A gente estuda em história da moda a era vitoriana, a era espacial, o flower power, os ‘anos oitenta’ e outros movimentos de moda que marcaram época. Hoje não tem mais isso: os desfiles que a gente vê podem mostrar micro e mini tendências, um bilhão delas, mas não dá pra identificar grandes temas ou tendências unificadas em superblocos. Muito por causa das mudanças de clima no planeta (alô mil outras coleções desfiladas entre semanas de moda), muito também por conta do fast-fashion – Zaras e H&Ms e Renners despertaram o mercado de moda pra urgência em vender, né? Vendas mais rápidas, vontades-relâmpago no lugar de tendências.
O que importa é que a gente tá no meio do tempo mais “tem pra todo mundo” que já se viu. Não existe uma vontade unânime: é a melhor hora pra escolher como se quer ser, como se quer parecer, todo dia, a cada ocasião. Todo mundo pode tudo (conhecendo seus limites e vontades autênticas e tals) e tá fácil ter estilo. Escolher com Read more
A Teen Vogue vai lançar em outubro um livrão chamado The Teen Vogue Handbook – um guia de carreiras em moda. A intenção da revista é fazer um super apanhado de dicas e instruções importantes pra quem quer trabalhar com moda. Diz que tem como fazer currículo, o que estudar, como se apresentar pra entrevistas de emprego, descrições de áreas diferentes e o que parece ser a parte mais legal: depoimentos de gente bacana. Não só gente super bem sucedida no que faz, tipo Anna Wintour, Marc Jacobs e Karl Lagerfeld, mas também de quem tá começando agora (mais anônimo!), tipo estagiárias e produtoras e tals. A gente ficou super curiosa!
No vídeo aqui em cima a editora da Teen Vogue explica a coisa toda, e conta que o interesse surgiu por conta do tanto de emails e cartinhas que elas recebem na redação perguntando como faz pra entrar pro ‘mundinho’. Se a gente aqui recebe um monte desses emails, imagina elas lá na revista superpoderosa?!?? E aí a gente ficou pensando que seria incrível alguém traduzir as dicas do livro e adaptar tudo pro nosso mercado aqui – imagina que demais? Read more
O Pense Moda chamou a top PR Mandi Lennard para discutir o papel do profissional de relações públicas no mercado de moda. Mas o que a gente viu, realmente, foi o discurso de sua trajetória até chegar ao reconhecimento de ser “uma das dez pessoas mais influentes da moda no Reino Unido” (segundo afirmou o jornal britânico The Guardian) e não uma palestra de caráter objetivo. Foi uma conversa em clima de bate-papo.
Após trabalhar como vendedora na Benetton e compradora na Browns, Mandi descobriu sua verdadeira vocação de PR. Tomou a decisão de abrir seu próprio escritório e enfrentou alguns problemas no início de sua carreira (como ficar três meses sem pagar o aluguel e a dormir no chão de sua sala!). Mas persisitiu. Seu primeiro cliente foi a revista britância de moda e comportamento Dazed & Confused (que lhe despertou, de fato, o interesse pelo mundo da moda). Depois foi chamada pela Browns (graças aos contatos que fez quando trabalhou lá) para desenvolver uma segunda marca voltada a novos estilistas. A partir daí a aposta em novos designeres tornou-se uma constante em sua carreira. Hoje em dia o escritório de Mandi representa o já-não-tão-novo-assim estilista britânico Gareth Pugh e a marca House of Holland, desenhada pelo jovem estilista Henry Holland (palestrante do último dia do Pense Moda). Mandi concluiu sua conversa ressaltando a importância da lealdade entre PR e cliente e pontuou a necessidade de saber quando é importante para o trabalho de um jovem estilista que ele permaneça, por mais um tempo, ainda no undergound (!).
Como um balanço geral, o que de mais expressivo podemos extrair da presença de Lennard no Pense Moda é sua crença em si mesma (super auto-estima higher) e na capacidade que tem de desenvolver um trabalho de que gosta, com a qualidade e o reconhecimento pertinentes a alguém que faz muito bem a gestão de sua própria carreira.
