Cuba e o dresscode nacional

Imagina se os governantes em vez de usarem todos a mesma roupa - o mesmo terno e gravata que não se importa com o clima nem com a cultura de cada lugar - tivessem cada um seu próprio dress code. Imagina se esse dress code tivesse toda uma história por trás, combinasse incrivelmente com o clima do lugar e fosse usado pelos funcionários do governo como uma forma de manter o conforto, mas também de manter uma identidade nacional através da moda. Já imaginou algo mais lindo que isso?

Pois Cuba imaginou o mesmo que a gente e decidiu que a vestimenta oficial do governo é a tradicional camisa guayabera usada com calças azuis. A partir desse mês, nos eventos oficiais cubanos, os homens estarão de guayaberas brancas de manga longa. Já as mulheres poderão usar a cor e o estilo que preferirem.

"A guayabera tem sido parte da história de nosso país por muito tempo, e constitui uma das mais autênticas e legítimas expressões do cubanismo", diz a resolução do Ministério de Relações Exteriores de Cuba.

O que é uma guayabera?

A guayabera é uma camiseta larga e fresca, com quatro grandes bolsos e pregas na frente. Ela costuma ser feita de algodão ou linho e usada para fora da calça.

Além de ser uma roupa usada por quase todo mundo em Cuba, a guayabera ainda tem um valor histórico: ela era símbolo de resistência dos cubanos que combatiam os espanhóis pela independência do país.

Dress code não é uma lei imutável

Por causa do clima quente e úmido da ilha, as pessoas que precisavam manter um dress code formal sofriam bastante com o calor. A solução encontrada foi fazer um novo dress code, e é justamente isso que nos chamou atenção: alguém percebeu que as coisas não precisam ser tão rígidas, que a gente não precisa ficar copiando os modelos alheios quando eles não funcionam tão bem para a nossa realidade.

A mesma mensagem pode ser transmitida por muitas peças

Todo mundo sabe que o terno e gravata, ternininhos e camisas sociais passam uma imagem de respeitabilidade e cuidado. O que pouca gente se dá conta é que essas peças - quase sempre calorentas - não são as únicas armas que a gente tem para transmitir essa mensagem. Uma mesma mensagem pode ser transmitida por várias peças diferentes!

Tecido natural, cores neutras clarinhas e super qualidade em tudo!

Por exemplo, aqui no Brasil nós temos uma gama de tecidos nobres e naturais que podem ser usados no trabalho sem perder formalidade. Entre esses tecidos que respiram estão o linho, tricoline e o algodão de boa qualidade. Em vez de usar cores muito fechadas, a gente também consegue dar uma refrescada na roupa de trabalho se partimos para tons neutros mais claros, como o bege, o caqui e o vinho. Também dá para jogar como o cumprimento da calça e com um sapato mais assandalhado, embora não role usar uma sandália propriamente dita nesses ambientes mais formais.

Quem quiser aplicar toques mais nacionais no ambiente de trabalho pode tentar misturar pequenas doses de renda renascença e de vazados na roupa. Claro que isso tudo precisa de bastante sutileza para não ficar inadequado.

No fim das contas, o que garante que as roupas continuem formais mesmo mudando um pouco as cores e os materiais é qualidade do corte e do tecido, o caimento e o jeito de usar.

Adaptação climática e cultural

Aqui no Brasil muita gente pega ônibus no verão com roupas super calorentas só porque o trabalho obriga o uso dessas roupas. Nossos advogados, empresários e demais trabalhadores arrumadinhos sofrem! Por isso mesmo essa notícia do governo cubano nos deixa tão maravilhadas com a possibilidade dessa moda se espalhar: a maravilhosa moda da adaptação da formalidade para a realidade climática e cultural de cada lugar.

Para quem quiser começar a aplicar essa nossa pequena revolução, a gente tem um post super legal sobre o "casual summer", quando os escritórios liberam um pouco as amarras da gravata!

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!