"DNA INDIVIDUAL"

A gente acredita que o que a gente veste é extensão do que a gente é por dentro. A gente acredita mesmo e acha que “existência e aparência são forçados a se interligar na constituição da subjetividade contemporânea”, como disse a professora Cristiane Mesquita. Ao mesmo tempo, “cada história singular é atravessada por aspectos culturais, políticos, econômicos, científicos, afetivos, familiares, etc” (também foi a professora que falou!). Então o que a gente veste é extensão do que a gente é por dentro mas também é produto do meio em que a gente vive. Não? imagens do livro “meninas do brasil”, de mari stockler… http://editora.cosacnaify.com.br/Loja/PaginaLivro/10575/Meninas-do-Brasil.aspx

Todo mundo se veste de dentro pra fora e de fora pra dentro, não necessariamente dos dois jeitos ao mesmo tempo ou nessa ordem. Todo mundo faz escolhas por emoção (de dentro pra fora), porque quer ter confiança e segurança, quer mostrar o corpão e quer comunicar personalidade. Mas não tem como fazer escolhas ignorando o exterior (de fora pra dentro): ninguém quer se sentir inadequado, ninguém quer se destacar demais (de jeito ruim), ninguém quer ter o modelón gongado. O meio e o coletivo super influenciam o vestir individual. Que todo mundo quer pertencer a um grupo, mas quer se destacar dentro dele – a gente quer ser igual e ao mesmo tempo diferente. Confusão de estilos?

meninas-do-brasil-mari-stockler-2 … que fotografou ruas, bailes e sambas e os chamou de ‘mundo paralelo’

E da conversa sobre a existência – ou não! – de um streetstyle brasileiro (aqui e aqui) surgiram questionamentos e fórmulas que direcionam não só esse assunto mas também a ‘construção’ do estilo pessoal: se conhecer, identificar "dna", saber contar uma história através do que se veste e adquirir mais e mais intimidade com a própria essência são caminhos pra que as aparências possam revelar subjetividades. Quando a gente coloca características de quem é (e do que a gente curte) no que veste, tamos comunicando estilo. O que é importante pra gente tem que aparecer objetivamente no vestir individual pra contruir essa subjetividade: em cores, em caimentos, em texturas, acessórios, tecidos e estampas.

meninas-do-brasil-mari-stockler-3 as moças do ‘mundo paralelo’ têm estilo pessoal super definido, não têm?

Esse é mais ou menos o princípio do “self-branding” (!!!): descobrir pontos fortes e aquilo que é único num indivíduo e transformá-los um super diferencial. Achar essa ‘diferençazinha’ é a graça do vestir, não?!?? Porque, no fim, ter estilo é ter história pra contar, ter conteúdo pra mostrar, com nuances e sutilezas que só podem vir de dentro da gente, com a nossa narrativa. E aí, se essa “receita” fosse aplicada pra nação inteira (conteúdo a gente tem!), talvez a gente não tivesse mais dúvidas sobre qual é o nosso estilo – de rua e de qualquer lugar.