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  • Roupa comprada pronta não é feita pra gente: ninguém (ou quase ninguém) tem tamanho padrão homogêneo e equilibrado no corpo inteiro — tem gente que é 38 na parte de cima e 40 na parte de baixo, ou mesmo -super comum!- tem bumbum 42 e cintura 40. Quem faz compras com a gente aprende isso demais porque quase nunca a gente sai de uma loja com a sacola: 99% das peças que a gente experimenta/compra com clientes de consultoria de estilo vai pra costureira ajustar/personalizar caimento antes da cliente levar pra casa.

    Fazer ajustes e reformas pra que uma peça funcione no seu melhor PARA OS NOSSOS CORPOS é se apropriar do processo de fazer roupas. <3

    Pode ser esperto entender o que é ajuste e o que é reforma — pra não sobrecarregar as costureiras das lojas ultrapassando o limite das pequenas intervenções, mas também pra não se inibir em levar mirabolâncias maravilhosas pras nossas costureiras ‘particulares’ mais afiadas, capazes de reformular peças com a gente. Indicativo certeiro de que uma peça vale os ajustes/a reforma que a gente tem vontade de fazer é a qualidade dela: quanto mais qualidade, mais vale o trabalho. E simplificando, se considera ajuste:

    -o que adapta a peça à anatomia específica de quem usa,
    -o que melhora a performance da roupa no corpo de quem vai usar;

    e se considera reforma:

    -o que influi no design da peça
    -o que modifica o trabalho intelectual da/o estilista.

    Então conta como ajuste, por exemplo: diminuir a cintura, criar pences a partir do cós da parte de baixo pra fazer caber o quadril, subir alcinhas, arrumar alturas de punhos e barras, tirar excesso de tecido na costura debaixo dos braços — tudo sem mudar as características originais da peça. E conta como reforma acrescentar pences pra acinturar uma peça que é mais soltinha, mudar a costura do ombro de lugar, inserir botões extra no decote, tirar detalhes como pregas ou fendas, tirar zíper e mais. Até fechar bolsos pode influir no trabalho intelectual da estilista, então conta como reforma, veja só!

    Isso é autonomia: fazer ajustes e reformas pra que uma peça funcione no seu melhor PARA OS NOSSOS CORPOS é se apropriar do processo de fazer roupas. <3 Se a blusa calça vestido jaqueta é pensada em moldes e medidas “padrão”, com alfinetes e disposição é possível fazer tudo (ou quase tudo) funcionar em 3D nessas formas únicas que todas nós somos.

    Não é empoderador? A gente acha que sim, e que também é aperfeiçoador de paciência, um lembrete de humanidade quase. Faz sentido a roupa não estar perfeita pros nossos corpos no primeiro minuto que a gente veste — se ela não foi feita a partir do nosso molde. Então escolher a roupa, experimentar, fazer ajustes pra melhorar a performance dela nos nossos corpos (nas nossas vidas) dá esse respiro, esse tempo da gente se desconectar do instantâneo, de valorizar o manual, o artesanal.

    + as costureiras e a personalização
    + ordem de preocupação na costureira
    + vale a pena consertar nossas roupas
    + costureira em casa todo mês


  • Quase todo mundo tem mais coisas no guarda-roupa do que precisa, especialmente mais coisas do que efetivamente se usa. E a gente sabe da dificuldade que é se tentar se vestir com os 20% usáveis de um guarda-roupa quando os outros 80% inúteis/encostados teimam em atrapalhar a escolha e a coordenação dos looks. Essas nossas idéias de ter menos e melhor e de só comprar pra incrementar só funcionam se a gente tem um armário construído pra facilitar, pra versatilizar, pra ajudar a gente a por energia na vida — e não no que a gente vai vestir pra viver a vida.

    uma comparação precisa com relacionamentos mal-sucedidos e sem futuro. ;-)

    Dá pra comparar a nossa relação com as roupas que precisam sair dos nossos armários com mil outras coisas que precisam sair das nossas vidas — aqui a gente vai fazer a comparação relacionamentos mal-sucedidos, porque né são iguaizinhos ao que a gente tem com as roupas que só ocupam espaço sem ser usadas na vida real.

