ENTRE A GENTE E O MEIO

Um dia, no verão de 1956, Flávio de Carvalho fez sua 'experiência nº 3': esse pintor/escultor/arquiteto resolveu não só pensar num look apropriado pros caras de então, mas também quis promover a idéia pela cidade, ele mesmo vestindo a experiência. Então avisou a imprensa e saiu usando saia plissada, sandália baixa e camisa pelas ruas de SP. NA DÉCADA DE 50. Pode parecer doideira mas Flávio de Carvalho se dedicou a estudar trajes de várias épocas e civilizações, pensou nas funções de cada peça de roupa nas épocas em que elas foram usadas, focou em anatomia do corpo, em conforto, praticidade e sentido de uso na sociedade. A roupa "proposta" tinha a ver com quem usava, com sua cultura, com o clima, com a economia, com tudo em volta."Fala de identidade, integração e pertencimento a um local através de um elemento que, diariamente, se situa entre nós e o meio: a roupa que vestimos. Fala da negação ou da afirmação de uma identidade local, de um homem permeável e atento ao meio onde vive". (daqui)

((melhor parte do esquema: "cores vivas substituem desejos de agressão e tendem a evitar guerras"!!! clica pra ver grande e ler tudo!))

Isso de negação ou afirmação de identidade local, de atenção ao meio em que se vive, e de levar em conta anatomia (alô silhuetas!), conforto e praticidade pode bem ser fórmula pra gente decidir, em casa e todo dia, o que vai vestir... não pode? Uma atenção carinhosa pra integrar o cotidiano nas características do que se veste, pra re-afirmar quem a gente é. E então a gente encontra o sentido do que a gente veste e faz nossas próprias performances, sem precisar chocar -- mas com coerência de artista multi-disciplinar. Não sei vocês, mas a gente aqui abraça demais essa idéia. ;-)