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  • Tempos atrás a gente compartilhou numa das nossas newsletters um texto do jornal Nexo que explica como opinião não é argumento, não rende debate benéfico. Essa idéia é o que sustenta a nossa decisão aqui na ODE de compartilhar conteúdo todos os dias na internet e incentivar conversas significativas, mas não abrir espaço pra comentários negativos ou mesmo neutros-não-positivos (decisão também explicadinha aqui!).

    No texto o autor ainda diz que “nós, brasileiros, temos péssima educação argumentativa; e que confundimos discussão com briga sem saber lidar bem com críticas”. Por conta desse compartilhamento na news, a nossa leitora Maria Rita mandou email perguntando pra gente:

    “Não soa contraditório? Quem quer dialogar não tem que estar aberto a críticas e comentários negativos — e não só a aplausos?”

    E a gente acha que não tem contradição aí não! Opinião não é argumento e também é algo bem diferente de crítica.

    opinião não é argumento e também é algo bem diferente de crítica.

    A gente mesma não produz conteúdo qualquer que diga somente “achamos verde e azul lindos juntos” ou “vejam que coordenação maravilhosa”. A gente estrutura toda legenda/todo post com os argumentos técnicos que conduziram pro resultado fotografado, sabendo que (isso sim) pode servir pra quem tá lendo. Nosso conteúdo quer propor idéias ilustradas em looks, pensadas pra entregar serviço de consultoria de estilo, questionamento, possíveis novas experiências a quem lê e se disponibiliza a exercitar, a raciocinar, se apropriar e personalizar.

    Sabe por quê? Porque o que a gente acha é sobre a gente mesma, e não sobre o objeto da conversa.

    Quando alguém responde ao nosso conteúdo com “eu não usaria isso” ou “acho isso feio”, a gente nem tem o que responder — é direito de todo serzinho humano usar ou não usar o que quiser, ou avaliar qualquer coisa como bonita ou feia de acordo com suas referências e gosto pessoal. E né, isso não rende conversa alguma, é fato e pronto-cabou.

    Bem diferente é quando a gente recebe comentários tipo “eu não usaria porque, diferente do que ces dizem nesse post, eu não acho que esse comprimento fotografado na cliente alonga as minhas pernas”. Aí sim a gente consegue seguir, argumentar tecnicamente de volta, sugerir outras possibilidades de se tentar/usar, mostrar maneiras da leitora fazer acontecer (se ela quiser).

    Entende? :)

    Opinião vem do EU e geralmente vem filtrada por hábitos/práticas pessoais, é povoadíssima de adjetivos, sem muita reflexão ou questionamento. Argumento tem mais a ver com idéias, com propostas, com perguntas, com expansão de horizonte intelectual. \o/

    Nessa forma de pensar, nem os comentários ultra-elogiativos tipo “achei isso maravilhoso, ficou lindo” rendem essa conversa que a gente AMA ter. E provocar esses debates (pr’além do eu) é a nossa maior motivação — não só no nosso trabalho de compartilhamento de conteúdo, mas em TODAS as nossas entregas profissionais. Na consultoria de estilo pessoal e nas aulas que a gente dá, nossa metodologia junta a técnica de consultoria de estilo com o exercício da empatia.

    Vale ler também o texto “Não quero mais mudar o mundo” do Daniel Larusso, que diz que “quando todo mundo está gritando, falar baixo e escutar o outro é um ato revolucionário”.

    + EMPATIA NA CONSULTORIA DE ESTILO
    + COMPETIÇÃO x COOPERAÇÃO
    + MENOS PATRULHA, MAIS APRENDIZADO
    + LOOK DO DIA NÃO É PRA PERSONAL STYLISTS


  • Desde 2006 a gente compartilha nossa experiência como personal stylists, em posts recheados de conteúdo técnico/possível/personalizável de consultoria de estilo. Tem mais de 2.500 posts publicados \o/ e a gente não falou sobre t-u-d-o que existe no universo da moda e da consultoria mas olha, a gente já falou de muuuita coisa aqui. De tempos em tempos re-olhamos assuntos conversados antes e re-editamos posts, mas né, pode ter muita coisa de lá de trás nos arquivos — mas sempre valendo, sem data de validade pra expirar!

