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  • Esse post não é nosso, mas é (inteirinho) uma tradução muito solta e livre desse texto, sobre todo um movimento falando de amar os nossos corpos. Mas esse parece ser um grandessíssimo esforço, pular da insatisfação direto pro amor. Algumas pessoas vão naturalmente chegar em sentimentos neutros em relação ao corpo — um caminho no meio, entre se odiar e se amar. Como uma bandeira branca, um lugar de calma.

    Um problemão do “amor pelo corpo” (além de parecer inalcançável) é a demanda que cria pra que mulheres regulem suas emoções — e não só seus corpos. A pressão não parece diminuir, pelo contrário: supostamente a gente precisa ter, ainda por cima, uma autoestima à prova de bala. “Amar o próprio corpo” bota o foco no corpo, e os momentos mais felizes que a gente tem são exatamente os que a gente não tá nem pensando sobre o corpo.

    No lugar da imposição (“ame seu corpo” vem sempre com imperativo, né?), uma abordagem mais realista e propensa ao sucesso é pensar que: a gente tem o corpo que tem e pode aceitar isso que é nosso; esse corpo é uma parte essencial de quem a gente é.

    uma tradução que alinha uma quebra de paradigma (bonita e possível) com a nossa metodologia aqui na ODE.

    Se dispor a neutralizar as emoções em relação ao corpo pode liberar toda a energia e atenção que a gente tipicamente devota à aparência e, no lugar, ter energia sobrando pra cuidar do que importa de verdade. A gente vive a vida através desse corpo, junto com ele — se a gente não consegue amar o próprio corpo, a gente precisa ser capaz de aceitar (ou não viveremos a vida direitinho). Que importante essa idéia de que é possível estar em paz com o corpo que a gente tem, que liberade! E não é o caso de se negligenciar esse corpo, mas sim de estar conectada serenamente com ele e com as funções que ele desempenha.

    O texto ainda fala de como a gente pode se alimentar pra nutrir o corpo, e se exercitar pra celebrar o que ele é capaz de fazer — no lugar de se impor ginástica e dietas pra moldar, manipular as formas desse corpo. Uma virada da escassez pra abundância: deixar de olhar pro que não se tem e então cuidar com carinho do que a gente já tem. (E a gente tem tão mais do que pensa que tem). Num comparativo, esquece de você mesma por um segundo e pensa na sua melhor amiga: ela é perfeita? Provavelmente não. Você é malvada com ela por isso?

    Tá vendo?

    Ninguém é perfeito física ou emocionalmente e ainda assim todo mundo se apaixona por todo mundo o tempo todo. Neutralizar emoções em relação ao corpo não é algo estático, é processo que se desenvolve e continua — e tem a ver com como a gente quer alocar tempo e foco. É um trabalho que demanda disposição e que convida a honrar e respeitar nossos corpos, e que pode fazer com que a gente se sinta forte… sem que seja preciso amar da noite pro dia. No lugar de pensar nisso como um fracasso, vale pensar como parte do processo: neutralizar nossas emoções em relação ao corpo é uma experiência pra se sentir diferente, e pode acontecer um pouquinho de cada vez.

    + 1 PENSAMENTO EXTRA BEM INSPIRADOR
    + “MAGRA”NÃO É ELOGIO!
    +CONSULTORIA DE ESTILO PRA COLOCAR
    ESSAS IDÉIAS EM PRÁTICA


  • Ce sabe que a nossa metodologia junta técnicas de consultoria com o exercício da empatia, né? Essa fórmula permite que a gente consiga questionar, provocar debates (pr’além do eu apenas),  — que seguem sendo nossas maiores motivações em todas as nossas entregas profissionais: no compartilhamento de conteúdo, na nossa consultoria de estilo pessoal, nas aulas que a gente dá.