    Que geral sabe que se alguém diz que ama mas tá emocionalmente indisponível, então esse amor não vale, não é um amor tããão amor assim. Com roupa é a mesma coisa: a função da roupa é cobrir, garantir que a gente sinta uma sensação (importante pra quem usa, tudo a ver com estilo pessoal e estilo de vida e atividades e tals) e deixar quem usa mais bonita e segura, traduzir a identidade dessa pessoa. Se a roupa não tem como cumprir alguma dessas ‘promessas’, não tem motivo algum pra ela estar/permanecer no guarda-roupa.

    Vestidinhos casaquinhos camisetinhas sainhas bolsinhas existem aos montes em mil lojas em volta da gente — mas a gente devia deixar entrar nas nossas vidas/nos nossos armários somente o que certamente vai fazer a gente feliz. Esse é o espaço que precisa ser aberto, disponibilizado… a gente merece!

    + FAXINA DE GUARDA-ROUPA
    + LIMPEZA ESTRATÉGICA DE GUARDA-ROUPA

    A parte boa é que quando a gente trata da relação com as roupas tudo tem como funcionar super mais fácil do que com relacionamentos: se a gente sabe exatamente o que esperar de uma determinada peça de roupa, só de olhar (com um olhar bem crítico, sem misericórdia!) já se sabe se é o caso dessa peça permanecer ou não nos nossos armários (e nas nossas vidas).

    Se tá manchada permanentemente, se rasgou ou puxou fio, se foi comprada só porque tava em liquidação, se tem bolinhas ou desgastes (de uso mesmo) que não saem mais, se não serve mais (presente > passado-futuro), se não é usada há milênios ou se simplesmente não cai bem… então DESAPEGA! Às vezes as razões pelas quais uma peça pode ser tirada (definitivamente) dos nossos guarda-roupas vêm acompanhadas de motivos subjetivos — e é um exercício e tanto se propor a prestar atenção nisso: mudanças de peso, de silhueta, de vontade, de trabalho, de companhias, de cidade e mesmo de vida (casamento, filhos, etc). E uma boa limpeza no guarda-roupa pode aliviar pesos e dores da vida real, não pode?

    #DESAPEGAMENINA!

    Quando a gente consegue abrir espaço físico no guarda-roupa, automaticamente abre também espaço mental pra organizar importâncias, valores e necessidades — e assim é natural comprar melhor, de um jeito mais “certeiro”. E saber a hora de parar/de deixar aquela peça seguir o caminho dela (pro lixo/pro destino mais conveniente) é fundamental.

    A gente só enxerga novas possibilidades, outros caminhos, novas coordenações e looks diferentes (perspectivas diferentes!) quando deixa pra trás o que é velho e não acrescenta mais nada de bom: acrescentar só volume ou só quantidade não adianta. “Um bom encontro é de dois”, e mesmo que a gente ame muito uma roupa, mesmo que ela seja quase essencial pra manter a gente viva, ela tem que viver com a gente o dia-a-dia, fazer valer a presença dela por perto. Senão só atrapalha. <3

    ((post originalmente publicado em dezembro de 2007, agora revisto e atualizado. o tempo se diverte quando a gente voa!))


  • Que coisa LINDA pensar em consertos assim:

    _ o que acontece com a roupa faz parte da vida vivida com ela/nela;
    _ vale a pena consertar e usar mais vezes essa roupa;
    _ ao ser consertada a roupa não perde valor, mas se torna ÚNICA por isso mesmo;
    _ o conserto não precisa ser invisível, mas sim pode ser um registro da nossa história com a peça, desse valor singular.

    A gente não pensou nessa sequência de idéias sozinha: uma amiga contou do trabalho da Mari Watanabe, que faz consertos de roupas, em especial com cerzido — que é uma técnica de cobrir pequenos furos ou pequenos pedacinhos rasgados de tecido unindo tudo com linha, de um jeito bem discreto, quase imperceptível.

    a gente pode entender consertos como celebrações de resiliência e vida-bem-vivida com nossas roupas, registro da nossa história com elas! <3

    Acontece que o cerzido da Mari é especialmente costurado pra aparecer, é a celebração da vida-bem-vivida com a roupa. Pra trabalhar assim ela se inspirou na técnica japonesa que conserta vasos de cerâmica quebrados… com uma cola de ouro! Isso se chama KINTSUGI e a idéia é essa mesma: valorizar imperfeições como parte da própria utilidade comprovada da peça.

