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  • A internet que a gente quer é a que a gente trabalha pra construir: se a gente quer compartilhar idéias pra geral ler com tempo, pra que haja resposta consistente e troca significativa, então é justo (e natural!) que a gente dedique tempo e pensamento crítico à essa construção, a esse trabalho. Nosso compartilhamento de conteúdo não funciona no piloto automático, nem na superficialidade, nem “entre tarefas”, nem “quando sobra tempo” (quando sobra?).

    Aqui na ODE é comum a gente ouvir: “Nossa, como o conteúdo de vocês é legal, eu também adoraria produzir conteúdo assim — mas não tenho tempo”. A primeira parte é de sentir orgulho, a segunda parte é de sentir incômodo. Nossa agenda tem períodos de toda semana separados pra esse trabalho, com tarefas organizadas a partir de planejamento e propósito.

    Ó:

    Toda segunda-feira a gente tem uma reunião interna pra estruturar os conteúdos das próximas newsletters, rascunhar os temas dos próximos posts pro nosso blog, e então esmiuçar essas idéias em posts rápidos pensados pras nossas redes sociais — hoje o Instagram, o Twitter e o Pinterest. Tudo pensado a partir das experiências mais frescas vividas com clientes de consultoria, dos aprendizados mais recentes visitando lojas e conhecendo designers/projetos novos, das aulas que a gente dá e das trocas com nossas alunas, dos livros que a gente vem lendo, dos conteúdos com que tivemos contato.

    E toda quarta-feira tem gente aqui 100% dedicada a fazer essa estrutura/essa organização/esses esqueletos tomarem vida, e se materializarem em forma de conteúdo. Cada postagem é pensada do zero pra sua própria rede, cada texto redigido com atenção, cuidado e pesquisa, cada imagem produzida e tratada por nós mesmas — ajeitando as fotos das nossas clientes, feitas nas sessões de montagem de looks da consultoria, ou fotografando no nosso pequeno estúdio caseiro o que melhor representa os assuntos de que a gente quer falar.

    É trabalho, já que todo compartilhamento de conteúdo sai daqui conectado com o que a gente tem pra oferecer como serviço aqui na ODE. Os questionamentos e as práticas que movem o nosso fazer estão disponíveis também em forma de cursos presenciais e online, de consultoria e de livros pra quem quer se aprofundar, se apropriar, experimentar na própria vida, “personalizadamente”. E a gente procura responder comentários e e-mails sabendo que esses questionamentos se retroalimentam, e que a partir dessa troca o conteúdo é abastecido com novas idéias, novos insights, novas possibilidades de prática.

    Então a energia que a gente coloca nesse trabalho devolve pra gente resultados individuais e também coletivos. Quando a gente cuida com autenticidade da internet que produz, a gente entende que tá cuidando também do ambiente virtual em que quer estar inserida \o/ fazendo a nossa parte pra construir uma internet em que o ganha-ganha seja lei. Permanecemos aqui na ODE cheias de amor pela rede mundial <3 e comprometidas com essa nossa entrega, usufruindo nós mesmas de quaisquer resultados.

    ((Texto complementar e versão mais íntima desse outro post aqui, feito a convite da Dani Arrais e da Luiza Voll no blog da Contente))


  • [ insira aqui o emoji das velhinhas ]

    A gente completa 10 anos de internet em 2016 \o/ e tem uma galera que se espanta quando se dá conta de que a Oficina já existia/funcionava 3 anos antes, desde 2003 na ativa da consultoria de estilo. Fizemos nosso 1º post em fevereiro de 2006 e desde então seguimos compartilhando insights e aprendizados que nossa carreira rende na prática, através do atendimento às nossas clientes, na vida real.

    + quer trabalhar como personal sylist com a nossa metodologia?

