Fugindo do efeito “fotos da mãe”

Tá bom, moda, você diz que color block é legal, você diz que calça vermelha e sandália com meia é legal e a gente acredita, a gente te ama e sinceramente acredita, mas e amanhã, moda? Você tem essa mania tão chata de cafonizar amanhã o que era legal ontem que a gente fica com os dois - os dois pés sem sandália com meia - atrás quando você surge com essas coisas mais doidas. A gente entende que o movimento dos filhos rirem das coisas que as mães usavam é bastante natural, mas como lidar com tendências mais extravagantes quando esse movimento virou uma coisa praticamente imediata e somos condenadas a sermos nossas próprias filhas revirando nossas fotos com desprezo a cada seis meses?

No mundo real, a gente acha que esse processo de descarte imediato de tendências tem gerado um conservadorismo cada vez maior. Se o terreno é escorregadio, a maioria das pessoas prefere se manter segura no convencional a derrapar na experimentação.

Quem está nos dois polos da moda - ou no conservadorismo extremo ou na completa experimentação - não tem problemas na vida. Essas pessoas sabem como proceder com suas calças e blusinhas ou com suas mil plumas e paetês.

Já quem está no limbo - super estamos - precisa conciliar interesses antagônicos: o desejo de ser atual e inovadora hoje e o desejo de não ter vergonha do look amanhã. Super fácil, né? NOT.

Por causa desses pensamentos, a gente resolveu fazer um exercício de ponderação das tendências o que, peloamordedeus, não deve ser entendido como desencorajamento.

Color Block

Pra'gente, o que tem feito o color block ser muito mais frequente nas revistas do que nas ruas é que cor é riqueza. E não estamos falando no sentido figurado não. Geralmente, a gente só se dá o luxo de comprar uma jaqueta roxa quando já temos mil outras jaquetas em tons neutros.

Ou seja: comprar colorido é estar satisfeito com a quantidade de roupas que já possui. Quem compra colorido sabe que tem roupa e mulher que sabe que tem roupa é uma espécie em extinção.

O color block é uma tendência difícil de seguir porque a gente intuitivamente desconfia que não vai durar. Não que as cores vão cair, mas que esse modo de usar tudo colorido junto com tanto contraste não vai durar muito tempo, logo, não vale a pena comprar um guarda-roupa todo berrante para ser linda por uma estação.

Se você não quer sair comprando várias peças coloridas por desconfiar que esse jeito de usar tudo junto pode cafonizar rápido, que tal aproveitar a deixa da moda para investir em cores vivas que tenham a ver com a sua coloração pessoal e que podem te deixar atual hoje, mas não vão de deixar datada amanhã?

Quem tem alto contraste entre tons de cabelo, pele e olhos (brancas do cabelo escuro, por exemplo), podem investir em peças chave para fazer coordenações de marinho com bege e marrom; bege com caramelho ou cinza e vermelho. Já quem tem baixo contraste (pensa numa loirinha que tem até o cílio meio empoeirado) pode se jogar numa coordenação de azul e rosa clarinhos, por exemplo.

Como dica geral, a gente pode dizer que o negócio é esquecer o termo color block - que remete à uma tendência bem específica e que dificilmente vai durar muitos anos - e pensar em coordenação de cores vivas, que é uma coisa sensacional que a gente pode usar pra sempre. No fim das contas, color block é apenas um jeito de hoje de usar cores vivas.

Sandália com meia

Primeiro, vamos aceitar que sandália com meia é uma composição extravagante no sentido de que chama atenção e é inusitada. Muitas de nós já vimos nas fotos das nossas mães e achamos isso. Uma forma de não passar vergonha póstuma é camuflar a meia, fazer de um jeito que - vendo de longe ou com alguma boa vontade - a pessoa ache que é tudo uma coisa só: meia, calça e sandália. A Fê, aqui da Oficina, está usando desse jeito!

Para dar essa impressão de conjunto, a manha é fazer essa composição mais extravagante com elementos menos extravagantes. Escolher uma sandália sem mistura de materiais ou com uma mistura mais uniforme ajuda. Caçar uma meia que seja de tom mais ou menos próximo ao da sandália também ajuda.

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!