Todo mundo já passou ou ainda vai passar por essa – e se é parte da vida, pode ser mais legal se a gente se prepara. Não porque o que a gente veste é a parte mais importante de se “conhecer os pais” de quem a gente curte e tals, mas porque o que a gente veste influi diretamente na segurança/confiança que a gente sente. Conhecer a família do namorado precisa ser uma delícia, super natural, mas pode ser quase-quase como uma entrevista de trabalho – sendo que você vai ser “avaliada” por um ‘emprego’ que já é seu (haha!). Tem expectativa em mão dupla: o que vão achar da gente e o que a gente quer que achem. São aqueles primeiros (e cruciais) cinco minutos, né, em que a gente vai deixar claro como a gente é NA VIDA – daquele momento em diante!

Pensa que não é ocasião pra usar roupa de trabalhar, mas também não é balada ’sozinha com o namorado’ (tu-do menos usar roupa escandalosa nessa hora, hein gente) – nem ‘fim de semana desarrumada’. É alguma coisa entre todas essas outras que não tem dresscode definido, mas tem um elemento que comunica além da roupa: o conforto. Na hora de conhecer a família o conforto que a roupa proporciona pode querer dizer, também, que Read more
Tem cinco minutos (valiosos!) de inteligência em moda com Alber Elbaz, estilista da Lanvin, nesse vídeo aqui (dica de @BellaCabral no twitter). Com a admiração dele pela mulherada de hoje – “por mim o novo James Bond seria JANE Bond!” -, com ele curtindo rugas e não curtindo botox, com ele dizendo que um vestido vermelho pode substituir um tylenol e com essa idéia, ó:
“Nesses tempos várias áreas diferentes do design – em carros, em computadores, em arquitetura… – tem falado sobre ‘design inteligente’. E na moda a gente ainda tá estagnado com ‘glamour’, com idéia de ’sexy’. Se a gente toca de leve na parte ‘inteligente’, a coisa vira ‘intelectual demais’.” Tradução super livre, claro, do que ele fala pertinho do quarto minuto de vídeo (em 3:38).

Ele quis dizer de como “moda intelectualizada” soa perjorativamente, soa pesado. Parece distante e pra poucos, parece difícil. Se a gente simplificar, moda intelectuaizada é toda aquele que rende algum pensamento pra além da roupa – ou que veio de alguma idéia que não foi motivada só pelo pano. A gente tenta fazer isso todo dia, nos nossos looks (todo mundo aqui na Oficina, aqui no blog, em volta da gente!): procurar sentido, procurar relação, acrescentar significado e relevância pra cada peça que a gente escolhe, entender o valor da roupa e da coordenação. Não só porque intelectualizar é tendência em várias áreas do design (o que por si só já é lindo, incrível!), mas porque a gente é mais feliz com a moda assim. Com sentido e com sentimento. Sem pretensão, sem esse ‘peso’ que se dá às coisas – quase sempre sem precisar, podendo ser mais leve! Bem como Alber Elbaz diz. Né? ;-)
Eu to em crise com a moda. Com o mundo da moda, mais especificamente. É o nosso trabalho, claro, mas tem uma hora que é tanta roupa, tanto look, tanta vitrine, tanta “tendência”, taaaanta coisa… que cansa. Não tem como não se vestir, não dá pra sair pelada de casa – e ninguém quer sair feiosa. A gente é obrigada a se vestir e ainda quer estar bacana, se interessa, lê blogs (!!!), folheia revistas e tals. É pela gente mesmo, mas presta atenção se quase sempre também não é pela roupa: a peça que encantou na arara e que foi pra casa com a gente sempre requer atenção, precisa ser coordenada, tem que dar certo com aquele outro acessório. A gente ama a roupa e faz ela acontecer, de um jeito ou de outro. Mas ó: é legal também se vestir pra vida. Menos pela roupa em si e mais pra viver dentro dela alguma coisa muito, muito, muito mais legal.

Eu tenho pensado nisso a cada olhada em frente ao espelho, especialmente de umas semanas pra cá. Eu amo tudo que tenho no armário, mas to amando mais levar as roupas pra passear comigo pela vida – e não o contrário! Não tenho tido vontade de vestir pra “desfilar”, mas tenho tido vontade Read more
O que mais “abraça” a gente durante a vida toda é a roupa que a gente veste. Mais do que pai e mãe, mais do que filhos, mais do que cachorro, mais do que amigos. A gente cria relações afetivas com peças preferidas e tudo, tipo peças que a gente usou em dias especiais, com pessoas especiais, em momentos incríveis. E uma coisa acaba motivando outra.

Que a gente pode amar uma roupa pela lembrança que ela carrega ou a gente pode providenciar uma roupa pra lembrar de alguma coisa. Ou pra aproveitar melhor algum momento, ou pra fazer alguém querer dividir um momento com a gente. Gente apaixonada tem vontade de comprar roupa nova pra impressionar, pra parecer mais magrinha, pra ficar mais bonita… não tem? Mesmo pra confortar, pra fazer sentir melhor. Esse texto quer achar alguma relação entre gente apaixonada e moda, e ninguém aqui tem a pretensão de ter a resposta porque tudo que envolve gente apaixonada (e quase sempre moda também!) não tem resposta exata, não depende do pensamento de um só.

Revistas de moda sempre têm editoriais de dia dos namorados em junho (e em fevereiro pras internacionais), com casais e meninas felizes por estarem usando o que vai deixar os meninos ainda mais apaixonados. Comédias românticas quase sempre têm mocinhas que começam o filme usando figurinos cinzas e pretos e neutros e, na medida que o mocinho vai ganhando espaço, esses figurinos ficam coloridos e alegres. Vermelho é a cor da paixão – e a cor do coração também! – e faz muito sentido a gente ligar o que a gente veste ao que a gente sente. Mas como?

Tudo que a gente veste e usa tem elementos. Cores são elementos, acessórios também, formas e cortes e recortes. Texturas super lisas ou fofinhas, que dão vontade de pegar e abraçar, tipo seda e tricôs finos, podem ser boas pedias pra quem está apaixonado. Rosa, vermelho, lilás, roxo e variações desses tons rendem combinações incríveis, femininas, que têm mesmo sensação de gente apaixonada (eu a-do-ro rosa e vermelho). Corações e laços também têm espaço garantido no guarda-roupa de gente romântica (ou num momento romântico): o coração é o primeiro a bater diferente numa hora dessas e laços são o que a gente mais quer fazer e não desfazer, né?!??

A Ivete Sangalo, no blog dela essa semana (ahãm, eu leio!) , postou uma foto dela embrulhada em mil cartazes feitos por fãs, com o mesmo título desse post aqui. Ela resolveu viver aquele momento envolvida pelo que de mais carinhoso ela tinha. Ainda bem que a gente pode, de vez em quando, escolher se envolver com peças que a gente ama, que nos garantem uma lembrança boa… porque quando a gente ama o que mais se quer é fazer o sentimento durar, não deixar de viver nada nem de aproveitar nada. Roupa também é amor (de um jeito!) e pode fazer mais feliz. Não pode?!??