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  • (com colaboração preciosa da Luciana Diniz e da Chris Tarricone, consultoras de estilo da LEVE DE VESTIR)

    Na consultoria de estilo pessoal a gente trabalha o não-consumismo pra facilitar o vestir na prática, pra evitar guarda-roupa entulhado, pra exercitar raciocínio não-voraz, respirado, sem pressa. Isso tem a ver primeiro com roupas, mas né, se estende pra tantas outras áreas da vida! Então se esse nosso trabalho esbarra em questões éticas e de sustentabilidade… que bom, que ótimo.

    É esse o caso aqui: quando a gente se propõe a visitar brechós pra incrementar nossos armários, a gente tem vantagens reais no nosso universo pessoal-particular — que impactam pro bem também pro mundo todo. Ó!

    E se as araras (tipicamente) lotadas dos brechós desencorajam o garimpo, esse nosso MANUAL DE BOAS ESCOLHAS DE SEGUNDA MÃO pode render surpresas úteis pra quem se animar a experimentar na prática. \o/ Se liga, tem que ter intenção: é menos sobre passeio e mais sobre caça ao tesouro!

    um guia completo pra escolher qualidade, economizar dinheiro e exercitar criatividade - consumindo consciente!

    POR QUE COMPRAR EM BRECHÓ

    ROUPAS DE QUALIDADE
    A gente se impressiona demais com a quantidade de roupa boa descartada pelas pessoas: não tem mais essa idéia de que brechó só tem coisa antigona, velha, puída, maltrapilha. As araras tão sendo abastecidas, no geral, com peças das marcas que a gente costuma desejar — e que usam bons materiais, tem acabamentos preciosos, caimentos legais. Tem clientes de consultoria que já levaram seus descartes pra vender, por isso sabemos que as peças são selecionadas com critérios que levam em consideração a conservação/manutenção, a boa aparência, o pouco uso.

    USO ESPERTO DO DINHEIRO
    Mesmo quando pouquíssimo usadas, as peças de marcas boas -com ótima qualidade- são vendidas em lojas de segunda mão por uma fração do preço que se pratica nas lojas convencionais. O dinheiro vale mais por que a gente gasta melhor!

    TREINA O OLHAR E APERFEIÇOA ESCOLHAS
    Tem espaço pra ooooutras idéias surgirem quando a gente tá fora do contexto de uma coleção inteira da mesma marca, pensada pra facilitar coordenações. Em toda ocasião em que a gente voluntariamente se propõe a fazer algo funcionar (mesmo que não seja a coisa mais fácil/fluida do mundo), isso acontece: a gente expande possibilidades, exercita ultrapassar o limite da zona de conforto. Então estar disponível pra ver ver ver ver experimentar pensar ver ver pensar mais sobre muita coisa, procurando o que faz sentido e o que faz a diferença… é um treino e tanto pro olhar (de moda, das coisas, da vida).

    PLANEJAMENTO GARANTE EFICÁCIA

    Antes mesmo de sair de casa, vale:

    -Telefonar antes de ir pra pesquisar se tem dia da semana específico em que as araras são abastecidas: alguns brechós fazem isso somente uma vez por semana, depois de fazer triagem e limpeza de grandes quantidades de peças. E então programar a visita pra sequência desse abastecimento!

    -Dar uma geral no próprio armário e mapear o que tá fazendo falta, tipo: calça pra trabalhar, saia pro fim de semana, camisas leves.

    Especificar tanto quanto possível essa lista de possibilidades — imagina algo como ‘calça escura pra trabalhar’, ou ‘saia jeans com lavagem mais clara’, ou ainda ‘camisa de seda colorida pra combinar com minhas partes de baixo mais neutras’.

    +tem aqui uma fórmula pra saber que cores fazem diferença no armário
    +e aqui (no fim da 1ª parte do nosso ebook!) um esquema pra fazer diário de looks que dá resultado certeiro pra saber o que pode estar faltando

    -Quem sai de casa com um bom ‘uniforme de prova’ não se deixa abalar por provadores precários (que não são regra, mas né, podem rolar): vale ir vestindo legging e top e sapato fácil de tirar/calçar pra experimentar tudo com conforto.