    Ó que demais relacionar consertos (de cerâmicas e de roupas) com resiliência, com um novo senso de vitalidade: “ao invés de se envergonhar pelas “feridas” expostas, eles as embelezam para que sejam uma celebração constante da vida cotidiana. Dos pequenos e grandes erros que cometemos e da possibilidade que temos de aprender com isso.” (daqui)

    Junta tudo: disposição pra consertar roupas + cerzido aparente + celebração do cotidiano + história da vida vivida com a peça + mais tempo com a roupa, menos pressa e menos ansiedade pra trocar pelo novo = mais versatilização, mais criatividade, mais recurso interno fortalecido, mais confiança, menos dependência de compras pra se sentir satisfeita.

    E assim a gente se coloca num círculo virtuoso: quem ama, cuida. <3

    + mapa da mina
    + costuras da pat cardoso
    + a costureirinha
    + costuras e costureiras no blog da Oficina

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  • A gente faz valer o dinheiro que gasta em roupas quando cuida pra que elas duuurem bastante, viu. E a vida útil da roupa pode ser mais longa ou mais curta dependendo de quanto cuidado a gente dedica à manutenção das nossas coisas. Assumir essa responsabilidade dá retorno não só em consciência de consumo (!!!), mas também em empoderamento: tamos num tempo em que tá fácil (e barato) não depender de tinturarias e lavanderias, sabia? Esse post compartilha o que a gente vem aprendendo de mais legal nesses anos trabalhando como personal stylists — e também compartilha quem são as várias gênias que ensinaram isso tudo pra gente, ó.

    CUIDADOS PRA ROUPA DURAR :: uma aula de manutenção simples e possível, pra fazer valer o dinheiro que a gente gasta com moda!

    CUIDADO ANTES MESMO DE COMPRAR
    A etiqueta interna diz pra lavar a seco ou lavar somente à mão e eu não tenho nem disposição, nem tempo nem dinheiro extra pra isso? A peça não é pra mim. Ou a etiqueta diz pra cuidar em lavanderia profissional, mas eu sinto segurança pra cuidar em casa, tenho tempo e disposição pra fazer acontecer? Aí sim, a peça pode ser pra mim. Ou ainda: diz na etiqueta que a peça é delicada, mas eu topo treinar a minha ajudante em casa pra que ela lave com cuidado especial, e então ela cuida pra mim? Ótimo, a peça é pra mim. A gente aprendeu com a Flávia Aranha, estilista, a estar ligada nisso: todas as peças vendidas na loja dela vem com uma pequena apostila de cuidados simples e eficazes (veja aqui).

    LAVAR MENOS = VIDA ÚTIL MAIS LONGA
    Roupa usada uma ou duas vezes, se não tá suja de verdade ou impregnada de cheirinho de suor… não precisa ser lavada ainda. Antes de guardar, vale “refrescar” a roupa pra que a semi-limpeza segure mais uns usos antes de se lavar a peça: no fim do dia ce tira a roupa, pendura do lado avesso num cabide, deixa ventilar durante a noite, guarda só no dia seguinte. Tem até um desodorante de roupas pra borrifar e ajudar nesse processo (com receita aqui), que a gente aprendeu a fazer e a usar com a personal organizer Ingrid Lisboa, ó.

    01 extra: ter um conjunto de peças que componham um ‘guarda-roupa de ficar em casa’ ajuda demais a preservar roupas mais especiais — tipo chega em casa, troca pra um look dessa ‘gaveta do conforto’, aí sim vai preparar o jantar, vai cuidar da vida… sabe como? Nosso ebook tem um capítulo só sobre como compor esse guarda-roupa gostosinho, viu.

    TIRAR MANCHAS ANTES DE LAVAR
    Melhor hora pra se tirar manchas: assim que o pingo cai na roupa, ou no primeiro momento em que der pra administrar. Quanto mais tempo a mancha fica na roupa, mas ela se fixa! Vale correr no banheiro, tirar a peça e, na pia mesmo, molhar com água fria pra mancha nem secar. E tem que ser em água fria: temperatura alta faz a mancha grudar ainda mais — não pode nem lavar com água quente, nem passar a ferro a roupa manchada, viu. Se tiver difícil de sair só com água, vale diluir um pouquinho de detergente líquido em água fria e fazer um carinho na mancha com uma escova de dentes bem molinha (tem que ser carinho mesmo, pra não ficar com peça sem mancha mas desbotada/desgastada no lugar da escovada!) — dica da Ana, funcionária espertíssima de uma das nossas clientes de consultoria de estilo.

