Dando asa à cobra

Toda estampa de animais - seja cobra, onça, zebra ou leopardo - traz naturalmente uma mensagem sexy e um pouco perua. A pele remete ao imaginário do dinheiro (as de verdade custavam caro), da caça, de algo um tanto primitivo no material e rico demais no uso. De tanto a gente usar e remodelar a imagem da onça, essa estampa ganhou outras conotações. Quase que um reposicionamento de marca, sabe como é? Se usar Havaianas há vinte anos significava ser desleixado, hoje pode significar outras coisas. A mesma coisa aconteceu com a onça: se antes não havia para onde correr, era sexy e chic e acabou, hoje pode ser divertido, pode ser perigueti, pode ser moderadamente chic... Pode ser mil coisas a depender do uso.

Enquanto a onça bombava e a zebra fazia participações especiais, a cobra foi sendo deixada de lado. Hoje ela está com tudo como alternativa mais original de “animal print”. Quem enjoou dos outros bichos, mas ama estampa animal, pode ser muito feliz com as cobras.

Um dos aspectos mais legais da pele de cobra é a textura de escamas e o fato de que ela raramente tem uma cor só já que, na natureza, cobra costuma ser um animal mesclado. Preto com azul, roxo com verde, verde com marinho, guaraná com caramelo e translúcido: a natureza nos dando aula de combinação de cores.

Na hora de procurar um bom fake é legal buscar uma peça que tenha essas mesmas características de aparência escamada e colorida.

As peças tingidas de cores que não existem nas cobras naturais como pink e roxão podem ser bem divertidas se a gente souber usar de um jeito kitsch, sem se levar muito a sério.

Na nossa opinião, quem usa qualquer tipo de pele e estampa animal precisa tomar cuidado para não ficar perua de um jeito ruim e caricato.

Outra coisa chata é quando a pessoa tem tanto medo de usar a peça que acaba isolando a coitada em um look que não conversa com ela. Tipo quando alguém coloca uma bolsa de cobra com calça jeans e camisa preta para ter 0% de chance de erro.

Acessório de cobra fica uma fofura em coordenações que equilibrem a mensagem de riqueza da pele com um ar mais descontraído. Um exemplo de boa combinação seria camisa de seda ou de algodão bem fininho e de super qualidade com um shortinho mais refinado e sapatilha, sabe como?

O ideal é aproveitar a textura e as cores da própria cobra como ponto de partida pra coordenar outras texturas e outras cores junto com ela. Assim é lindo dar asa à cobra. E à imaginação!

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!