A primeira palestra do dia foi feita pela Geni Ribeiro, consultora da Abit (que é a Associação Brasileira daIndústria Têxtil). Ela foi ao Pense Moda pra fazer uma “palestra de sensibilização” e falou um monte de verdades, sugeriu boas fórmulas de pensamento/funcionamento e ensinou que, pra gente crescer com a moda aqui no BR, tem que ter “pensamento estratégico”. Ela mostrou números que animam quando contextualizados no mercado interno (tipo muitos empregos gerados, muitas empresas, grande parte do pib e mais), mas que desanimam quando comparados com o mercado externo (tipo nossas exportações são menores que as da Holanda – e tipo, quem é Holanda na noite da moda, néam?). E aí que o BR é país jovem em moda e blá blá blá, mas tem que se virar nos 30 e formatar estratégias muito próprias pra enfrentar um mercado exigente e mega globalizado. E vejam bem, amigos, pensar nisso daí não tem efeito prático nem imediato nas nossas vidas de consumidoras que somos, mas ajuda a conscientizar todo um mercado e assim, quem sabe, empurrá-lo pra frente.
Geni falou do non-sense que é essa tradição de se fazer “viagens de pesquisa” pra fora do país. Tem quarenta anos (diz ela) que todo mundo, tipo duas vezes por temporada (mais até), viaja pra fotografar vitrines, comprar “peças-piloto”, conhecer “o que tá usando” lá fora. Daí as malas desse povo voltam cheias de roupas que vão ser copiadas aqui, pra vender fácil e sem muito esforço. Geni chamou atenção pra o fato de que isso é pretensioso (tipo a Prada é boba, quem copia é que é esperto – ahãm) e que atrasa o crescimento criativo do mercado. Pra dar certo de verdade o produto tem que ter qualidade, inovação, adequação e design (tem no vídeo!). E que vale até pesquisar pra evoluir, pra se desenvolver mais e melhor, mas que não vale copiar (não meishmo). E aí ela diz que a indústria precisa sair do lugar comum, deixar a sua zona de conforto pra pensar, planejar e se organizar – em criação, em desenvolvimento de temas, em seleção de matérias primas, em investimento em maquinário de qualidade, em cronograma de lançamentos, em apresentação de coleções, em distribuição e em pontos de venda. Mointo trabalho.
Isso tudo sem se deixar levar pela coisa das tendências, da banalização do “tá usando agora”, sem massificar ou deixar o consumidor sem opção diferenciadas – não pode ter tudo igaul em todo lugar! O BR tem elementos super diversos e bacanas de inspiração, e quem apostou nisso já se deu bem – é a essência do país, de um jeito globalizado: Beatriz Milhazes fazendo cores sensuais/formas simpáticas e alegres, irmãos Campana fazendo móveis inspirados nas favelas, Ronaldo Fraga extraindo das nossas “lendas urbanas” material de desenvolvimento de coleção. Diz a Geni que a gente é pequeno em relação ao mundo, mas que desde agora o nosso mercado de moda tem que propor novidade, tem que inovar – pra, no dia em que a gente for grande (ou atrair de verdade os olhos dos grandes), a moda daqui não seja só “mais do mesmo”. O BR não tem tradição em moda, por isso seria mooointo fácil ser criativo – não tem nenhum movimento pra ser rompido, não tem barreira (criativa) a ser transpassada. Não é?
Que todo evento de discussão de questões de moda (e relacionadas à ela) traz esse tema: crescimento fora do país, reconhecimento mundial, bons negócios feitos lá fora, etc etc etc. Marcas interessadas em exportar seus produtos vendem pra uma pequenina parcela de gente aqui no BR – não é todo mundo que pode consumir Osklen ou Isabela Capeto, por exemplo. Não seria mais legal, então, expandir áreas de atuação local e abastecer mais camadas do mercado interno? Tipo antes de alcançar consumidores internacionais, alcançar MAIS consumidores nacionais? Com outros salários, ou com outras necessidades, sei lá – a gente adoraria ter disponíveis outras linhas de produtos das marcas que a gnet emais curte, com outros preços, outras proposas e outros materiais. Não se repete o-tempo-todo que o BR tem tamanho de continente, que é enorme e tals? Exportação é necessidade financeira ou vaidade? Alguém explica pra gente?!??
