BULLYING DA FEIURA

A gente passa o tempo inteiro falando em como aparentar cuidado consigo mesma, em como passar uma imagem de pessoa bem tratada, que pensou no que vestir como forma de consideração com o outro e consigo, e esquece que em alguns ambientes cuidar da própria aparência é visto como futilidade, sintoma de que você tem tempo demais para pensar besteiras e trabalha pouco. Quem nunca conheceu - nem que seja por relato de amigos - um desses locais de trabalho onde o chefe não quer apenas o trabalho bem feito, quer todo mundo com cara de que deu a última gota de sangue pela empresa? Nesses lugares, um belo par de olheiras é valorizado e chegar de bonita pode não pegar muito bem. Pensa aí numa vibe Diabo Veste Prada minus Prada e você vai entender exatamente do que estamos falando!

Quando é assim, não adianta a gente falar “ah, muda de emprego”. Se a pessoa quer ou precisa desse emprego (ou dessa faculdade, ou dessa sogra, ou desse grupo de amigos), a tarefa do personal stylist é justamente conciliar os desejos e as necessidades das clientes numa roupa que funcione para cada uma. Ter cara de operário da revolução industrial pode até ser uma necessidade excêntrica, mas é uma necessidade, então, vamos arregaçar as mangas (rá!) e sugerir soluções! As dicas desse post não servem apenas para local de trabalho, servem para qualquer lugar onde se arrumar seja mal visto, mas você queira manter sua auto-estima vestual mesmo assim.

Pra começar, tente abrir mão de elementos que gritem muito “oi, eu me importo com roupa”. Os acessórios são os primeiros a dançar nessa história porque são, por princípio, toques a mais. Despida de acessórios, você precisa investir na qualidade dos materiais da roupa, no acabamento, no corte, em uma misturinha discreta de textura ou dobradinha especial da manga para não ficar sem graça.

Você pode até usar roupa de marcas caras, mas evite mostrar a marca porque pagar a mais evidentemente é sinônimo de se importar.

Tente pensar na mesma roupa que os colegas de trabalho (ou de faculdade, ou seja lá de onde for) usam, só que brincando um pouco com o comprimento, com a mistura de materiais e formas. Só isso já muda tudo e ainda é um exercício de criatividade incrível.

Outra coisa legal é se apropriar de elementos muito informais e usar de forma ajeitadinha. Então, se todo mundo usa mochila, calça jeans e sapato descuidado, você pode aparecer de mochila de couro, calça jeans com um super corte e oxford. Pra ornar o conjunto, faz aquela cara de “desculpa, uso o mesmo que você, mas em mim magicamente fica melhor”.

A maquiagem pode seguir a linha nasci assim, só com aqueles produtinhos que fazem uma versão melhor da gente mesma sem serem detectados pelo radar do bullying da feiura. Quando perguntarem o que você faz, diz que veio tudo de fábrica: "Acordo, lavo o rosto e venho pra cá. Sabe como é, algumas de nós simplesmente surgem no mundo com secador acoplado na cabeça e Touche Éclat intracelular".

Depois, é só pegar seu cabelo super lindo e deixar solto ou preso num coquinho ou rabo de cavalo feito em casa e observar a galera com piranha presa na bolsa procurar, procurar, mas não achar nada para falar mal de você! No dia que isso acontecer, você pode voltar pra casa feliz por ter conseguido tudo que a gente realmente espera da moda: a capacidade de usar qualquer coisa - qualquer coisa mesmo - de um jeito que a maioria das pessoas não consegue identificar o porquê, mas sabe que está maravilhoso.

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!