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  • A idéia do ‘look do dia’ como ele acontece hoje é incompatível com metodologia de consultoria de estilo que foca em diversidade, singularidade, autoconhecimento e humanização (pra ter resultados relacionados a autoestima). Look do dia se baseia em comparação, que é o oposto de cooperação. Se baseia em peça de roupa — e na consultoria a gente se baseia em PESSOAS que vestem roupas (não é a roupa que faz a pessoa!). Look do dia apresenta marcas, querendo identificar grupos e por consequência padronizar. Se a gente (como consultoras de estilo) pudesse, construiria roupas 100% personalizadamente pra cada uma das nossas clientes.

    look do dia

    O trabalho de consultora, tão íntimo e próximo de cada cliente, nessa nossa metodologia não pode (de jeito nenhum) envolver comparação ou criar uma idéia/expectativa na cliente colocando nosso gosto pessoal como parâmetro. Não tem como a gente valorizar singularidades dizendo “olhe pra mim”. E mesmo que  haja super boa intenção no compartilhamento do próprio look, o mundo todo a mídia toda tá treinando as nossas mentes fortemente há tempos — e fica mais fácil deslizar pro comparativo do que abstrair e entender que look do dia é só referência.

    Usar nossa própria aparência pra comunicar nossas habilidades técnicas — estar sempre linda não pra que a cliente pense “quero ser como ela” mas sim “uau como ela é capacitada pra manipular esses códigos do vestir tão direitinho”  dá respaldo profissional pra gente e rende segurança pra quem contrata nosso serviço. Então consultoria de estilo não é uma profissão pra quem quer ser o foco de admiração de alguém: na consultoria o foco é A CLIENTE, e o nosso trabalho é quase o de um mordomo, que serve e atua em bastidores. “Tem mais a ver com o pé do que com o sapato”, como uma mestra ensinou.

    E o próprio trabalho é MUITO mais maravilhoso do que quem executa o trabalho! Não tem a ver com a gente mesma, não é sobre a gente mas sim sobre o trabalho — todas as nossas colegas de profissão com a mesma formação alcançam os mesmos resultados, e suas clientes se sentem exatamente como as nossas se sentem. A gente pode até ser legal (todo mundo é!) mas a metodologia é muito mais legal.

    E um complemento:

    “(…) porque eu não sou, nem nunca vou ser, nem devo ser, a medida das coisas. Utilizar a mim mesmo, minhas vontades e necessidades, o jeito que quero ser tratado, como se eu fosse o parâmetro para todas as outras pessoas é a essência do narcisismo e do egocentrismo. É o exato oposto de empatia. A outra pessoa deve ser tratada não como eu gostaria de ser tratado, mas como ela merece e precisa ser tratada.

    E como vamos saber como essa tal outra pessoa merece e precisa ser tratada?

    O primeiro passo é sair de mim mesmo e deixar de me usar como parâmetro normativo do comportamento humano. Essa é a parte fácil. Depois, preciso abrir os olhos e os ouvidos e o corpo inteiro, e reconhecer que existem outras pessoas no mundo, e que elas são todas bem diferentes de mim. E que o único jeito de perceber o quão diferentes elas são é enxergando-as, escutando-as, conhecendo-as.

    Com atenção plena e empatia verdadeira.”

    ((trecho de um texto valioso sobre O OUTRO e não sobre a gente mesma que tá na íntegra aqui, ó))


  • Esse texto já começa com o disclaimer de não querer ser rígido ou imutável, de não terminar aqui (ou em si). Livros são feitos o tempo todo, a gente vai tendo acesso e lendo na medida de interesse pessoal e tempo disponível, então esse compartilhamento pode (ao longo da vida!) ser incrementado, crescer, continuar — ces sabem que a gente mantém uma hashtag no Instagram só pra compartilhar nossas leituras? Põe lá #bibliotecaODE pra ver ainda mais!

    A gente reuniu o que de mais valioso passou pelas nossas leituras ao longo da nossa experiência como consultoras de estilo: essas indicações garantem complemento certeiro e eficaz pra tudo que a gente estuda na escola de personal stylist. Aqui na Oficina a gente já teve e já leu muitos, mas muuuitos livros — esses daqui são os que sobreviveram a todos os desapegos, que a gente continua mantendo na mesa de trabalho, continua consultando… são os nossos essenciais.

