A Marie Rucki, quando veio ao Brasil pela primeira vez, disse que a última grande invenção da moda foi a mini-saia. E disse mais: o About Fashion registrou que ela disse que a peça, nos anos 60, provocou uma profunda mudança comportamental. Ela falou de mudança de comportamento na sociedade inteira, coisa grande, mas pra usar mini-saia precisa ter um comportamento especial até hoje (rá!), que o comprimento mini limita um pouco os movimentos e demanda atenção na hora de sentar, de cruzar perninhas, de cuidar de crianças e de cachorros – tipo pra abaixar, levantar, pegar no colo… não é? Mini-saia nem sempre é super confortável, mas é peça clássica no guarda-roupa de mulherzinhas descoladas.

Descoladas e bem seguras, que pra usar mini-saia não só tem que ter pernocas em dia, mas tem que carregar. A gente acha que fica bem mais bonito em quem tem pernas magrinhas – quem é magrinha também pode saber que mini-saia super valoriza quadril e bumbum. Por ser curtinha e deixar um pedação de perna à mostra, a mini-saia alonga visualmente a perna e por consequência a silhueta. Por outro lado, a barra costuma ficar bem na parte mais grossa das coxas, então a gente tem sensação de perna inteira mais grossa. Tem que equilibrar, ver o que é mais importante e aí escolher o comprimento ideal. Que pra valorizar nossos pontos fortes vale tudo: pode ser que o comprimento mini ideal pra uma moça seja diferente do ideal de outra. Tipo pra gente aqui: Fê e Cris, quando usam saias ou vestidos que fiquem uns cinco dedos acima do joelho, já tão de mini! =)

E se a mini-saia já é super mulherzinha, super curtinha e “provocativa”, é legal coordenar com peças mais informais, mais leves, confortáveis e bem soltinhas. Fica uma graça com sapatilhas, com sandálias rasteiras elegantes e anabelas delicadas (a gente não curte tanto com saltão!). Cardigans, casaquinhos e jaquetas amplas complementam mointo bem. Mini-saia e paletós ajustados são um super fundamento da ‘tendencita’ masculino-feminino e, pra esse inverno, ainda tem as minis com cintura mais alta! Essas ficam bem bacanas com regatas, com lenços e cardigans amarradinhos perto do pescoço e com camisetas legais, de mangas curtinhas ou mesmo as com mangas 3/4. E no invernão, se você usar com meia calça e sapato fechado, pode ser que você fique a cara de uma dessas fashionistas aqui em cima – tudo, né?!??

A gente já tinha feito um post de mini-saias tempos atrás (lembra?), mas ele su-miu. E aí a gente resolveu voltar a falar por conta da quantidade de looks fofos com mini-saia que a gnete tme visto! Pra terminar: lembra que a pernoca já tá de fora, então é melhor mostrar uma coisa de cada vez – guarda o decotón pra outra hora e arrasa, cat!
A gente adora imagens de moda, nosso olho brilha fácil e a gente sente mais vontade de ter a roupa da imagem se ela é mostrada de um jeito legal – não é assim com todo mundo? A Marie Rucki chamou nossa atenção na semana passada (na palestra) pras coisas mais legais que tem sido produzidas – e que servem de exemplo pra tudo mais que for feito, em editoriais e em campanhas. Que só a roupa não gera interesse (em imagem), essa a gente pode ver na arara da loja – o que gera interesse é a forma como a roupa é apresentada.

Era uma platéia de gente sobrecarregada de informação e cansada de imagens pasteurizadas – a gente reclama de mesmice há tempos, pelo menos por aqui (vocês não?). Marie Rucki disse que as propostas de apresentação das roupas devem acontecer em ciclos pra sempre gerar interesse na gente. Por isso falou mointo de um editorial da revista Pop (na mesma edição em que a LoveFoxxx saiu toda linda, lembra?), fotografado pelo Steven Klein, com styling de Katie Grand e com Beth Ditto de modela – ela é a vocalista da banda The Gossip. Ela é super gordinha (ona), super polêmica (vive tirando a roupa em shows e cantando só de calcinha – ona – e sutiã) e muito muito descolada – foi eleita por uma revista de música (NME?) a pessoas mais cool do ano passado. Esse editorial, na opinião da MR, foi uma forma nova de apresentar moda – do tipo que conta uma estória, que vira ícone, que todo mundo lembra pra sempre.

Nossa palestrante defende imagens de moda que recriem situações insólitas, fora das normas e dos padrões, pra humanizar a moda e gerar reação, fazer a gente se surpreender – e não é esse mesmo o papel da moda? Pois no editorial da Pop as fotos parecem ter sido tiradas de um filme, e dá pra gente imaginar mil enredos pra estória que a Katie Grand quis contar. A ‘modela’ usa peças de gente tipo YSL, Proenza Shouler, Prada, Gareth Pugh e mais, e quase tudo foi mandado fazer especialmente pra ela, por conta do tamanho de tudo. Acontece que a imagem é mais forte que o peso da Beth Ditto, e a provocação foi tão bem feita, tão bem pensada, que uma estética que podia (só) ser super difícil fica com a aparência de exagerada, meio decadente, mas super sofisticada e atual (palavras de Marie Rucki!). E depois de ouvir isso, a gente olhou as fotos com outros olhos!
Na semana passada a gente assisitiu uma palestra da Marie Rucki, diretora do Studio Berçot em Paris – escola mega legal e conceituada que já formou gente tipo o Alaia e o Ocimar Versoalto (oi?). O tema da palestra era “A moda hoje: suas mídias, suas regras, seus ídolos” e a MR falou um monte sobre blogs e sobre o registro que eles fazem do streetstyle. Disse que a gente vive um ‘desfile permanente’ porque pessoas também são mídia e que os looks de gente comum podem comunicar informação de moda. Disse mais: que a diferença entre gente fotografada pra blogs de streetstyle e modelas em revistas é que as primeiras se divertiram ao se montar, que cada elemento escolhido quer provocar uma “reação de moda” e uma “relação com a moda”. Legal, não?

