixar o ciclo mais atual desse jeito colaborativo, nos comentários. Alguém quer tentar?!?? =)
Agora em julho e também em agosto, tudo na Escola São Paulo. Tem esse curso rapidex com João Braga (super professor de história da moda, a gente é bem fã), de Cultura de Moda, agora em julho. E tem esse outro, de História da Moda – com um módulo só de história da moda brasileira! – em agosto, com Maria Cláudia Bonadio, que a tchurminha toda daqui vai fazer também (Cris incluída). Quer ser colega de classe das Oficinas?

não vale ser só engraçadinha, tem que ser inteligente também
Que Clarice-nossa-musa disse isso aqui e a gente acredita: “Aprender tem qualquer coisa de milagroso. O milagroso está nisso: quando se aprende… se sabe.” =)
“O fato de querer estar na moda é um verdadeiro paradoxo, pois se alguma coisa está na moda, é sinal que foi assimilada, uma vez que atingiu o ponto máximo de uma curva elíptica de um gráfico que na horizontal representa o tempo e na vertical representa o prestígio e, portanto, a partir daí o que resta com a continuidade da passagem do tempo é a queda dessa curva, isto é, a decadência. Dessa forma, o ‘está na moda’ significa que o único caminho a ser percorrido é o cair de moda, a popularização total.
Contudo, o estilo é o início dessa curva, o ponto mais alto é a moda, a descida é a diluição e o término de uma proposta. Assim, na maioria das vezes, estar na moda é não ter gosto próprio ou apurado e precisar que a aceitação ou o gosto popular dite aquilo que deva estar em vigor. O estilo, por sua vez, é a própria diferença e antecede à moda.
Estar na moda é querer ser/estar diferente, mas o fato de estar na moda já significa ser/estar igual aos demais; portanto, estar na moda é ser igual entre os ditos ‘diferentes’e diferentes dos outros que não são iguais entre si. Moda é um verdadeiro paradoxo, todavia, saudável. Sejamos nós mesmos e sigamos com bom senso a nossa intuição, assim sendo, seremos autênticos e não dissimulados. Ser diferente é o segredo!”

O professor João Braga arrasa. E tá no nosso time, estimulando identidades, originalidades, histórias pessoais e repertórios únicos no vestir. Que construir um estilo próprio e conseguir mantê-lo com coerência faz toda diferença.
O João Braga escreveu que “tanto a arte quanto a moda conceituais, paradoxalmente à sua essência, acabam se materializando e, em grande parte das vezes, resta-nos somente o registro imagético. (…) ambas são linguagem, ambas são comunicação, ambas são sensibilidade e sensibilização”.
O meu “registro imagético” preferido durante o SPFW tem sido o flickr do Michell Zappa, ‘trendwatcher‘ que está colaborando com o moto-à-porter. O Michell carrega a super câmera dele pra cima e pra baixo. Quietinho, ele vai clicando o que há de mais relevante nas sutilezas e “corriqueirices” do movimento da Bienal e das pessoas que passam por ele – o resultado tá armazenado lá na página dele.

O desfile da Erika Ikezili rendeu 400 fotos (!!!!!), dá pra ver quase tipo um filminho.

“You don’t take a photograph. You ask, quietly, to borrow it.”

Evento frenético, pessoas frenéticas, registro frenético.
O Richard Avedon disse uma vez que as fotos que ele fazia diziam muito mais sobre ele mesmo do que sobre as pessoas que ele fotografava. O Michell tá fazendo valer essa citação e a de lá de cima as well, porque a ’sensibilização’ tá mesmo em cada fotinho que ele faz. Super vale o clique e o passeio!
Na segunda de manhã teve outro Sarau Filme Fashion e lá fomos nós assistir (again!) “o diabo veste prada”. Foi no campus novo do Senac lá longe (em Interlagos?) e depois do filme teve tipo um debate com o (nosso!) professor de história da moda João Braga, com a (nossa) professora-pesquisadora de moda Cristiane Mesquita, com a Daniela Falcão da Vogue e com a Erika Palomino. Todo mundo “mediado” pela Alexandra Farah, editora de quem somos mointo fãs e que é quem organiza esse evento tão legal. O assunto era “o papel atual da editora de moda”.
E pra puxar a sardinha pro nosso lado (aêêê!) a gente sentiu que, pelo menos pro povo do debate, o papel dos blogs na cultura e na informação de moda é super importante nesse momento! Muito se falou sobre a ‘customização da informação’, sobre como um fato acontece e os muitos pontos de vista diferentes sobre o determinado acabam por suprir o leitor interessado para que ele tenha sua própria opinião, pra que cada um encontre a sua subjetividade. O papel do editor de moda atualmente é justamente esse: ter sensibilidade e discernimento suficientes para selecionar informações e desejos que estão “no ar” e que vão por algum tempo permanecer no (in)consciente coletivo. Todo mundo sente a moda de algum jeito e todo mundo reage à imagens de moda, o editor funciona como um “curador” para os leitores!
Porque moda é super comportamento, não mais é necessário conhecimento técnico pra discutir/debater e interessa a todo mundo – públicos diferentes e amplos – moda não é mais só “indústria” mas também há muito não é “gueto”. A gente deixou de viver na ‘era da informação’ e passou a viver na ‘era da curadoria’ (adorei!), com muita muita muita informação/influência de todo lado: cinema, música, blogs, TV, arte, mesmo o nosso dia-a-dia… Tudo contribui pra formação de um olhar de moda com opinião, mas a gente tem que arrumar tempo hábil pra digerir tudo isso e pra sentir o que faz sentido, o que pode permanecer, o que emociona… Hoje a gente (todo mundo!) pode discutir moda de igual pra igual com editores por causa da quantidade de informação disponível a que temos acesso a partir de nosso interesse. A Erika Palomino contou que muitas vezes ela sai de um desfile, liga pra sua redação e seus assistentes já têm mais informação que ela: tá na internet a trilha do desfile, os tipos de tecidos, etc…
O que mais serviu de aprendizado pra gente aqui na Oficina foi a lição da Daniela Falcão: a gente tem que encontrar maneiras criativas de transmitir o “espírito da coisa” em cada situação/ocasião, tem que aliar o conhecimento técnico (história da arte e da moda, tipos diferentes de tecidos e modelagens, tendências e business…) à nossa intuição/feeling e às nossas referências pessoais, pra gerar interesse e discussão!! (E não é essa mesmo a função dos blogs??) A gente super tomou como ‘missão’ pra alcançar excelência não só aqui no blog mas na vida real ‘em si’! Porque a Alexandra Farah falou no final e a gente concorda super que “não dá pra separar as nossas pessoas física e jurídica”: no fim do dia, quando um farmacêutico fecha a farmácia e vai pra casa, ele deixa de ser pessoa jurídia e assume a sua pessoa física – mas a gente dorme e acorda pensando e vivendo a nossa profissão, não desligamos nunca!!

A gente saiu antes do debate terminar (mega atrasadas pra um almoço….) mas a Laura do excelente moda pra ler também foi e cobriu lindamente, vale passar lá pra ver o que ela achou também. A Alexandra Farah é nossa mais nova amiga-blogueira e anunciou o blog dela no www.filmefashion.com.br (tem promoção rolando e tudo). E mais uma vez a gente se divertiu trabalhando!