    LAVAR PEÇAS DELICADAS À MÃO
    Se é de seda, se é finíssima, se a gente acha delicada e AMA a peça, a lavagem é manual! E não é difícil, viu, a gente faz/ensina assim:
    -enche um balde com água fria e dilui um pouquinho de sabão de côco ralado (ou líquido),
    -mergulha as peças delicadas e deixa em molho por uns 15-20 minutos, só isso — sem esfregar a peça inteira ou friccionar tudo no tanque. vale fazer aquele mesmo carinho só no sovaquinho da peça pra evitar mancha amarela de desodorante ou cheirinho ruim (dica da nossa leitora Cláudia Alves)
    -enxágua as peças umas 2 vezes e não torce, mas amassa delicadamente uma a uma dentro de uma toalha (vale ter uma de rosto, clarinha, só pra isso na área de serviço).

    LAVAR NA MÁQUINA COM MENOS PRODUTOS
    Diz que a gente só precisa de metade das quantidades recomendadas de produtos pra usar na máquina de lavar, sabia? E que os sabões em pó podem deixar a roupa durinha (com resíduos deles mesmos) e que os amaciantes típicos do mercado são potenciais estragadores de máquinas. Então vale testar quantidades menores de tudo, ou substituições mais saudáveis (e bem mais baratinhas). A Bia Martins, organizadora de lares, ensinou pra gente essa fórmula aqui: no lugar do sabão em pó a gente usa a mesma quantidade de sabão de côco ralado; no lugar do amaciante, uma tampinha de vinagre branco + uma tampinha de álcool; 2-3 gotinhas de óleo essencial pra dar cheirinho em tudo; 1 colher de sopa de bicarbonato de sódio só pras roupas claras.

    + 01 extra: tipos de lavagem pra cada tecido
    + receita de sabão em pó caseiro (e natureba e cheirosíssimo)
    + como ler os símbolos de lavagem das etiquetas

    MENOS PREGADOR DE ROUPA, MAIS CABIDE NO VARAL
    Vale tirar da máquina e pendurar em cabides, bem esticadinhas, as peças feitas em tecido plano (pra precisar passar menos, ou nem usar o ferro). Peças feitas em malha e tricô podem esticar desse jeito, então é bem melhor deitar as peças sobre as cordinhas do varal pra que elas sequem na horizontal, viu — essa quem ensinou foi uma cliente que durante toooda a juventude cuidou de lavar/passar as próprias roupas. E ó: no geral, pregadores de roupa podem marcar as peças fazendo ceder as fibras do tecido com o aperto/atrito — se não for o caso de usar os cabides, vale dobrar a peça na própria cordinha do varal pelo meio, sem precisar usar o pregador. (A gente não usa e aconselha clientes a não usar: máquina de secar. Pra roupa de cama, mesa e banho, tudo bem — mas pras nossas roupinhas preciosas, melhor não!)

    NÃO PASSAR O FERRO DIRETO NA ROUPA
    Sabe que muuuitos anos atrás a gente fazia aulas de manutenção pras funcionárias das nossas clientes? O conteúdo mais impactante dessas aulas recheia 2 posts aqui no blog: aula fácil de manutençãoapostila da roupa bem passada. Com esses posts a gente aprendeu um extra com a Maria Estér, nossa leitora do coração <3 que deixou a dica num comentário (e a gente incorporou pra sempre!): é bem bom ter, na área de serviço, um pano de prato ou fralda ou tecido/algodão bem liso pra proteger as roupas da quentura do ferro de passar — mesmo se o ferro tem proteção “anti-brilho”. Assim, com o pano esticadinho sobre a roupa, o ferro não marca e a gente tem mais garantia de não queimar peça nenhuma (Deus defenda a gente!).