    Assim, ó:

    “Empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo”, na definição do filósofo Chuang-Tzu, e ele acredita que só a verdadeira empatia só rola quanto a gente “escuta com todo o ser”, quando a gente se descola das nossas referências pessoas e se abre pras referências do outro, e recebe, e acolhe — e então há possibilidade de crescimento pra todo mundo, de soma de idéias e de referências (no lugar da luta de sobreposição de opiniões que a gente vê acontecer nas caixas de comentários das redes sociais).

    pra entender o que é, o que não é, e como a empatia ajuda a gente a ficar mais forte e inteligente. ;-)

    Nos nossos trabalhos a gente também se mantém atentas ao que NÃO é empatia:

    -aconselhar: “acho que você deveria…”, “por que é que você não fez assim?”
    -competir pelo sofrimento: “isso não é nada, espere até ouvir o que aconteceu comigo”
    -educar: “isso pode acabar sendo uma experiência muito positiva para você, se você apenas…”
    -consolar: “não foi culpa sua, você fez o melhor que pôde”
    -contar uma história: “isso me lembra uma ocasião…”
    -encerrar o assunto: “anime-se, não se sinta tão mal…”
    -solidarizar-se: “ó coitadinho…”
    -interrogar: “quando foi que isso começou?”
    -explicar-se: “eu teria telefonado, mas…”
    -corrigir: “não foi assim que aconteceu…”

    Esse tipo de empatia não é natural pra gente (nesse mundo doido de hoje) e é especialmente difícil de exercitar. É preciso manter atenção com a gente mesma, estar alerta e QUERER se manter no exercício. A lista aqui em cima é bem ampla e, se a gente não insere esses comportamentos nas nossas conversas, o que sobra?

    Na nossa experiência tem sobrado espaço pra conexão real, pra cooperação, pra gente incrementar conversas significativas e livres de idéias pré-concebidas e de julgamentos, e tem sobrado um repertório mais abastecido e forte — pra que a gente cuide melhor das nossas próprias questões, sem precisar terceirizar esse cuidado pra quem quer que seja.

    Desse jeito a gente tem experimentado, com nossas clientes, alunas e leitoras \o/ um novo senso de autonomia, empoderamento, auto-responsabilidade e — melhor de tudo — satisfação, confiança, autoestima.

    Vale ler também o texto “Não quero mais mudar o mundo” do Daniel Larusso, que diz que “quando todo mundo está gritando, falar baixo e escutar o outro é um ato revolucionário”.

    + O QUE A GENTE ACHA É SOBRE A GENTE MESMA
    + GOSTO PESSOAL x CONSULTORIA DE ESTILO

    + LOOK DO DIA NÃO É PRA PERSONAL STYLISTS
    + POR QUE A GENTE SE COMPARA TANTO?

    (essas idéias de empatia — e também do que não é empatia — a gente aprendeu nesse livro aqui, ó)


  • A gente tá convencida de que autoestima bem exercitada é chave pra se conquistar mais na vida, pra se descomplicar o guarda-roupa, pra crescer e brilhar. E autoestima tá 100% relacionada com AUTO-ACEITAÇÃO: é essencial entender que a gente é incompleta e imperfeita, que nunca vamos estar “prontas”, que paralisar vida e escolhas pra que “um dia” o momento certo aconteça… é furada.

    Tamos nessa vida pra fazer o melhor que a gente pode com os recursos disponíveis NO AGORA. Somos todas humanas — e haja energia pra investir na idéia de ter tudo perfeito ao mesmo tempo agora. Querer alcançar o inalcançável é já perder a corrida desde a largada: expectativas inatingíveis nunca serão atingidas mesmo!

    querer alcançar o inalcançável é já perder a corrida desde a largada: expectativas inatingíveis nunca serão atingidas mesmo!
    (foto de adelaide ivánova)

    _corpo perfeito: é o que se alimenta bem, se exercita e descansa direitinho
    _família perfeita: é a que vive as dificuldades do dia-a-dia com resiliência (e com uma dose de bom-humor na medida do possível!)
    _trabalho satisfatório: é o que paga um dinheirinho suficiente e, se possível :) permite a gente servir a algo maior que a gente mesma, dá sensação de produzir/entregar algo de bom pro mundo

    E tudo tem dia bom e dia ruim, tudo tem um lado-luz e outro mais sombra… e compreender, desculpar e tolerar levam a gente pro (auto)amor. Quando a gente (se) desculpa, (se) compreende e (se) tolera, a gente tem mais facilidade pra entregar essas sensações também pra quem tá em volta da gente. E que ambiente bom se cria assim, com conexão, compreensão, empatia!

