CONTO DE FADAS

Branca de Neve é uma das primeiras histórias que a gente ouve na vida, né!?! Agora imagina se a princesa do conto de fadas vestisse criações de Jean Paul Gaultier? E a Rainha Má, o rei, o príncipe, os anões e todos os súditos do reino também. Quem não gostaria de ter conhecido essa versão da história? Não é sonho não, minha gente! Preljocaj é uma grupo de balé francês que por conta do ano da França no Brasil apresentou a sua adaptação de Blanche Neige - uma versão bem sombria e sensual - com o figurino todo elaborado pelo estilista.

Dava pra ver o dedo de Gaultier nas amarrações por cima de túnicas que criavam a ilusão de corsets, na ousadia do micro vestido/maiô da Branca de Neve, no fetichismo do body de metal, meias 7/8 e saltos altíssimos e finíssimos da Rainha Má, na coordenação de xadrezes do sete anões, nos capacetes com "crinas de cavalo" das cortesãs. Se a gente prestar atenção a gente exerga elementos super similares na turnê Blonde Ambition da Madonna (lembra?).

Uma das coisa mais lindas que um figurino pode fazer - além de contar uma história - é ser capaz de substituir um "efeito especial". Na transformação da Rainha Má em bruxa - de uma mulher altiva e linda em uma velha corcunda e sofrida - que é o disfarce usado pela vilã pra enganar a princesa que ousa ser mais bela do que ela, basta que a bailarina troque a saia/capa preta e vermelha e a estrutura dos ombros por um casaco desconstruído e manchado que parece que a magia aconteceu!

E que vingança mais terrível poderia ter uma mulher cruel, mas vaidosa, como a Rainha Má do que calçar sapatos feios em brasas e dançar até morrer? Figurino bom é assim, participa da narrativa! Essa é uma verdade que a gente pode (e deve) levar em consideração na hora de se vestir todas as manhãs, porque é como se o nosso dia fosse uma espetáculo, as pessoas que vamos encontrar os expectadores e nossas roupas o figurino. A gente pode não ser nenhum Gaultier, mas mesmo assim fazer a lição de casa direitinho e contar a história que a gente quer contar!