    GUARDAR TUDO DIREITINHO PROLONGA VIDA ÚTIL, Ó:
    + organizando o guarda-roupa (e a vida) 
    + o que guarda dobrado e o que pendura em cabide
    + roupas guardadas em capas precisam respirar

    Por fim: tem aqui um poster incrível com instruções de lavagem caligrafadas pra fazer download e embelezar a área de serviço com info útil, ó, que foi antes enviada como um presente na nossa newsletter #13, com outras dicas bem boas. <3

    E se alguém tiver dúvidas e quiser compartilhar na nossa caixa de discussão aqui embaixo, a gente se compromete a buscar soluções com essas mesmas gênias citadas no post e compartilhar de volta nas respostas dos comentários. Essa mesma caixa de discussão tá aberta também pra mais compartilhamento de dicas e  práticas eficazes que possam incrementar ainda mais esse conteúdo! \o/ \o/


  • Olha, roupa é geralmente feita de tecido. Então é bem esperto de nossa parte conhecer tipos de tecidos e saber das propriedades (boas e não-tão-boas) de cada um, nénão? Conhecendo, a gente consegue avaliar o que funciona melhor (pra gente) em cada ocasião da vida, que sensações cada um proporciona pra quem veste, que mensagens comunica (como fazem a gente se parecer), pra que temperaturas escolher cada tipo desse materiais, no que pode valer gastar mais ou menos $$$.

    Todo tecido é feito de fibras, e essas fibras podem ser

    -NATURAIS = encontradas prontas na natureza, tipo algodão, linho, seda e lã;
    -ARTIFICIAIS = produzidas quimicamente com matérias -primas naturais (principalmente da celulose), tipo viscose, cupro, tencel/liocel e acetato;
    -SINTÉTICAS = produzidas pelo homem com matérias-primas não-naturais (principalmente petróleo), tipo poliéster, poliamida, acrílico, nylon e elastano.

    guia pra conhecer tipos de tecidos e avaliar o que funciona melhor (pra gente) em cada ocasião da vida, que sensações cada um proporciona pra quem veste, que mensagens comunica, no que pode valer gastar mais ou menos $$$.

    Os tecidos podem ter “nomes fantasia”, por exemplo: a gente pode chamar de seda (e até reconhecer, pelo toque, algo como seda) mas né, a composição desse tecido pode ser 100% sintética. Crepes, microfibras, tafetás e principalmente tricôs trazem nas etiquetas internas a descrição certinha da mistura de fios que os compõem — inclusive com porcentagem de cada um.

    E aí, entendendo essa etiqueta de composição, a gente pode avaliar o que vale mais a pena a partir das nossas próprias demandas pessoais (de estilo, conforto, orçamento, sensações desejadas, aspirações e até de códigos profissionais de vestir) — sem precisar de regras ou de “certo” x “errado”. Ó:

    CONFORTO

    Tecidos naturais são tipicamente mais gostosos de vestir, tem toque mais agradável, são mais flexíveis, permitem ventilação mais fluida entre o calor que o corpo gera e o ar que fica em volta. As fibras sintéticas tem toque mais áspero mesmo quando tem caimento maleável, e por isso tocam a pele diferente: pode ser desconfortável pra caramba passar o dia sentada com calça/saia sintética, ou suar o sovaquinho em blusas não-naturais.

    ELEGÂNCIA

    O que é feito em tecido natural sempre carrega uma aparência mais refinada-clássica do que o que não é natural. Esses tecidos podem amassar bastante, mas também desamassam com o próprio uso — então mesmo quando se passa muito tempo vestida de algodão, linho, seda ou lã, ainda se tem sensação de “impecabilidade”. Os materiais não-naturais muitas vezes tem um brilho extra (do plástico!) que informaliza demais as peças, com um aspecto um pouco mais grosseiro e bem menos sofisticado — mas né, alguns materiais sintéticos tem essa cara “tecnológica” que pode elegantizar geral, dependendo do design. Tudo tão relativo, tão passível de escolher personalizadamente!

    TEMPERATURA

    Peça feita 100% com fibras naturais é sempre mais fresquinha: no calor, mesmo peças escuras –se feitas em algodão, seda e afins — dão menos sensação de quentura do que peças sintéticas. Faz mais sentido também pensar em camisa soltinha de tecido natural do que em regata justa de tecido sintético, entende? Por outro lado, tricôs feitos com fibras sintéticas aquecem mais sem precisar ser volumosos ou super espessos (e geralmente custam menos!) — a gente recomenda demais usar camisetas justinhas de algodão por baixo, pro toque gostoso estar garantido na pele, e então usar tricôs finos aquecedores por cima.