    Conteúdo aqui é artigo atemporal, pra vida. Vale um passeio pelo nosso campo de busca na hora da dúvida. Até a gente usa a ferramenta ali em cima pra achar assuntos/conversas de antes, sabia?

    Desde 2006 a gente compartilha conteúdo de consultoria de estilo no nosso blog , então já se falou sobre quaaaase tudo por lá! Saiba como encontrar o assunto do seu interesse no nosso campo de busca: http://www.oficinadeestilo.com.br/blog/ta-tudo-nos-arquivos-do-blog/

    Essa ferramenta — ali em cima, na faixa cinza de menu do site, do ladinho do campo em que se assina a nossa newsletter — funciona assim: a gente digita palavras-chave no campo, dá enter no teclado e passeia pelos títulos de posts que aparecem em lista, com data de postagem e tudo. Dá pra digitar também pedacinhos de frases ou idéias, a busca vai atrás… e acha!

    Quando fica difícil ou quando a gente não se entende na busca, vale abrir o Google e digitar o pedaço de frase ou título ou assunto que se procura + oficina de estilo — super funciona! Tipo, experimenta digitar no Google:

    parecer mais magrinha oficina de estilo

    ou qualquer outra idéia/coisa/assunto/palavra junto com a gente (!!!) que o Google entrega resultado assim ó. E aí, se nem a nossa busca aqui no site e nem o Google acharem o que se procura, daí você manda email pra gente perguntando se isso (seu interesse!) já foi tratado aqui no blog. E se não foi, a gente anota na nossa lista de pautas e você colabora com o enriquecimento desse nosso acervo de conteúdo disponível pra todo mundo, ó que lindeza. ;-)


  • [ insira aqui o emoji das velhinhas ]

    A gente completa 10 anos de internet em 2016 \o/ e tem uma galera que se espanta quando se dá conta de que a Oficina já existia/funcionava 3 anos antes, desde 2003 na ativa da consultoria de estilo. Fizemos nosso 1º post em fevereiro de 2006 e desde então seguimos compartilhando insights e aprendizados que nossa carreira rende na prática, através do atendimento às nossas clientes, na vida real.

    + quer trabalhar como personal sylist com a nossa metodologia?

    E isso é um fundamento: antes de comunicar o nosso serviço, a gente presta esse serviço! Com a nossa entrega profissional (como personal stylists) temos vivenciado demais a independência de escolha e o consumo inteligente como potenciais geradores de empoderamento das nossas clientes. Nos consideramos boas comunicadoras-compartilhadoras de idéias libertadoras do pensar (e do vestir) — mas não queremos evangelizar ou assumir posto de porta-voz de coisa alguma. Compartilhar tem a ver com a nossa natureza e com o nosso propósito: assim acreditamos que estendemos os bons efeitos do questionamento e do autoconhecimento praticados na consultoria de estilo pra quem mais quiser se apropriar e usufruir.

    10 ANOS DE OFICINA DE ESTILO NA INTERNET

    Com essa consciência, nesse aniversário de 10 anos, nossa vontade na internet tá se voltando pras nossas origens. Em 2006 a gente conversava via blog e pronto: não existia rede social e se usava o espaço de auto-publicação pra conversar sobre idéias de uma forma um pouco mais aprofundada, em mais do que pequenas legendas ou 140 caracteres apenas — com menos likes e mais troca significativa.

    Tamos sentindo que a voracidade e a velocidade das redes sociais tem mais a ver com consumismo do que com consciência — a gente se propõe a exercitar nossa expertise na prática com nossas clientes, e então organizar idéias pra compartilhar de maneira inclusiva (todo mundo pode usufruir!), e isso demanda tempo, reflexão. Tem mais a ver com postagens semanais ou quinzenais no blog e também com mais proximidade com as idéias de quem lê o que a gente posta (alô campo dos comentários). Tamos sentindo saudade dessa dinâmica e vamos, nesse novo ano, abrir espaço pra re-experimentar isso daí.

