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  • Roupa comprada pronta não é feita pra gente: ninguém (ou quase ninguém) tem tamanho padrão homogêneo e equilibrado no corpo inteiro — tem gente que é 38 na parte de cima e 40 na parte de baixo, ou mesmo -super comum!- tem bumbum 42 e cintura 40. Quem faz compras com a gente aprende isso demais porque quase nunca a gente sai de uma loja com a sacola: 99% das peças que a gente experimenta/compra com clientes de consultoria de estilo vai pra costureira ajustar/personalizar caimento antes da cliente levar pra casa.

    Fazer ajustes e reformas pra que uma peça funcione no seu melhor PARA OS NOSSOS CORPOS é se apropriar do processo de fazer roupas. <3

    Pode ser esperto entender o que é ajuste e o que é reforma — pra não sobrecarregar as costureiras das lojas ultrapassando o limite das pequenas intervenções, mas também pra não se inibir em levar mirabolâncias maravilhosas pras nossas costureiras ‘particulares’ mais afiadas, capazes de reformular peças com a gente. Indicativo certeiro de que uma peça vale os ajustes/a reforma que a gente tem vontade de fazer é a qualidade dela: quanto mais qualidade, mais vale o trabalho. E simplificando, se considera ajuste:

    -o que adapta a peça à anatomia específica de quem usa,
    -o que melhora a performance da roupa no corpo de quem vai usar;

    e se considera reforma:

    -o que influi no design da peça
    -o que modifica o trabalho intelectual da/o estilista.

    Então conta como ajuste, por exemplo: diminuir a cintura, criar pences a partir do cós da parte de baixo pra fazer caber o quadril, subir alcinhas, arrumar alturas de punhos e barras, tirar excesso de tecido na costura debaixo dos braços — tudo sem mudar as características originais da peça. E conta como reforma acrescentar pences pra acinturar uma peça que é mais soltinha, mudar a costura do ombro de lugar, inserir botões extra no decote, tirar detalhes como pregas ou fendas, tirar zíper e mais. Até fechar bolsos pode influir no trabalho intelectual da estilista, então conta como reforma, veja só!

    Isso é autonomia: fazer ajustes e reformas pra que uma peça funcione no seu melhor PARA OS NOSSOS CORPOS é se apropriar do processo de fazer roupas. <3 Se a blusa calça vestido jaqueta é pensada em moldes e medidas “padrão”, com alfinetes e disposição é possível fazer tudo (ou quase tudo) funcionar em 3D nessas formas únicas que todas nós somos.

    Não é empoderador? A gente acha que sim, e que também é aperfeiçoador de paciência, um lembrete de humanidade quase. Faz sentido a roupa não estar perfeita pros nossos corpos no primeiro minuto que a gente veste — se ela não foi feita a partir do nosso molde. Então escolher a roupa, experimentar, fazer ajustes pra melhorar a performance dela nos nossos corpos (nas nossas vidas) dá esse respiro, esse tempo da gente se desconectar do instantâneo, de valorizar o manual, o artesanal.

    + as costureiras e a personalização
    + ordem de preocupação na costureira
    + vale a pena consertar nossas roupas
    + costureira em casa todo mês


  • Faz muito sentido, na hora de cuidar do próprio guarda-roupa, procurar mais qualidade e menos quantidade. Na prática isso significa optar pelo durável, gastar mais dinheiro em menos peças. Tendo menos fica mais fácil visualizar possibilidades e exercitar versatilidade nas coordenações – como vamos ver mais adiante; tendo mais qualidade a gente sempre se sente garantida em segurança, confiança e “impecabilidade”… mesmo nos looks mais informais que escolhe usar.

    O primeiro e mais importante indicador de qualidade numa peça é o material/tecido de que ela é feita – vale pra roupas e também pra acessórios. Na sequência, pra identificar qualidade, a gente avalia bom acabamento e bom caimento. Vale provar a peça de pé, sentando, abraçando e dirigindo de mentirinha, pegando coisas imaginárias no chão, dançando (se a roupa for passear na pista com a gente!) e então prestar atenção nisso, ó:

    um guia pra identificar roupa boa (de verdade) e custo-benefício que valha a pena.

