A Rosa Chá virou um ícone da moda praia brasileira tipo exportação (com o nosso suingue aliado a uma sofisticação global) nas mãos do Amir Slama, que passou o bastão da direção criativa para Alexandre Herchcovitch depois que a marca foi comprada pelo grupo Marisol. A última vez que ela desfilou na SPFW foi na edição de verão 2009 e a gente aqui tava ansiosa pelo retorno.
O espírito da marca persiste em estampas coloridas (exóticas), recortes e zíperes. Parece que Herchcovitch abriu o leque e agora quem for até uma loja Rosa Chá, não vai encontrar apenas biquínis e sim outras ideias para sobreposições, como maiôs que viram bodies por dentro das calças e saias tulipas, bustiês que aparecem sorrateiros em decotes e camisas, e leggings para serem usadas sob shorts e saias. Isso tudo além de paletós e vestidos (acredita?).

O desfile trouxe também o ar das lingeries antiguinhas, com direito a anáguas e modelagens que remetem ao corset (diz que a Rosa Chá vai vender lingerie). Simultaneamente, os recortes lembram as roupas de mergulho, com corpo e laterais de cores diferentes. A Fê tá aqui do meu lado e ensina: “Quando o corpo é mais claro e as laterais escuras, quem veste emagrece instantaneamente”. Lição boa de afinar a cintura, não? E em TODOS os looks a renda apareceu. Na sua forma “pura” ou em estampa digital – o que facilita para trazer o material tão romântico para o biquíni da vida real.
Alcinha de sutiã que foi pensada pra desaparecer é feita pra isso mesmo: pra-não-a-pa-re-cer. Então alça com a cor da pele não tem que ser vista por baixo de roupa nenhuma – porque né, se foi feita pra não aparecer não tem graça mostrar. A mesma lógica vale também (e muito!) pra alças de silicone: quem inventou fez pra ser invisível – e essa é a pior modalidade da “lingerie indevidamente aparecida”!!! Alcinha de sutiã aparecendo é pra ser ‘exibida’, gente. Pra ter graça, a lingerie aparecendo sob a roupa precisa ser diferente da tradicional: tem que ser bonitinha, mais fina e delicada, colorida, estampada, feita em tecidos diferentes, com rendinhas e aplicações. Pra render coordenações interessantes com a roupa, sabe como?

Então fica combinado assim: sutiã cor-de-pele e sutiã que tem alças de silicone ficam restritos a morar por baixo de roupas que cubra tudo com folga, pra não aparecerem nem num descuido. Porque mostrar alcinha bege pode parecer desleixo e mostrar alcinha de silicone pode ficar bem vulgar. Que perigo, hein?!??
Esse post de links que a gente sempre faz nos fins de semana aqui no blog é uma delícia de fazer por mil motivos: porque é uma hora boa de visitar os blogs mais legais dessa listona aqui do lado, é oportunidade de aprender e trocar idéias com nossas vizinhas de blogolândia, é legal dividir o que a gente curte com todo mundo que curte a gente – e saber do que todo mundo achou, via comentários. No fim de semana passado não teve links mas eles tão aqui agora (tá valendo?), todos relacionados à roupas do jeito mais prático de todos. Olha só:

• O C’est Sissi Bon fez post sobre a origem dessa onda de lingerie à mostra que faz parte dos looks de agora, tudo em imagens. Lindo lindo.
• O Estilo Quem (sempre super bom) mostrou Read more
Quando a gente procura no dicionário o significado de “ínitimo” os resultados são: muito de dentro, profundo; da alma, do coração; doméstico, familiar; vestido diretamente sobre a pele, sob outra roupa: roupa íntima. Ou seja nem o Aurélio consegue desligar a intimidade da roupa que a gente veste!!!
Acontece que estamos vivendo um momento de muita intimidade com as outras pessoas! Por conta de blogs pessoais, reality shows e twitters da vida virou normal a gente saber quando alguém está passeando com o cahorro, ver alguém tomar banho, saber o que esse alguém pensa sobre a manchete do jornal do dia. Embora a gente cada vez se relacione menos com as pessoas no “plano material” – embora a gente sinta que está acontecendo um contra-movimento – a gente está cada vez mais íntimo no “plano digital”. Não é!?!