    E isso é um fundamento: antes de comunicar o nosso serviço, a gente presta esse serviço! Com a nossa entrega profissional (como personal stylists) temos vivenciado demais a independência de escolha e o consumo inteligente como potenciais geradores de empoderamento das nossas clientes. Nos consideramos boas comunicadoras-compartilhadoras de idéias libertadoras do pensar (e do vestir) — mas não queremos evangelizar ou assumir posto de porta-voz de coisa alguma. Compartilhar tem a ver com a nossa natureza e com o nosso propósito: assim acreditamos que estendemos os bons efeitos do questionamento e do autoconhecimento praticados na consultoria de estilo pra quem mais quiser se apropriar e usufruir.

    10 ANOS DE OFICINA DE ESTILO NA INTERNET

    Com essa consciência, nesse aniversário de 10 anos, nossa vontade na internet tá se voltando pras nossas origens. Em 2006 a gente conversava via blog e pronto: não existia rede social e se usava o espaço de auto-publicação pra conversar sobre idéias de uma forma um pouco mais aprofundada, em mais do que pequenas legendas ou 140 caracteres apenas — com menos likes e mais troca significativa.

    Tamos sentindo que a voracidade e a velocidade das redes sociais tem mais a ver com consumismo do que com consciência — a gente se propõe a exercitar nossa expertise na prática com nossas clientes, e então organizar idéias pra compartilhar de maneira inclusiva (todo mundo pode usufruir!), e isso demanda tempo, reflexão. Tem mais a ver com postagens semanais ou quinzenais no blog e também com mais proximidade com as idéias de quem lê o que a gente posta (alô campo dos comentários). Tamos sentindo saudade dessa dinâmica e vamos, nesse novo ano, abrir espaço pra re-experimentar isso daí.

    A gente ainda curte documentar os bastidores do nosso trabalho no Instagram (não sabemos por quanto tempo ainda, não é uma rede que tem despertado nossa simpatia…), ainda AMA distribuir indicações de links legais no Twitter e ainda usa muito o Pinterest pra fazer nossas pesquisas de trabalho. A gente mantém nossos “lotes” nesses territórios com a mesma animação, mas aqui nessa terra que é genuinamente NOSSA é que a nossa energia vai estar nesse 2016.

    Adiante!
    <3

    + COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA INTELIGENTE
    + COMO SE TORNAR UMA PERSONAL STYLIST


  • Olha, a gente precisa se concentrar em ‘ser’ e não em ‘ter’. Diz o Saramago, dono do título do post, que ‘ser’ dá muito trabalho porque demanda pensamento, dúvida, perguntar-se sobre si mesmo e mais. Pra gente ser alguém bacana, pra ser HUMANO mesmo, a gente tem que olhar pra dentro, absorver o mundo e devolver já em forma de reflexão, já com opinião. Independente das compras que a gente faz ou do que a gente veste (tem!). Se não for assim a gente é quem passa o cartão de crédito e só. Tudo bem que a gente vive num mundo que funciona mais com consumidores do que com seres humanos, mas consciência de si mesmo é questão individual, cada um cuida de ser a melhor criatura que pode ser – porque né, a gente quer o melhor da vida.

    Vale mais ver filme, conversar profundo, viajar, entender o universo, ler, pensar sobre o que tá em volta da gente (e sobre o que tá mais de longe também!), plantar árvore, ir à praia, se exercitar em relacionamentos e então, deixar isso tudo fazer efeito no exterior, no visual. Pra gente ser alguém que vive direitinho, se divertindo, SENDO ALGUÉM. Senão a gente além de só ‘ter’, passa a só ‘parecer’ também  – e o ‘ser’ fica pra trás, e a vida passa pela gente sem a gente ter consicência dela passando.

    ((texto postado originalmente em setembro de 2010, sempre sempre atual aqui pra gente!))