    A gente ainda curte documentar os bastidores do nosso trabalho no Instagram (não sabemos por quanto tempo ainda, não é uma rede que tem despertado nossa simpatia…), ainda AMA distribuir indicações de links legais no Twitter e ainda usa muito o Pinterest pra fazer nossas pesquisas de trabalho. A gente mantém nossos “lotes” nesses territórios com a mesma animação, mas aqui nessa terra que é genuinamente NOSSA é que a nossa energia vai estar nesse 2016.

    Adiante!
    <3

    + COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA INTELIGENTE
    + COMO SE TORNAR UMA PERSONAL STYLIST


  • É muito possível comprar com consciência via internet, viu! Dá trabalho e é pras fortes, pra quem topa assumir responsabilidade em todos os níveis da compra. Mas compensa :) e pode dar menos errado e render satisfação prolongada no guarda-roupa com esse nosso passo-a-passo aqui, ó.

    É muito possível comprar com consciência via internet :) e pode dar menos errado e render satisfação prolongada no guarda-roupa com esse nosso passo-a-passo aqui, ó.

     PREPARO
    Antes mesmo de sentar em frente ao computador ou trazer o tablet pro colinho, a gente pode:

    _dar aquela olhada no armário pra mapear cores (tem mais neutras ou mais coloridas? mais claras ou mais escuras?);
    _mapear também quantidades de partes de cima e de baixo (levando em consideração as de trabalho e de lazer, de balada, de ficar em casa, etc);
    _ter uma anotação com medidas: as mais úteis são altura (pra comparar com a da modelo nas fotos dos sites e tentar prever alturas de barras), circunferência de peito, de cintura e de quadril, largura dos ombros, comprimentos dos braços (pra comparar com os comprimentos de mangas).

    De saída a gente garante: consumo consicente é o que FAZ A DIFERENÇA nas nossas vidas. Então é natural que o que a gente menos tenha (tipos de cores que a gente tem menos, tipos de peças que a gente ainda nem tem…) seja o que pode mais fazer render o que a gente já tem, dando cara nova às nossas coisas mais antigas.

    PESQUISA
    Daí, com algum foco, é possível selecionar umas 4 lojas online legais pro que se pretende encontrar: as que tão mais perto da gente (na mesma cidade, no mesmo estado, em estado vizinho, no mesmo país), as que tem política de troca mais tudo-a-ver com a gente (busca a troca em casa? tem que levar no correio? facilita o envio, paga o envio? tá fácil encontrar um número de telefone pra ligar lá?), as que tem o tipo de entrega que a gente prefere (tem entrega facilitada em menos dias? tem fretes mais em conta?).

    E então, com esses 4 sites abertos, a gente dá aquela repassada marota nas novidades de cada um :) pra então clicar nas seções de peças específicas — tamos atrás de blusas? de saias? de calças? de sapatos? A idéia é especificar tanto quanto possível a nossa pesquisa, e assim facilitar a seleção. Vale já passar tudo no filtro da numeração/do tamanho e do preço (a gente aqui ama muito o filtro que mostra as peças na ordem baratinha pra mais cara).

    SELEÇÃO
    A essa altura a quantidade de peças disponíveis pra gente avaliar já é bem menor que a que os sites disponibilizam no geral (UFA!). No passeio pelas peças, já pode abrir em outras abas as peças que tem valor ok pro nosso orçamento, as que tem a ver com as direções de estilo que a gente delineou na etapa de preparo, as que parecem ser super ótimas assim à primeira vista. Daí vale avaliar pra cada grupo de peças:

    _de que material as peças são feitas? quais são de tecidos naturais e tecidos sintéticos? quais valem o preço, pensando nisso?
    _demanda uma manutenção que caiba no meu estilo de vida? vou conseguir lidar com a lavagem demandada?
    _tá bonito na modelo? o caimento tea bacana? as medidas da peça batem com as minhas medidas (com uma folga)?
    _era isso mesmo o que eu queria? eu preciso disso?