    COLOR WITH STYLE — Donna Fujii

    Esse é tão velho mas tão velho que nem a gente quando tentou comprar conseguiu: descolamos um emprestado (provavelmente com a nossa professora/mentora) e fizemos uma xerox colorida — era 2003 ou 2004 e na época ainda rolava. É o melhor livro de cores que a gente já conheceu, com conteúdo raciocinado e fórmulas que, quando estudadas direitinho, levam pra muito além das próprias fórmulas. Com ele a gente aprendeu muito sobre cores nas coordenações propostas em roupas e acessórios (até em maquiagem e cabelo também!), sobre ilusões de ótica que elas produzem e sobre efeitos na silhueta que podem criar.

    PLUS STYLE — Suzan Nanfeldt

    Quer ser sobre gordinhas, mas tem conteúdo tão consistente que vira uma aula sobre todo tipo de forma e silhueta (pra quem se dispõe a raciocinar). — especialmente pra quem tem interesse em não limitar o próprio trabalho como consultora a “tipos físicos padrão”. Propõe muitas possibilidades de uso de elementos visuais pra equilibrar/suavizar silhuetas, mostra efeitos comparativamente, e levou a gente a pensar em serzinhos humanos como um todo (e não em partes!). De quebra tem um capítulo muito bom sobre maquiagem, sugerindo uma maneira muitíssimo personalizável pra gente trabalhar cada cliente do sei próprio jeitinho.

    I DON’T HAVE A THING TO WEAR — Judie Taggart e Jackie Walker

    Traz uma abordagem realista, prática e muito possível pra trabalhar guarda-roupas — sem desconsiderar toda a parte emocional envolvida nessa etapa da consultoria. Tem exercícios super poderosos de autoconhecimento pra gente propor pras clientes, que de tão bons podem levar pra resultados não só no GR mas também na etapa de compras. A partir dessa leitura a gente começou a raciocinar as mil motivações pra abarrotar armários, pras dificuldades de desapegar que algumas clientes tem, pras compras feitas impulsivamente por elas. E no finzinho tem um capítulo super super consistente sobre fazer malas.

    LOOKING GOOD — Nancy Nix-Rice
    01 update: esse livro ganhou toda uma repaginação!

    Melhor de todos, melhor livro de consultoria que a gente já conheceu na vida! Ensina e treina identificação de elementos visuais impactantes pra silhuetas e personalidades variadas, mostra como avaliar caimentos e construção de qualidade nas roupas, demonstra em ilustrações super didáticas como o olho pode ser “enganado” pelas ilusões de ótica que as roupas/acessórios podem criar. Essa leitura ensinou a gente a valorizar o estudo do estilo de vida e da rotina das clientes como suporte importantíssimo pra todo o estudo de personalidade e preferências que a gente aprende na escola (só assim a gente consegue construir GRs que facilitam vida de verdade!). Sugere cortes de cabelo pra complementar estilo/formato de rosto de um jeito super legal.

    GUIA PRÁTICO DOS TECIDOS — Maria Helena Daniel

    O livro já começa com uma explicação super clara e super ‘vida real’ dos tipos de tecidos que a gente encontra no mercado — essencial pra gente orientar nossas clientes a fazer escolhas certeiras, personalizadas a partir das demandas e rotinas de cada uma. DAí o conteúdo segue explicando uma por uma das variações possíveis desses materiais com técnica na medida e muitas muitas fotos, de maneira que a gente consegue entender, identificar e passar esse conhecimento adiante.

    ONDE ENCONTRAR

    No site da Amazon é possível encontrar alguns desses pra comprar direto da loja — em formato impresso (entrega no Brasil numa boa) ou até em formato digital, pra Kindle. É mais possível ainda encontrar exemplares usados pra comprar direto de pessoas, a própria Amazon intermedia (tem só que pesquisar fretes e envios separadamente, direto com os vendedores). Vale buscar pelos nomes das autoras e pelos títulos dos livros.

    A gente listou aqui os links das autoras que tem site (os que a gente encontrou!), pra mandar email e tentar comprar direto com elas. E o exemplar nacional da lista tá disponível em livrarias online e também da vida real (se não tiver disponível é só pedir que as próprias livrarias encomendam por demanda).

    POR QUE SÓ TEM UMA INDICAÇÃO NACIONAL?

