O mito da calça vermelha

A bendita calça vermelha foi assunto nas últimas três reuniões de pauta dessa Oficina. Em uma delas, propomos (mas não consolidamos) um post sobre “como usar calça vermelha de um jeito diferente do que vem sendo mostrado”. Em outra, investigamos sem sucesso de onde vem essa moda. Apenas na terceira a Cris teve uma epifania e disse que calça vermelha é um mito da internet, algo equiparável ao desconhecido que te chama pruns bons drinks e depois você acorda sem rim na banheira de gelo, sabe?

No exercício da profissão de consultor de imagem - que envolve prestar atenção nas roupas das pessoas, em seus armários e nas araras das lojas - não temos visto uma quantidade relevante de calças vermelhas. Não mais do que sempre existiu.

Já quando entramos na internet, vemos que ela é um big hit. Mas só na internet, percebe? Chegamos a perguntar a algumas amigas que moram fora se é um fenômeno relevante na gringa, mas nem isso. As meninas disseram o mesmo que a gente: que viram duas ou três pessoas usando nas ruas, mas que o assunto bomba na internet.

Percebeu a pegadinha? Calça vermelha só encheu o saco de quem, na verdade, deveria era estar de saco cheio de passar tantas horas na internet vendo os mesmo sites que, na falta de assunto, simplesmente forjam mitos, e a bendita calça sangrenta figura entre eles.

A internet - que era para ser esse mar livre de opiniões e referências - tem se colocado à frente dos veículos tradicionais, mas à frente em conservadorismo! Porque, não tem jeito, quando a pessoa entra na nóia de que precisa identificar, consumir, esgotar e descartar as tendências antes do resto da humanidade, isso vira uma loucura e o resultado é esse aí: todo mundo “enjoado” de uma peça que mal deu as caras na vida real.

A nossa opinião é de que a calça vermelha só deu o que tinha que dar nesse minúsculo mundinho muito específicos de fashionistas conectados demais e preocupados demais nos três passos da moda vazia: usar, arrasar e cafonizar.

Aqui na vida real, calça vermelha é uma coisa que sempre existiu, que combina super com algumas pessoas e que devia ser usada por todo mundo que tem vontade, sem medo de incomodar o estômago sensível dos enjoados virtuais.

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!