TAPETE VERMELHO É ISSO AÍ

para a revista catarina em abril de 2008
por cris gabrielli e fê resende
com colaboração mais que especial de frank mobília

Se a gente pensar que o Oscar é uma festa profissional, a gente enxerga o tapete vermelho – e o que se usa “nele” – de outro jeito. A festa de entrega dos prêmios Oscar celebra a indústria do cinema, seus profissionais e seus sucessos. Todos os membros da Academia que decide quem merece o prêmio, todo mundo que é premiado, todo mundo que participa da festa é colega de profissão. Então o Oscar é o ápice comemorativo da arte de atuar e de fazer filmes, tipo “festa da firma”.

Por conta disso, a gente entende melhor não só os looks que a gente adora adorar e adora chochar, mas também as nossas expectativas como espectadoras da festa televisiva. É como se Hollywood premiasse seus “funcionários-padrão”, festa corporativa meeeesmo. Então que a gente quer ver é o que está sendo premiado: luxo, glamour, mointo tecido, mointa jóia e mais. Não é passarela (que isso a gente vê nos zilhões de semanas de moda espalhadas pelo mundo, néam?), não é look minimalista, não é vestido tipo de madrinha de casamento, não é vitrine de shopping: é glamour. Mas glamour mesmo, do tipo que só o cinema oferece. A gente quer ser levada pra um mundo de sonho, pra onde só o cinema pode nos transportar. Não é?

E o tapete vermelho, com a chegada das atrizes em seus top looks de festa, só começou a chamar a atenção de todo mundo no finzinho dos anos 80, começo dos 90 – quando Jodie Foster apareceu usando um terninho (!!!) Giorgio Armani. E essa é a primeira referência que a gente tem da importância de uma assinatura no look. A partir daí as listas de mais bem vestidas começaram a fazer o super sucesso que fazem até hoje, e as atrizes começaram a se preocupar em tomar seus lugares na lista das mais-mais. Junto com essa, outra preocupação: as listas das mais mal vestidas, de que ninguém queria fazer parte, nem de longe.

O poder do tapete vermelho como ferramenta de marketing para a moda ficou super evidente em 1994, quando Uma Thurman usou um vestido lilás da Prada e deu o que falar: até então, a Prada era conhecida de fashionistas e iniciados, mas não do grande público. A escolha da atriz e sua passagem pelo tapete vermelho colocaram a marca italiana, super grande e centenária, no mapa do gosto (e do apelo!) popular, pro mundo todo querer ter também. Naquele ano Uma era indicada por sua dancinha – ooops! – por seu trabalho em Pulp Fiction, e seu vestido fez tanto sucesso que rolou uma onda de vestidos camisola na moda durante todo aquele ano.

Nicole Kidman e seu vestido Christian Dior foram estrelas em 1997. Ela ainda era casada com Tom Cruise (quanto tempo, não?) e eles era um casal super de ouro: ela com carreira super em ascensão, ele indicado naquele ano por sua atuação em Jerry Maguire. Mesmo acompanhando o marido indicado, mesmo no tapete vermelho como coadjuvante, Nicole Kidman roubou todas as atenções (do marido e de todo mundo) com sua escolha – um vestido mega amarelo de inspiração oriental, feito por John Galliano para a maison Dior, todo em dupla face e cheio de flores (incríveis) bordados, emoldurando o super decote das costas.

Em 1998 foi a vez de Sharon Stone deixar a gente de queixo caído (passadas até hoje!), quando ela usou para o Oscar uma camisa de seu marido com uma super saia lavanda de Vera Wang. Era o ano em que Titanic concorria por toneladas de prêmios e Sharon Stone ia apresentar o Oscar de melhor filme estrangeiro – daí a vontade de ‘causar’. Diz que a atriz já chegou ao ateliêr da estilista com a camisa, dizendo que queria porque queria usar a peça, e que por isso precisava só de “complementos” (tá bom?). Vera Wang providenciou então a saia super volumosa, que Sharon Stone ajustou com um broche riquíssimo em forma de libélula, pra reforçar ainda mais a imagem feminina que criou – com a camisa do maridón, veja só!

((Pequeno parêntese para outra “lenda fashion” com a mesma personagem! Em 1996 Sharon Stone concorreu ao Oscar por sua atuação em Casino, e essa foi sua primeira e única indicação até hoje. Mas ok, o bafo é outro: imagina a atriz prontinha, penteada e maquiada, na hora de colocar o vestido pra sair pra festa… e nesse mega momento crucial, o vestido rasgou! E num clima super “não priemos cânico”, a atriz sacou de seu próprio armário uma camisetinha da Gap (ahãm!), coordenou lindamente com uma saiona e arrematou com um paletozinho – com direito a flor branca na lapela e tudo!))

Quem também causou em 1998 (ano bafo!) foi a Kim Bassinger, que levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Los Angeles Cidade Proibida. Sabendo que estaria sob holofotes naquela noite, a atriz foi vestida pra matar, bem no clima do seu filme: tudo no look fazia referência à hollywood antiga, ao glamour das divas de antes. O vestido era bem princesa na frente, fechadinho até o pescoço (bem Grace Kelly), mas bem aberto nas costas, com decote terminando numa cauda gigantesca. O cabelo foi feito todo em ondas, bem Veronica Lake, pra completar o climão. Arrasante.

