o inverno de 2009, a crise e o efeito trompe l'oeil

No meio da crise do mundo tamos todos aqui, amigos, brincando de casinha na Bienal, assistindo modelas de um lado pro outro de 11h às 22h (quase isso). Essas modelas carregam roupinhas que criam desejo (muitas vezes!) instantâneo - desejo de fazer compras com um dinheirinho que ninguém sabe se vai ter ou não, quando essas coleções chegarem às lojas. Justamente nesse contexto a gente tá presenciando o "efeito tromp l'oeil" quase-quase como tendência da temporada. tromploeil olhar de perto pode ser legal - e pode abrir espaço pra ser criativo, pra sonhar, pra fazer acontecer. a modelagem do fause haten é toda feita de tachinhas!

Esse é um efeito que faz a gente acreditar numa coisa, quando a vida real mostra (de pertinho e com atenção) outra. Vale acreditar nos riscos de giz sobre as roupas do Ronaldo Fraga, em uma dimensão apenas, fazendo a gente pensar que a modelagem tá ali em três dimensões; também vale achar que o Alexandre Herchcovitch realmente sobrepôs duas, três partes de baixo num mesmo look, quando o que o estilista fez foi criar uma peça única que ilude nesse sentido. Também a Maria Bonita desfilou uma calça preta com suspensórios sobre uma blusa bege - ooops, não é calça e blusa, gente!, e sim um macacão com o suspensário "desenhado" sobre a parte de cima da roupa. De repente tá todo mundo aqui brincando de faz de conta, de fazer acreditar. A parte boa é que, quase sempre, descobrir o truque também faz brilhar o olho - e quem é esperto mesmo acha jeito de ficar alegre (também!!!) com a vida real.