    Todo mundo sente frustração, raiva, tédio, inveja. Toda vida tem essas sensações ou partes não tão legais — tamos TODAS na jornada da tentativa, dando o nosso melhor: umas horas a gente erra e fica brava mas em tantas outras a gente acerta! Não existe humanidade em condição diferente dessa.

    A gente administra melhor tempo e recursos quando deixa de querer criar a ‘família da propaganda de margarina’ e quando se desprende de idéias vazias de status/riqueza ou corpo “perfeito”. E assim, aceitando quem a gente É e a vida que a gente tem (com parte boa e parte ruim, tudo lindo, tudo funcionando!), pode ser possível lidar melhor com quaisquer frustrações e raivas. E tudo passa, uma hora querendo ou não passa!

    Desse jeito pode ser possível também que a gente passe a lidar melhor com vontades, e não precise comprar tanto, e tenha mais força emocional interna pra sustentar os ‘nãos’  que precisa (ou quer) dizer pro sistema de consumo. E a gente assim passaria a descartar menos, e passaria mais tempo com as nossas coisas, e desenvolveria relação de amor com o que tem, e poderia ganhar serenidade na vida toda.

    E isso pode irradiar, ó: “Quem consegue se aproximar da condição de aceitar ser como é irradia uma emoção tão positiva que sua aparência física vai para segundo plano.” (Flavio Gikovate)

    + QUER TRABALHAR COMO PERSONAL STYLIST?

  • Esse post faz parte de uma série de questionamentos, tem mais dessas idéias aqui, ó: COMO CONSUMIR MELHOR

    A quantidade de propaganda que a gente vê tá super conectada com a qualidade das escolhas que a gente faz. Especialmente em guarda-roupa: quanto menos propaganda, mais certeiras são as nossas escolhas. Em vez de olhar pra fora, pro que é sugestionado, a gente pode abrir espaço pra olhar pra dentro e escolher a partir da própria identidade!

    Então ó: quer escolher melhor, pára de ver TV. Pára de seguir a blogueira na rede social, pára de ler revista de moda e de celebridades (mesmo quando se lê só no salão de beleza). E passa se engajar em atividades que te façam passar tempo com você mesma, com seu corpo e com seus pensamentos: vai ser legal, a gente garante!

    “O consumismo é um ciclo vicioso em que tanto indústria quanto consumidores tem parcela de responsabilidade.” É isso: só de estar vivo a gente já impacta. Tem que escolher impactar pro mal ou pro menos-mal. E isso daí é escolha diária e individual!

    propaganda atrapalha estilo pessoal, e se desconectar do que "influencia" compra faz com que a gente preste atenção na gente mesma (e consuma melhor!).

    + por que a gente prefere comprar em lojas pequenas (em especial nas não-estrangeiras)
    + ter menos, melhor e mais de perto

    Ajuda DEMAIS se expor menos a gatilhos que induzem ao consumo (menos propaganda, menos blogueiras, menos e-commerces, menos celebridades) e se propor a usar mais e melhor as nossas coisas, enxergar valor, dar tempo pra gostar (se permitir!). Toda a mídia trabalha pra alienar, pra instaurar rapidez e voracidade, as lojas tocam música alta demais, tudo induz ao não-raciocinio, ao nao questionamento.

    ((Aqui vale um parêntese: o que a “digital influencer” ganha pra expor venda é só uma fração do dinheiro que rola, tem gente ganhando demais com a pobreza alheia. E no fim tudo é v-e-n-d-a: “influenciadores” são pessoas com grandes audiências transformados em canais de venda — e quanto mais gente exposta à essa propaganda, mais chance de vender qualquer coisa.

    Por isso blogueiras não ligam pra grandessíssimo número de comentários negativos que suas redes recebem: o que importa é o numero de pessoas pra quem elas expõem produtos e influenciam compras, é assim que essa neo-indústria ganha seu dinheirinho(ão). Tanto faz se as pessoas que tão nas redes odeiam tudo das blogueiras, o que importa é ter um número exorbitante de gente por lá. Entende como essa conta fecha?))