    O QUE PROCURAR

    BOA CONSERVAÇÃO
    Tem que fiscalizar: o tecido tá áspero, tem bolinhas? Tem manchas? Tem fio puxado, botão soltando? O sovaquinho da peça tá amarelado? O cavalo (na ppk) da peça tá puído pelo atrito entre as pernas? Tem rasgos?

    BONS TECIDOS
    Sabemos que materiais de origem natural valem mais do que outros materiais — e as etiquetas internas das peças precisam ser inspecionadas pra gente averiguar se o preço tá justo mesmo. Tem aqui 2 boas aulas sobre tecidos, pra entender melhor efeitos que eles criam na silhueta e também mensagens de estilo que comunicam, ó:

    +tecidos naturais e tecidos não-naturais
    +como escolher: malhas x tecidos planos

    POTENCIAL x MÍNIMA NECESSIDADE DE AJUSTES
    Vale ficar atenta ao potencial das peças: às vezes, com pequeninas intervenções das nossas costureiras, a roupa ganha toda uma vida versátil no nosso armário. Mas tem que levar em consideração o gasto total se tiver que intervir demais: vale a pena arcar com o custo da peça + custo do ajuste?

    VERSATILIDADE
    Devia ser lei: só pode comprar o que vai render looks com pelo menos 3 outras peças que a gente já tem no guarda-roupa. Essa lei tá explicadinha aqui, ó!

    CAIMENTOS CONFORTÁVEIS (E NÃO SÓ NUMERAÇÃO)
    Tem que estar disposta a experimentar TUDO, de todos os tamanhos: especialmente em lojas de segunda mão, os números da etiqueta não servem como guia definitivo pro que veste bemNumeração varia demais de marca pra marca, e né, roupa usada pode ter sido ajustada, pode ter encolhido na lavagem, pode ter partes folgadas pelo uso…. sabe como?

    INSTRUÇÕES DE CUIDADOS
    Vale mais pras roupas mais delicadas: tem que verificar antes de levar pro caixa se a roupa tem a etiqueta interna bem nítida, com todas as instruções de lavagem/cuidados legíveis. Se não dá dúvida, tudo bem; mas se dá, não vale a pena levar –mesmo com preço bom– se depois vai custar dinheiro extra pra levar na lavanderia (ou se vai ficar encostada, sem uso, por conta disso!).

    AMOR ETERNO AMOR VERDADEIRO
    Não pode (não pode mesmo!) comprar nada que fique mais ou menos, que fique apenas ok, que não desperte entusiasmo e que não dê vontade de vestir játem que AMAR MUITO, MUITO MESMO pra levar pro caixa.

    DICAS EXTRA

    -Roupas com bordados e aplicações demandam uma fiscalização ainda mais cuidadosa: a chance de um monte de penduricalhos já ter despencado com o uso ou de ter um lugarzinho ou outra mais desfalcado é maior, né?

    A gente sugere evitar: roupa que tem cheiro forte. Os brechós costumam higienizar as peças antes de expor nas araras, e se o cheiro não saiu… pode ser que não saia mesmo, nem com reza.

    -Se a vibe vintage não tem a ver com o estilo pessoal, é legal botar atenção na atemporalidade da peça: quanto menos cara de datada a roupa tiver, mais chances ela tem de render looks bons (misturada às coisas que a gente já tem no armário). Fica de olho em ombreiras, lapelas muito largas, botões e brasões muito chamativos, estampas que lembram as coisas da vovó.

    -A gente recomenda: lavar/vaporizar a compra feita no brechó mais uma vez chegando em casa, antes de usar. Assumindo que muita gente tocou/vestiu/passou pelas roupas do brechó, esse cuidado pode render frescor extra (e renovo de energia!).

    UM SINCERÃO PRA TERMINAR

    As araras dos brechós são tipicamente lotadas por conta do funcionamento desse esquema aqui:

    -velocidade insana de produção da indústria
    -preços baixíssimos às custas de precariedade de materais e falta de dignidade com trabalhadores
    -pressão da propaganda pra todo mundo comprar muito com frequência
    -falta de conhecimento generalizado em relação à responsabilidade pelo próprio descarte (de tudo, não só de roupas).