    DEFINIÇÃO
    Com umas 3 peças finalistas pra definir, vale re-lembrar o que se tem no guarda-roupa e pensar em possibilidades variadas de uso (a gente aqui gosta de pensar pelo menos 3 looks diferentes com a mesma peça). Se a peça não rende essas 3 possibilidades, tá muito fora da seleção, né?

    COMPRA
    A gente nunca, em circunstância alguma, compra

    _o que não ama,
    _o que não vai usar (ou não tem função clara),
    _o que já tem (alô duplinhas).

    Né?

    Daí é clicar, pagar e acompanhar os emails de confirmação e envio. E quando chegar a compra, é bom conter a ansiedade e abrir a embalagem com cuidado, sem estraçalhar o pacote — se for o caso de devolver, muitas vezes a gente re-envia a mercadoria na mesma caixa que recebeu. Bom também experimentar no primeiro momento pós-recebimento, pra não correr o risco de perder prazos de devolução (que geralmente são de 7 dias a partir da entrega).

    ((Comprar online funciona melhor com quem tem facilidade de desapegar: a gente quer muito alguma coisa, faz todo esse processo aqui pra pesquisar, selecionar, etc… e quando chega, eventualmente não dá certo mesmo. É a vida, fazer o quê? Desapegar, mandar de volta, esperar o estorno no cartão. Com maturidade, com serenidade, que ninguém vai deixar de ser feliz por isso.))

    FEEDBACK
    Com experiência boa ou ruim, é legal mandar email pra loja online e contar como foi, dizer o que foi mais legal e o que pode melhorar. Essa é uma modalidade super nova de consumir, e a gente pode assumir responsabilidade por moldar um mercado mais legal a partir da nossa própria experiência.

    A gente aqui sempre manda email pedindo ajuda quando o site não disponibiliza informação de procedência das peças (produzido na China? em Bangladesh?), quando tem dúvida sobre numeração (às vezes as medidas de uma numeração parecem bem menores ou bem maiores do que o comum… a gente escreve pra perguntar se a modelagem é propositalmente pequenina ou maiorzona), quando o material tem um nome fantasia (“tecido alfaiataria”, “toque de seda”), quando tem dúvida sobre prazo de entrega (quando clientes precisam receber algo pra levar em malas de viagem, por exemplo, a gente se certifica dos prazos de empacotamento e encaminhamento pro correio).

    UM SICERÃO PRA TERMINAR
    A gente aqui na Oficina entende que consumo consciente significa comprar o essencial, escolhendo com clareza onde (e no que) deixar o dindin gasto, com propósito de uso/versatilização, com disposição manter e fazer durar.

    Essas direções já tão mapeadas por quem se propõe a estudar o próprio guarda-roupa, quem procura ter clareza de vontades (quem sabe o que quer sentir e como quer se parecer) — e por isso mesmo busca informação de moda pra fazer na prática isso acontecer — seja aqui no nosso blog ou com o nosso livro <3 ou em tantas outras ótimas referências disponíveis hoje (se liga no nosso blogroll!).

    A gente também tem levado em consideração não só o que é bom pra gente, mas o que não é ruim nem pra outros serzinhos humanos e nem pro mundo. Ética + estética, sabe como? Tamos estudando materiais e processos que não inviabilizam reuso e que não reforçam escassez de recursos; tamos ligadas no app ModaLivre (pra iphone e pra Android) pra saber quem repassa o nosso dinheiro pros funicionários e quem lucra às custas de sofrimento, tamos preferindo escolher o que é atemporal e pode durar muuuitas temporadas no GR sem datar.

    Ó que tem mais info pra quem mais quiser estudar junto com a gente!

    + não faça gastos, faça as coisas gastarem
    + por que não comprar roupas de fast-fashion feitas na China
    + não adianta mudar de marca, você precisa mudar a sua lógica de consumo
    + lista de algumas marcas que a gente aqui na Oficina curte (e das que a gente evita)

    + COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA INTELIGENTE
    +COMO TRABALHAR COMO PERSONAL STYLIST


  • A gente reclama tanto de revistas femininas, da TV e da propaganda — desse esquema de sugestão de perfeição impossível de alcançar, que mascara a vida real com mulheres lindamente photoshopadas, faz a gente se sentir oprimida (quem nunca?) e que conduz geral a aliviar essa angústia… com compras. A gente aponta o dedo, toma consciência dessa “manipulação” de mídia, mas sem perceber tem feito a mesma coisa com as nossas vidas na rede social.