    A indústria (a vida) é tão maluca que até idéias ligadas à sustentabilidade viram produto, e ‘consumo consciente’ passa a ser entendido como uma tendência… de consumo: “lowsumerism”, colunas de “eco-consumo” em revistas de moda, “eco-stylists” — tudo ao contrário! :\

    A idéia tem que ser exercitar atenção, e não compras. Valorizar o NÃO CONSUMO, numa lógica de cuidado no lugar da lógica da compra. Recusar o excesso, não tirar da loja, escolher o não-acúmulo e a não-exploração.

    Toda/qualquer mudança não depende do sistema nem da indústria. Mudança é escolha pessoal. E quando a gente não liga pra propaganda e pro que “sugerem”, sobra atenção pra gente escolher melhores materiais, acabamentos, caimentos — e uma atenção que a gente põe na gente mesma é energia pra viver melhor a vida. #dicona

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  • A revista de moda publica um texto explicativo da retomada do “visual militar” (a volta dos que não foram né, desde quando se deixou de usar verde oliva?). O título da matéria é: “aliste-se já na tendência…”.

    Sérião.

    Serviu de gatilho aqui pra gente questionar esse surto de afetação que toma conta da comunicação de moda feita aqui no BR: é um tal de “aposte nisso” — aposte o quê? fichas? dinheiro? prendas?; “corra antes que acabe” — péra, ou a gente corre pelo bem-estar da atividade física, ou corre de algum perigo iminente… não? Uma onda de artificialidade, de expressões que querem ser engraçadinhas mas que não funcionam na prática. Você ou alguém que você conhece diz com naturalidade, numa conversinha corriqueira, algo como “esse look está em sintonia com o mood artsy“?

    A gente tem tido impressão de que se faz um esforço pra se falar/vender as mesmas coisas de sempre, mas com palavras diferentes. Desde que não tamos mais na era das grandes tendências — e sim das vontades plurais e singulares, sem regra, sem pode-não-pode — não tem nenhuma grandessíssima novidade a ser comunicada por revistas de moda, nénão? “Turbine o seu closet” com mais do mesmo, essa parece ser a sugestão.

    Nesse nosso tempo/na nossa sociedade as coisas todas tão sendo cuspidas tão no piloto automático, tão rapidamente e sem qualquer reflexão, que essa linguagem toda vazia de significado fez a gente esticar o pensamento: tem mesmo assunto pra fazer tanta revista de moda? Todo mês? Pra gente a lógica parece estar inversa — no lugar de caçar/requentar assunto pra publicar, seria legal escrever quando houvesse o que dizer. Mas né, revista tem compromisso com anunciante que tem compromisso com vendas, que hoje tem total conexão com pressa e superficialidade e descarte inconsequente.

    + carreira em moda sem futilidade, com significado

    Todo o fundamento de se sugerir sensação de escassez (“não fique fora dessa”) pra incentivar o desejo pelo extra/pelo excesso faz oposição ao que é necessário, funcional, atemporal, precioso. Tira atenção do que é recurso interno –criatividade, novo olhar pro que já se tem no armário, habilidade pra versatilizar peças e usos — e põe o foco no que é recurso externo: no produto, na compra, na marca. E nutrir recurso interno empodera, fortalece emocionalmente, mas depender do recurso externo (pra sentir satisfação) só esvazia a conta bancária, cultiva ciclos de ansiedade, estimula comparação e competição.

    No fim do dia, esse dress é um vestido, esse jumpsuit é um macacão como outro qualquer, essa clutch é só uma bolsinha. Por favor vamos maneirar, pessoal.

    CONSULTORIA DE ESTILO, METODOLOGIA QUE HUMANIZA E O VAZIO DA COMUNICAÇÃO DE MODA NO BRASIL

    “Não deveria ser surpresa alguma saber que há lugares que hostilizam o luxo; e que Rolex, Louis Vuitton, Prada e Aston Martin se saem espetacularmente mal na Dinamarca, país com terceira maior renda per capta do mundo, com distribuição de riqueza super equilibrada.

