A gente teve uma equipe mais que maravilhosa, sensacional, pra trabalhar na cobertura dessa edição de SPFW. O nosso grupo trabalhou com com calma (quase sempre, rá!), com planejamento, sem afobação e – melhor de tudo! – com espaço pra sorrir, pra se divertir, pra enxergar o em volta sem perder a referência (ou ficar enjoada). A Tati trabalhou nos textos junto com a gente, a Cacau veio de Brasília pra trabalhar nas imagens e nos vídeos, a Jéssica acompanha a gente desde o SPFW passado administrando tudo – sem ela a dança perde o compasso. O Charles Naseh, a cada desfile, passava no nosso “lounge” pra entregar as fotos lindas que tão agora armazenadas no nosso Flickr (em tamanho gigante!) e fazia a gente rir a cada ‘entrega’. A gente usou todos os nosso poderes para o bem, e esse foi o trabalho mais cheio de alegria – e resultado bom! – do mundo. Obrigada meninas, obrigada Charles, obrigada amigos dos vídeos de fim de dia, obrigada grupo bom de amigos em volta.
Daqui a pouco a gente se muda, de malas e computadores, pra Bienal. E daqui a pouco começa aqui no blog uma programação intensa de posts, que só volta ao anormal (!!!) na próxima terça-feira – e que ainda vai render asssunto até o verão que vem. O SPFW começa hoje, oficialmente às 15h com desfile da Osklen, e vai mostrar pra gente o que os estilistas participantes desse evento querem que a gente use quando o calor chegar (chega logo, calorzinho). A gente vai ter, todo dia, posts com as idéias mais legais de cada desfile, posts com o que as pessoas dos corredores da Bienal tão usando de mais legal, posts com os acessórios mais legais das passarelas, vídeos com balanços do dia (toda noite no ar!) e mais.
E a gente não tá sozinha nessa empreitada: a Tati Rodrigues, top assistente inteligente, vai escrever junto com a gente, a Cacau Araújo (que veio de Brasília pra fazer esse trabalho!) vai cuidar das imagens, a Jéssica Torres continua sendo nossa fiel escudeira de sala de imprensa – cuidando pra que tudo aconteça direitinho, cuidando da gente e maaaais! – e as nossas fotos quem vai tirar, como da última vez, vai ser o recém-papai Charles Naseh. Read more
A dica quem deu foi o Guga, pelo twitter dele (to viciada em twitter, gente – e já já faço post sobre). Tem essa marca chamada Borders and Frontiers que chamou algumas das nossas bloggers favoritas no mundo pra fazer camisetas – e as camisetas são super super lindas. Uma das moças do Kingdom of Style fez camiseta com um mocinho bem anos 50, a Tavi do Style Rookie – aquela que tem 12 anos e é super fashionista, sabe? – fez uma estampa fofíssima, dela mesma (!!!) e por último apareceu a camiseta da Susie Bubble, minha favorita. Diz nos blogs delas que cada uma custa 35 doletas, e pra mandar pro BR o preço final fica US$ 42,50. Eu teria – vou pedir pra Katylene comprar pra mim com o paypal dela! ;-)
Aqui em cima, nessa ordem, tão as camisetas da Queen Michelle do Kingdom of Style, a da Susie Bubbles e a da Tavi. Repara que por dentro elas são assinadas, uma graça! E se eu fosse dona de um lugar de camisetas equivalente ao Borders and Frontiers e se nao fosse feio copiar/repetir a idéia assim, na cara dura, eu chamava C’Est Sissi Bon, Dus Infernus, Bainha de Fita Crepe, Avesso do Espelho e Fashionismo pra fazer camisetas. E pelo perfil do que se lê em cada um desses blogs, pela cara dos seus autores, eu ia querer usar todas as camisetas. AI PODIA TER AQUI DE VERDADE! Né?
No fim da semana passada a Oficina de Estilo fez duas aulas em Recife – a Cristi, com a Estelinha (ainda) na barriga, ficou em SP e a Tati Rodrigues foi junto comigo pra dar essa assistência que ninguém faz melhor que ela (vide o blog da Triton, abastecido to-do-dia por ela!). Foi uma experiência incrível começar o que a gente quer que seja uma turnê mundial de compartilhamento de idéias (em forma de cursos) pelo nordeste do país. Além da beleza do lugar (o que é Olinda, minha gente?!?? terra mais linda!), as pessoas que a gente encontrou estão fervilhando de vontades e disposição e conhecimentos e mais. Nossas turmas (cheias! eeeee!) foram ótemas, todo mundo tinha perguntas pertinentes e curiosidades que só quem tá num mercado novinho-mas-promissor como o nosso pode ter. E a impressão que deu foi a de que toda informação sobre a prática das áreas menos “estudadas” na faculdade, toda troca de conhecimento sobre o mercado e seu funcionamento é muito muito válida quando a gente sai do eixão RJ-SP. Não é?
orla super colorida, nossa sala lotada!, todo mundo pertinho da tela e a trupe que fez tudo acontecer: aline, bella e tati!