Se o conceito de luxo tivesse ligado a dinheiro, não tinha porque a gente achar cafona a quantidade de Louis Vuitton e Mercedes e jóias da Cartier (tudo ao mesmo tempo) que se vê em clipes de rappers americanos, não é? Dinheiro, amigos, todo mundo que junta tem, por isso o jeito de pensar ‘luxo’ nos nossos dias tá super ligado ao imaterial: tem mais a ver com experiências, vontades autênticas, criação-educação, refinamento no agir (e no pensar!), emoções e mais. Mas ok, quem movimenta isso tudo daí é o dinheiro – por isso, tá tendo aqui em SP ontem, hoje e amanhã um congresso pra que empresários desse setor (luxuosos!) conversem sobre o seu mercado, conheçam mais profundamente o seu consumidor e pensem juntos, como grupo, em novas possibilidades de negócio. O evento chama Atualuxo e quer ser anual – tomare, que a gente tá aprendendo mointo com as palestras.
O que mais se fala, nas palestras de empresários, econimistas e intelectuais (rá!) é que a gente precisa prestar atenção nos países emergentes (China, Rússia, Índia e na gente mesmo, aqui no BR). Diz que eles super vão dominar o mundo (do dinheiro) e que o que se espera, por conta disso, é que todo mundo comece a orientalizar gostos, hábitos de consumo, comportamentos e tals (gente!). Isso pode acontecer com marcas originais de lá crescendo tanto que cheguem até aqui, e que sejam nossas preferências na hora de comprar! O ‘mercado do luxo’ aqui no BR é super jovem, e existe meishmo (olha!) desde 2002, tipo isso – o que significa pouca especialização, pouca gente treinada pra trabalhar bem com isso, mas mointas possibilidades de crescimento. Diz que os empresários precisam focar no interior do BR, gente que tem super poder de consumo mas que tá longe de SP e perto do agronegócio, sabe como?
E sabe o que? Diz que 70% do que é movimentado de dinheiros no mercado de luxo do BR tem a ver com… moda! Roupas e acessórios são item favorito da mulherada (que é maioria nesse grupo de consumidores), antes de carros, relógios, cosméticos e outros itens ‘deluxe’ (rááá!).
Parte mais legal: uma das pesquisas apresentadas (ontem) no Atualuxo diz que os empresários do luxo justificam suas vendas primeiro por conta do glamour das suas marcas, em segundo lugar por conta da exclusividade dos produtos e por último por causa do atendimento personalizado que suas lojas oferecem. Daí, na mesma pesquisa perguntam, pra quem compra, quais as suas motivações. As justificativas são (1º) qualidade do produto, (2º) exclusividade e (3º) atendimento personalizado. O aspecto emocional que envolve o produto de luxo desperta o desejo da compra, mas o consumidor justifica a compra pelo aspecto racional!!! É tipo uma guerra, sentimento x razão: a gente é movida por vontade, por glamour meishmo, mas diz que é porque “vai durar” ou “não vai estragar nunca” – e é bem verdade, não é?!??
O Fashion Mkt terminou ontem e foi uma experiência bem legal – estudar e aprender mais de moda é sempre bom. Mesmo se os assuntos tratados não são tão novidade, mesmo se são burocráticos demais ou se ficam meio longe da nossa realidade (que a gente é consumidora, né?), é bom ouvir e pensar e conhecer. Assim a gente entende melhor os processos e os andamentos dessa mesma moda – tão perto e tão longe, não?
A primeira palestra do dia de ontem foi com Maurizio Borletti, dono de duas super lojas de departamentos (uma na França, outra na Itália). A gente não tem aqui no BR lojas nos moldes das dele (o que chega mais perto é a Daslu) , mas super valeu ouvir da experiência dele em lidar com inovações no jeito de tratar os clientes (incrível!). Depois teve Gustavo Lins, um estilista brasileiro que mora há tempos na França e que hoje é o único brasileiro a fazer parte da Câmara Sindical de Alta Costura de Paris. A história dele é incrível e ainda vai render um post aqui no blog, que foi bem o máximo ouvir da trajetória de estudos, tentativas e agora de sucesso dele. De tarde teve Alexandre e Anderson Birman, donos da Arezzo e da Schutz, anunciando que suas empresas agora também fazem parte de um grupo maior e que vão abrir mointas lojas no mundo todo – até na China. Por último teve palestra com uma power headhunter de moda, chamada Floriane de Saint Pierre. Ela veio falar do que é notado num profissional pra que ele seja contratado por grandes empresas-fashion – o Sylvain, companheiro de seminário, assistiu e conta mais no blog novo dele.