    O caso da Dinamarca ilustra uma grandessíssima possível solução para a questão do luxo. O desejo pelo luxo é inversamente relacionado ao nível de dignidade de uma vida típica; na medida em que a dignidade aumenta, o desejo pelo luxo diminui. Nunca teve a ver com cobiça ou ganância, o amor pelo luxo foi apenas uma resposta a um fracasso político: a inabilidade dos governantes para garantir que uma vida típica possa ser uma vida próspera.” (daqui)

    + pra entender como a humanização + a naturalidade são fundamento
    na nossa metodologia de consultoria de estilo
    + pra compartilhar questionamentos com a gente via email
    + pra entender como funciona uma consultoria de estilo
    + pra conhecer o que uma personal stylist estuda pra se profissionalizar


  • (Sobre análises e informação de moda)

    Todo mundo fica acordado até tarde em dia de Oscar, e no dia seguinte cedo a gente já acorda com listas e listas de “mais bem vestidas”, “mais elegantes”, “quem errou no tapete vermelho”. Durante a premiação, na TV, a apresentadora do canal local dizia “fulana sempre acerta” — sendo a fulana uma atriz alta, branquinha, loira, magérrima. Se ela sempre acerta, que é que erra? Erra quem não tem esse tipo físico? Erram todas as outras que não são ela?

    E quem pode julgar quem erra e quem acerta? Tem lei pra definir o que é erro ou acerto em moda?

    A gente entende que é preciso questionar esse sistema de “informação de moda” que não informa nada, mas que só dá opinião pessoal. “Linda” ou “errada” serve pra quê? A gente aprende alguma coisa com isso, além de aprender a apontar o dedo umas pras outras?

    idéias sobre 'listas de mais bem-vestidas' e julgamento de celebridades em tapete vermelho:  por mais filtro, mais questionamento! http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/menos-patrulha-mais-aprendizado/
    ((ela ganhou um Oscar pelo seu trabalho de figurino no filme mad max, por ser capaz tecnicamente, por ser excelente na entrega e alcançar êxito no propósito da sua atuação profissional, mas foi “julgada” pela aparência diferente do padrão esperado por quem ‘julga’. ela mesma se disse muito confortável, homenageando o próprio filme que a premiou. e no discurso de agradecimento lembrou geral de que a gente precisa exercitar gentileza uns com os outros pra que mad max não vire uma realidade. e aí, pessoal?))

    Esse tipo de “análise de look” poderia entregar informação útil, usável, aplicável e replicável pra todo mundo que tem interesse em aperfeiçoar as próprias escolhas. A partir de identificação de elementos visuais presentes nos looks das celebridades a gente poderia entender que efeitos eles tem nas silhuetas, que mensagens comunicam, que sensações podem fazer sentir — e então escolher certeiro o que a gente quer sentir quando se prepara pra uma festa, como a gente quer se parecer.

    Apresentadoras que descrevem o que todo mundo tá vendo na imagem (“fulana muito linda de amarelo”) ajudam em: nada. Mas né, a gente consome esse tipo de opinião pessoal das “experts” como regra, e segue a vida achando que “baixinha não pode isso ou aquilo”, etc etc etc.

    A gente precisa ser mais rebelde, a gente precisa perguntar POR QUE, precisa selecionar fontes de informação direito e seguir experimentando. Bom é que a gente aprenda a filtrar o que é opinião pessoal de outras pessoas, o que coloca a gente em posição julgadora e o que serve efetivamente como aprendizado pra ser usado, vivido no próprio armário.

    Celebridades ou outras pessoas quaisquer não podem servir como única referência: cada uma de nós é uma, singular. A gente pode escolher melhor compreendendo aspectos técnicos de caimento, acabamento, materiais e efeitos de linhas e formas na silhueta, cores e mensagens… e se usando como principal referência!