    _tecido a gente avalia pelo toque (quanto mais gostoso, melhor!) e pela composição – na etiqueta de dentro da roupa, geralmente na costura lateral, a gente conhece de que é feita cada peça e assim avalia custo x benefício do que tá sendo oferecido: quanto mais material natural tiver na composição, mais valiosa e durável a peça é;

    _acabamento se avalia conhecendo a peça pelo lado avesso, por dentro: pensa que se as costuras são retinhas e reforçadas, se os encontros entre elas são cuidadosamente arrematados, se os bolsos e recortes estão protegidos internamente… então houve carinho e preciosismo nessa confecção. Se a peça é bem cuidada assim, escondidinha lá dentro, então a parte de fora (a que aparece com a gente quando se usa) também foi pensada com cuidado;

    _caimento é avaliado única e exclusivamente no corpo – é vestindo que a gente comprova toque gostoso, que a gente se assegura de que o acabamento é mesmo reforçado, e que a gente pode perceber com atenção:

    • se a costura dos ombros tá onde deve estar, bem sobre a esquina em que o ombro encontra com o braço
    • se o entorno da gola tá com a forma bonita, encaixadinho no pescoço
    • se a abertura do decote tá descendo rente à pele no colo, se tá confortável
    • como o tecido cai nas costas, como cai na cintura
    • se há necessidade de ajustes nas alturas de barras (de partes de cima e de baixo)
    • se tá tudo bem com possíveis abotoamentos e amarrações
    • se tem sobrinhas de tecido no bumbum – e como a peça cai no bumbum
    • se a abertura dos bolsos tá suave, sem escancarar
    • se a largura das pernas proporciona conforto quando se movimenta
    • se as aberturas de saias e vestidos tipo envelope não mostram mais do que devem (especialmente quando se senta)
    • se as costuras estão tortas ou alinhadinhas, se elas enrrugam (não deveriam!)
    • se o material pinica, se puxa fio fácil, se demanda manutenção complicada
    • em eventual necessidade de lingerie especial pra usar com transparências ou fendas (e se já se tem ou se é preciso providenciar a lingerie pra isso)

    E a gente avalia isso tuuuuudo a cada provador em que trabalha com nossas clientes — tanto quanto avalia quando faz compras pra gente mesma ou revisita o próprio guarda-roupa pra descartar o que não funciona mais. E na medida em que a gente exercita conscinetemente essas direções, nosso cérebro vai se apropriando dessa atenção e passa a fazer essa “checagem” automaticamente, e a gente passa naturalmente a escolher melhor. Moda pra vida real é isso daí, viu?

    +como construir um guarda-roupa inteligente
    +como trabalhar como personal stylist


  • Nossas clientes de consultoria de estilo aprendem, cada uma do seu jeito e com a sua cara, a substituir echarpes e pashminas por cardigans  — especialmente em festonas.

    Visualiza com a gente: se fizer um ventinho frio no dia da festa, certeza de que todo mundo vai pensar na mesma solução — o vestido é lindo, manda fazer um pedação de pano da mesma cor e enrola nos braços. Ou saca aquela pashimina preta “que vai con tudo” e pronto.

    Mas gente, se proteger do frio pode também ser legal e carregar informação, acrescentar interessância – não precisa ser só funcional. Cardigans finos, feitos de fios de qualidade (misturas de lã e algodão e seda e mohair e cashmere e angorá e afins), são leves – às vezes até transparentes – mas esquentam super. E acrescentam cor, textura, forma e até brilhinhos e bordados, se for o caso.

    Essa moça aqui, ó, usou e arrasou (haha).

    com_e_sem_cardigan

    Legal que o cardigan seja mais próximo do corpo e que as proporções sejam escolhidas de acordo com o que se usa no resto do look: vestido curto pode ser acompanhado de cardigan mais longuinho, vestido longo pode ter cardigan curtinho ou bem longão (tipo diva!) na coordenação. E as manguinhas podem sempre ser puxadas até os cotovelos, pra ficar mais atual e pra continuar com a brincadeira das proporções. A gente aqui quer encorajar todo mundo a tentar na próxima festona!


  • Mamãe já dizia que qualidade é mais importante que quantidade, certo!?! E isso faz um super sentido na hora de planejar nosso guarda-roupa. A gente sempre acreditou nisso, mas depois que Tim Gunn falou que vale mais a pena gastar mais dinheiros e menos peças, a gente tem refletido um pouquinho mais sobre o assunto.

    qualidade

    Então a gente resolveu dividir por aqui tudo o que a gente procura em uma peça quando vai fazer compras com nossas clientas. Confere só! (mais…)


curtimos

ideias complementares às da Oficina