No fim o que a gente mais ouviu por lá foi mesmo uma continuação do que se falou no ano passado: não vale mais só oferecer produto pra vender, tem que envolver o cliente em experiências legais e suprir as necessidades/demandas dele. E não só isso: tem que ouvir quais são essas vontades, ouvir meeeesmo, e trabalhar de acordo com elas. O lifestyle brasileiro é memso nosso melhor produto pra exportação – e os palestrantes de fora daqui entendem esse lifestyle como eco-friendly, natureba (de um jeito bom!), de praia e de recursos naturais incríveis. Próximos capítulos no Pense Moda e no Fashion Mkt do ano que vem!
O Fashion Mkt é um evento que a Gloria Kalil organiza desde 2006. No primeiro ano o tema das conversas e palestras foi “a moda brasileira brilha mas não vende”. No ano seguinte foi “a China tem preço, a França tem marca, os Estados Unidos têm mercado interno, a Itália tem design – e o Brasil, tem o que?” – nesse a gente foi e tá tudo registrado aqui e aqui. Esse ano a conversa é sobre os grupos de investidores e gestores de marcas e a chegada deles na moda brasileira. Se no segundo seminário a conclusão foi que o que o Brasil tem de bom pra fazer moda é o lifestyle brasileiro (que é mesmo reconhecido nas nossas roupas), a questão agora é como fazer essa criatividade, esse lifestyle, virar lucro. E teve conversa, viu?
O dia começou com palestra do Ermenegildo Zegna, bisneto do fundador da marca italiana, contando que a empresa dele é familiar mesmo (tudo é decidido e aprovado entre irmãos) e que a empresa dele é a única no mundo a verticalizar tudo: eles controlam desde o fio rústico, a manufatura do tecido (e eles têm os melhores do mundo), a confecção das peças, a distribuição e a venda. A Zegna tem planos de ser a maior marca de moda masculina do mundo e não falta muito pra conseguir: eles têm tantas lojas na China quanto têm na Itália! A parte mais bonitinha foi quando o palestrante mostrou uma foto de um caderno do bisavô dele, que anotava à mão os contatos de to-dos os clientes Zegna que ele tinha, e tinha um brasileiro fazendo compras de tecido com ele em 1927! =)
Nelson Alvarenga e Tufi Duek falaram da nova fase das suas empresas. Nelson, dono da Ellus, estava acompanhado de executivos do Banco Pactual e da InBrands, que investem $$$ e gerenciam empresas de moda – juntos eles explicaram que o banco está entrando nos “negócios reais” (e não só vivendo de juros) através da moda. Em seguida o Tufi Duek apresentou a sua trajetória profissional e a história da Forum num filminho, ilustrando cada momento com uma campanha. Contou que a marca começou fazendo moletom e malharia (só depois fez jeans!) e que queria ser arquiteto ou diretor de cinema. Por último, teve palestra com a diretora da escola St. Martins (onde a Lílian Pacce estudou!), a Louise Wilson. Ela contou como estimula e orienta seus alunos e, posso falar?, a receita serve pra tudo, não só pra moda. Tá inteira aqui – e hoje tem mais. =)
Plantão Fashion Mkt (rá!): no fim de cada palestra tem textinho no Updaters e o tempo todo tem palpites e gracinhas no twitter da oficina. Acompanha junto com a gente! =)
O mega seminário organizado pela Gloria Kalil começa hoje, pra discutir o crescimento da moda brasileira e a onda de investidores e empresários e dinheiros que envolve um possível próximo passo. No ano passado a gente teve uma experiência incrível no Fashion Mkt, aprendemos um zilhão de coisas e conhecemos gente amazing. Super vale a pena ouvir mais, entender mais – e dividir mais: vai ter a nossa opinião aqui no blog, no Updaters (como no ano passado!) e durante o dia todo, in real time, no twitter da oficina. Acompanha que a gente acha que vai ser beeeeeem legal – no ano passado teve foto com Margherita Missoni e tudo, lembra? Que a gente aprende mas se diverte também! =)