Sabe que o Oskar Mestsavaht, da Osklen, fez um chinelinho em parceria com a Grendene? Nas tirinhas tem textura que lembra pele de tilápia (com a cara das tilápias usadas nos acessórios da Osklen!) e na sola tem desenhinhos das pedrinhas do calçadão da praia e das ondas do mar e das curvas das montanhas do Rio. O chinelinho chama Ipanema, é todo feito de uma borracha 100% reciclável, do jeitinho que o estilista gosta. Parte da renda da venda dessas sandalinhas serve pra fazer ações pro bem do bairro que serviu de inspiração pro Oskar Metsavaht, tipo o dinheiro vai servir pra revitalizar parques e tals. Tudo feito em parceria pela Grendene e pelo Insituto E (do estilista da Osklen), que juntos também puseram no ar o Ipanema Blog, pra falar do que acontece de legal no bairro: de cultura, de comportamento e – parte que mais interessa! – de moda também.
Diz que o blog tá no ar desde novembro do ano passado e que fez cobertura do Rio Summer. E desde então o blog tem posts diários sobre tudo que tem a cara do Rio/de Ipanema (na visão da Osklen), sobre o processo de criação da marca e de seus trabalhos/desfiles/desdobramentos, sobre eventos relacionados a moda e mais. O mais legal é que esse blog vai ter uns colaboradores ilustres, gente de música de cultura de arte e de moda: o primeiro desses é ninguém mais ninguém menos que Felipe Veloso. A gente é fã do trabalho desse stylist e já fez post contando do nosso amor aqui (clica pra ler!), e a partir de agora vai acompanhar o “blog do bairro e da sandália” pra saber mais do que ele tem pra contar. Diz que ele vai postar coisas de bastidores e do dia-a-dia da profissão dele – que cuida da imagem de famosos tipo Regina Casé, que a gente também curte, e de Caetano Veloso – enquanto ele viaja faz desfiles faz campanhas fotografa editoriais e mais. O primeiro post do Felipe Veloso já tá no ar, ó só.
Nesse primeiro post o stylist explica o que faz, de um jeito super simples e simpático, e mostra um monte de foto de trabalhos que fez, tipo pra exemplificar (eu acho). Diz que vai ter cobertura do Fashion Rio e do SPFW no blog, com bastidores e tals – com alguns posts feitos pelo próprio Felipe Veloso! E diz que mais gente bacana vai colaborar com o conteúdo postado lá. Tomara que o blog “viva” além da campanha da sandália, tomara que renda assunto bom, tomara que seja pra somar, né? O link é esse daqui, tamos no aguardo com expectativas mais que boas. No gargarejo!
O Rio Summer acabou de acontecer e o que mais se ouviu (e se vendeu) por lá foi o tal do ‘lifestyle’ brasileiro. Aliás, não só no Rio Summer como na moda de uma maneira geral, o ‘estilo de vida’ é palavra de ordem há algum tempo. Exatamente por isso o Pense Moda chamou o sociólogo e professor Álvaro Arthur de Castro para discutir sobre o assunto. “Estilo de vida são valores e princípios em exercício”, explicou Álvaro. São os valores individuais que regem a vida das pessoas. “Estilo de vida não é produto – é serviço”. Bom, se a gente pensar que o motor que gira a indústria da moda é o desejo e que ‘estilo de vida’ é, exatamente, a promessa deste desejo, então conseguiremos entender a importância e a `febre` da expressão.
Por outro lado, como falou Álvaro, se ‘estilo de vida’ não é produto, este, o produto, é o resultado de um processo de síntese. Olha só: criações devem, necessariamente, ter uma mensagem, uma visão de mundo (ex.: Chanel estava tão imersa à realidade em que vivia que lançou o tailleur justamente na época em que as mulheres foram chamadas ao trabalho, criando, assim, o 1º ‘uniforme social’ feminino e fazendo-se famosa por isso). E se ‘estilo de vida’ é princípio em exercício, para que o tão discutido ‘lifestyle’ brasileiro se construa também internacionalmente, devemos desenvolvê-lo de acordo com nossos valores e crenças, lembrando (SEMPRE!) que somos nós quem devemos nos adaptar ao mundo e não ele a nós – nosso ‘estilo de vida’ deve ser o recheio de uma linguagem globalizada (rá).