Por isso a gente precisa de verdade agradecer ao Atelier Calli, comandado pela Isabella Alves, que foi quem levou a gente pra lá (com a ajuda-infalível da Aline Miranda). Isabella veio estudar/se especializar em moda aqui em SP, e tá agora trabalhando pra levar mil cursos e palestras legais pra que o povo-da-moda de Recife possa ter essas mesmas oportunidades sem sair de lá. E tem que agradecer à Chilli Beans que deu suporte à empresa de Isabella tomando conta das inscrições pras aulas da Oficina, que gente, renderam não só troca boa de info e tals, mas também impressões sobre como as moças de lá se arrumam. E elas se arrumam direitinho!
O que a gente percebeu ser o segredo das recifenses é a peça-bafo. Não tem ninguém basiquinha demais, todo mundo parece ter um monte de peças frescas e soltinhas bafônicas, coloridas, com detalhes extra, com aplicações, com estampas e mais. E no calorzão, especialmente nos looks informais, as coordenações são feitas muito assim, de peças-bafo com outras peças bafo. E vejam bem, a gente tem achado que quanto mais quente o clima, mais informais os looks de todas as ocasiões acabam ficando! Mas lá nenhum look fica desarrumado demais. É como se, na falta da terceira peça (que a gente usa como suporte pra acrescentar interessância mas que elas não tem ne-nhu-ma condição de agregar ao look de calor) as moças fizessem a coisa acontecer com as duas (ou uma só!) com que conseguem compor o look. E dá-lhe acessórios: um encanto a maneira como os elemento locais/brasileiros entram no look de todo dia com naturalidade e com elegância. Elas usam peças em renda renascença (tipo em coletinhos super vazados e barrados e contronos de decotes), usam palha nos colares e nas bolsas, usam madeira nos anéis e nos broches e mais. E é tudo ma-ra-vi-lho-so. A gente devia aprender e copiar (pro bem). ;-)
Foi muito desfile, muita imagem, muito movimento e, por mais que a gente não tenha visto nenhuma super novidade, nenhuma idéia ultra genial nem nada, todo SPFW rende inspiração, reflexão e – não tem jeito! – vontade. Bom é que a gente tem até junho/julho pra pensar/conversar sobre tudo que a gente viu na semana passada! E do mesmo jeito que a gente fez na temporada passada, esse post aqui serve pra juntar todos os links que esse evento rendeu! E pra gente voltar e olhar esses links de vez em quando, que eles TODOS têm que render posts atéééé a temporada que vem! ;-)
a foto da festa que fizeram com mil bolas no final da spfw é da tati rodrigues, que assina um monte desses textos daqui dos links! ;-)
E até já vimos desfile! Mas começo é assim mesmo, devagarzinho e sempre, gente. Daqui a pouco a gente pega o ritmo e começa a subir looks, vídeos, comentários de desfiles e mais. Tá aqui o nosso primeiro registro, diretamente da sala de imprensa (que vai ser mostrada num videozito também, já já!), com a equipe quase completa: tão na foto eu e a Cristi, a Tati – que vai abastecer o blog com aqueles textinhos ótemos que a gente conhece desde o Pense Moda, quando ela trabalhou com a gente pela primeira vez (lembra?) e a Jéssica, nossa estagiária escolhida no meio de um monte de outros candidatos (lembra???). Faltou Katylene, que vai visitar os lounges e contar pra gente como tá tudo, e o Charles, que tá abastecendo a gente com fotos de to-dos os desfiles direto do pit. E desde agora, desse primeiro minuto, nosso trabalho aqui já é um soooooonho! ;-)
Continua com a gente que já já a gente pega o ritmo (de festa!). E VAMO QUE VAMO! ****Update: Vamo que vamos e der, que aqui na Bienal a internê não tá colaborando e ta todo mundo (inclusive a gente!) com mil coisas acumuladas pra subir! Não desistam da gente, please! Tem SEIS posts posts prontos na fila pra subir! ;-)
No ano passado foi assim também, e a gente ficou feliz de ver que a eficácia do Pense Moda é real e se estende super, mesmo depois do evento ter acabado. Na primeira edição teve uma chuva de textos bons pra ler, resultado das reflexões propostas pela programação que a gente assitiu. Nessa segunda edição não foi diferente: algumas questões colocadas lá estão se desenvolvendo até agora, nos blogs que a gente mais curte e respeita. Aliás, um bom complemento (esse daí) pra mesa de discussão sobre novas mídias: enquanto no palquinho não se falou tudo que tinha pra se falar – por melindre, por preguiça, por medo ou qualquer outro motivo, na blogolândia a conversa tem acontecido de jeito aberto, fundamentado e em forma de diálogo (mesmo! com perguntas e respostas!) – e essa não é uma das contribuições do “formato blog” para a moda em si (!!!)?!??