    MANUTENÇÃO

    Fibras sintéticas rendem mais bolinhas e podem derreter/queimar/marcar no ferro super quente, então demandam sempre uma atenção extra na hora de lavar e passar. Fibras naturais são mais resistentes, mas podem soltar cor e né, sedas super finas precisam de carinho extra na sua limpeza (sempre à mão!) — geralmente custam mais, então a manutenção também fica mais atenciosa pra fazer durar!

    VALOR

    Quanto mais material natural numa peça, mais o valor pode ser justificado. Pensa: é recurso natural, os processos de obtenção e desenvolvimento são mais precisos, demandam mais. Então não vale a pena pagar super caro por uma peça de fibra não-natural — a não ser que o valor alto seja avaliado levando em consideração o design, o caimento e a função — assim cada uma de nós avalia custo x benefício personalizadamente. Por outro lado, mesmo uma camiseta simples tem seu valor quando feito 100% com material natural, né?

    TECIDO PLANO x MALHA

    Malhas e tecidos planos tem efeitos diferentes na silhueta e também fazem sentir sensações variadas — tudo passível da gente escolher de acordo com o que quer sentir e como quer parecer. E existe tecido plano AND malha tanto de fibra natural quanto de material não-natural. Vale conhecer essas diferenças pra escolher certeiro!

    01 EXTRA

    Quanto menos processos industrializados demandados pro tecido existir, menos  ele demanda do meio-ambiente. Então escolher tecidos naturais sempre conta mais pontos sustentáveis do que escolhas por sintéticos. (Mas né, tem outras tantas variáveis pra direcionar essa escolha — saiba mais aquiaqui e aqui, ó.)

    + toda uma aula sobre esse tema pra quem quer aprender e aplicar com clientes de consultoria de estilo no módulo 6 do nosso CURSO DE FORMAÇÃO
    + mais aprofundamento e mais conhecimento no livro GUIA PRÁTICO DOS TECIDOS, de Maria Helena Daniel, onde a gente também aprendeu demais.


  • A gente aprendeu há algum tempo que nossas roupas duram mais (e melhor) se a gente lava menos. Trucão maravilhoso pra estender vida útil, então, é esse “desodorante de roupas”: uma misturinha natureba que ajuda a refrescar o cheiro de uso das peças, possibilitando mais usos antes de lavar.

    borrifador_blog

    A sacada é essa, ó: a gente usa a peça, chega em casa e –no lugar de despejar a roupa usada uma vez só na máquina de lavar– pendura do lado avesso num cabide. Legal é estar num lugar arejado pra dar umas borrifadas dessa receitinha aqui:

    _100ml de água
    _200ml de álcool 70
    _200ml de vinagre de vinho branco

    Então é deixar que a mistura evapore durante a noite (ou por um periodão) e usar de novo. A receita é da Ingrid Lisboa da Home Organizer, a gente ainda acrescentou umas gotinhas de essência refrescante (por nossa conta e risco), testou e funcionou demais, viu!

    + programa online DESCOMPLICANDO O GUARDA-ROUPA
    + como se tornar uma personal stylist
    + como construir um guarda-roupa inteligente


  • Olha como o nosso próprio trabalho como consultoras de estilo ensina coisas boas pra gente todo dia: uma das nossas clientes contou, tempos atrás, que combinou com a costureira dela uma visita mensal (todo dia x) pra sempre ter tudo em dia no armário! Durante o mês, na medida que vai percebendo botões soltando, costuras se desfazendo, pequenas oscilações de peso que demandam ajustes am cinturas e barras (tipo isso), ela vai separando tudo numa sacolona dentro do guarda-roupa mesmo.

    E no dia combinado, todo mês, a costureira chega com sua própria máquina (ooolha!) e já acerta tudo lá na casa da cliente mesmo, numa tarde só. O marido e a funcionária aproveitam pra rechear a sacola com punhos de camisa que precisam de revisão ou com toalhas de mesa com barra se desfazendo… não é demais? A cliente acerta tudo, fica sem pendências, paga tudo de uma vez, um adianto. Assumindo responsabilidade por fazer a vida útil da roupa duraaaar (e o dinheiro gasto ter mais valor).

    uma idéia pra manter o guarda-roupa 100% funcionando  (e aproveitar ao máximo o que a gente tem!) :: http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/costureira-em-casa-todo-mes/

    Vale pensar em adaptar a idéia pra também assumir essa responsabilidade, não? Dá pra prever na agenda uma visita mensal/bimestral à costureira do bairro, vale descolar um cesto lindo pra juntar os ajustes-da-temporada no próprio armário, vale combinar esse “novo modo” de trabalho com a costureira do coração e compartilhar com amigas (pra otimizar deslocamento da profissional) — de repente até fazer rotatividade, cada mês na casa de uma amiga.

