14.
mar.
10.

REFERÊNCIA É SÓ REFERÊNCIA!

publicado por: Fernanda

Achei essa imagem aqui nos arquivos do passeio com leitoras que a gente fez pro Bom Retiro tempos atrás (foi TÃO legal!). O aviso tava na entrada de uma loja – e não é que faz sentido pra além dos domínios da marca? “Não entrar na vitrine” pode fazer a gente pensar em não se vestir da cabeça aos pés com num lugar só (com peças de uma marca só). Também pra não precisar da orientação dos looks pré-preparados pela equipe que monta a vitrine – ou pelo menos só pra ter essa orientação como base pra quebrar regras e elaborar uma proposta mais pessoal!

aviso

Mais: o aviso pode servir pra desprender a gente da idéia de que a moda tá ali atrás daquele vidro… na verdade, a moda de cada uma tá em frente ao espelho do guarda-roupa, com as ferramentas que se tem ali dentro, angariadas durante uma vida (vivida de verdade!!!) e prontas pra serem misturadas de acordo com referências e vontades próprias! Então gente, não mesmo. ‘Não entrar na vitrine’ vale pra nossa relação com toda a moda, com toda roupa, todo look, todo dia. Néam? ;-)

((Aliás, que saudade dos passeios com leitoras – tamos precisadas de um desses! Sugestões? Onde a gente pode ir passear, conhecer lojas/propostas novas, arrumar mais conversa pra dividir aqui no blog? Alguém quer ajudar a pensar???))

((Mais parêntese: semana passada a gente trabalhou – muito! – em Brasília, e o blog ficou paradinho porque a vida real ferveu mais que o comum. Essa semana a gente conta como foi lá, o que a gente aprendeu e mais – que eu ainda não contei tudo da viagem de Portugal, né? Beijocas e até já, Fê!))

26.
nov.
09.

GRAFITE E INTUIÇÃO

publicado por: Fernanda

Tá tendo aqui em SP, no Masp, uma exposição só com trabalhos de grafiteiros – chama “De dentro para fora, de fora para dentro” e é muito muito legal ver o que a gente já vê em muros pela cidade… dentro do museu! Não só em forma de pinturas/desenhos, mas também em adesivos, fotografias, instalações e vídeos. Um desses vídeos super me impressionou, mostrando o trabalho do Stephan Doitschinoff. Ele se mudou pra uma cidadezinha do interior da Bahia e grafitou TUDO em volta: casas, muros, capelas e até lápides de cemitério. E o próprio artista conta que, na medida em que ia trabalhando e interagindo com as pessoas de lá (e com o clima e com as casas e com tudo em volta), seu trabalho ia sendo influenciado – pelas cores, pelas formas, pelos temas e até pelas suas crenças pessoais.

Na apresentação da expo tá escrito que esses grafiteiros, tipo o Stephan, “representam uma geração (…) acostumada a quebrar regras e pautar-se pela própria intuição”. E mais: “(esses artistas) aprenderam a fazer arte em contato direto com o público, abrinda diálogos visuais com a população” e isso me impressionou. Voltei e conversei com a Cristi e a gente pensou que Read more

27.
set.
09.

O NOVO (?) MONOCROMÁTICO

publicado por: Cristina

A coordenação de cores monocromática – quando todas as peças do look são da mesma cor, mesmo em tons diferentes – transmite uma mensagem suuuuuper elegante!!! A gente não cansa de falar isso por aqui, né!?! Acontece que a coordenação monocromática alonga a silhueta, porque não divide em blocos de cores, e assim cria uma imagem longilínea. É essa imagem longilínea que carrega a mensagem do refinamento, da sofisticação. São diálogos subliminares que nossas cabecinhas têm com as figuras que enxerga!!!

Mas – como nada é perfeito – a coordenação monocromática algumas vezes pode ficar monótona, muito séria e pode até envelhecer o look. A sacada então é fazer looks monocromáticos que tenham algum twist, alguma interessância, que deixem a gente chique, mas ainda assim original e jovial.

monocromaticocolorido

E se o look monocromático ao invés de ser todo cinza, ou todo bege, ou todo preto (bocejo) fosse todo vermelho, azulão, roxo, pink? Difícil? Nem tanto, sabia!?! Read more

17.
ago.
09.

