31.
mai.
07.

tendências em moda masculina

ESPECIALISTAS EXPLICAM POR QUE EXATAMENTE OS HOMENS DEVEM COMPRAR ROUPAS NOVAS A CADA ESTAÇÃO
texto Jackson Araujo e André do Val

As mudanças do guarda-roupa formal masculino acontecem de modo mais lento
do que no feminino. E seu consumidor, em geral, é menos suscetível aos
caprichos da moda e nada afeito a extravagâncias. Acha que o trio
calça-paletó-camisa não oferece nenhum tipo de chance de erro e custa a
entender por que exatamente deveria comprar roupas novas quando as suas
ainda estão “em ordem”.

“Os homens preferem investir numa roupa social que dure bastante e que seja
resistente aos modismos porque eles a usam várias vezes seguidas”, explica a
especialista Lu Pimenta, coordenadora da Daslu Homem e dona da marca Tweed.
As alterações, quase sempre discretas, se dão nos colarinhos e nas
proporções, por exemplo (veja na página ao lado). Vai daí que uma peça pode
ficar datada sem que se perceba.

Para Francis Petrucci, diretora de estilo da VR Menswear, a vida útil de
uma roupa deve ser, no máximo, três estações. “Sendo clássico ou mais
moderno, o homem precisa mudar: assim a vida fica mais divertida”, garante.
“A cada temporada lanço até dois novos colarinhos, mas mantenho sempre um
mais clássico, renovando cores e padronagens”, revela Ricardo Almeida, que
vê nas mudanças a chave para o que chama de “existência da moda”.

Roupas e ternos sob medida continuam em alta. O famoso alfaiate Severo, por
exemplo, está no mercado há 50 anos. Os clientes que o procuram são mais
conservadores. “Terno caro não é para um dia; os meus são feitos para durar
20 anos”, afirma. “A base é uma só e os ajustes são feitos no corpo.”
“Com terno não tem o que brincar; pode ser mais seco ou mais largo, mas o
caimento tem que ser perfeito”, diz o empresário André Szajman, habituê do
segmento. Sua alternativa para não parecer careta foi modernizar a cabeça do
alfaiate: “Pedi umas mudanças que ele nunca tinha pensado em fazer. Deu
certo”. Outro entusiasta da roupa sob medida é o publicitário Drausio
Gragnani. “Há uma magia da alfaiataria que está sendo reinventada em marcas
autorais. É prêt-à-porter, mas feito para você. O tom de exclusividade se dá
na pequena quantidade de peças produzidas.”

São os jovens quem mais incentivam o consumo das tendências. “Eles são
ligados ao visual do grupo. Criar algo adequado ao ‘clã’ a que pertencem
facilita o lançamento de novas idéias”, diz Lu Pimenta. Nesse segmento, é a
música o ponto de partida para as revoluções: “É um universo com menos
preconceitos”, declara Vitor Santos, da V.Rom.

Para o livre exercício do vestir, a queda de alguns dogmas pode permitir
que os homens brasileiros consumam moda sem problemas. Ricardo Almeida diz
que tem gostado de trabalhar com estampas para renovar a camisaria
tradicional. Aposta na força do marketing para convencer o cliente a se
arriscar em novidades. Usou celebridades como Raul Cortez, Seu Jorge e Paulo
Vilhena na passarela de seu verão 2006 para sugerir os sempre polêmicos tons
claros (cinza, gelo e pérola) nos looks mais bacanas da coleção.
Ainda em relação às cores, Lu Pimenta diz que o mercado já adotou opções
tidas como “femininas”: “O cor-de-rosa não mete mais medo”.

RAIO-X DO HOMEM DA HORA:

COLARINHO
Menor. Peça pelo semi-italiano, nem muito aberto nem muito fechado. O
duplo, com dois botões, é muito alto, ficou velho.

CAMISA
Mais ajustada, porém sem grudar no corpo.

OMBROS
O ombro está mais “no lugar”: já não se usa mais paletó com os ombros
muitos largos, com ombreiras. Os ombros estão menos armados e sisudos.

GRAVATA
O ideal é de uma largura média (a fininha também é linda, mas não emplaca
muito com o consumidor). As listras ainda são o padrão mais popular e podem
ser bem usadas. Prefira cores não-usuais: tons de verde, roxo, rosa e
azul-claro.

PALETÓ
O mais fashion é mais curto; o mais clássico acaba na altura do polegar.
Tem que estar mais perto do corpo, alongando a silhueta, sem “engordar”. A
lapela mais legal é a média; nem muito larga nem muito fina.

BOTÕES
Menos, menos. Um está ótimo, no máximo dois.
É o clássico um pouco rejuvenescido e atualizado. Poucos botões garantem
silhueta mais alongada. O modelo três botões é considerado careta e
arrumadinho demais.

CALÇA
A sem pregas continua em alta: forma menos volume em volta da barriga. O
gancho é curto. A silhueta da moda é “slim”, fininha. Se você ainda não tem
a moral de aderir, apenas ajuste um pouco nas pernas.

BAINHA
A barra da calça tem que estar reta, correta (evite a italiana, “dobrada”).
A do momento é um pouco mais curta, mostrando mais o sapato (comprida demais
passa um ar descuidado). Os mais convencionais devem usar meio centímetro
acima do salto do sapato; os que gostam de seguir as tendências podem usar
até 2 ou 3 cm mais alto.

A Oficina


A Fê e a Cris são personal stylists de gente da vida real e dividem, aqui no blog, tudo que aprendem nesse trabalho.