    Que ó: consertos estendem lindamente a vida útil das nossas roupas, e quanto mais tempo a gente tem com elas, mais possibilidade de exercitar criatividade a gente tem. Isso empodera!

    + as costureiras e a personalização
    + diferenças entre ajustes e reformas
    + ordem de preocupação na costureira
    + Vista quem você é: Descubra e aperfeiçoe seu estilo pessoal

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  • Se a gente se dispõe a construir um guarda-roupa conciso, com peças versáteis e super coordenáveis entre si, todas com a melhor qualidade que nosso dinheiro puder pagar… a gente também precisa se dispor a cuidar disso, né? Roupa boa, que a gente usa bastante, pode passar por manutenções periódicas pra ter vida útil prolongada. Vale montar um mini-kit manutenção ~uma caixa de primeiros socorros!~ pra deixar no próprio armário, à mão, pra essa manutenção periódica — ou mesmo pras pequenas emergências que possam surgir no dia-a-dia (e como elas surgem, não?).

    pra quem quer cuidar do que tem e estender vida útil das roupas (sem grandes esforços), ó! no blog da Oficina!

    Nos guarda-roupas das nossas clientes a gente sugere ter:

    _tesourinha de ponta
    _alicates de bijú
    _alfinetes de cabeça
    _cola de tecido
    _colchetes e tic-tacs (paras prendadas que souberem pregar!)
    _escova de dentes para tirar sujeirinhas de fivelas e reentrâncias de acessórios
    _elásticos tipo de dinheiro
    _linha clara e linha escura + botões extra
    _descosturador/navalhinha específica para tirar etiquetas (fácil de encontrar em armarinhos)
    _pinça ou alfinetão para passar elásticos por costuras
    _papa-bolinhas ou lâmina tipo gilete pra tirar bolinhas de tricôs

    Desses, os que mais “salvam-vidas” são alfinetes e os elásticos, sabia?

    Na nossa rotina como consultoras de estilo a gente se pega ensinando clientes a usar alfinetes pra colocar no lugar uma alcinha fina que eventualmente explode da blusa, a fazer mini-pences e ajustar provisoriamente alguma peça, a manter no lugarzinho da cintura faixas que insistem em subir ou descer (a gente prende alfinetes nas laterais da peça formando passantes quase invisíveis), pra fazer o decote só mostrar a quantidade de pele que a gente quer, pra juntar as alças do sutiã nas costas de modo que ele não apareça com decote tipo nadador, pra fechar o pequenino vão que às vezes fica abertinho entre um botão e outro de camisa. Ufa!

    E a gente procura ter com a gente alfinetes em tamanhos diferentes, em metal prateadinho e também dourado.

    Os elásticos a gente usa pra garantir conforto e praticidade ao que cada cliente veste, atendendo a demandas específicas. Dá pra segurar mangas no lugar — “vestindo” o elástico no braço todo ou envolvendo o botão do punho com uma alcinha-elástica presa na casa, sabe como? Pra clientes grávidas o elástico funciona como alargador de cinturas quando a gente prende o elástico na casa do cós e estica pra passar em volta do botão. Vale até usar como “encompridador” de colares mais curtos, quando a gente prende numa ponta do fecho o elástico e estica até a outra… e camufla a gambiarra no pescoço bem embaixo do cabelo, ó!

    Mas né, só vale ter o que se usa ou sabe como usar… ter um monte de apetrechos só pra empoeirar é muito pouco esperto. E não precisa saber usar tudo — hoje a gente tem nas alamedas de serviços dos shoppings um monte de pequenas oficinas que cuidam desse tipo de manutenção rápida. A gente precisa só estar de olho pra cuidar, levar, fazer acontecer.

    Dá pra ter essas coisinhas numa caixinha, ou num copinho bem lindo, ou numa cestinha. E nossas colegas de profissão podem também ter pequeninos kits como esse em necessaires/bolsinhas pra levar consigo nas etapas práticas da consultoria (guarda-roupas, compras, montagem de looks) pra já ensinar as clientes a usar também!

