COMPRAS COM EXPERIÊNCIA (BONS TEMPOS)

Os primeiros shoppings daqui de São Paulo não eram como os de hoje - um monte de galerias foram construídas no centro da cidade, nas décadas de 50 e 60, por gente muito bacana. A idéia era convidar arquitetos pra pensar espaços que interagissem com quem passa pelas ruas (as galerias são abertas de um lado a outro das ruas!), que criassem um ambiente bacana pra passeio e - só então! - pudessem também oferecer experiências de consumo. Tipo "vamos viver a vida do melhor jeito e, então, como parte da alegria, fazer também umas comprinhas". galeriaaaaaaaaaaasoficina

Mais legal ainda é que esses arquitetos (que por si só já trabalhavam os espaços como obras de arte) convidavam artistas e designers pra pensarem com carinho o piso, as paredes, as plantas e o que mais "enfeitasse" esse precursores dos shoppings centers. Tem galerias no centro (ainda hoje, resistindo ao tempo!) com paisagismo de Burle Marx, com colunas de Niemeyer, com painéis de Portinari, com pisos desenhados por Bramante Buffoni e mais. No lugar de caixonas de concreto que só fazem a gente olhar vitrines por todos os lados, essas galerias queriam que a gente visse arte, vegetação, design e inteligência em volta da gente - vitrines também, mas não só isso. E não com a mentalidade consumista-desenfreada que a gente tem agora, sabe como?

Quem se animar de fazer um passeio por essas galerias (eu fiz esse daqui!) vai se pegar pensando que em outros tempos tinha gente que pensava que experiência de compras devia valorizar mais quem efetiva a compra, quem tem a necessidade, do que o procuto em si. Vale mais quem compra do que o que se vende: a gente é a vida que a gente leva e não o que o cartão de crédito permite ter. Porque né, grande parte de ter estilo é saber viver bem. Beijos, Fê.