Não foi uma edição de SPFW em que a gente viu modelagens diferentes, ou proporções novas, ou qualquer coisa grandiosa. Dessa vez, vendo os desfiles, a gente percebeu que o que tem de novo pra próxima temporada é o jeito de usar o que a gente tem – e os detalhes que a gente escolhe pra compor os looks. Aqui tem a nossa listinha de atualizadores de look e olha, quase nada precisa esperar o verão chegar pra desfilar por aí com a gente, viu. Tá tudo pronto pra usar desde agora. ;-)
Caramelo é o novo preto
O caramelo ou camelo (do bichinho do deserto, sabe?) foi a cor que mais serviu de base pra outras coordenações de cores – e não só pra isso, mas também pra misturar florais, metalizados, texturas e superfícies diferentes. Caramelo pode ser o começo de todos os “novos” looks! Teve no Maria Bonita, no Triton e no Ellus.
Coordenações de cores como protagonistas
O Sylvain Justum comentou isso num vídeo com a gente e é verdade: as coordenações de cores das produções muitas vezes eram o que chamava mais atenção nas produções- mais que tudo. E teve muito neutro com neutro e mais ainda coloridos-claros com coloridos-claros. Meio em tom pastel, meio opacos, mas com vida! No Alexandre Herchcovitch, no Maria Bonita e no Cori.
Tamancos
Os tamancos tipo clog agora sim tão na hora de pegar de verdade. Os fechados tão perfeitos pra já serem usados desde agora, com meias grossas e calças mais curtinhas, e os abertinhos (que também funcionam com meias!) podem ser calçado oficial-atualizador de look pro verão. A gente vai querer, e vai usar, e ainda vai render mointa conversa por aqui! Os da Amapô são incríveis – e os do Lucas Nascimento no Fashion Rio.
Texturas mil
As formas e modelagens e proporções não mudaram muito, mas as superfícies que confeccionam isso tudo apareceram caracachentas de todo jeito. Teve textura tramada, teve (muito!) tecido com aspecto de amassado, de rústico, com desenhos em baixo e alto relevo e mais. Vê só nos desfiles da Animale, no Gloria Coelho e no Fernanda Yamamoto.
Vazado é o novo transparente
De todas as texturas a que maaais apareceu foi a vazada: vale com recortes no próprio tecido, vale com tricô e renda e tramas mais abertas, vale tramar o tecido pra sobrepor um outro tecido – quase sempre com pele à mostra que né, essa é a graça. Tem exemplos bons dos desfiles de Tufi Duek, Iódice e Reinaldo Lourenço.
Efeito de plástico
A gente ainda não sabe como vai rolar, mas tem tudo pra rolar de verdade: a gente viu saias de plástico, sapatos de plástico, blusas de plástico, vestidos de plástico… e se for um verão chuvoso a gente vai poder ter as capas de chuva mais estilosas do mundo! E não é só o plástico em si, a gente tá apostando na idéia como aspecto plastificado pras roupas, sabe? Teve no Neon, no Jefferson Kulig e no desfile masculino do Alexandre Herchcovitch.
Idéias esportivas – do esporte mesmo!
Não é a coisa esportiva tipo despojada, informal – é esportivo dos esportes mesmo! Vai super atualizar o look quem usar jaquetas com cara de fórmula um, neoprene e bermudas e florais como no surf, mochilas tipo de skatistas e zíperes e debruns como em roupas de desempenho. Teve no Simone Nunes, no Reinaldo Lourenço, no Reserva.
Roupa masculina pras meninas
Essa vontade a gente já sentiu nos corredores da Bienal e não só nos desfiles! Os masculinos da Ellus, do Alexandre Herchcovitch e Amapô mostraram peças super usáveis pra meninas, e muitas meninas circularam pela bienal já usando sapatinhos tipo oxford com calça em alfaiataria com paletozinhos e camisa, tudo junto.
Poucos e bons acessórios
Não teve muito acessório e nem nada super inovador – mas teve muita originalidade em pequenas (e valiosas!) doses. Pensa nas bolsinhas presas no braço no Tufi Duek, da bolsona de madeira da Maria Bonita, dos braceletes invisíveis da Gloria Coelho, colar de formas geométricas da Fernanda Yamamoto, as duplas de braceletes da Neon e mais.