A conversa passa pelas revistas e pelo seu modo de fazer. Os blogs Moda sob Medida (da Renata Piza, jornalista da Elle), Hypercool (do Sylvain Justum, colaborador da Vogue, da Wish e de mais), Fora de Moda (do Ricardo Oliveros, editor de moda da Playboy), 1988 (do Romeuuu, editor da U_Mag) e Estilo Quem (da Denise Dahdah, editora de moda de Quem Acontece) escreveram sobre isso com muita muita propriedade. Mercado editorial não é a nossa praia e a gente já fez comentários em todos esses textos. Sem comentar muito mais, a gente é da opinião de que ‘falta de tempo’ e ‘obrigação de vender cem mil exemplares’ não é desculpa pra não ser criativo/original, não exercitar estéticas diferentes, não experimentar o novo. E olha, pelo que foi falado no Pense Moda e até depois, via email anônimo, tem editoras sendo injustiçadas por aí, sendo negligenciadas, não ouvidas: porque elas tão sempre certas, né, obedecendo o mercado e não o seu propósito como editoras, e suas equipes nunca são criativas ou profissionais o bastante. E ai de quem contestar, esses é que tão errados. Então a gente continua aqui quietinha, só consumindo o refluxo das filiais estrangeiras dessas revistas, bem felizinha. (Sugestão pro ano que vem: o PM podia reunir essas editoras e suas equipes de colaboradores pra conversar com todo mundo, não? A Renata Piza sugeriu pautas ótemas, super pertinentes.)
Sobre blogs de moda, a conversa começa por querer definir o que é um blog. Tem texto no blog Dus Infernus (de Vitor Ângelo) tratando da definição de blog – e a gente defende a importância de se discutir a essência pra se aprofundar no que se faz. Tem texto-resposta no Caminho Dourado (de Jorge Wakabara) – e a gente concorda super que os blogs de música contribuíram/contribuem ativamente para que sua indústria evolua, e que os blogs de moda, aqui no BR, ainda não têm esse alcance (ou esse interesse, ou essa força). No Filme Fashion tem comentário (da própria Alexandra Farah, musa das novas mídias em moda) que diz que “blog legal tem que dar serviço, tem que ser útil”, e a gente mega hiper concorda. No blog O Avesso do Espelho (da queridíssima Tati Rodrigues) tem post chamando atenção para o fato da “balança da moda ser cravejada de cristais swarovski”, e desse tanto de brilho pesar (e ofuscar) a mais – a gente concorda bem com isso daí. E a maior concordância de todas é a pluralidade de razão dessa conversa: não tem uma verdade absoluta, não tem uma opinião certa e outra errada, todo mundo tem questões válidas.
“Quando dizemos: uma mesa, quando pronunciamos o nome de mesa, quando formamos o conceito de mesa, designamos sempre apenas essa mesa aqui ou nos remetemos realmente a uma entidade mesa universal que fundamenta a realidade de todas as mesas particulares existentes? A idéia de mesa é real ou pertence apenas ao nosso espírito? Nesse caso, porque certos objetos são semelhantes? É A LINGUAGEM QUE OS AGRUPA ARTIFICIALMENTE E PARA A COMODIDADE DO ENTENDIMENTO HUMANO EM CATEGORIAS GERAIS, OU EXISTE UMA FORMA UNIVERSAL DA QUAL PARTICIPA TODA FORMA ESPECÍFICA?” Esse é um trecho do romance que a Cristi tá lendo agora, chamado “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery. Tudo a ver, não?!??