  • Todo mundo já passou ou ainda vai passar por essa — e se é parte da vida, pode ser mais legal se a gente se prepara. Não porque o que a gente veste é a parte mais importante de se “conhecer os pais” de quem a gente curte, mas porque o que a gente veste influi diretamente na nossa segurança/confiança. Conhecer a família do namorado precisa ser uma delícia e super natural, mas pode ser quase-quase como uma entrevista de trabalho – sendo que você vai ser “avaliada” por um ‘emprego’ que já é seu (haha!). Tem expectativa em mão dupla: o que vão achar da gente e o que a gente quer que achem. São aqueles primeiros (e cruciais) cinco minutos em que a gente pode deixar claro como a gente é NA VIDA – daquele momento em diante!

    Pensa que não é ocasião pra usar roupa de trabalhar, mas também não é balada ‘sozinha com o namorado’ (tu-do menos usar roupa escandalosa nessa hora, pfvr gente!) – nem ‘fim de semana desarrumada’. É alguma coisa entre todas essas outras que não tem ‘código de vestir’ definido, mas tem um elemento que comunica além da roupa: o conforto. Na hora de conhecer a família o conforto que a roupa proporciona pode querer dizer, também, que há um conforto em “pertencer ao grupo”, sem competição, sem disputa de importância, sem restrições. Sem querer se aparecer demais, sem fazer força – mas também sem se anular. É a hora de juntar idéias que podem parecer opostas, mas que são a melhor fórmula pro momento: discrição confortável e marca-registrada pessoal (o signature look, lembra?). Como se a gente usasse o conforto e a discrição como base pra fazer brilhar detalhes que digam super quem a gente é.

    E aí a gente pode pensar em tecidos maleáveis e agradáveis de se tocar, tipo sedinha, moletom, algodão fino, malhas bacanas – pra estimular o abraço, haha! Em cores médias ou mais claras, que funcionam como “acalmadoras de look”. Em formas mais arredondadas (nada pontudo demais, nada angular demais!) que são percebidas como não-agressivas, graciosas, delicadas. Em coordenar as peças sem tanto contraste. E então abrir espaço pra um jeito só seu de prender o cabelo, ou pra um broche que tenha a-sua-cara, pra uma coordenação de colares que só você usa, pra um jeito especial de combinar estampas e texturas, praquela sapatilha querida… e pro sorrisão, que é sempre o melhor acessório – e o mais fácil de “brilhar” quando a gente tá apaixonada. :)


  • “Muito antes de eu estar perto de você o suficiente pra conversarmos, na rua, num encontro ou numa festa, você anuncia seu sexo, idade e classe social pra mim através do que está vestindo: e muito possivelmente me dá importantes informações (ou desinformações) sobre sua ocupação, origem, personalidade, opiniões, gostos, desejos sexuias e seu humor atual. Quando nos encontrarmos e estivermos conversando, nós já nos comunicamos um com o outro numa outra língua, mais universal.”

    E que falou isso daí foi Allison Lurie no livro (que a gente curte e indica!) ‘Linguagem das Roupas. A gente sabe mesmo que roupa diz muito da gente, da nossa vida, das nossas motivações. E que o que a gente usa não serve só pra comunicar, mas que também pode influenciar – e muito:

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    “Por mais que sejam supéfluas, as roupas mudam nossa visão do mundo e a visão que o mundo tem de nós.”

    Dessa vez quem confirma a gente (haha) é a Virginia Woolf, escritora famosa que Nicole Kidman fez no cinema. Mas né, moda é mais legal na prática (beeeeem mais legal!) e, mais de perto, a gente pode estar bem certa disso daqui ó:

    “Um vestido novo não te leva a lugar nenhum; é a vida que você vive usando o vestido que importa, e o tipo de vida que você viveu até então, e o que você vai fazer usando esse vestido a partir de agora.”

