O MUNDO DE SONHOS DA ALTA-COSTURA

Durante a II Guerra Mundial, quando a França foi ocupada pelas forças da Alemanha nazista lá na década de 40, Hitler quis que a Alta-Costura trocasse Paris por Berlim ou Viena. Lucien Lelong, que era o presidente da Chambre Syndicale de la Haute Couture na época, impediu que isso acontecesse e defendeu os interesses de todas as maisons com um ultimato: "É em Paris ou não é em lado nenhum" - e toda essa proteção com o termo "alta-costura" continua intacta até hoje.

O mundo de sonhos da alta-costura é desconhecido por quase todo o planeta, mas passa a ser irresístivel, ou no mínimo impressionante, quando se conhece os mínimos detalhes de toda essa exclusividade. As regras impostas pela Chambre Syndicale de la Haute Couture são muitas, todas extremamente comprometidas em deixar esse termo o mais luxuoso possível, sempre mais e mais! Exemplos?! Cada maison deve ter prédio próprio em Paris, no "triângulo de ouro", a região mais sofisticada (e cara!) da capital francesa. Cada prédio deve ter uma loja no térreo e espaço suficiente para a produção das roupas - que só podem ser feitas em Paris - além de um grande salão para apresentações, no caso de um desfile exclusivo para uma cliente especial - tudo isso por pura tradição! O termo "alta-costura" é patenteado e protegido por lei (mesmo traduzido!), ou seja, alta-costura só se faz em Paris e em nenhum outro lugar do mundo.

Só existe uma unica peça de cada modelo de alta-costura, e normalmente ela tem os cuidados de uma costureira exclusiva só pra sua confecção, podendo levar até 200 horas (!!!) pra ficar pronta. Pelo menos 80% desse trabalho é feito à mão, quase não se usa máquina de costura, e elas nunca entram em liquidação - "ou a cliente pode pagar, ou ela não pode". Tudo que não é vendido vai pra um acervo que é carinhosamente chamado de "cemitério", e depois de um certo tempo a gente pode até encontrar essas raridades em museus - jeito super legal e fino de eternizar todo esse trabalho tão rico!

Com todas essas informações, não fica nem um pouco difícil imaginar que essas roupas são muito, mas muito caras! Dá até pra gente dizer que os preços são equivalentes aos de carros - se é que não os ultrapassam.

"Imagem de Mona Von Bismarck, a maior compradora de alta-costura de todos os tempos - ela usava Balenciaga pra regar as plantas!"

Apesar de todo o luxo, vale a pena pensar que quando a gente compra um perfume da Chanel, um ítem de maquiagem da Givenchy ou um esmalte da Dior - produtos que são os responsáveis pelo real lucro financeiro dessas marcas - automaticamente a gente compra também um pouquinho desse luxuoso sonho parisiense.

Hoje as casas de Alta-costura avalizadas pela Chambre Syndicale (entre membros aderentes como Chanel, membros estrangeiros como Giorgio Armani e membros convidados como o brasileiro Gustavo Lins) são: Alexis Mabille, Christophe Josse, Bouchra Jarrar, Christian Dior, Alexandre Vauthier, Giorgio Armani Privé, Chanel, Stéphane Rolland, Atelier Gustavo Lins, Givenchy, Adeline André, Maurizio Galante, Julien Fournié, Franck Sorbier, Elie Saab, Jean Paul Gaultier, Maxime Simoens e Valentino.