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  • A notícia de que Meryl Streep estará na capa da Vogue americana em janeiro chegou para a gente como uma primeira ótima notícia de 2012. Ela já havia aparecido na capa da Vogue francesa em maio de 2010. A atriz está com 62 anos e aos 40 pensou que sua carreira estivesse acabada. Quando completou esse idade, Meryl perguntou ao marido o que eles deveria fazer agora que sua carreira no cinema estava encerrada! No ano seguinte, ela recebeu três ofertas para encenar bruxas em três filmes diferentes e pensou que a mensagem era bem clara: “Depois que as mulheres passam da idade de ter filhos, ela só podem ser vistas como algo grotesco em determinado nível”.

    A carreira de Meryl Streep, no entanto, estava longe de ser encerrada em 1989, quando completou 40. Maryl é uma das poucas atrizes que continua conseguindo se impor e fazer bons papeis sem ter que se submeter a cirurgias loucas, dietas ou se contentar apenas com papeis coadjuvantes. Com essa capa linda, Maryl conseguiu impor sua beleza calma e natural também ao mundo da moda. Ela é a mulher mais velha a estrelar uma capa da Vogue desde que Anna Wintour edita a revista e provavelmente desde que a publicação foi lançada, há mais cem anos. A idade média das mulheres que aparecem na capa da Vogue americana é de 30.3 anos, segundo levantamento da New York Magazine, que checou as idades de todas as capas desde janeiro de 2000. Exceto Meryl, a única mulher com mais de 50 anos que conseguiu emplacar uma capa desde que Anna Wintour passou a editar a revista, em 1988, foi Priscilla Presley, ex-mulher de Elvis Presley que esteve na edição de agosto de 2004.

    A matéria foi escrita por Vicki Woods e fotografada por Annie Leibovitz em uma fazenda de produtos orgânicos. Meryl é militante da comida orgânica e sustentável há mais de dez anos e participa de um grupo de mulheres que luta pela fundação de um museu nacional da história das mulheres, para o qual ela doou um milhão de dólares no ano passado. A ideia é que o National Women’s History Museum (nwhm.org) conte a história de todas as mulheres incríveis que ficaram esquecidas na história americana simplesmente porque essa história era escrita pelos homens.

    Para a gente, ver Meryl Streep estampada nessa revista traz todo um sabor de futuro melhor, onde as revistas escolherão suas capas muito mais pela história e pelo que elas representam do que pela idade que têm e o número que vestem. Como Vicki Woods disse no fim da entrevista: “She’s America’s sweetheart, this woman. And if she was British, they’d have made her a dame long ago”!

    *Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui — e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!


  • A gente acredita que o que a gente veste é extensão do que a gente é por dentro. A gente acredita mesmo e acha que “existência e aparência são forçados a se interligar na constituição da subjetividade contemporânea”, como disse a professora Cristiane Mesquita. Ao mesmo tempo, “cada história singular é atravessada por aspectos culturais, políticos, econômicos, científicos, afetivos, familiares, etc” (também foi a professora que falou!). Então o que a gente veste é extensão do que a gente é por dentro mas também é produto do meio em que a gente vive. Não?
    imagens do livro “meninas do brasil”, de mari stockler… http://editora.cosacnaify.com.br/Loja/PaginaLivro/10575/Meninas-do-Brasil.aspx

    Todo mundo se veste de dentro pra fora e de fora pra dentro, não necessariamente dos dois jeitos ao mesmo tempo ou nessa ordem. Todo mundo faz escolhas por emoção (de dentro pra fora), porque quer ter confiança e segurança, quer mostrar o corpão e quer comunicar personalidade. Mas não tem como fazer escolhas ignorando o exterior (de fora pra dentro): ninguém quer se sentir inadequado, ninguém quer se destacar demais (de jeito ruim), ninguém quer ter o modelón gongado. O meio e o coletivo super influenciam o vestir individual. Que todo mundo quer pertencer a um grupo, mas quer se destacar dentro dele – a gente quer ser igual e ao mesmo tempo diferente. Confusão de estilos?

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    … que fotografou ruas, bailes e sambas e os chamou de ‘mundo paralelo’

    E da conversa sobre a existência – ou não! – de um streetstyle brasileiro (aqui e aqui) surgiram questionamentos e fórmulas que direcionam não só esse assunto mas também a ‘construção’ do estilo pessoal: se conhecer, identificar “dna”, saber contar uma história através do que se veste e adquirir mais e mais intimidade com a própria essência são caminhos pra que as aparências possam revelar subjetividades. Quando a gente coloca características de quem é (e do que a gente curte) no que veste, tamos comunicando estilo. O que é importante pra gente tem que aparecer objetivamente no vestir individual pra contruir essa subjetividade: em cores, em caimentos, em texturas, acessórios, tecidos e estampas.

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    as moças do ‘mundo paralelo’ têm estilo pessoal super definido, não têm?

    Esse é mais ou menos o princípio do “self-branding” (!!!): descobrir pontos fortes e aquilo que é único num indivíduo e transformá-los um super diferencial. Achar essa ‘diferençazinha’ é a graça do vestir, não?!?? Porque, no fim, ter estilo é ter história pra contar, ter conteúdo pra mostrar, com nuances e sutilezas que só podem vir de dentro da gente, com a nossa narrativa. E aí, se essa “receita” fosse aplicada pra nação inteira (conteúdo a gente tem!), talvez a gente não tivesse mais dúvidas sobre qual é o nosso estilo – de rua e de qualquer lugar.


curtimos

ideias complementares às da Oficina