    Quando a gente edita/limpa a parte natural da vida, a gente perde nossa humanidade.

    Geral editando as próprias vidas, limpando toda sujeirinha, selecionando fragmentos de realidade pra só compartilhar a fração mais maravilhosíssima do próprio cotidiano ~ em especial nos looks do dia. E vejam bem, a gente AMA a rede social e é muito entusiasta do compartilhamento (em tudo!). Mas a gente entende que uma coisa é dividir com amigos (e com quem se tenha afinidade) as nossas aspirações, vivências, experiências; outra coisa é se colocar na posição de modelo ou de exemplo — e isso é ainda mais cruel do que o que a operação manipuladora da mídia.

    Quando a gente edita/limpa a parte natural da vida e usa quaisquer ferramentas pra só exibir roupas perfeitas, maquiagens perfeitas, viagens perfeitas, filhos perfeitos, casa perfeita, refeições perfeitas, fins de semana perfeitos… a gente perde nossa humanidade e, por consequência, a liberdade de aceitar nossas próprias singularidades. Enquanto a gente não aceita e abraça as nossas próprias singularidades, a gente não se liberta pra também admirar essas singularidades nos outros. E aí não tem como não competir. :(

    Então a rede social vira um espaço de competição e de corrida e de angústia, em que a gente se esforça pra camuflar o que tem de imperfeito e se pergunta a cada foto: “gente essa pessoa é tão como eu, tá tão próxima de mim… como ela consegue ter essa vida espetacular e eu não?”. Ces entendem? A revista Caras já oprimia a gente com famosas sem celulite tomando banhos de banheira com pétalas de rosa numa ilha paradisíaca… a gente não precisava ter trazido a Ilha de Caras pro Instagram.

    Não tem como a gente incentivar/valorizar singularidades dizendo “olhe pra mim como referência”. Mesmo que essa referência pareça muito espontânea, pra existir na rede social ela é fragmento de vida apenas, calculadamente compartilhada pra construir uma narrativa manipulada (e esse exibicionismo é o oposto do exercício da empatia). E se a rede social ~a internet toda!~ é abastecida pelos usuários, então qualquer mudança de rota tem que partir das nossas próprias postagens, dos nossos próprios comentários, do nosso questionamento individual… pra assim impactar o coletivo. Vamos?


  • A revista Bamboo entrevistou Li Edelkoort, uma senhorinha moderníssima especialista em tendências de todo tipo – de comportamento, consumo, moda, tecnologia e tudo mais. A entrevista rolou por ocasião de uma exposição pensada por ela pra um museu em Israel, com intenção de “inspirar a comunidade criativa a produzir trabalhos que demonstram uma vontade de humanizar os processos, mesmo quando se utilizam de tecnologia, e de contextualizar um estilo de vida mais responsável. O artesanato ganha cada vez mais espaço e é entendido como ‘a repetição de ações que identificamos num passado comum e que trazem com elas sentimentos de pertencimento e continuidade.” <3

    texturas li edelkoort bamboo humanização de processos

    Especialmente legal pra gente que raciocina o que escolhe pra vestir é isso daqui que ela também falou na entrevista: “Qualquer um que esteja criando alguma coisa agora está criando sensações para os nossos dedos, para compensar o grande número de telas [eletrônicas]  que temos em nossas vidas. Então, quanto mais telas temos, mais precisamos de tatilidade. Isso explica o por quê de tecidos duplos e triplos, plissados e pregados, piquê e matelassê.”

    Não é demais que escolher usar texturas pode ter a ver com humanizar o nosso vestir? E que sensações são tão quanto aparência? E mais: que ‘ser humano’ é também muito atual e moderno? o/ o/ A gente montou um mural no Pinterest cheio de referências e idéias pra usar texturas em tudo que der, ó lá.