E se moda é refelexo de comportamento, é materialização de como a gente está pensando/sentindo/agindo num determinado momento, não tem como não percebermos a “intimização” das roupas!!! Read more
Junto com a crise apareceu também o conceito de confort wear, tão vendo? Tipo malhas fininhas e gostosas, com cara de pijama, calças mais soltas, tops que lembram lingeries e transparências que remetem a esse mesmo universo. Meio que “um novo sexy”, que vem velado e muito muito ‘à vontade’. Se a gente tinha dúvidas sobre essa coisa feminina transparente confortável pijaminha de se vestir, o desfile de alta costura da maison Dior tirou todas ontem – e as transparências apareceram SUPER nas partes de baixo dos looks! Claro que essa interpretação (pra vida real) não é literal, claro que as coisas não vão aparecer assim em lojas. Mas a alta-costura ainda é a mola que empurra todos os outros níveis de moda no universo, desde os designs mais sofisticados até os que a gente encontra nas araras da loja do bairro. Então é esperar pra ver essas idéias diluídas nas peças com que a gente vai abastecer nossos armários pro verão, né?

No blog de Ana Clara Garmendia tem um post SENSACIONAL sobre esse desfile, tem que clicar pra ler. Ana Clara é jornalista e vive em Paris, muito fina, recebe convites com o nome dela (tem no blog também!) e assiste a tudo lá, de verdade. Ela contou – com mointas fotos! – como foi a chegada no atelier da maison Dior (esse desfile foi tipo os de antigamente, lá dentro da “sede” da marca!) – como estavam as convidadas, o que ela achou de tudo e mais. Um passeio super “por dentro”.
Como todos os outros decotes assimétricos, o decote com um ombro só chama atenção pra parte de cima da silhueta – bom pra quem tem clavícula-de-magra, colo bonito, pra quem quer alongar pescoço e pra quem quer desviar atenção da parte de baixo (quadril, barriguete, bumbum). Pode ser que esse seja um decote desconfortável pra quem tem peitão, porque uma alça sustenta menos que duas (dã!), mas isso depende da peça e de quem usa. A lingerie pode ser uma questão também, já que os sutiãs sem alças costumam “cortar” o peito em cima e criar uma dobrinha horizontal no colo (sabe como?).

todas as fotos desse post são de desfiles dessas últimas semanas de moda de NY e de Londres – sinal de que o decote um ombro só é proposta certa dessas marcas pra vida real de todo mundo, né?
Já reparou que meninos não usam decotes diferentes? Então, decotes que deixam o colo à mostra com alguma interessância são super femininos por si só! O decote um ombro só é especialmente sensual (a gente acha!), por isso o jeito Oficina de usar é equilibrado: calças alfaiataria, jaquetinhas e paletozinhos são pares bons pra blusas com esses decotes. A gente acha mais sensual imaginar como é aquele decote ali embaixo do que ver tudo de uma vez (e ombrinho de fora em ambiente profissional é complicado, néam?). Também por conta da mensagem um pouquinho mais sexy, a gente acha elegante usar esses decotes em tecidos super sofisticados (e planos!), tipo sedinhas, lãs finas e algodões.

pra djá: decote com um ombro só não precisa aparecer só em vestidóns de festa e em tapetes vermelhos, mas podem sim fazer a gente brilhar no dia-a-dia
E, diferente do que parece, é bem fácil coordenar esse decote com vários acessórios! Porque o decote já “ocupa” bem o colo e o pescoço, no lugar de colares a gente pode usar brincos incríveis, mointos anéis e mointas pulseiras. Nas fotos daqui do post ainda tem broches na única alça do decote e lações que na vida real podem ser improvisados com lenços (porque não, né?). Detalhe petcheno mas bem importante: marca de biquíni não combina com decote bacana ou com colo à mostra.
Olha, a gente pode ser bonitinha, pode ser engraçadinha, pode ter um super senso fashion, e ainda assim escorregar – que detalhes contam, e detalhes do mal contam mais ainda. A gente tem uma listinha de “sabotadores de aparência” que sempre aparece nas palestras/workshops de guarda-roupa profissional que a gente faz – acontece que a gente não é só trabalhadeira, néam? Então, da lista infinita de coisas que detonam a nossa aparência, a gente selecionou os quatro piores estragadores de look. Pra todo mundo evitar e sair bem “bonitinha-engraçadinha”. =)