EU NÃO GOSTO, MAS E DAÍ?

publicado por: Cristina

Umas das coisas mais difíceis da profissão de personal stylist é se desprender do nosso gosto pessoal na hora de analisar um cliente e seu guarda-roupa. Seria muita hipocrisia da minha parte dizer que minhas preferências não interferem em nada no trabalho, mas tem que existir um esforço pra que ele interfira o mínimo possível. (Essa é a vantagem de se trabalhar em dupla, uma ajuda a outra a identificar se o critério usado em determinado momento está baseado no que eu acho bonito ou no que é bom pro cliente.)

gosto1

E se desprender de gosto pessoal é um exercício contínuo. A cada cliente a gente se sente um pouco menos bitolada, um pouco menos preconceituosa. Porque se tem uma coisa que aprendi nesses 6 anos de trabalho na Oficina foi que não gostar de alguma coisa tem muito mais a ver com preconceitos do que com o olhar estético, sabia!?!

Quando vejo uma imagem de moda – seja um editorial de uma revista, um desfile ou uma peça no guarda-roupa de uma cliente – é inevitável fazer um julgamento “acho bonito” ou “acho feio”, mas depois tento enxergar ali que mensagens essa imagem transmite, o porque dela ser daquele jeito e o que posso aprender com ela. E no final eu sempre aprendo muito mais com o que a princípio achei feio!!!

Se a gente simplesmente pára no “não gostei” ou – pior ainda – “não gosto”, perde a oportunidade de ampliar o universo de referências visuais, deixa de ganhar conhecimento, fica preso às mesmas ideias. Intolerância só atrapalha nosso desenvolvimento profissional, gente!

Tanto faz se eu acho bonito ou feio o que a Joelma veste. Tanto faz se a Sabrina Sato é vulgar ou não. Tanto faz se eu gostei ou não do filme que eu vi, mas importa o que tem lá escondido pra ser “enxergado”. Em todos esses “desgostos” tem um infinito de coisas pra gente estudar e aprender – sobre os outros. E sobre a gente mesmo!!!

5.
ago.
09.

LOOKBOOK PESSOAL

publicado por: Cristina

Montar looks com as peças das clientes é uma das etapas mais divertidas – e educativas – do nosso trabalho!!! É quando a gente junta tudo de mais legal que tem no guarda-roupa com as peças bacanas que a cliente comprou e monta um monte de coordenações com a cara dela. A cliente prova – e aprova! -  e a gente fotografa o look completinho… daí que a cliente fica com um conjunto de fotos que vira o lookbook pessoal dela.

E tem como todo mundo ter o seu lookbook, cheio de coordenações inspiradas e que funcionam pra vida, quer ver? A primeira coisa a se fazer é uma pesquisa de imagens atuais que vão servir como referências na hora de montar os looks. Vale pesquisar em revista, em site ou blog, em filme, em novela, vale tudo!!!

lookbook

Daí é ir pra frente do guarda roupa e separar todas as peças que a gente mais curte. Pode separar também as mais novas e atuais. Pra cada peça a gente pode montar um look novo, fazer uma coordenação que a gente nunca tinha feito, mesmo que seja a peça mais usada do armário!!! Read more

9.
jul.
09.

É MEU E DE MAIS NINGUÉM

publicado por: Cristina

Ter um estilo super bem definido é como um quebra-cabeça que a gente tem que montar levando em consideração a nossa personalidade, as nossas atividades, as nossas referências visuais, as nossas inspirações, o nosso corpo, nosso humor em determinada situação, os nossos traços, o nosso budget, as nossas escolhas… é muita coisa que tem que encaixar direitinho pra que a nossa imagem seja consistente com quem a gente é e como a gente quer parecer ser. Falando assim parece que é difícil, mas muito disso tudo é instintivo e o resto a gente estuda – e se estuda – pra que fique mais fácil. E quando a gente atinge o nosso objetivo e se olha no espelho antes de sair de casa e fala “eu tô linda e tô a minha cara” é uma delícia. Essa satisfação aparece e todo mundo enxerga a nossa confiança e prazer em ser quem a gente é!!!