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  • Roupa guardada por muito tempo estraga mais do que roupa que a gente usa bastante. E roupa guardada por muito tempo em capas/sacos de plásticos estraga muito também, e muito mais rápido! Imagina que qualquer micro bactéria que se infiltrar na sua roupa vai mega se reproduzir dentro daquele ambiente quentinho e sem ventilação que o plástico proporciona quando envolve qualquer coisa. Por isso, é bom guardar somente o que é mais delicado dentro de capas – e essas capas podem ser feitas em TNT, esse material que é todo furadinho e super ventilado. Vale também em algodão ou em tule, viu.

    Roupa precisa de ar, de ventilação, por isso nossas mães ensinam a deixar as portas dos armários abertas de vez em quando (né?). Roupa que a gente usou e que pode ser usada mais uma vez antes de lavar também pode respirar antes de ir pro guarda-roupa: vale deixar a peça pendurada por umas horas antes de acomodar em portas fechadas… num cabideiro, na porta do armário ou num lugarzinho seguro na varanda (bem no ventinho mesmo!) — tem funcionárias de casas de clientes que deixam até no sol, sabia? Mais: isso de deixar ventilar a roupa usada antes de guardar vale especialmente pras peças que vão ser guardadas em capinhas!

    A gente encontrou capas legais sendo vendidas no Império das Capasno American organizer (de plástico num lado e tecido no outro), na OZ organize e também no Multicoisas (não vende online mas tem nas lojas físicas). Quem tiver mais dicas de onde encontrar capinhas bacanas pra roupas, em tecido ou em TNT, pode dividir com todo mundo nos comentários. Que o cuidado que a gente tem com as roupas (em especial as preciosas) influi super na vida útil delas!

    MAIS!
    o que dobra e o que pendura em cabide
    kit de primeiros socorros de guarda-roupa
    o suficiente é mais eficiente :) 


  • O dia-a-dia nos provadores ensina um monte de coisa pra gente — a cada experiência com cliente e a cada conversa com vendedoras (que trabalham todo dia com todo tipo de produto!) a gente vai acrescentando sabedoria prática à nossa expertise. A gente aprendeu na semana passada, por exemplo, que vestidos de jérsei entram na categoria de roupas que não devem ser guardadas em cabides, penduradas. E foi a Vanessa, vendedora na loja Cris Barros, quem ensinou pra gente. Ela Vanessa contou que TODO DIA antes de fechar a loja as vendedoras tiram todos os cabides das peças de jérsei das araras, “deitam” tudo em balcões e deixam passar a noite assim, pra só pendurar de novo no dia seguinte quando a loja abre.

    A sacada é não pedurar NENHUMA peça feita em tecido que estica. Tecido que estica é o que não é plano, que tem algum elastano na composição ou que é feito em malha — e por isso gruda mais na pele, e se abre quando a gente puxa pros lados, sabe? Camisetas, blusinhas e vestidos de viscolycra, tricôs, cardigans de malha e o jérsei entram nesse grupo: o grupo do que deve ser guardado dobrado. A trama dessas peças é sensível e o peso delas mesmas faz com que a modelagem deforme e se estique quando penduradas, “puxando”/pensando pra baixo (alô gravidade). O resultado são bicos de cabide nos ombros, peças mais longas no comprimento e afuniladas na largura, costuras fora de lugar e… roupa que dura menos, que perde tempo útil de vida.

    Peças feitas em tecido plano, que não esticam, podem ser penduradas em cabides. Tipo algodão de camisa, jeans e sarja, lã, sedas e tudo tudo tudo que não tiver nem um pinguinho de elasticidade. Em cabides apropriados pra cada tipo de roupa, de preferência!, com espessura parecida com a dos nossos dedinhos (no mínimo) e com ombrinhos e presilhas e tals – nada de cabide de arame que vem de brinde da lavanderia, hein? Quem tiver dúvida do que dobra e do que pendura pode perguntar nos comentários, bora todo mundo acomodar tudo do melhor jeito que olha – manutenção é (quase) tudo na vida de quem sorri em frente ao espelho, viu.

    + nosso jeito de dobrar peças (num vídeo jurássico)
    + abrindo espaço físico e mental no guarda-roupa
    + organizando as roupas e a vida
    + aula fácil de manutenção de roupas
    + roupas guardadas em capas precisam respirar


curtimos

ideias complementares às da Oficina