    + tapete vermelho é isso aí
    + competição x colaboração
    + quando uma jaqueta de couro fala mais alto que um oscar
    + anti-lavagem cerebral

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  • Os cozinheiros retratados na série documental Chef’s Table (no Netflix) dominaram, ao longo de suas carreiras, as culinárias mais clássicas: italiana, japonesa, francesa, tailandesa. Mas eles se sobressaíram de verdade no seu mercado quando questionaram o saber reproduzido com perfeição pra criar algo novo a partir disso, quando acrescentaram um pouco de si mesmos ao repertório clássico e então fizeram acontecer algo original.

    Na série a gente conhece o processo criativo e o desenvolvimento profissional de 6 cozinheiros incríveis, que já eram reconhecidos por sua capacidade — e ao longo dos episódios a gente vai entendendo que eles intencionalmente se colocaram à prova, questionaram seus próprios trabalhos. Todos eles apontam pras suas próprias histórias de vida e pros seus repertórios pessoais de opiniões como fundamentos de criatividade. Eles dizem ser esses fundamentos o que motiva a intenção de criar algo novo, inédito, inventivo — a partir do repertório clássico que já tinham.

    chef's table e a consultoria de estilo

    Os cozinheiros falam de novos sabores, de equilíbrio de ingredientes, de experiências com finalizações, novas proporções e novas combinações — que só são possíveis de acontecer quando se tem vontade de melhorar, de crescer, de expandir horizontes e de complementar o que já existe no universo com algo novo, único.

    Que paralelo LINDO a gente consegue enxergar aí com a nossa própria atuação profissional, com o nosso mercado — tão jovem e tão cheio de oportunidades de inovação e aperfeiçoamento. <3

    Um dos chefs, o americano Dan Barber, dá uma receita linda de caminhada de aperfeiçoamento. Ele diz que sua maior motivação é trabalhar pra orgulhar sua famílias <3 e mais:

    -que vale trabalhar duro, mas sempre com um sorriso no rosto,
    -que é preciso empreender intenção e energia em novas experiências,
    -que é bom estar preparado pra lidar criativamente com eventuais insucessos.

    A consultoria de estilo (exercida profissionalmente hoje no nosso mercado) poderia ser pensada assim, como “experimental”: cada cliente oferece novas possibilidades de raciocínio, de aplicação alternativa de técnicas, de possibilidade de se criar novos produtos e experimentar novas abordagens, novos nichos.

    Chef’s Table mostra com clareza os efeitos do compartilhamento do orgulho que se sente quando se cria algo genuinamente autoral — isso empodera e incentiva continuidade. Os profissionais conseguem fazer a gente sentir (junto com eles) o prazer e a satisfação de ser reconhecidos e respeitados, não só pelo público de seus restaurantes, mas também pelos críticos e pelos colegas também chefs de cozinha.

    Que delícia é pensar que há tanta oportunidade de nós todas, como consultoras de estilo, sentirmos também esse orgulho, esse reconhecimento a partir dos nossos próprios esforços de nos reinventar, de recriar métodos e aplicações, de contribuir com o mercado com práticas complementares, genuínas e originais.

    “If you’re doing something that’s unique, something that’s wonderful, people will find out about it.”

    + não somos artistas, somos artesãs
    + porque a gente ama o que faz
    + aliança entre cliente e personal stylist
    + espontaneidade de mentirinha


  • Esse post faz parte de uma série de questionamentos, tem mais dessas idéias aqui, ó: COMO CONSUMIR MELHOR

    Antes da gente começar a conversar sobre o que se compra, é preciso pensar em como se compra — sem essa reflexão a gente aqui na Oficina não acredita que possa acontecer mudança efetiva em hábito de consumo.

    Como a gente se relaciona com a atividade COMPRAS faz com que seja possível comprar tudo ou quase tudo, em qualquer lugar com qualquer preço. A consciência e a disponibilidade pra intencionalmente agir diferente em relação à compra é que muda a coisa toda. É possível praticar consumo consciente até no fast-fashion: tem mais a ver com comportamento do que com produto ou marca/loja.

    é possível praticar consumo consciente até no fast-fashion: tem mais a ver com comportamento do que com produto ou marca/loja :: http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/nao-e-sobre-o-que-mas-sim-sobre-como/

    Pensa só em 2 tipos imaginários* de pessoa:
    *qualquer semelhança com a vida real nem é tão mera coincidência!