    A gente também sente falta de trabalhos feitos aqui no BR com inteligência e originalidade, como esses americanos que a gente listou. Mas até hoje tudo que passou pelas nossas prateleiras -sobre consultoria de estilo, bem especificamente- era reprodução desses conteúdos já publicados (sem nem adaptar pras peculiaridades nacionais!), ou idéias muito teóricas e pouca práticas — geralmente recheados de opinião pessoal e achismo que né, não servem pra quem quer trabalhar personalizadamente, artesanalmente e não em série. Considerando, claro, que a gente não conhece tudo que já foi publicado na nossa área e que essa seleção representa opinião pessoal embasada pela nossa experiência: pode ser que existam livros incríveis daqui do BR que a gente ainda não cruza

    MAS GENTE ESSES LIVROS TEM CAPAS MUITO FEIOSAS!

    Isso que ces ainda nem viram os recheios! Eles são sim muito feios, com projetos gráficos datados e fotos muito loucas (MUITO). Considerando que esses ensinamentos são valiosos desde o tempo em que foram organizados por essas autoras maravilhosas-generosas, que todo o material gráfico apresentado é efetivamente muito didático e que a gente tem hoje o Pinterest pra pesquisar e estudar referências mais atuais… então essa feiúra gráfica perde importância. :)

    UM “PLUS A MAIS”

    Essa indicação valeria pra quaisquer profissionais que trabalhem com gente — mas aqui vai especialmente pras nossas colegas de profissão: Os quatro compromissos é um livrinho fino e fácil de ler que ajuda a gente a se desprender de pensamentos atrapalhadores de objetividade na nossa atividade, ajuda a gente a se desprender de melindres e suposições, ajuda a fluir melhor no trato com cada uma das nossas clientes.

    + quer estudar a nossa metodologia pra ser personal stylist também?
    + tem dúvidas sobre esse mercado e essa profissão?


  • Se a gente se dispõe a construir um guarda-roupa conciso, com peças versáteis e super coordenáveis entre si, todas com a melhor qualidade que nosso dinheiro puder pagar… a gente também precisa se dispor a cuidar disso, né? Roupa boa, que a gente usa bastante, pode passar por manutenções periódicas pra ter vida útil prolongada. Vale montar um mini-kit manutenção ~uma caixa de primeiros socorros!~ pra deixar no próprio armário, à mão, pra essa manutenção periódica — ou mesmo pras pequenas emergências que possam surgir no dia-a-dia (e como elas surgem, não?).

    pra quem quer cuidar do que tem e estender vida útil das roupas (sem grandes esforços), ó! no blog da Oficina!

    Nos guarda-roupas das nossas clientes a gente sugere ter:

    _tesourinha de ponta
    _alicates de bijú
    _alfinetes de cabeça
    _cola de tecido
    _colchetes e tic-tacs (paras prendadas que souberem pregar!)
    _escova de dentes para tirar sujeirinhas de fivelas e reentrâncias de acessórios
    _elásticos tipo de dinheiro
    _linha clara e linha escura + botões extra
    _navalhinha específica para tirar etiquetas (fácil de encontrar em armarinhos)
    _pinça ou alfinetão para passar elásticos por costuras
    _papa-bolinhas ou lâmina tipo gilete pra tirar bolinhas de tricôs

    Desses, os que mais “salvam-vidas” são alfinetes e os elásticos, sabia?

    Na nossa rotina como consultoras de estilo a gente se pega ensinando clientes a usar alfinetes pra colocar no lugar uma alcinha fina que eventualmente explode da blusa, a fazer mini-pences e ajustar provisoriamente alguma peça, a manter no lugarzinho da cintura faixas que insistem em subir ou descer (a gente prende alfinetes nas laterais da peça formando passantes quase invisíveis), pra fazer o decote só mostrar a quantidade de pele que a gente quer, pra juntar as alças do sutiã nas costas de modo que ele não apareça com decote tipo nadador, pra fechar o pequenino vão que às vezes fica abertinho entre um botão e outro de camisa. Ufa!

    E a gente procura ter com a gente alfinetes em tamanhos diferentes, em metal prateadinho e também dourado.

    Os elásticos a gente usa pra garantir conforto e praticidade ao que cada cliente veste, atendendo a demandas específicas. Dá pra segurar mangas no lugar — “vestindo” o elástico no braço todo ou envolvendo o botão do punho com uma alcinha-elástica presa na casa, sabe como? Pra clientes grávidas o elástico funciona como alargador de cinturas quando a gente prende o elástico na casa do cós e estica pra passar em volta do botão. Vale até usar como “encompridador” de colares mais curtos, quando a gente prende numa ponta do fecho o elástico e estica até a outra… e camufla a gambiarra no pescoço bem embaixo do cabelo, ó!