Sobre a quantidade de gente, o preço da inscrição, o interesse do próprio meio da moda e mais, a Camila Yahn (uma das idealizadoras do Pense Moda) escreveu com propriedade no seu blog (rá!) e a gente concorda com tu-do. Ela citou o diretor de cinema Heitor Dhalia, que, participando de uma mesa no primeiro dia do evento, falou que a gente aqui no BR se acha tão legal (em tudo) que não se aprofunda, que se contenta com um (suposto) hype e deixa de estudar, deixa de se esforçar pra ser melhor – tá tudo no vídeo aqui em cima. É um recado bom, válido pra todo mundo (pra gente, inclusive!).
Tamos agradecidas pela oportunidade de participar desse evento, de conversar com gente tão inteligente, de aprender coisas novas e de exercitar pensamento e opinião. E que venham mais discussões, até que o Pense Moda do ano que vem aconteça. =)
Henry Holland, estilista britânico do círculo de Gareth Pugh, é super gente como a gente. Assim que desceu do palco após sua palestra/conversa, correu para se sentar ao lado de sua amiga/PR Mandi Lennard (que também falou no Pense Moda), suando, e perguntou (como eu estava logo atrás dos dois, ouvi tudo): “foi tudo bem? eu falei tudo direitinho? nossa, estou suando! está tão quente aqui! mas foi tudo bem mesmo?”. Bom saber que o melhor amigo de Agnyess Dean e Gareth Pugh, que desfila na London Fashion Week e que já recebeu uma ligação da toda-poderosa Vogue América interessada em suas criações, também fica inseguro em situações que, à primeira vista, nos parecem mais simples do que desfilar numa semana de moda como a de Londres.
As coisas na vida de Holland aconteceram muito rápido. Após transferir sua faculdade de jornalismo para um curso de fashion designer, começou a trabalhar em revistas de moda ‘teen’ e de celebridades. Como estas, as celebridades, sempre usam camisetas com frases de efeito, de manifestação de amor ou protesto ou de piadinhas, Henry se inspirou e desenvolveu algumas camisetas com rimas usando o nome de estilistas britânicos. O ‘boom’ aconteceu quando seu amigo Gareth Pugh (estilista também britâncio que hoje desfila em Paris) apareceu usando uma camiseta de Holland escrita “UHU GARETH PUGH”. Depois disso tudo aconteceu. Henry recebeu uma ligação de Sarah Mower (da Vogue América e Style.com) interessada em suas camisetas. Mandi Lennard conseguiu que ele vendesse na Dover Street Market (loja de Rei Kawakubo em Londres). Viajou para NY com sua musa Agyness Dean e acabou conhecendo Anna Wintour em si e Julie Gilhart, compradora da Barneys New York. Foi fotografado por Steven Meisel (top fotógrafo internacional) para a Vogue Itália, voltou a Londres e foi convidado a desfilar na London Fashion Week como participante do projeto Fashion East (ufa!). Duas temporadas depois ele já estava se apresentando independentemente.
Henry Holland já participou de quatro temporadas de desfiles com sua marca House of Holland e vem amadurecendo a cada uma delas. Seu lado street, colorido e divertido ainda permanece (afinal, é sua marca registrada), mas criações mais sofisticadas vêm tomando espaço em sua passarela. Além disso, está mais focado nos processos de produção, estoque e distribuição – exigências naturais de uma marca em expansão.
Ao final, a sensação que podemos ter da palestra de Henry é a mesma que podemos sentir do Pense Moda de maneira geral – existe um frescor de jovialidade e inocência típicas de quem tem talento e começou no caminho certo, mas ainda tem muita estrada pra percorrer.
Para nós que a-m-a-m-o-s a internet, a palestra sobre a explosão dos blogs na imprensa contemporânea foi uma das mais aguardadas. E valeu a pena esperar (pode sentar que o debate – e este texto – renderam). Assuntos (e polêmicas) que interessam a todos nós foram levantados, discutidos e, por vezes, não resolvidos – pra gente levar pra casa, pensar e concluir por si. Participaram: Fernanda Resende (Oficina de Estilo), Laura Artigas (Moda Pra Ler), Maria Prata (Prataporter), Ricardo Oliveros (Fora de Moda) e Victoria Ceridono (Dia de Beauté). O mediador foi Paulo Borges.
A GRANDE questão em pauta: os blogs vão acabar?