    A entrevista termina perguntando à senhorinha sobre a experiência dela no Brasil (ela veio lançar a revista que faz), e ela APENAS disse que “é hora de se encontrar e entender o que significa habitar o hemisfério sul. Por que fingir que as coisas do norte se encaixam por aí? Por que não abraçar o fato de que no hemisfério sul os elementos tribais, as estampas e os rituais sempre existem e que as coisas são misturadas de uma forma diferente do que são no norte? Agora é o momento de vocês dizerem: ‘Vamos nos tornar nós mesmos’.”

    Boas entendedoras podem se apegar na verdade que dita que toda mudança global começa na gente mesma — e podem começar a praticar essas idéias nas próprias escolhas, no próprio vestir, todo dia de manhã a partir de agora. A gente tá praticando. :)

    PRA VOCÊ PRATICAR TAMBÉM:
    como usar texturas juntas
    jeitos legais de usar renda no dia-a-dia
    texturas em coordenações monocromáticas
    bolsa, lenço e roupa com texturas
    brasilidade tem a ver com cores no vestir <3


  • Leandra Medine, do blog The Man Repeller, tem um post maravilhoso sobre o porquê de ela não usar maquiagem. A gente adora a abordagem dela sobre a moda, que diz que devemos nos vestir para nós mesmas, não para os outros (daí o nome do blog, que significa Espanta Homem). Clica que vale ler o post inteirão — aqui a gente traduz e cita esse pedaço super significativo do texto, ó:

    “(…) o motivo pelo qual eu não uso maquiagem é que eu sou preguiçosa. E não me entenda mal: eu estou tão vidrada no mais novo creme milagroso antiidade quanto qualquer outra garota. O fato de eu não usar maquiagem não significa que eu não ligue para ter uma pele boa. Eu só não quero passar por essa pressão de que se eu não lavar o rosto, vou manchar todo o travesseiro. De que as bases de sustentação do rosto que eu tinha ontem à noite podem ficar presas na toalha do banheiro. Li em algum lugar que dormir de rímel aumenta a queda dos cílios em até 70%, então eu prefiro focar em ter algum cílio no meu olho, ainda que eles não sejam tão curvados quanto se eu usasse curvex e maquiagem.

    O mais importante, no entanto, é que eu me sinto confortável na minha própria pele. Eu não detesto o que vejo no espelho. Ainda que legiões de outras pessoas não concordem comigo. Aceito o reflexo que pisca de volta pra mim com todas as suas falhas e pontos positivos. Entendo perfeitamente que tenho olheiras intensas debaixo dos olhos. Aprendi a apreciá-las. Notei que meu nariz vem fincando mais anduco a cada mês que passa. E tudo bem. Sei que as rugas que começam a invadir minha testa uma hora vão se instalar lá como moradoras permanentes. Meu pai tem rugas assim e elas me enchem de ternura.

    Meus olhos nunca serão azuis, minha estrutura óssea jamais permitirá que você me confunda com uma modelo escandinava. Eu sou que eu sou e mesmo que isso implique ser “feia pra *******” eu acho isso, sei lá, bonito.”

    *Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui — e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!


  • “Pode ser esquisito ouvir isso de uma pessoa que escreve sobre roupas legais (praticamente) todo dia, mas: Você Não Tem Que Ser Bonita. Ser bonita não é algo que você deva a ninguém. Não deve ao seu namorado, marido, companheiro, não deve aos seus colegas de trabalho e, sobretudo, não deve a desconhecidos na rua. Você não deve isso a sua mãe, aos seus filhos ou à civilização de modo geral. Beleza não é um aluguel que você paga por ocupar um espaço no mundo delimitado como ‘feminino’.

    Não estamos dizendo aqui que você não POSSA ser bonita se quiser. (Em outras palavras, abdicar da beleza também não é algo que você deva ao feminismo). A beleza é uma coisa prazerosa, divertida, é algo que satisfaz e que faz as pessoas rirem, frequentemente de você. Mas, numa escala de importância, a beleza fica vários degraus abaixo da felicidade, muito abaixo da saúde e, se levada como uma penitência ou como uma obrigação, passa longe da independência e você vai ter que esfregar os olhos para enxergá-la em meio à neblina.