Por fim, um pensamento-ensinamento fundamental (e nada fraco): não é a marca que produz valor para o cliente – é o cliente que produz valor para si ao usar o produto (e, consequentemente, ao consumir o ‘estilo de vida’) de determinada marca.
Pra estudar e pensar. Pensar muito.
Essa palestra aconteceu onte de tarde. E esse foi mais um texto da Tati Rodrigues, bem ótema, não?!??
Ontem a gente encontrou com alguém que trabalha muito perto da organização do Rio Summer, evento que aconteceu no Rio duas semanas na semana passada. Diz que eles consideram um super erro ter marcado um evento que quer vender pra essa época, quando os compradores mais importantes do mundo já finalizaram suas compras de verão. E diz que pro ano que vem – o evento já está fechado e todo pago pra próxima edição – tem novas datas/novas épocas sendo estudadas como possibilidade. Vitor Ângelo, que faz o (excelente) blog Dus Infernus, ensina a gente que criticar é uma forma de crescer, e que crítica fundamentada é essencial pra que tudo se desenvolva e melhore. É dele o melhor texto sobre o Rio Summer que a gente leu até agora, e dele também vêm os links desse post de fim de semana. Tem que ler, tem que pensar e ajudar a questionar, pra que – aí sim – todo mundo em volta ganhe com isso. =)
• Vitor diz no texto que “se moda é imagem, o mais lamentável do Claro Rio Summer não foi não apresentar moda, mas sim fazer um retrocesso da imagem do país pra inglês ver, confirmando a farseta para todos eles a ponto de todos estrangeiros declararem que era isso mesmo que esperavam do Brasil.” Tem que ler o texto todo, e tem que ver a galeria de imagens que o Style.com postou – que ilustra direitinho isso daí (vixe).
• Jorge Wakabara, do portal da Abril (e de tantos outros endereços na internê!) entrevistou os principais jornalistas convidados para o Rio Summer e no fim pensou (alto) que “o que dá para captar depois de todas as respostas: o lifestyle está sendo vendido, muito bem, obrigado. A moda… Samba sem teleco-teco não é samba, evento de moda sem moda… não é evento de moda.” O texto completo tá aqui. Vixe parte II.
• Alcino Leite Neto, nosso muso-mor do jornalismo de moda, escreveu textão para a Folha de SP questionando: “bem organizado (para uma edição inicial), o evento, no entanto, só pôde oferecer desta vez marcas imaturas, coleções precárias ou grifes que fizeram simples desdobramentos de suas exibições anteriores (…). Para ter um futuro relevante, o Rio Summer precisa lançar o desafio comercial e criativo do alto verão não só para grifes amigas da organização, mas também para os principais designers brasileiros.” O texto completo pode ser lido por quem assina UOL ou Folha, nesse link. Alcino faz, junto com a Vivian Whiteman, o blog Última Moda – tipo a parte mais educativa de to-da a blogolândia fashion do BR.
• Sobrou crítica até pro Sartorialist, que achou (até agora) muito pouca gente inspiradora nas suas postagens do Rio, e aproveitou pra encher espaço de blog com quiosque, com pombinhos, com Natalia Vodianova (a modela que pegou praia durante o evento no Rio) e mais. Quem falou melhor foi Katylene, no Katylene.com (ELA VOLTOU MINHA GENTE!).
• E Carol Vasone (outra musa!) completou as idéias de todo mundo que ressaltou a falta de moda e de imagem de moda no evento como principal foco ruim, em entrevistas com gente importante convidada para o evento: “para o jornalista inglês Godfrey Deeny, a estrutura (do evento) é impressionante, assim como o tratamento dado aos compradores e imprensa estrangeiros, hospedados no Fasano, com agenda de festas luxuosas todas as noites. “Mas não senti que o que vimos foi o melhor da moda brasileira”, afirma o jornalista”. Tá tudo no blog dela no UOL, alimentado durante o evento. E bola pra frente.