Pode ser que alguém não concorde com algumas coisas que o Vitor Ângelo fala. Mas quando ele fala qualquer coisa é tudo tão fundamentado, tão pensado e tão cheio de relações preciosas que é impossível não refletir, não pensar além. A gente filmou balanço do dia com ele e de brinde a teve aula de mercado, de crítica, de observação, de comportamento e, claro, de moda brasileira. No primeiro vídeo dessa série o Vitor explica a relação das opacidades e transparências das passarelas e da vida real – num sentido muito muito amplo, que ainda alcança o sentido de brasilidade da Neon, ó:
Daí a conversa evoluiu pro desfile do João Pimenta, e a gente ouviu o Vitor explicar como existem estilistas com visão histórica e como existem outros com visão contemporânea de moda. Ele fez a gente observar poesia nas cores, inteligência nos materiais e nas formas, brasilidade nas referências. E a Amapô foi lembrada por conta da conversa sobre inteligência e brasilidade como identidade natural de marca – e não como “forçação de barra”.
Vitor lembrou do desfile do Reinaldo Lourenço pra explicar pra gente como estilistas desenvolvem um discurso com suas coleções, e como esses discursos evoluem mas tem intermédios de tempos em tempos – e de como o papel da crítica é conduzir o espectador por esse “caminhar do desenvolvimento do discurso” (aula!!!). Daí o balanço do dia começou de verdade, quando a gente conversou sobre o desfile da Gloria Coelho e o Vitor falou sobre a inserção de patrocínios na criação de moda, sobre ética e – de novo! – sobre transparência na moda e na vida.
O balanço continuou com o olhar do Vitor sobre o desfile masculino do Alexandre Herchcovitch e sobre o retorno da V.Rom pro SPFW. A virilidade dos modelos do Herchcovitch teve uma leitura quase política do Vitor, por conta do momento hostil-homofóbico que a gente tem no universo agora. A conversa foi pro lado do encanto da imagem de moda e do desejo pelo produto, e pela idéia de elegância associada ao streetwear (coisa mais brasileira, não?).
Pra terminar, a gente contou pro Vitor das nossas impressões sobre a estréia da Fernanda Yamamoto – que não viu o desfile, mas viu as fotos! – e ele de novo chamou atenção pra essa questã chave da transparência e da opacidade. E a gente pensou juntos sobre todo o trabalho do André Lima, não só nesse desfile: uma delícia se imaginar como a mulher que tomba com todas as outras usando esses vestidóns incríveis que ele faz, não?!??
Quem resistir e assistir tudo provavelmente vai ficar mais inteligente (a gente ficou!), vai pensar diferente sobre um monte de modas, vai se divertir mais com moda a partir da observação desses comportamentos e se unir à gente no suspense com que o Vitor termina o último vídeo!!! Vitor, volta e conta mais, a gente tá aqui pra te ouvir pra seeeeeeempre!!!
Os vídeos de balanço do dia dessa edição de verão 2011 do SPFW são patrocinados aqui no blog por Seda, com quem a gente trabalha no site Seda Lounge!
Os tamancos chamados lá fora de clogs tão prontos pra ganhar as ruas daqui de perto da gente, especialmente depois do desfile da Amapô nessa edição de verão 2011 do SPFW! Esse tipo de tamanco entra na categoria ’sapatos pesados’ que a gente tem visto tanto por agora, até nos looks mais elegantes, de festonas mesmo – com uma diferença: o tamanco é quase o mais casual dos sapatos pesados, e o dia-a-dia é mais a praia dele (rá!). Por ser feito de madeira e por ter formato naturalmente menos delicadinho, ele não funciona em produções formais. É beeem mais descontraído, e por isso também mais versátil. Uma fofura no calor com vestidinhos e shorts, super moderno no frio com meias e calças mais curtas. ;-)
E, pra gente, a sacada pra usar o tamanco – do jeito mais atual! – é equilibrar os pesos visuais do que se coordena. Bacana é combinar peças leves com o tamanco e, no mesmo look, acrescentar elementos que tenham peso intermediário e “façam a ponte” entre essas duas idéias. Tipo, imagina no verão um vestido floral, o tamanco, e então um cinto de couro espesso – que não é tão leve quanto o vestido mas também não é tão pesado quanto o tamanco! Sacou? O “elemento de transição” podia ser também um cardigã ou um paletozinho!
O que não é tão legal montar é um look todo pesadão e inserir o tamanco – mesmo que essa pareça ser a solução mais fácil. Porque né, nem sempre o jeito mais legal é o mais fácil – e é com o look trabalhoso que a gente se exercita e aprende mais!