    A gente deixa de contribuir com esse esquema-malígno quando se compromete a não consumir o que é extra, o que não faz diferença — a não produzir desperdício. E ó: roupa encostada = desperdício.

    Então a visita a qualquer brechó (a qualquer ocasião de consumo) pode terminar com uma etapa de re-avaliação do que foi selecionado pra se comprar. As peças que a gente escolheu são parecidas entre si? (Se sim, tem que definir qual a mais confortável e optar somente por essa!)

    Ou: as peças são parecidas com o que a gente tem no armário? Vão fazer diferença mesmo? Levar mais do mesmo é ruim pro mundo e pro guarda-roupa também: variedade é a CHAVE pra um guarda-roupa versátil, com menos peças mas com muitas possibilidades de coordenação. ;-)

    +como consumir melhor
    +guarda-roupa que combina com a vida que a gente leva
    +guia consciente de compras online
    +pra comprar menos e melhor

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    +COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA INTELIGENTE


  • Uma vez uma cliente perguntou pra gente como ‘diferenciar o que é vintage do que é só antigo’ — pra saber o que tem valor, o que vale a pena guardar e o que pode ser descartado. A gente tentou explicar o valor da informação de moda na roupa, mas nem com muito esforço a gente conseguiria definir tão bem o que é vintage como o blog Cajon DeSastre. É de lá a melhor definição de vintage dos últimos tempos, direto desse post aqui:

    “Para uma peça ser vintage os requisitos são os seguintes:

    -TER PELO MENOS 20 ANOS DE ANTIGUIDADE,
    -SER TESTEMUNHA DE UM ESTILO PRÓPRIO OU DE UM ESTILISTA,
    -NÃO HAVER SOFRIDO NENHUMA TRANSFORMAÇÃO,
    -REPRESENTAR UM INSTANTE DE MODA,
    -ESTAR EM PERFEITO ESTADO.”

    como identificar peças de roupa que carregam informação de moda -- e também o que é somente releitura de uma época.

    O professor de história da moda João Braga completa: ele diz que “existem coleções de moda que revisitaram certas décadas, se inspiraram em certas peças vintage. Mas se foi produzido agora, é uma releitura, não é vintage”.

    Agora informadas e sabidinhas, é possível concluir que o que é vintage provavelmente custa mais — mas também tem mais valor por carregar informação de moda bem mantida por tanto tempo. O que não descarta uns bons e “velhinhos” achados de moda com menos de 20 anos de história-fashion, né? Alô próximos passeios às araras dos brechós! :)

    +como a gente usa a moda
    +quer trabalhar como personal stylist?
    +como construir um guarda-roupa inteligente


  • A gente foi atrás de entender por que meninas “na flor da idade” (como diriam nossas vovós) às vezes aparentam estar na meia idade por meio das roupas que escolhem – mesmo que elas não percebam. O Luigi Torre, editor de moda da U+MAG e autor do About Fashion, deu várias dicas do porquê desse movimento.

    Segundo ele, tem essa vontade de seguir os próprios rumos da moda, que nessas ultimas temporadas têm resgatado o espírito dos anos 30 e 40, que carregam uma imagem bem mais sóbria, e o próprio conservadorismo que parece ter tomado conta do mundo nesses tempos nas searas políticas, econômicas e culturais, que influencia todo o jeito como as pessoas vivem a vida – e consequentemente o jeito que elas se vestem. E atrelado a isso tudo tem a vontade simples e pura de alguns jovens se vestirem de gente grande para serem levados mais a sério, especialmente porque hoje tudo é muito mais acelerado na questão da maturidade. Tipo quem tem 15 anos e quer fazer coisas de quem tem 20, e quem tá com 20 quer ser tratado como se tivesse 25 e assim por diante.

    A Susana Barbosa, editora de moda da Elle, também explicou que algumas meninas têm buscado “uma sofisticação” a toda prova, e acabam recorrendo às fórmulas óbvias, que carregam também uma mensagem conservadora, como tom nude, coque, saia midi, pérolas, blusas com gola de laço, e até as famosas bolsas “Birkin”, e ó: “O resultado são meninas de 23 anos, que vivem em 2011, aparentando as moças de 40 anos das décadas de 50”.