A gente achou que a inteção é, no fim de tudo, bem boa. Que fazer esforço pra que mais gente da imprensa e mais compradores conheçam o que se produz aqui é vantajoso pra todo o meio, não só pra quem participa do evento. Se um cresce e se desenvolve, todo mundo ganha (de algum jeito). O Sartorialist em si tava aqui fotografando o povo – e se divertindo horrores, aparentemente! – e a Alexandra Farah fez entrevistinha ótema com ele: top ponto alto do evento, pra gente aqui de longe! O site tá cheio de fotos do Rio, sabia?
Milene Chaves, editora do Chic e amiga querida, fez um texto dizendo que não foi só o Scott Schumann/Sartorialist que se divertiu, mas que todo mundo fez mointa festa – e em compensação, poucos negócios. Diz que o povo vendeu pouquinho, e que os compradores não queriam tanto saber de alfaiataria e roupa muito elaborada feita por aqui, mas tavam mesmo de olho nos biquínis. Gente importante, tipo a Hillary Alexander que escreve projornal inglês Telegraph, Tim Blanks que durante mil anos apresentou o programa Fashion File (e hoje faz o que mesmo? a revista flare?), Nina Garcia que saiu da Elle pra ser editora da Marie Claire (tudo lá nos EU), Hamish Bowles que trabalha na Vogue América com Anna Wintour e mais. Tá bom pra você de celebridades fashion?
A gente amou o desfile da Jo de Mer, marca que faz modelagens super confortáveis-elegantes pra tudo de praia (e comportadinhas também). No About Fashion tem cobertura completona feita pelo Luigi, inclusive do desfile da 284, marca nova que se propõe a ser um fast-fashion bacana aqui no BR, tipo Top Shop (mointa gente torceu o nariz pra esse desfile). Sabe mais? Vai ter um desfile-resumo do que se viu no Rio Summer aqui em SP, no dia 25 de novembro, lá no shopping Cidade Jardim. Quer ir?!?? A gente vai, torcendo pra que esse evento dê resultado bom pras marcas que participam – porque, de novo, todo mundo ganha. E porque é melhor ser alegre que ser triste.
Tem visões complementares desse post na coluna da Alexandra Farah no IG e no Vodca Barata. A Ivi (do Vodca) diz que “se teve lifestyle vendido no Rio Summer foi o lifestyle carioca, porque em caruaru a vida não é assim, assim como em 99% do resto do país”; Ale diz que “o evento usa dos elementos do carnaval – desfile de corpos, festas, chopp, samba, suor e a paisagem da cidade marvailhosa – para vender um Brasil vestido segundo a seleção da loja mais aristocrática e globalizada do pais, a Daslu” – e esses dois textos são leituras importantes pra se refletir sobre o Rio Summer. Recomendadíssimos.
Só se fala nisso, amigos!!! A gente não foi pro Rio Summer, mas tem muita gente bacana que foi, quer ver/ler?
* O Luigi tá escrevendo sobre todos os desfiles daquele jeitinho incrível que ele sempre faz: explicando a coleção, descrevendo o que foi visto no desfile de uma forma bem gostosa de ler e dando uma aulinha rápida sobre a história da marca/estilista.
* E pra quem ainda não foi ver o Última Moda, blog do Alcino e da Vivian da Folha de São Paulo, o evento é uma ótima desculpa, não é mesmo!?!
Não foi pro Rio e nem quer saber sobre o Rio Summer? Programa legal é ir à Bienal pra ver a performance do artista/stylist Mauricio Ianês. A gente já é fã dele por conta da parceria com o Alexandre Herchcovitch – é ele que faz o styling de todos os desfiles do estilista. Quem explicou super bem a performance na Bienal e seu caminho pelas artes foi o Oliveros, num post cheio de imagens lindas!!!