Sabe o que a gente AMA? Conhecer idéias de brasilidade pra usar mesmo, no vestir de todo dia, sem medo de parecer estar usando só porque é ‘copa do mundo’. Nesse SPFW a gente tem visto imagens muito legais nesse sentido – que são legais não só porque o mercado vai oferecer essas imagens em forma de peça logo logo, mas porque essas idéias rendem experiências prontas pra gente fazer com o que a gente tem em casa! O desfile da Amapô – marca que a gente ama há tempos – mostrou materiais brasileiros com tratamento de ‘mundo todo’, couro caramelão bem do Lampião e da Maria Bonita (rá!) cheios de tachinhas coloridas, camisas vestidinhos e calças em algodão rústico com babados em recortes transversais e assimétricos (mudérnos!), tamancos de madeira prontos pra serem fotografados em sites internacionais (podiam, né?), umas coisas que tem a cara do Brasil mas que podem ser usados por qualquer cidadão do mundo, mesmo. E as estampas coloridonas, ah… as estampas! Top desfile maravilhoso nessa temporada!
A conversa com o Sylvain ainda rendeu uma super aula sobre o lugar da imagem de moda masculina no Brasil e sobre como essa imagem pode evoluir pra mudança de comportamento dos meninos em relação ao que eles vestem – e poderão vestir no futuro! Tipo imperdível, ó.
Os vídeos de balanço do dia dessa edição de verão 2011 do SPFW são patrocinados aqui no blog por Seda, com quem a gente trabalha no site Seda Lounge!
Muito espertas as alternativas pra fazer coordenação de cores “navy” que a Neon desfilou hoje. O clássico é azul + branco + vermelho, né? Pois a Neon desfilou azul + branco + amarelo e também azul + branco + laranja! Nenhuma novidade mas uma ótema lembrança, né? A gente pode variar dentro de vááários mesmos temas e conseguir resultados tão elgais quanto esse, ó. Fica a dica. ;-)
Sabe que quando a gente estuda teoria pra ser personal stylist dizem os livros que, com blusas de gola alta, só é legal usar colares longos (pra não competir com a gola) – ou nenhum colar. Mas bom é ter coração aberto e se permitir exprimentar né, porque nessas a gente vê umas imagens incríveis – como essas do desfile da Neon – e pensa “gente como a gente não pensou nisso antes?”!!! Se colar serve pra emoldurar decotes, é natural então que eles também emoldurem golas altas. A gente curtiu bem o fato do colar ficar bem justinho, junto à base da gola alta, e achou muito chique quando a gola alta aparece nessa cava americana deixando ombrinhos à mostra. Linda essa imagem de pele, recorte da roupa e metal, não?!?? <3
O editor do site Chic veio comentar esse quarto dia de SPFW. Foi um dia bem morno, em que o tempo na Bienal demorou pra passar (pra gente). Mas os desfiles que valeram a pena, valeram a pena! André chama atenção pra “lingerinização” da moda praia, com uma sacada ótima sobre a escolha de superfícies dos estilistas de biquíni daqui do BR. A gente ainda mostrou o brinde mais legal do dia e riu muito – assiste porque né, vai que rende umas risadas pra você também! ;-)
Os vídeos de balanço do dia dessa edição de verão 2011 do SPFW são patrocinados aqui no blog por Seda, com quem a gente trabalha no site Seda Lounge!
A gente sempre fala que texturas tem o poder de deixar uma produção mais interessante, é como se a roupa ganhasse vida, passasse de plano pra 3D! E quanto mais textura mais interessante pode ficar – sempre com harmonia, é claro!
E todas as texturas podem estar numa peça só!!! Fica bem mais fácil, né!?! No desfile da Triton teve patchwork de rendas com tramas e desenhos diferentes, mas todas numa cor só. E no desfile do Jefferson Kulig os tecidos tecnológicos com cores próximas todas mais geométricas deixavam as ropas retas com mais forma. A mistura de materiais em uma só peça também apareceu nos desfiles do Reinaldo Lourenço e do FH. Vamos prestar atenção!
A roupa feita pelo Reinaldo Lourenço é primorosa na confecção, nos materiais, no acabamento, nos detalhes aplicados. Mesmo pelas fotos dá pra ver a costura preciosa, a riqueza dos tecidos, as formas inteligentes – não dá? No desfile de hoje a gente viu mais, viu roupa esportiva travestida de luxo. As modelos tavam usando jaquetinhas, camisetonas e variações dessas idéias! Bom pra gente saber que é possível procurar o que existe de mais legal no universo do vestir, mesmo nas peças mais informais. Né? ;-)