    Mas se você gosta desses itens – a gente também curte – e é novinha, nem tudo está perdido. A Susana e o Luigi também falaram que o “frescor da juventude” está justamente em usar um ou outro desses itens, mas de um jeito novo. A gente (Oficina de Estilo!) acha que dá pra fazer isso ao misturar um de cada desses elementos de sofisticação instantânea com itens mais informais, bem joviais, tipo camiseta, jeans, sapato sem salto, comprimentos mini, maquiagem e esmalte bem coloridos, montão de acessórios, cabelo mais moderninho.

    E se a gente pensar que a atitude, qualquer que seja a idade, é o que vai ser traduzido para a nossa roupa, qualquer um pode aplicar no dia a dia um pouco dessa filosofia que a Elis Regina cantava e deixar o novo sempre vir, mesmo que só um pouquinho. Assim a gente se permite mais, arrisca mais, se diverte mais e aproveita a vida muito mais. Não é isso que o comercial de refrigerante diz que “gente jovem” faz?


  • Não faz muito tempo que a diferenciação no jeito de se vestir de uma menina de 20 anos e uma mulher mais velha, de 30 ou 40, começou a existir na moda. Antes dos anos 60 ainda não existia moda jovem, foi só a partir dessa década que meninas começaram a trocar suas saias rodadas da Dior e atacar com calças cigarettes, enquanto todos os meninos queriam ser rebeldes, como James Dean e Marlon Brando. Foi também na década de 60 que Mary Quant criou a mini-saia – símbolo máximo da juventude até hoje.

    Mas historicamente, antes de tudo isso acontecer, meninas de 15 anos se vestiam praticamente como suas mães – e avós! Quem assistiu “Maria Antonieta”, da Sofia Coppola, deve ter se encantado com as roupas maravilhosas que Kirsten Dunst usa no filme, mas dificilmente deve saber que a rainha francesa só tinha 14 anos (!!!) quando se casou – e já tinha que super assumir uma posição de gente grande.

    Imagens de moda mais “conservadoras”, inspiração pura pra quem curte esse visual.

    Então quando uma menina de 20 anos tem uma referência do passado, do estilo de uma década antiguinha, de uma atriz como Audrey Hepburn e até mesmo de uma estilista como Chanel, é quase impossível ela não querer usar roupas que, hoje em dia, podem parecer caretas demais pra uma menina tão jovem.

    Garotas que se vestem assim podem querer dizer, através dessa linguagem de moda mais “careta”, que são mais maduras, que tem responsabilidades de gente normalmente mais velha ou que são mais recatadas mesmo. Mas né, ninguém quer – e nem deve querer – envelhecer tanto através da roupa que tá usando. Principalmente porque a moda deveria ajudar a gente a ficar mais bonita, a dizer quem a gente é – e não atrapalhar.

    Então o que meninas que curtem esse look mais “caretinha” podem fazer pra não parecerem tão mais velhas?!

    O segredo tá em equilibrar materiais modernos, comprimentos e até cores mais fortes com essas peças mais clássicas, mais “sérias”. Quem assiste Gossip Girl deve ter percebido que esse contexto tem muito a ver com a Blair. Ela quer realmente parecer mais madura, mais séria, ser levada mais a sério e tem mil referências clássicas e antiguinhas de estilo – e em vários looks ela encontra um equilibrio perfeito entre tudo isso que ela é e sua idade.

    A gente acha que, pra conseguir esse look equilibrado, vale pensar em peças “conservadoras” só que coloridonas, em estampas e texturas mais atuais, em acessórios moderninhos e em sempre ter pele à mostra – seja numa camisa com detalhe de transparência, no vazado de uma renda ou no comprimento curtinho de uma saia. Com todo esse equilíbrio, toda menina que curte esse visual já pode voltar a roubar o look da vovó – sem nenhum medo de envelhecer. :)


curtimos

ideias complementares às da Oficina