E o ápice da identidade visual é a marca registrada!!! É quando as pessoas reconhecem a gente sem nem mesmo a gente estar lá, é quando as pessoas lembram da gente pelo mesmo motivo, é quando a nossa imagem tem algum elemento visual tão forte que aquele elemento passa a ser “eu”. Exemplo? Na revista Nylon desse mês tem três!!!

marcaregistrada1

Num editorial fofo chamado “just the two of us” a gente vê a relação forte da imagem misteriosa de Yoko Ono e o seu óculos-escuro Carrera, da imagem transgressora de Nancy Spungen (do Sid Vicious) e a sua camiseta listrada e da imagem chic-cool de Marianne Faithfull e seu peacoat com botões de metal!!! Read more

3.
fev.
09.

quem conhece, reconhece (parte II)

publicado por: Fernanda

Quem desenhou essa capa de disco de Gilberto Gil, na década de 60, foi um ‘artista-intelectual’ chamado Rogério Duarte. Ele é considerado um artista-intelectual porque fez muitos trabalhos gráficos incríveis, ao mesmo tempo em que esteve envolvido com movimentos contrários à ditadura no Brasil – ele foi, inclusive, um dos pensadores do movimento tropicalista. As cores e formas da capa do disco têm a ver com brasilidade, com a coisa psicodélica da época (eram as décadas de 60-70), com os valores da juventude daquele tempo e mais. Mais que tudo, é uma capa super bonita, não é?

capa_rogerio_duarte

Tempos depois a estilista Helô Rocha fez (para sua marca Têca) uma coleção inspirada em elementos do Tropicalismo – entre eles capas de disco contemporâneas ao movimento. E aí, amigos, se a gente sabe dessa estória aí de cima (no primeiro parágrafo), o vestido que homenageia o design da capa de disco passa a ser mais que só um vestido! Pode ser que a estampa, muito linda, seja mais: além de ser a inspiração da estilista ela também pode também carregar reflexos de um comportamento (da sociedade ou de pedaço dela!), de política, de economia, de ideologia… Informação na roupa! Informação que faz a roupa ter algum outro valor, não é mesmo?!??

teca_tropicalia

A gente aqui acha que quem conhece, reconhece. E que quanto mais a gente vive, mais repertório (de tudo no mundo!) a gente tem pra identificar representações. E pode ser super legal pensar no significado do que a gente usa – não só nos significados literais, mas no que cada elemento do nosso visual representa pra gente mesmo. Não pra ser politizado ou intelectualizado e tals – mas pra (se) conhecer, e só. Ou pode ser só divertido, pode gerar conversa e pode fazer sorrir!

Na contramão (a gente adoooora!):
o pensamento (gênio) da dra. Vodca sobre a comunicação não-verbal
a reinvindicação do direito de se vestir só por diversão da Tati Rodrigues (gênia!)

22.
jan.
09.

spfw inverno 2009: simone nunes em viagem nada insólita

publicado por: Tati

Simone Nunes faz roupa que meninas do bem querem usar. E não só porque seu desfile foi estampado de natureza, mas também porque suas roupas exprimem uma personalidade marcante e doce, muito doce. Além disso, ela apresentou um monte de idéias de styling super simples e super aplicáveis nos guarda-roupas off passarela.

montagem2

As mulheres (delicadas) de Simone foram ao Hawaí e ao Alasca e voltaram de lá bordadas de referências. Couro, malha, peles, veludo cotelê, paetês – tudo convivendo harmoniosamente bem. Se a base é de malha, araras aplicadas podem surgir em pele ou em couro; se a base é plana, flores em paetê. Aliás os paetês, bastante vistos esta semana, voltaram a aparecer super apropriados ao dia, como a gente já falou aqui. Quer seja utilizado em pequenos detalhes, quer seja em shortinhos e sainhas deliciosas, quer seja em barrados, eles podem ser coordenados com materiais opacos, botinhas e bolsas pequenas (mas sem qualquer tipo de brilho), compondo um visual de garota moderna, urbana e antenada. Outro detalhe sobre o que a gente já tinha falado é este (se não anotou da outra vez anota agora porque vale super a pena): quando a barra da parte de baixo sobe, é bom que a barra da parte de cima desça. E Simone fez isso. Colocou shorts de paetê com tricô compridinho, arrematado por um cinto de couro na cintura (que dá mais de uma volta, por isso tem que ser beeem grande). Não é ótimo ?! A cartela de cores tem cinza (olha lá), off-white, verde musgo, marinho, marrom e o laranja, o azul e o vermelho das araras e das flores aparecidos nos detalhes. Tudo harmonioso e gostoso de ver e usar.

Seja no Hawaí ou no Alasca, Simone conseguiu, nesta viagem, apresentar-nos uma mulher que vai do verão ao inverno sem suar ou passar frio, que vai do natural ao artificial sem ser eco-chata ou politicamente incorreta e que vai da passarela para as ruas sem ser somente conceitual ou comercial. Passaporte carimbado.