Estragador #1: Lingerie que aparece ou que marca
Aparecer de um jeito bonitinho não tem problema. O problema é se você usa um vestido claro com uma calcinha escura, ou top branco com sutiã branco, que super aparece. Se a lingerie não vai aparecer de propósito, então ela não tem que aparecer de jeito nenhum – lingerie boa é lingerie in-vi-sí-vel! Tem que ter boas peças em cor de pele no armário, especialmente pra usar com roupas claras, e tem que procurar costuras suaves que não dividam o bumbum e o peitinho e as costas, fazendo volumes que ninguém quer ver (sabe como?).
Estragador #2: Botõezinhos que podem explodir
Sabe quando a gente tá um pouquinho acima do peso, e veste camisa de botão, e na hora de sentar os espaços entre os botões ficam super abertos e parece que os botões vão pular? Então, essa imagem não é legal. Os botões de cardigans, camisas, vestidos chemise e paletozinhos têm que fechar confortáveis, mesmo quando a gente senta. Não dá pra não olhar praquele pedaço de barriga que aparece quando a peça tá apertada e os espaços se abrem, amigas. ((Sabe o que funciona se tiver abrindo só um pouquinho, ou só na altura do peito? Fita dupla-face. Tenta e depois conta aqui se deu certo.))
Estragador #3: Barriga aparecendo, cofrinho aparecendo
Uma coisa é você ser adolescente e curtir o look ‘barriga de fora’. Outra coisa é você, amiga adulta, usar a calça tão baixa e a blusa tão no-limite que não possa se mexer sem mostrar pele no meio do corpo. Não é profissional (não meishmo!) e não acrescenta nada em charme (não meeeeishmo!). Tipo a estória da mini-saia (alguém lembra desse post? ele sumiu!), pra usar tops curtinhos também tem idade limite. E cofrinho à vista devia constar em código penal e levar pra prisão.
Estragador #4: Peças mal conservadas
Tricô com bolinhas, tecidos desgastados, cores desbotando, costuras desfeitas, fios puxados, sapato com saltinho estragado ou frente detonada, bolsa riscada ou suja, botões faltando, furinhos, manchinhas e todo o resto são os maiores detonadores de aparência ever. Pode ser um micro detalhe, mas alguém vai ver (a gente super vai, pode ter cer-te-za). Roupa em estado ruim de conservação passa imagem de desleixo e de falta de carinho – com a gente mesmo e com quem a gente encontra. Se tá com esses defeitinhos é porque você já usou mointo, já foi feliz com a peça. Então libera esse espaço no guarda-roupa e, numa oportunidade boa, compra uma nova – e cuida bem dela.
Quer mais?!??
LISTONA DE SABOTADORES DA OFICINA
MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO DE PEÇAS
Primeiro o Marc Jacobs desfilou em setembro passado uma coleção que mostrava lingeries de verdade e de mentira: as de verdade apareciam sob recortes super reveladores e as de mentira vieram estampadas nas próprias peças. Logo depois a Prada desfilou uma coleção fluida, cheia de sedas e organzas e com tudo super confortável – com vários looks que lembravam pijamas gostosos de ficar em casa (mas chiquérrimos). E na Vogue desse mês (com Carol Trentini na capa) tem um texto amazing dizendo que a “moda de lingeries na moda” não começou agora e contando porque a gente vai querer usar essa referência (re-fe-rên-cia, gente).