    Mas né, só vale ter o que se usa ou sabe como usar… ter um monte de apetrechos só pra empoeirar é muito pouco esperto. E não precisa saber usar tudo — hoje a gente tem nas alamedas de serviços dos shoppings um monte de pequenas oficinas que cuidam desse tipo de manutenção rápida. A gente precisa só estar de olho pra cuidar, levar, fazer acontecer.

    Dá pra ter essas coisinhas numa caixinha, ou num copinho bem lindo, ou numa cestinha. E nossas colegas de profissão podem também ter pequeninos kits como esse em necessaires/bolsinhas pra levar consigo nas etapas práticas da consultoria (guarda-roupas, compras, montagem de looks) pra já ensinar as clientes a usar também!

    NOSSA NEWSLETTER SEMANAL chega aí no seu email com mais questionamentos, facilitadores de vida e idéias práticas sobre estilo pessoal e consumo consciente. ASSINA PRA RECEBER!


  • A gente aqui na Oficina coloca energia e disposição na construção de um ambiente de trabalho não competitivo, mas de cooperação. Por isso desde 2013 a gente mantém uma cooperativa informal pra estar em constante contato com todas as colegas de profissão que utilizam a metodologia da Oficina nos seus trabalhos. As mais de 170 participantes dessa cooperativa não só fizeram o nosso curso de formação mas também passaram por experiência prática de atendimento em consultoria — já personalizando a estrutura da metodologia aprendida com clientes-voluntárias, por 8 semanas logo na sequência das aulas, com a nossa supervisão atenta.

    A intenção de se manter em contato, como uma comunidade, é promover troca e crescimento — colaborativamente, exercitando empatia e proatividade na busca de soluções (que mesmo partindo do âmbito individual, sempre enriquecem o coletivo). No grupo a gente tira dúvidas, pede ajuda (e se ajuda!), compartilha projetos e propostas, repassa trabalhos e clientes, se abastece de conteúdo valioso que aperfeiçoa nossa entrega profissional e complementa nossa formação. E a partir da postura generosa e da criação de caminhos raciocinados/discutidos/refletidos em grupo, o mercado inteiro ganha relevância.

    Uma das coisas mais legais dessa nossa empreitada é a agenda mensal de workshops que a gente organiza a preço de custo (sem lucro algum, só pra usufruto do grupo!): profissionais de áreas complementares à nossa são convidados a conhecer a nossa maneira de trabalhar, o nosso mercado, pra então montar programas especiais pra personal stylists. O custo de cachê do profissional em questão + aluguel de espaço + cafezinho/água/belisquetes é somado e dividido por quem participa do programa, e assim a gente tem oportunidade de crescer JUNTAS em conhecimento e habilidades, investindo valores justos-justíssimos pra todo mundo envolvido.

    Na cooperativa já tivemos workshops sobre sustentabilidade no vestuário, compulsão alimentar/de compras, consultoria de estilo pra homens, empreendedorismo criativo, redes sociais e produção de conteúdo autêntico e humanizado pra internet, visagismo pra personal stylists, cadeia produtiva “ideal” na moda, fotografia e mais. Todos os temas apresentados nos workshops querem também promover desenvolvimento pessoal, pra que juntas a gente exercite questionamento e assim aperfeiçoe, com as nossas entregas, o sistema de mundo em que tamos todas inseridas. E ó, todo mundo que faz parte da nossa cooperativa tem nomes e contatos listados aqui no site, no nosso diretório de colegas de profissão.

    Nossa profissão é novíssima e nosso mercado ainda está em formação — sendo moldado pela própria atuação de quem nele se propõe a trabalhar com alguma ética. A gente tem uma vontade “compartilhatória” de saberes e valores desde sempre e, desde que começamos a formar colegas com a nossa metodologia autoral, essa vontade virou missão. Aqui na Oficina a gente entende que individualmente cada profissional faz a diferença a partir de sua postura profissional: juntas, então, podemos muito mais.


  • A gente percebe uma diferença *especial* entre o jeito de vestir de quem trabalha com moda e o de quem trabalha com estilo pessoal (alô consultoras!). No convívio com nossas colegas de profissão — e com alunas que tão no caminho da formação pra se profissionalizar — a gente vê looks originais, impecáveis, com peças lindas/elegantes/charmosas… mas quase sempre discretos, sem muitos fashionismos ou extravagâncias, sem nada que “grite” no look.