21.
out.
08.

looks que rendem conversas (boas)

publicado por: Fernanda

De tempos pra cá a gente tem prestado atenção nisso de “intelectualizar” (na medida do possível) o que a gente usa. Funciona assim: em vez de só escolher-e-vestir, a gente procura sentido e significado nas peças que coordena. Vale escolher peças referências de algum figurino legal de filme, elementos característicos de alguma década/tempo marcante, material relacionado com algum lugar ou alguma viagem, coordenações de cores que lembrem uma imagem bacana, padronagens que acrescentem interessância, tipo isso. No lugar de ser só bonitinha, a gente aproveita pra oferecer ao outro elementos pra serem “lidos”, decifrados, no nosso look – pra acrescentar conteúdo próprio (nosso) ao que a gente veste! Que contem estórias boas, que rendam assunto.

interessancias.jpg
na sequência: huis clos inspirada por fotografia, maria bonita extra inspirada por filme, priscila darolt inspirada por bailarinas (!!!), ianire soraluze inspirada por pierrots e giselle nasser inspirada por música. sacou?!?? 

É bom procurar um “motivo especial” pra usar cada peça – ou pra coordenar peças de um jeito específico. Você vai ver que, mesmo que a conversa boa não aconteça por conta do look, você vai se sentir mais inteligente em moda. Vai dar um orgulho bom de estar vestida assim, cheia de informação e sentido. Experimenta e conta aqui como foi – ou como tá sendo, que esse é um exercício de todo dia! =)

29.
jul.
08.

de blazer preto, fazendo a kate

publicado por: Fernanda

Das coisas que aparecem repetidas vezes quando se faz pesquisa de imagem! Tem uma parte do trabalho de consultoria em que a gente abastece a cliente com mil referências, pra reforçar os elementos de identidade visual que ela pode escolher pro próprio vestir – é só um começo, logo logo a cliente tá recheando seu próprio arquivo inspiracional sozinha (e surpreendendo a gente, que nossas clientas são sucesso). Quase sempre, no meio da pesquisa pra buscar essas referências, surgem assuntos pra post – não é ótemo? Dessa vez foi a quantidade de vezes em que Kate Moss apareceu nas buscas, usando blazer preto. E não é que tem bem mais gente fazendo a Kate – e coordenando looks bem bons?!??

kate-de-blazer.jpg

As referências podem nem ser tão novas, mas todos esses looks são bem atuais. Todos têm semelhanças, elementos em comum – e são esses que a gente pode transportar pra vida real, pra experimentar em casa e ver se funciona pra gente (ai, eu super quero um paletozinho a-go-ra). Os blazerzinhos das fotos são todos ‘inhos’ mesmo, com ombros certinhos, cinturas ajustadas, mangas estreitas, sequinhas. Pensando que a moda em volta da gente tem oferecido modelagens mais almplas (mesmo em mangas), os brechós podem ser super passeio à procura de um desses – ou guarda-roupa de mãe, néam? E nas referências os blazers funcionaram super bem em festchinhas, sobre vestidinhos de tecidos lustrosos com meias opacas, sobre renda na versão zéxy de Gwyneth, sobre vestidinho opaco no look-de-tarde de Julianne Moore e mesmo de micro sainha e camiseta. Quase todas tão usando com a manga puxada pra cima (um charme, não?) e, mesmo quando o blazer completa o look ‘jeans + camiseta’, ele completa arrasante – o look de shortinho e sapatilhas é quase o meu preferido!

celebs-de-blazer.jpg

Bom é que mesmo sendo um blazer preto liso reto, provavelmente desconjuntado de um terninho antigo (na imaginação!), o efeito é de look super super atual, descolado. A impressão que dá é que elas trocaram os cardigans e jaquetinhas e bolerinhos por uma peça que poderia não ter a ver, poderia pesar, mas que funcionou mega bem porque elas foram eshpertas! Então vale a tentativa, por cima de qualquer look que daria certo com esses outros complementos – e é exeprimentando, testando sem medo (nem compromisso) é que a gente vai avaliando resultados bons pra gente mesmo. E mais: além do blazer acrescentar o elemento masculino no look das meninas, ele ainda cria sensação de cintura fininha quando usado aberto – esse vão vertical que as partes da frente formam ao longo do corpo é ótemo, menina.

Mais:
Teoria do peso visual (pra estudar e quebrar as regras!)
Todo mundo de três peças
Look incrível inspirado na moda masculine

A Oficina


A Fê e a Cris são personal stylists de gente da vida real e dividem, aqui no blog, tudo que aprendem nesse trabalho.