O QUE É MELHOR: ALGODÃO OU POLIÉSTER?

Você não vive um dia sequer sem causar um impacto no mundo ao seu redor. Seus atos fazem a diferença, e você precisa decidir que tipo de diferença quer fazer.
— Jane Goodall

Um tempo cheio de complexidades esse nosso, em que a gente é conduzida a fazer escolhas (de vestir) pensando em roupa boa pra gente, pra outras pessoas, pro clima, pros animais e pro mundo. Uma responsabilidade e tanto, que pode render uma culpa indevida (individualmente nenhuma de nós é responsável por “estragar” o planeta através de escolhas de vestir) — sabendo que, ainda por cima, não é nada fácil avaliar prós e contras dessas variáveis todas.

Quando a gente pensa só em escolher entre algodão ou poliéster, tem tantos mas TANTOS pormenores embutidos nessa escolha que, aqui pra gente, parece mais possível simplificar pra

  • escolher SEMPRE o material de mais qualidade (durável),
  • escolher SEMPRE o design mais atemporal (não-descartável, não-enjoável),
  • escolher sempre que possível em lojas de segunda mão,
  • escolher sempre que possível em lojas/marcas pequenas e autorais, de perto da gente.

Mas né, muito se fala e é possível estudar loucamente pra ir experimentando práticas e escolhas que satisfaçam a nossa vontade de estar bonita e que também tenham a ver com ética e direitos humanos, com comércio justo, sustentabilidade e cuidados com os animais, rios e florestas.

Hoje é praticamente impossível não ter poliéster na composição das roupas — alô peças que esticam com elastano, alô roupas de ginástica. É ruim por vários motivos: não se decompõe, é petróleo, libera micro-partículas a cada lavagem que vão pra água e matam os peixes e intoxicam humanos… ao mesmo tempo, é durável, pode ter uma super qualidade (no fast-fashion o poliéster é usado pra substituir materiais naturais, em marcas que levam o design a sério o material sintético é escolhido a dedo por caimento, forma, estrutura, propriedade térmica) e a indústria têxtil vem fazendo acontecer um tipo de fibra de poliéster com garrafas pet recicladas — o que significa um tantinho menos de entulho nos lixões e de reuso de materiais.

Por outro lado, o algodão é o tecido natural mais usado na indústria, super confortável e elegante — e, na teoria, até passível de compostagem. Mas na prática, a maior parte do algodão que a gente consome passa por processos de tingimento super químicos e intensos, é responsável por grandes áreas de monocultura e por uma grandessíssima demanda de agrotóxicos. Daí a gente pensa: “tá bom, vamos então procurar algodão orgânico pra comprar!” — mas ainda não é simples como parece. Algodão orgânico ainda é difícil de achar, quase sempre em valor bem menos acessível que o algodão comum e com durabilidade/caimento mais comprometidos (mais frágil, demandando mais cuidados, provavelmente gastando rápido e acabando antes).

Então não tem resposta fácil pra essa questão. Mas tem vaaaasto material pra entender melhor, ampliar questionamento, aprofundar pensamento crítico. Nossa newsletter #57 tem um apanhado de links que a gente vem estudando e que levam pra muitos outros links, todos com pontos de vista complementares sobre escolhas éticas e sustentáveis de vestir.

Por hora a gente fica com esse resumão: melhor pra gente, pro mundo, pra tudo em volta é comprar menos <3 e usar mais a criatividade com o que a gente já tem.

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