    -pessoa que toda semana compra sacolas e sacolas de roupa 100% ética e sustentável, com garantia de procedência e mão-de-obra digna e bem remunerada;

    -pessoa que vai até a Forever 21 uma vez a cada 3 meses e compra 1 ou 2 peças.

    Qual desses consumos é mais responsável, consciente, sustentável?

    Quem compra muita roupa demais acaba não conseguindo usar tudo que tem: ou porque não enxerga no guarda-roupa abarrotado, ou por não ter ocasiões suficientes durante a existência humana pra vestir tanta coisa. Por outro lado, se todo mundo que faz compras na Forever 21 só comprasse 1 ou 2 peças a cada 3 meses, a rede de fast-fashion nem seria tão gigantesca como é, nem precisaria usar métodos desumanos pra produzir mais e mais pra abastecer loucamente as lojas.

    E mais: a consumidora não precisaria experimentar o sistema de não-presença e rapidez/voracidade que é estrategicamente instalado nas lojas (alô música altíssima, alô araras confusas, alô provadores disputados). Percebam com a gente que isso rola em todo tipo de grande rede de fast-fashion: um esquemão orquestrado em loja pra que a gente não consiga raciocinar, pra que a gente esteja alienada e conte com a facilidade do self-service pra “resolver” logo as nossas compras.

    Se os nossos maus hábitos de consumo persistem, tanto faz o que se compra… a gente permanece sendo consumista. E esse é o problema. Consumo e consumismo são coisas bem diferentes, ó:

    CONSUMO: ato ou efeito de consumir; extração de mercadoria; aplicação das riquezas na satisfação das necessidades econômicas do homem.

    CONSUMISMO: excesso de consumo; ato de comprar produtos/serviços sem necessidade ou consciência; compulsivo, descontrolado, que se deixa influenciar pelo marketing das empresas que comercializam produtos/serviços, sistema caracterizado pelo excesso.

    O que faz mal pro planeta Terra (e pra gente, que né, só tem aqui pra morar) não é o consumo, mas o consumismo. Nós aqui na Oficina não somos contra o consumo, somos contra o consumismo!

    E mais: se o comportamento voraz e inconsciente rola no consumo de produtos éticos e sustentáveis, ainda temos um problemão, pessoal. Ó: colunas de “eco-consumo” em revistas de moda, por exemplo, ainda são colunas sobre consumo! Não tem a ver com produtos, tem a ver com COMO se faz compras, com intenção de melhorar nossa relação com o consumo.

    consultoria de estilo pra por essas idéias em prática com a gente, em teoria aprofundada e prática certeira \o/


  • Esse post faz parte de uma série de questionamentos, tem mais dessas idéias aqui, ó: COMO CONSUMIR MELHOR

    Ces sabem que a revista Forbes se mantém atualizando o tempo todo uma lista das pessoas mais multimilionárias do mundo. O ano de 2016 começou com a notícia de que o 1º lugar dessa lista ficou com o dono da Zara.

    A gente aqui entende que, de um jeito, comprar na Zara significa financiar a desigualdade social no mundo — a mesma revista explica que metade da riqueza do planeta Terra tá concentrada nas contas bancárias de 85 famílias apenas, e que a outra metade vem sendo “repartida” entre os outros 7 bilhões de pessoas da do mundo inteiro. Tipo: quanto mais dinheiro 1 único serzinho humano acumula, menos outros tantos bilhões conseguem ter.

    Isso daí é simbólico demais pra gente. Nós duas aqui na Oficina (pessoalmente) estamos em constante auto-vigilância pra não entregar qualquer centavo do nosso dinheiro pra Zara em circunstâncias futuras.

    fastfashion-blog

    PORÉM, entendemos que consumo é bem diferente de consumismo. E temos bastante clareza de que consumo consciente pode ser exercitado até na Zara: uma pessoa que sempre comprou 6, 7 pecinhas por mês no fast-fashion e que, por reflexão ou amadurecimento, passa a comprar 1 peça por semestre ESTÁ PRATICANDO UM CONSUMO MAIS CONSCIENTE!