    Ó o que acontece: quem trabalha com a identidade visual de outras pessoas-clientes DOMINA os códigos do vestir, conhece tendências e truques de styling… e a escolha por discrição pode vir do próprio trato com as clientes. Quase sempre, quem procura uma personal stylist não quer ser superfashion ou supermoderna: quer acertar nas compras, quer ter tempo pra cuidar de coisas mais importantes do que roupa (!!!), quer ter guarda-roupa inteligente, quer se vestir com segurança de sentir exatamente como quer se sentir (na vida).

    Faz super sentido, então, pensar que personal stylist não quer chocar clientes, não quer fazer ninguém se sentir menor ou “pra trás”, careta ou distante desse “universo do vestir bem”. A intenção é comunicar segurança, serenidade, credibilidade, personalidade e – mais que tudo! – deixar a cliente confortável pra expor suas vontades e eventuais inseguranças. Perfeição não cabe na condição humana, e já faz parte do trabalho de consultoria ajudar a ajustar as expectativas de cada cliente pro que é humano e possível. <3

    Mais importante no vestir da profissional do estilo pessoal é:

    _mostrar atenção à qualidade, ao caimento e ao acabamento do que se escolhe vestir
    _cuidar da boa manutenção de tudo que se usa (alô impecabilidade!) – mas sem afetação, sem esforço exagerado… dentro da naturalidade!
    _exercitar no próprio look habilidades de manipular/administrar proporções, texturas, cores (inclusive os neutros! com criatividade!), materiais originais e acessórios

    E então, por último mas não menos importante: numa consultoria que propõe trabalhar autoconhecimento pra ter resultados em autoestima, só tem resultado eficaz quem obtém informação autêntica sobre ‘quem cada cliente é’ e ‘que tipo de vida ela vive’… pra então traduzir essa info num guarda-roupa equivalente, coerente. Por isso quem BRILHA é a cliente, e não a consultora! O trabalho depende dela, é feito pra ela e junto com ela — e quem tem que aparecer, ser elogiada e reconhecida é quem é ela, a (nossa) estrela.


  • Logo que a gente começou a compartilhar conteúdo na internet havia muita curiosidade em relação ao que vestir — as dúvidas eram assim:”o que usar em casamentos de dia?”, como comunicar personalidade no look do trabalho?” ou “o que cai bem em silhuetas x ou y?”. Hoje a gente recebe muuuuuito mais emails interessados em saber mais da nossa profissão — tipo como começar e o que é preciso estudar, como é a rotina de uma personal stylist e o que é preciso pra transformar a paixão pelas roupas num negócio sustentável.

    A gente resolveu, então, organizar em vídeo todas as respostas que a gente vem entregando desde 2003 — hoje aperfeiçoadas e testadas pela nossa experiência prática ao longo desse tempo: e está aqui prontinho o nosso primeiro programa educativo online YAY! A idéia é bater um papo (curto, mas objetivo!) pra que todo mundo que se interessa por essa profissão e por esse mercado possa ter repertório seguro pra decidir se “é isso mesmo” :) e então, partir pra formação e pro aperfeiçoamento do seu próprio jeitinho de trabalhar com consultoria de estilo. Um programa pensado pra ser rápido e de investimento baixo, servindo de teste/beta (pra gente e pra quem tem interesse em estudar online) pra, logo logo, a gente estruturar o nosso curso de formação também em versão internética. <3 Então ó, tendo feedback, por favor compartilhe! A gente precisa de troca pra aperfeiçoar e aprender o que for necessário pra preparar um próximo passo ainda mais legal.

    Essa é uma profissão muitíssimo nova, com um mercado ainda sendo formatado de forma orgânica e intuitiva, por isso a Oficina sente que cresce junto quando compartilha informação e metodologia: assim, como colegas de trabalho e não como concorrentes, é possível construir coletivamente um mercado mais profissional e ético, mais humano, cooperativo e questionador.


  • Flexibilidade é atributo que molda melhores profissionais na consultoria de estilo — e não só na consultoria: trabalhar com pessoas exige que a gente seja flexível. Entender que alguma coisa que não é bonita pra gente pode ser bonita pra outra pessoa é o ponto de partida pra respeitar individualidades e ser capaz de fazer uma entrega profissional eficaz, que independe de gosto pessoal.