    A beleza, essa é uma triste verdade, pode ter prazo de validade. Ela é tão apegada à juventude que uma hora (se tiver sorte) você terá de se formar na escolinha da beleza. Às vezes, como aconteceu com Diana Vreeland, você supera tanto a beleza que, antes que perceba, termina alcançando o estilo, ou quem sabe até um estilo único, marcante, pessoal. Mas você não vai chegar lá se seguir todas as placas que dizem ‘esse é o caminho da beleza’. Só se chega lá trilhando o caminho que a gente achar mais interessante (e que se danem os do contra que disserem: ‘mas isso não é BONITO!’).”

    ((Tradução de trecho de post do blog A Dress a Day indicado pra gente tempos atrás pela Flavia Stefani— o texto na íntegra e em inglês tá aqui!))

    *Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui — e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!

     


  • E -ainda por cima- o tempo todo? Com gente da internet, com artistas, com quem tem coisas diferentes das que a gente tem, com quem mora em lugares diferentes, com a namorada do amigo, com gente que quase sempre NADA tem a ver diretamente com o nosso universo pessoal?

    Partindo do princípio de que todo mundo é 100% único e, por isso mesmo, diferente, toda comparação já queima a largada e sai torta. Não é razoável comparar coisas diferentes procurando fazê-las iguais, né?

    Acontece que a gente não só se compara, mas procura alcançar o que parece ser, nos outros, um ‘padrão de excelência’ — um indicativo de perfeição ou que qualquer coisa melhor do que a gente já tem. Ces sabem que perfeccionismo  tá pra ser incluído na lista de doenças da OMS? Do-en-ça! O inatingível nunca será atingido… e querer ser parecida com alguém que já existe — tendo outra pessoa ou outra coisa como perfeita — é o contrário de autoaceitação.

    se a gente olha pra fora, se coloca num lugar de falta, de escassez -- mas o lugar da abundância e do fortalecimento emocional tá disponível pra ser acessado, tá dentro da gente!

    Toda comparação é ladra de satisfação de um jeito muito sorrateiro, e é um exercício e tanto estar atenta: quando a gente olha pro outro, automaticamente olha menos pra si mesma. E na medida que vai desejando/idealizando o que o outro tem (ou faz, ou veste, ou come, etc etc etc) vai desvalorizando o que a gente já é. E o que a gente ainda não é ou ainda não tem pode ser CONQUISTADO — tão mais valioso ter algo conquistado do que somente comprado, não? Pensa só!

    Não é natural mas é tão comum: quando a gente vê já tá no Instagram da moça se comparando com ela… e se comparar faz a gente procurar justificativas, e a gente passa a se justificar muito mais do que o necessário, e gente que se justifica o tempo todo, que procura desculpas de antemão pra tudo… acaba cansando. Esse mesmo esforço e essa mesma energia poderiam ser direcionados pra procurar importâncias, relevâncias, identificação autêntica com a própria história, vontades e porquês… isso sim rende satisfação, segurança, aceitação! Procurar significados e não aprovação!

    A conta pode fechar assim: se a gente olha pra fora, se coloca num lugar de falta, de escassez — mas o lugar da abundância e do fortalecimento emocional tá disponível pra ser acessado, tá dentro da gente! Mas né, é preciso olhar com orgulho e apropriação pra gente mesma, pro que a gente sente, pra vida que tá construindo, pras habilidades que vem adquirindo, pro crescimento, pra própria busca!

    A gente precisa ser melhores companhias pra nós mesmas <3 e olha, tudo bem já perceber e ainda não conseguir se desfazer do comportamento (não achamos essa uma tarefa fácil): tamos todas aprendendo, somos todas imperfeitas e incompletas. Parar de nos atacar e já trabalhar essa autoaceitação só de detectar esses ataques — e se lembrar de reconhecer que esse não é um hábito definitivo: a gente pode se desfazer dele com atenção e intenção. Seguimos (juntas) tentando. <3

    + um guarda-roupa que combine com a SUA vida
    + uma carreira que compartilha colaboração (e não comparação)


  • Perguntaram pra gente como avaliar o mercado de consumo de moda funcionando hoje com tanta influência dos “blogs de moda”, e a entrevista deu oportunidade pra gente refletir sobre o que é chamado ‘moda’, o que é consumo, o que desperta ansiedade nas pessoas e como o sistema em que a gente tá inserida se aproveita disso.