    O negócio não é “deixar de comprar na Zara”, mas sim deixar de comprar em excesso, sem propósito. Se o orçamento só permite comprar no fast-fashion, então que se raciocine também essa compra: procurando qualidade, durabilidade, versatilidade — e quase principalmente avaliando quantidades! A gente não precisa de tanta coisa, de qualquer que seja a proveniência dessas coisas.

    Vamos lembrar que: comprar loucamente produtos verdíssimos também é consumismo. Comprar produtos 100% éticos em excesso, sem precisar de verdade, também é consumismo. Comprar um zilhão de roupinhas usadas em sites que vendem de 2ª mão: consumismo. Seguindo esse raciocínio a gente não duvida que o mercado invente logo mais uma “black friday vegana”. Sacam?

    No fim, é bom que a gente cuide mais da gente do que das coisas. Que a gente se conecte com o mundo e com os outros humanos do mundo, e não com produtos. Isso –na nossa opinião pessoal-personalíssima– é substituir consumo por autoestima!

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  • “You cannot get through a single day without having an impact on the world around you.
    What you do makes a difference, and you have to decide what kind of difference you want to make.” (Jane Goodall)

    Aqui na Oficina a gente tem preferido comprar de marcas independentes, menores, de perto da gente (brasileiríssimas) e com donos que cuidam de tudo ou quase tudo da marca: da criação, da origem dos materiais, do transporte, dos funcionários, etc. A gente tem exercitado essa preferência tanto no nosso trabalho como consultoras de estilo quanto na hora de abastecer os nossos próprios guarda-roupas.

    A gente entende que quando uma marca pertence a um grande grupo de investidores, fica quase impossível rastrear todos os processos comuns a uma operação comercial. E aí 2, 3 ou 4 pessoas (os investidores) ganham muuuito dinheiro contratando centenas/milhares de outras pessoas pra cuidar da operação toda, e toda essa gente ganha bem menos. Assim a gente acaba entregando nosso dindin pra quem já tem dinheiro demais da conta, e não pra quem trabalha diretamente com o que produz.

    A idéia, pra gente, tem sido considerar várias hipóteses para chegar em uma opção melhor no final. Isso quer dizer, distribuir melhor o dinheiro que a gente entrega nas compras, tentar impactar menos no ambiente (escolhendo materiais naturais e orgânicos/menos tratados com produtos químicos, que sejam mais duráveis, que não demandem transporte de longe, que venham com menos embalagem). Junto com isso a gente tem procurado fazer escolhas éticas — procurando conhecer produções próprias, feitas por gente trabalhando com assistência e dignidade, usando fornecedores/produtores que sejam remunerados direitinho, comunidades que sejam beneficiadas pela venda, etc.

    Essa prática depende de informação e a gente tem colocado mais e mais energia na busca desse conhecimento: a gente faz perguntas nas lojas, manda e-mail pras marcas, conversa com quem sabe mais que a gente, troca demais com quem tá exercitando isso há mais tempo. Até nisso empresas/lojas/marcas pequenas funcionam melhor: quanto menos gente envolvida, quanto menos grandiosidade de operação, mais acesso a respostas a gente tem.

    Mas isso é escolha pessoal nossa — e na medida em que a gente aprende (e procura aprender mais), a gente vai também aperfeiçoando nossas escolhas. Ninguém é 100% correto e “não impactante”. Mas a trajetória tem sido legal demais: já que essa é a nossa área (de atuação profissional) a gente acaba tendo mais chances de impactar um tanto mais pro bem do que pro mal. A gente sente que essas pequenas mudanças são possíveis – e que muitas vezes não envolvem tirar mais dinheiro do bolso, e sim repensar nossas necessidades e desejos.

    Mais desse nosso aprendizado aqui:

    + um filme para entender os impactos da cadeia da moda como a gente conhece hoje
    + sobre ter menos, melhor e mais de perto
    + por que essa moça não vai mais comprar fast-fashion
    + 5 atitudes sustentáveis em moda
    + 5 déias pra construir um guarda-roupa mais ético
    + como consumir melhor: uma massa série de posts

    ((colaborou com a gente nesse texto a Fê Canna))


curtimos

ideias complementares às da Oficina