NÃO – em coro (acrescentado da platéia pela blogueira de peso Alexandra Farah, do Filme Fashion). Assim como o rádio não acabou depois que inventaram a TV e nem essa sumiu do mapa depois que conectaram todo mundo pela internet, o blog não vai morrer. Pode (e possivelmente vai) sofrer algumas modificações, mas não há twitter na face da Terra que substitua a consistência da opinião relevante de um blogueiro. Algumas mudanças, alías, já começam a surgir: os blogs se consagraram por serem manifestações autorais em 1ª pessoa e sempre mantiveram a liberdade de seus redatores, por não dependerem de nenhum tipo de editoria. Entretanto, já há algum tempo, blogs em 3ª pessoa (como os de empresas privadas, por exemplo) começam a aparecer. Daí nasce outra grande questão: eles continuam sendo blogs a partir do momento em que não refletem mais a postura e a opinião individuais de um autor? Bem, esta foi uma das colocações que a gente vai levar pra casa pra pensar e concluir por si mesmo… Na mesma linha de raciocínio, o que acontece com um blog quando ele é linkado dentro de um grande portal? É possível manter sua autonomia? Todos os blogueiros da mesa, unanimamente, acreditam que sim. Questionam, neste caso, os leitores conquistados por este espaço – são os mesmos leitores cativos e fiéis ou são leitores que chegam a estes blogs por acaso (somente porque foi divulgado no portal) – e por isso não estabelecem diálogo nenhum com a blogolândia? Mais uma vez a postura da mesa foi unânime em concordar que esse tipo de leitor não é o leitor-blogueiro. É somente casual e, enquanto casual, não se mostra relevante para o diálogo.
Parênteses da Tati: (Ok, muitos destes leitores podem ter chegado a estes blogs por acaso, mas, de algum jeito, TODOS os leitores de todos os blogs chegaram até eles por acaso. O maravilhoso da internet é justamente isso – você pode, sim, descobrir coisas sem intenção. Mas se acontecer a identificação, de leitor casual qualquer um pode se tornar leitor-fã-de-carteirinha. E a partir daí o diálogo se estabelece e se fortalece).
Vitor Ângelo, outro top blogueiro dus****infernus, também se manifestou da platéia, pontuando que a moda é a individualização imagética do ser humano frente à sociedade em que vive, ao passo que os blogs são a instância última de individualização do ser humano na internet. Por isso a união blog+moda deu (e dá) tão certo. Além disso, outra concordância geral foi a de que os blogs são uma vitrine e que todo trabalho bem feito neles publicado pode, sim, render boas oportunidades (a Fê-deste-blog colocou, fina: “O Oficina de Estilo é nossa assessoria de imprensa!”).
Por fim, pra arrematar e fazer vibrar a blogosfera, Oliveros colocou uma fala de Constança Pascolato em si sobre os blogs (e quem os escreve): “Pelos textos, eu consigo definir a personalidade de cada blogueiro e sei exatamente como determinada notíca vai repercutir em cada blog”. Viu só? É bom a gente escrever e atualizar tudo direitinho porque, né, nunca se sabe: vai que Constança nos está lendo! (Tomara)
Histórias só são histórias porque são contadas. E a mesma história pode ser narrada com diferentes entonações. Na moda não é diferente, exceto por um detalhe – em vez de palavras, existem imagens.
Nicola Formichetti é um desses contadores de história por meio de imagens. Com mãe japonesa, pai italiano e residência londrina, seu universo imagético diversificado e autoral lhe abriu as portas da revista Dazed & Confused e de outros títulos e marcas por todo o mundo. Após aprender – errando – que seu trabalho não deve refletir somente o seu universo, entendeu que ser stylist é ser um facilitador, ou seja, um realizador dos desejos e intenções de um conjunto de pessoas. Ao trabalhar para revistas, tem mais liberdade para ousar e experimentar; já quando trabalha como consultor para marcas, deve se reportar a um outro mundo, não tão permissivo e mais direcionado (e, principalmente, infinitamente vinculado a resultados financeiros).
Nicola adora trabalhar, incentivar jovens talentos (seus assistentes – incríveis, por sinal – têm 19 anos e foram descobertos ‘na noite’) e tem constante preocupação em estar aberto à colaboração destas mentes criativas (diz que faz lembrá-lo de quando começou). Os assistentes, inclusive, ajudam Nicola a montar seus ‘mood boards’ – ambiências de referências com as imagens, demonstrando com o que ele deseja trabalhar. Estas pesquisas são feitas, principalmente, pela internet – google, sites e blogs (eeeee) – e sempre têm a atenção de mixar diversas realidades, para que seus editoriais não fiquem muito conceituais e desconectados com os movimentos que fazem o mundo girar (tem que saber fazer sonhar sem tirar os dois pés do chão).
Por fim, a coisa mais legal de tudo o que ele contou: (parafraseanado) “Ainda não considero nada disso um trabalho. Pra mim funciona como um hobby que faço sem esforço.” Pra gente bem acreditar que fazer o que ama pode, sim, nos levar (bem) longe!