Embaladas por esse pensamento a gente se viu admirando o look do povo que lá estava junto com a gente, e vendo as fotos no Vogue RG no dia seguinte a gente AMOU todo mundo de colete, super na onda feminino-masculino desse inverno. Colete já vem do armário dos meninos, então se a gente usar com peças mais femininas (ou super casuais) o resultado é melhor – como as moças das fotos usaram! Fica mais legal com camisetas ou com tops bem de mulherzinha do que com camisa, que vem do masculino também. E fica mais legal ainda com saia ou com bermudas fofas ou com jeans – com calça alfaiataria também tem que cuidar pra não ficar masculino de-mais. E fica ótemo com vestidinhos – e se o colete for usado fechadinho ainda dá uma acinturada no modelo!

O colete pode funcionar como acessório, pra levantar o look muito básico de jeans e camiseta – e levanta mesmo! Pode também ser um jeito de acrescentar cor no look neutro, e de coordenar cores de um jeito legal. No inverno dá pra ficar quentinha usando por cima de tricôs finos e blusas de manga comprida. E porque tem a linha vertical dos botões, o colete funciona como emagrecedor visual – e emagrece mais ainda se usado aberto, com um “vão” vertical no centro do corpo. É fácil fácil de achar em brechós e dá pra se divertir mointo – que a gente também é mídia de moda e pode passar informação adiante! =)
A Marie Rucki falou, na semana passada – nas palestras dela aqui em SP, da onda de celebridades na moda. E mostrou que a coisa não é tão nova assim: “nos anos 50, o jeans é introduzido na moda, graças a filmes com Marlon Brando e James Dean. Perceba que o fenômeno da celebridade influenciando a moda, já estava acontecendo aqui.” (a citação da Madame veio do Moda sem Frescura)

Também na semana passada, o style publicou lista com as 10 modelos mais legais do momento. E a gente tem amigos que conhecem to-das as modelos e sabem os nomes e que desfiles e campanhas fizeram…. mas quase sempre a gente sabe mais de celebridades do que de top models, não? E Madame Rucki tratou de dizer que a gente tá na era da substituição das tops por celebridades.

alguém cohece? sabo o nome? (eu sei da carol pantoliano!) quer fazer look igual?
Que a gente tem ‘vontades’ muito por afinidade e influência, né? A gente escolhe o é familiar, o que não agride, o que a gente acha que parece com a gente. E a gente sabe de (quase) tudo das celebridades que amamos: quem namora, últimos trabalhos, de quem é amiga… e essa celebridade fica mais próxima, como se a gente conhecesse. Faz sentido a gente se identificar, se inspirar nos looks das celebs favoritas.
É diferente com modelos: a gente as vê imaculadas e super mega sérias nos desfiles, mas não sabemos mais nada. Nem nomes – a não ser que essas modelos virem celebridades, tipo Gisele e Carol Trentini (ou quando uma dels entra pro time das “anjas” da Victoria’s Secret). Porque no geral elas são ‘padronizadas’: “(…) esta nova safra de modelos veio marcada pela homogeneidade, com um padrão de beleza bem definindo, sendo uma praticamente igual à outra. Sem expressar muita personalidade as modelos não são mais capazes de transmitir a imagem da marca como faziam as tops antigamente.” (do About Fashion)

Por isso a gente fica de olho nas moças descoladas de Hollywood. Por isso cinema super conta pra gente exercitar o olhar fashion. Por isso é ruim quando elas aprontam baixarias ou viram anoréxicas. Por isso as novelas daqui podiam produzir celebridades mais bacanas pra gente ter referências nacionais…. Por isso a Vogue tá cheia de atrizes e cantoras nas suas últimas capas. E em campanhas de marcas de moda (o próximo passo serão os desfiles??) Por isso não tem como a gente ignorar celebrities quando resolve falar de moda. Not anymore.
• tem resumo do primeiro dia de palestra da Marie Rucki no Moda Sem Frescura, e resumo do segundo dia no About Fashion (updating!) – dá pra saber de tudo como se a gente também tivesse assistido!
• o Paul Smith, designer britânico dos maaaais legais, tem campanha nova, fotografada só com não-modelos, mas com um monte de gente especial tipo o cantor fofo Mika – a gente adora!
• no Descolex tem post contando TUDO no Mercado Mundo Mix, que vai acontecer de novo com promessa de ser mais legal que antes: eu li e fiquei empolgadíssima!
• a revista online Paradoxo tem uma fashion issue no ar, com editorial e matérias incríveis – as referências de xadrez e de mangas volumosas + textinho falando da marca masculina Mustache são bacanérrimos!