    Olhando daqui, do lado de quem consome, (no dia-a-dia orientando nossas clientes de consultoria de estilo a comprar melhor), a gente entende que hoje existe uma confusão entre a oferta de um produto e a “venda” de um estilo de vida, de um padrão estético ou de um valor. Geral tem trabalhado COISAS como se fossem itens obrigatórios pra estar inserida num grupo específico ou pra sentir/viver o que quem vende aparenta sentir/viver. Uma idéia embutida no produto, na coisa, de que quem não tem/compra está automaticamente “de fora” desse grupo.

    a gente não deveria depender do que nos é oferecido em vitrines (e na internet toda) pra desejar/consumir.

    A gente conhece o que acontece-vem acontecendo nos “blogs de moda” (do mundo todo!), nos instagrams e na publicidade de moda em geral, não tamos aqui alienadas. Existe um bombardeio de  mensagens que nem precisam ser tão claras, mas que comunicam “compre isso, compre aquilo, tem que ter… ou você não conta, não é ninguém” — isso tira a nossa humanidade e trata geral não como pessoa, mas como consumidora. A gente passa a ‘ser o que compra’. Sem estilo pessoal, sem identidade autêntica, mas com “a cara da estação”, do que foi adquirido. Aparência passa a ser um conjunto de peças de roupa, e não mais moldura coerente pra quem a gente é.

    Roupa é sim ferramenta de comunicação, e é tão delicioso ter oportunidade de escolher o que expressa quem a gente é, o que é importante pra gente, nossas singularidades. Um super conforto na vida é se olhar no espelho reconhecendo com clareza o rótulo que a gente mesma escolhe pra estampar o conteúdo da nossa embalagem, nosso recheio!

    Consumir deveria ser consequência de uma vivida com atenção e reflexão — fazendo sentido, precisando, fazendo a diferença no conjunto de peças que já se tem no armário, caindo 100% bem, faltando no guarda-roupa, tendo função essencial e desejo autêntico… essas noções deveriam direcionar quaisquer compras que a gente faça. A gente não deveria depender do que nos é oferecido em vitrines (e na internet toda) pra desejar/consumir. O desejo e a motivação da compra deveriam vir DA GENTE, de dentro, e não ser estimulado do lado de fora. Nada do que é vendido traz junto o glamour de quem usa, a vida espetacular da modelo, ou o corpo dela, ou a alegria que ela estampa na foto publicitária (ou na foto do look do dia). A sacola vem APENAS com produto e toda promessa extra é promessa furada.

    A confusão está exatamente aí: no fato de se vender ‘coisas’ como se o que fosse comprado fosse mais que isso, fossem ‘valores’. Quem compra motivada pelo estímulo de fora sente prazer pela conquista, mas quando procura no espelho todo o ‘pacote extra’ esperado e não acha… então precisa comprar de novo pra sentir esse prazerzinho momentâneo de novo e assim a roda do mercado gira. Quem compra motivada por demandas internas, refletidas, sente satisfação não só pela conquista, mas também a cada uso útil, versátil e “gerador-de-segurança” do que foi adquirido. É ou não é?

    Então a gente acredita que se perguntar ‘o que é importante’ e ‘o que se quer sentir em frente ao espelho’ dá direção pra escolher com mais satisfação e mais acerto. E que o tempo que a gente gasta tentando entender por que as blogueiras de moda são hoje grandes como são poderia, de repente, ser gasto em exercícios de autoconhecimento. Inspiração só ganha sentido quando acha lugar pra acontecer com conforto na vida de quem se inspira — não adianta se inspirar pra outra vida, a nossa é só nossa (e só a gente é a gente!).

    NOSSA NEWSLETTER SEMANAL chega aí no seu email com mais questionamentos, facilitadores de vida e idéias práticas sobre estilo pessoal e consumo consciente. ASSINA PRA RECEBER!


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