    E assim, em vez de criar um exército de cópias e fazer desse trabalho uma produção em série, a gente tem oportunidade de desenvolver consultoria – uma a uma – com a dedicação de uma artesã. <3

    consultoria de estilo profissional

    ***E vocês, colegas, que habilidades procuram mais desenvolver pra ser melhores profissionais na consultoria de estilo? Ou que atributos esperam encontrar nas profissionais que contratam?

    MAIS DA NOSSA PROFISSÃO!
    sobre gosto pessoal na consultoria de estilo
    não somos artistas, somos artesãs (o que a personal stylist veste)
    personal stylists na TV e na vida real
    diferença entre stylist e personal stylist 
    se você quer trabalhar com moda, seja chique 

    + COMO FUNCIONA UMA CONSULTORIA DE ESTILO
    + COMO SE TORNAR UMA PERSONAL STYLIST
    + COMO CONSTRUIR UM GUARDA-ROUPA INTELIGENTE


  • A T Magazine, revista de moda e comportamento do New York Times, fez um artigo sobre como roupas simples e comerciais costumavam ser a antítese da alta moda, mas agora são o ponto de referência para os estilistas. A crítica de moda Cathy Horyn diz que há uma tendência das grifes que antes traziam drama, teatro e inovação em trazer roupas mais usáveis, menos criativas, porém mais pé no chão.

    Para ela, isso se dá por conta de uma adaptação aos valores atuais: as pessoas estão ligando menos para inovação e criatividade e mais para tradição e adequação. A falta de grana (alô crise financeira na Europa) também faz com que mesmo o público de elite prefira investir seu dinheiro em roupas que vão render mais uso do que em peças originais para usar de vez em nunca.

    um pensamento sobre os significados que as roupas carregam e a simplificação da moda de hoje

    O artigo explica ainda como a moda passou de um período de sofisticação técnica e tradição no início do século 20 para um perído de semiótica e desfiles cheios de significados ocultos na década de 1980. Para ela, a tendência agora é a simplificação geral.

    Traduzimos aqui os trechos mais interessantes:

    (…) A ascensão da alta costura no início do século 20 se relaciona com os avanços da comunicação e com a possibilidade de viajar mais, assim como com o interesse incomum do público neste mundo tão rarefeito. Há relatos famosos sobre policiais e taxistas parisienses que eram capazes de reconhecer a procedência de uma roupa de alta costura. Fala-se, por exemplo, de um policial que, na década de 1930, se recusou a prender uma agitadora feminista alegando que ela vestia um Molyneux. Na década de 1960, todos sabiam a última moda, senão por Mary Quant, através dos Beatles.

    Mas, em algum momento no final dos anos 1980, a moda descobriu a semiótica. Roupas de repente adquiriram significado (pense nos esforços para ‘decodificar’ os desfiles de Helmut Lang e Martin Margiela). Você realmente precisa ser um especialista no assunto para entender por que a jaqueta é vestida do avesso ou por que um vestido que te faz parecer uma mendiga é legal. Susan Sontag descreveu uma mudança similar no mundo das artes, em meados dos anos 1960, observando que ‘a arte mais interessante e criativa de nosso tempo não é aberta para amadores; exige um esforço especial; fala uma linguagem especializada’. Hoje, com a aproximação entra a alta moda e a comunicação de massa — com canais do YouTube mantidos por marcas, filmes, grandes espetáculos — há uma pressão para simplificar as coisas. Talvez o surgimento de marcas novas, com desfiles por vezes repletos de um design estranho e banal, também tenha feito com que os designers de elite repensassem as coisas, priorizando uma roupa mais simples.

    (…) Vimos nossos horizontes se encurtarem. A desigualdade de renda é o principal motivo; as pessoas simplesmente não podem se dar ao luxo de arriscar novas experiências. Também é verdade que coisas com as quais nunca tivemos que nos preocupar -como smartphones e novos tipos de entretenimento- tomaram nossas mãos, inspirando-nos em muitos aspectos, mas também estreitando nossa visão com todo o tipo de grades de proteção, de modo que o que antes era nobre hoje é somente uma via rápida e universal para a fabulosidade”.

    *Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui — e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!