    Que Diana Vreeland, dona dessa frase, contemplava a moda com olhos líricos mas também fazia questão de viver – e ensinar a viver – essa moda todo dia, na vida real, de verdade. Boas idéias, não? ;-)


  • Tem cinco minutos (valiosos!) de inteligência em moda com Alber Elbaz, estilista da Lanvin, nesse vídeo aqui. Com a admiração dele pela mulherada de hoje – “por mim o novo James Bond seria JANE Bond!” -, com ele curtindo rugas e não curtindo botox, com ele dizendo que um vestido vermelho pode substituir um tylenol e com essa idéia, ó:

    “Nesses nossos tempos, várias áreas diferentes do design -em carros, em computadores, em arquitetura…- tem falado sobre ‘design inteligente’. E na moda a gente ainda tá estagnado com ‘glamour’, com idéia de ‘sexy’. Se a gente toca de leve na parte ‘inteligente’, a coisa vira ‘intelectual demais’.”

    (Uma tradução super livre, claro, do que ele fala pertinho do quarto minuto de vídeo em 3:38.)

    Ele quis dizer de como “moda intelectualizada” soa perjorativamente, soa pesado. Parece distante e pra poucas, parece difícil. Se a gente simplificar, moda intelectuaizada é toda aquele que rende algum pensamento pra além da roupa – ou que veio de alguma idéia que não foi motivada só pelo pano.

    Essa é uma grande motivação do nosso trabalho de consultoria: procurar sentido, procurar identificação, acrescentar significado e relevância pra cada peça que a gente escolhe, entender o valor da roupa e da coordenação. Não só porque intelectualizar é tendência em várias áreas do design (o que por si só já é lindo, incrível!), mas porque a gente é mais feliz com a moda assim. Com sentido e com sentimento.

    Sem pretensão, sem esse ‘peso’ que se dá às coisas – quase sempre sem precisar, podendo ser mais leve! Bem anti-perfeição, como Alber Elbaz diz. Né? ;-)

    + o vídeo foi sugestão da @BellaCabral no twitter!
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  • Eu to em crise com a moda. Com o mundo da moda, mais especificamente. É o nosso trabalho, claro, mas tem uma hora que é tanta roupa, tanto look, tanta vitrine, tanta “tendência”, taaaanta coisa… que cansa. Não tem como não se vestir, não dá pra sair pelada de casa – e ninguém quer sair feiosa. A gente é obrigada a se vestir e ainda quer estar bacana, se interessa, lê blogs (!!!), folheia revistas e tals. É pela gente mesmo, mas presta atenção se quase sempre também não é pela roupa: a peça que encantou na arara e que foi pra casa com a gente sempre requer atenção, precisa ser coordenada, tem que dar certo com aquele outro acessório. A gente ama a roupa e faz ela acontecer, de um jeito ou de outro. Mas ó: é legal também se vestir pra vida. Menos pela roupa em si e mais pra viver dentro dela alguma coisa muito, muito, muito mais legal.

    modapravida

    Eu tenho pensado nisso a cada olhada em frente ao espelho, especialmente de umas semanas pra cá. Eu amo tudo que tenho no armário, mas to amando mais levar as roupas pra passear comigo pela vida – e não o contrário! Não tenho tido vontade de vestir pra “desfilar”, mas tenho tido vontade de fazer com que cada peça participe de alguma coisa tão especial na vida que carregue a lembrança. E tem sido um exercício tão querido! Pensa só: escolher o que usar quando vai àquela exposição que dá vontade de ver há tempos, escolher o que usar no jantar com os amigos no meio da semana, escolher o que vestir pra encontrar gente importante (importante assim, pro coração!). No lugar de pensar “essa roupa é incrível” eu tenho pensado “essa roupa merece viver esse momento comigo”. E tá me servindo de guia até na hora de comprar: to indo pro caixa menos pela peça e mais pela vida que eu vou viver dentro dela.

    E sabe o que acontece? A moda passa a ser uma coadjuvante-melhor-amiga, cumprindo o papel que tem que cumprir: o de companheira e não de personagem principal – essa tem que ser eu, você, todo mundo. Né?!??


curtimos

ideias complementares às da Oficina