cristina foi a modela porque usa super na vida real: vale até coordenar cores na hora de mostrar a alcinha do sutiã!
Costanza (ela de novo!) entende a lingerie de agora como “componente sexy e visível da roupa feminina” e diz que “são símbolo da sensualidade contemporânea, mais natural”. A gente tá vivendo uma temporada de imagem feminina mas não bobinha, tipo de mulher que sabe o que quer mas não deixa de ser doce: um ‘novo-romantismo’ – que dona Costanza diz estar “distante anos-luz da parafernália sex-shop da atualidade”. Tudo pra fazer entender que a referência já traz sensualidade em si, então a gente não precisa nem mostrar nem muita lingerie e nem muita pele! Pra fazer bonito na hora de aparecer (sutilmente!) por baixo de alças, decotes assimétricos e afins, as alças do sutiã precisam ser diferentes das tradicionais: têm que ser bonitinhas, mais fininhas e delicadas, podem ser coloridas, podem ser feitas em outros tecidos, podem ter estampas e rendinhas (cuidado pra não exagerar no elemento sexy!). Lingerie da cor da pele foi feita pra não aparecer, então não tem graça mostrar – alças de silicone entram na mesma categoria, quem inventou fez pra ser invisível.

camiseta em algodão super fininho (bem pijama!) rende looks incríveis
Mas Costanza disse mais (e a gente diz amém pra tudo): “hoje roupas íntimas não servem só para dar forma e conforto como se tornaram peças fashion, exibidas de verdade”. Que muitas coleções nessa última temporada trouxeram elementos literais das lingeries nas peças, tipo tecidos leves e acetinados, rendinhas e laços e babadinhos, transparências e mesmo os motivos etéreos, com cara de conto de fadas (bem filminho da prada: folhagens, borboletas, pássaros, natureza). O look também acontece com peças super super confortáveis em algodão e gazes finas, com cara de pijama mesmo – coordenadas com outras mais retinhas, mais pesadas, pra não virar fantasia. E aí é arrasar, bem “nova-romântica”.
MAIS!
guia da oficina pra comprar a lingerie ideal
guia de lingeries da trinny e da susannah (de-mais!)
Na última semana aconteceu o mega power desfile anual da marca de lingeries Victoria’s Secret, cheio de supersupersuper modelas com pouquíssima roupa, com show das Spice Girls (eeee!) e pela primeira vez desde um tempão, sem a Gisele. Mas tudo bem, que esse desfile teve um outro ‘brilho’ bem bem legal: tinha toda uma coisa surrealista, e as modelas carregavam elementos inspiradíssimos em grandes trabalhos dos artistas dessa onda. E quem percebeu foi a editora da revista Glam, num post que originou esse nosso aqui (bem igualzinho).

clica pra ver grande!
Dá pra ver nas fotos um monte de referências (obrigada querida editora por mostrar todas pra gente reproduzir aqui): as boquinhas na Isabelli vieram do trabalho do Salvador Dali, que fez desde sofá até broche inspirados pela boca da atriz Mae West; tem asinhas cheias de nuvens que vieram das telas do René Magritte; tem violãozinho cubista que veio dessa tela do Picasso; e tem as luvinhas nonsense da Elsa Schiaparelli vêm grudadas na lingerie e no corpitcho da modela. A Thaís Losso já tinha feito um post incrível falando das referências legais de arte na moda (que rendeu um textinho incrível na revista Capricho – alguém tem o link?), com fotos de um desfile e da obra do artista que inspirou a estampa – passa pra ver que é legal meishmo.

tem versão grande também!
Esse show da Victoria’s Secret a gente vai ver no dia 04 de dezembro, no SBT (diz que vai passar no TNT também, alguém sabe que dia?!??) – junto com as referências surreais-surrealistas tem também Heidi Klum mega brilhosa desfilando ao som de seu maridón Seal, tá? Tem mais um zilhão de fotos do desfile aqui e aqui. Mais de lingeries: no site da revista Manequim tem história da lingerie e dicas de como manter as peças sempre novinhas, e a gente tem esse texto que fala de como escolher e comprar lingeries, cheio de achismos e dicas que a gente usa de verdade na vida real.