Daniella Zylbersztajn e a exclusividade do bem

Quando Daniella Zylbersztajn e as Oficinas se conheceram, as dimensões eram outras. Daniella tinha uma produção super reduzida, atendia cada cliente de forma personalizada, tinha tempo de namorar o processo de confeccionar cada uma de suas bolsas.

Por outro lado, a Oficina de Estilo também seguia outras proporções. O tempo era maior, havia menos clientes.

Alguns anos se passaram e as duas (ou as três) tiveram que repensar suas formas, tiveram que viver aquela fase meio adolescente, quando a gente nunca sabe direito o nosso tamanho e sai se esbarrando por aí.

As duas empresas e as três moças cresceram só para reafirmar aquilo que a gente já sabia: que o nosso foco - tanto da Oficina quanto da Daniella - é o personalizado, o exclusivo. Não aquele exclusivo que pressupõe exclusão de alguém, mas aquele que pressupõe a nossa individualização. Nesse mundo cheio de it-xerox, não tem nada mais luxuoso do que ser individualizado.

A gente ama tanto as bolsas da Daniella porque elas falam de uma exclusividade e de um luxo que não tem nada a ver com bolsa com nome de gente, com bolsa com número e fila de espera. Você usa uma bolsa da Daniella e quem te vê na rua não sabe o quanto você pagou, não tem uma listinha mental de celebridades que apareceram com ela. A pessoa sabe apenas que é tudo muito fino e muito original.

A Fê, por exemplo, tem uma bolsa da Daniella que é uma coisa de outro mundo: ela tem formato de peixe e cada escaminha é feita de um tipo de couro diferente. Esse é o luxo que a gente quer pra nossa vida!

No meio de todo esse processo de descobrir seu tamanho e a força do seu trabalho, a Daniella Zylbersztajn passou um tempo produzindo muito esporadicamente. Agora ela está de volta à ativa com um trabalho super amadurecido que nos deixou impressionadas.

Se os trabalhos anteriores da Daniella eram coloridos, tinham uma sofisticação mais puxando para o lúdico e para o juvenil, os trabalhos atuais são sóbrios, têm uma elegância de mulher mesmo. No meio da nossa entrevista, quando a Dani abriu a malona para mostrar o que tem feito, a Fê, a Cris e duas clientes via Blackberry surtaram!

Cada bolsa demora entre seis horas e dois dias para ser produzida. 20% da produção da Dani vai para lojas como Fernanda Yamamoto, Kosii e Angelina Vai às Compras. Os outros 80% são vendidos diretamente às clientes que procuram ela e ainda fazem personalizações e escolhas de cor. A melhor parte é que o preço desse luxo todo está super compatível com os das outras bolsas de couro vendidas em série nos nossos shoppings: a peça mais barata custa R$ 460 e a mais cara R$ 1.200.

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!