  • Tivemos oportunidade de participar com o nosso trabalho de uma promoção muito linda: as Lojas Marisa comemoraram o dia internacional da mulher com uma consultoria de estilo de presente pra uma de suas clientes, celebrando a amizade e a “irmandade” entre mulheres. Funcionou assim: uma amiga indicava outra pra concorrer, dizendo por que a amiga merecia ganhar esse presentão — que não era só consultoria, mas consultoria e um vale de R$ 8.000,00 pra abastecer o guarda-roupa na Marisa (!!!). Um monte de amigas se amando e reconhecendo valor umas nas outras, uma coisa linda! A amiga da Pat, a deliciosa contemplada no vídeo com a gente aqui embaixo, dizia na promoção que a amiga toma conta de todo mundo em volta – do marido, dos filhos, dos alunos… – mas que precisava retomar o cuidado com ela mesma porque ela é quem mais merece! A gente participou da seleção da Pat como vencedora, marcou encontro, foi até a casa dela, conheceu o guarda-roupa, conversoooooooooouuuuu longamente sobre estilo pessoal e estilo de vida, foi ao cabeleireiro junto, fez análise de coloração pessoal, fez compras… num trabalho que entregou direção e treino pra Pat se apropriar mais e mais de tudo lindo que ela é, e cuidar disso com propriedade. O registro tá aqui embaixo, num vídeo que enche a gente de orgulho e gratidão. Ó!


  • A gente já é “velha” nessa profissão/nesse mercado tão jovens (especialmente aqui no BR). E desde o início, sem muitos modelos disponíveis pra gente pesquisar ou usar como referência, ficou definido aqui na Oficina que a nossa satisfação pessoal e os nossos valores seriam sempre guia pras estradas que a gente escolhesse trilhar ao longo da nossa experiência, na medida em que crescesse. A gente desenvolveu e testou nossa metodologia autoral assim: acreditando que todo mundo é diferente e que essa é a beleza da vida; que a gente por ser diferente e topar fazer diferente ia “atrair” clientes essencialmente interessadas nisso mesmo. E agora, tanto tempo depois – véias! – a gente começa a entender que esse nosso modelo-vindo-do-não-modelo tá inserido nessa idéia da economia criativa. Que orgulho!

    Se a humanidade é sortida e se cada pessoa é única, então uma consultoria de estilo – que quer assessorar clientes num melhor relacionamento com seus próprios guarda-roupas – só funciona de verdade-verdadeira quando parte do cliente; quando transita por caminhos de autoconhecimento. E se a relação de cada cliente consegue ser melhorada substancialmente através desse ‘olhar pra dentro’, dessa troca de referências (não mais as externas, mas sim as internas!), então é natural que consultoria de estilo (aplicada assim!) renda também resultados em autoestima. Se conhecer e entender é a essência de ‘substituir consumo por autoestima’. Pensa em ‘melhora de relacionamento com o próprio guarda-roupa’ acontecendo quando o que se tem no armário deixa de ser um problema diário e passa a ser solução; quando a gente pode dar a importância devida ao que veste (muito muito pequena!) pra dar importância real à vida e ao que a gente vive (muito maior e mais importante!). Melhorar relação com o próprio armário também rola quando a gente aprende a comprar menos, mas melhor; quando a gente entende que pode ter um armário conciso, mas muito versátil — em que cada peça seja tão usada e de tantas maneiras diferentes que seja justificável fazer substituições periódicas: abrir mão do que tá velhinho/desgastado pra abastecer nosso repertório coordenáveis com peças novas… e assim esse armário conciso passa a estar também sempre atualizado.

    A gente escolheu moldar o nosso negócio – e assim estruturou a nossa metodologia: querendo entregar com inteligência e treinamento a possibilidade das nossas clientes construírem guarda-roupas que representem quem elas são e a vida que vivem. Diferente de vender o guarda-roupa do momento, da temporada ou da atriz/personalidade X ou Y. Só dá certo porque nossas clientes entendem que o autoconhecimento é ponto de partida e de direção pra aplicação desse método, e que o resultado por isso mesmo é certeiro –> parte da cliente e volta pra ela mesma! Consultoria de estilo entrega, em forma de treinamento, melhor relação com o guarda-roupa e pode sim render resultado em autoestima, pode abrir outras portas que não só as do guarda-roupa… mas depende de cada cliente. A possibilidade existe, é só querer arriscar, assumir responsabilidade, se aprofundar. Assim como na economia criativa!


curtimos

ideias complementares às da Oficina