Em 1999 foi o ano da realeza de Hollywood coroar uma princesa (quase de verdade). Gwyneth Paltrow tem um pai-produtor super bem sucedido e uma mãe-atriz bem reconhecida. Tem toda uma geração de filhos de outra geração de Hollywood, mas Gweneth é ícone porque também deu certo! O conto de fadas tava todo completo: a atriz jovenzinha foi à festa do Oscar daquele ano acompanhada do pai (princesa), usando um vestidããão rosa-chiclete (princesa) e um power colar de diamantes (princesa). Quer mais? O colar era emprestado, mas Gweneth ganhou na mesma noite um Oscar por sua participação em Shakespeare Apaixonado e o colar de presente do pai!

Da imagem de princesa a gente pula pra uma quase-rainha: 2001 foi o ano de Julia Roberts. Erin Brocovitch tinha rendido uma indicação pro prêmio de melhor atriz e ela foi pre-pa-ra-da pra ganhar. E ganhou, merecendo duas vezes – pela atuação e pelo Valentino vintage que escolheu pra usar naquela noite. O look preto com debruns brancos inaugurou uma super onda vintage (junto com o vestido amarelo de Renée Zellweger, também antigo) e moldou esse conceito como a gente conhece até hoje. Até então, ninguém tinha escolhido um vestido das antigas com tanta propriedade, não? Pois elas escolheram e esse look rendeu à Julia Roberts mointos primeiros lugares em listas de bem vestidas e glamourosas.

Aqui nossa teoria do “glamour ao extremo” se reforça, que Hollywood tá aí pra isso mesmo: a magia do cinema é alguma coisa que a gente não alcança, então os looks das nossas divas, nesse mesmo cinema, também PRECISAM ser inalcançáveis! Em 2004 Charlize Theron ganhou prêmio demelhor atriz por Monster. Nessa ocasião ela escolheu um vestido bege cheio de brilhos da última coleção do Tom Ford para Gucci. Tudo bem, era bonito, mas a gente podia fazer um daqueles pra ser madrinha de casamento, sabe como? Então no ano seguinte Charlize resolveu se redimir e escolheu um vestidóóón de Christian Dior, numa cor incrível, com uma quantidade extraordinária de tecido e cheio cheio cheio de babados – esse a gente não faz! O look é um super favorito não só pelo vestido, mas por todo o resto envolvido: as jóias eram perfeitas, o cabelo preso tava mointo chique (cabelo solto no Oscar não dá, né?), a maquiagem era correta e no fim, nada nada nada era extravagante demais – afinal, é uma festa profissional!

Em 2006 outra queridinha da América foi premiada, com direito a bafo fashion e tudo. Era o ano de Reese Witherspoon super acontecer, seu papel em Johnny & June reforçava sua imagem de ‘sweetheart’ e ela tava mesmo toda-toda. E daí que, antes do Oscar, sempre tem entrega de Golden Globes, meio adiantando quem pode mais ganhar Oscars e tals. Reese ganhou o Golden Globe de melhor atriz usando um vestidinho branco e prata, da Chanel. O bafo estourou no dia seguinte, quando toda a internet já tinha fotos de Kirsten Dunst usando o mesmo vestido (mes-mo) dois anos antes. E teve super bate-boca entre a stylist e a maison, mas Reese deu uma mega volta por cima no Oscar, independente de tudo e de todos: ela escolheu, so-zi-nha em Paris, num brechó, um vestido super super super glamouroso, antigo de verdade (1955!), de Christian Dior. E quietinha voltou pra sua casa, mandou reconstruir e recuperar todo o tecido e to-dos os micro bordados (que envolviam o vestido inteiro!). E foi assim que ela brilhou no Oscar daquele ano – sabia que desde então ela é quem ganha o maior salário de Hollywood?

Que antes de stylists e estilistas famosos, quem tomava conta do look das divas do cinema nas festas do Oscar eram os próprios fugurinistas de Hollywood – tão estrelas quanto as estrelas! E a figurinista top no tapete vermelho das décadas de 50 e 60 era Edith Head, responsável pelo look de Elizabeth Taylor em 1969. meio lançando tendência, a figurinista combinou as cores do vestido e da maquiagem – era tudo lilás, cor complementar do verde dos olhos da diva! – mas a atenção estava toda centrada no power diamante que enfeitava tudo em volta: Liz Taylor usou um diamante de 69 quilates (Oscar de 69, entendeu?), presente de Richard Burton, seu marido na época. (Mê vê um marido desse, por favor?)

E na década de 50 o Oscar presenciou uma história de princesa de verdade. Em 1955 Grace Kelly recebeu o Oscar de melhor atriz por sua atuação em Country Girl, usando um vestido “azul champagne” desenhado pra atrair todas as luzes na medida em que ela caminhasse em direção ao seu prêmio. A mesma Edith Head desenhou o look, que custou doze mil dólares – mas que parecia ter custado um milhão! No ano seguinte, Grace Kelly abandonou o cinema pra se casar com o príncipe de Mônaco – história de cinema, né?

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