PARTICIPAÇÃO NO ESTILO DO OUTRO

Teve expo do Vik Muniz no Masp e a visita rendeu uma reflexão sobre a motivação dele quando pensa/executa suas obras. Diz o próprio artista que "legal é criar imagens que façam a gente interpretar, que obriguem a gente a decifrar o que a gente vê" - pra desse jeito forçar a participação do público pra que a obra seja "completada". Vik Muniz escolhe construir imagens a partir de elementos inusitados, e quando a gente vê de longe elas parecem uma coisa, mas de perto parecem outra. O que cada pessoa "enxerga" depende do repertório de cada um, do senso estético de cada um e também de signos e mensagens coletivas, que sejam comuns a um grupo determinado pra que sejam entendidas do mesmo jeito (sabe como?). E aí que esse pensamento também pode ser exercitado nos looks e no estilo de todo mundo, não pode? de longe é a betty davis, de perto é um montão de diamantes!

Tipo: quanto mais referências comuns e recorrentes a gente usa nos looks que coordena, mais a gente pode ser "etiquetada", identificada facilmente. Enquadradas num estilo ou numa intenção a partir do que a gente escolhe vestir e de que maneira resolve usar o que escolheu. Ao mesmo tempo, quanto mais íntimas, pessoais e originais as nossas referências, mais legal fica a "participação do público" no entendimento de um determinado look ou estilo.

O que a gente veste pode ser uma coisa pra gente, pode super ser outra pra quem vê, e a "obra" fica completa com interação e participação - como nos comentários dos blogs de estilo ou nos elogios que a gente recebe no dia-a-dia. E quanto mais se pensa / estuda / exercita o que se veste e o que se escolhe, mais a conversa rende... e mais interessantes-cheios-de-referências vão ficando os looks de todo mundo que participa do processo. Mesmo que referências sejam só vontades, ligadas a alguma outra coisa qualquer, íntima e super pessoal.

E no fim, pouco importa se todo mundo chega a uma conclusão única ou se quaisquer conclusões de quem vê e de quem coordena o look são as mesmas. Importante é a gente se apropriar da própria história e das próprias preferências -- independente de referências externas -- pra estimular variadas interpretações e significados que elas podem render pra quem tá em volta da gente. Por que né, essas interpretações são o que vai ser visto nas calçadas em que a gente mesma "desfila"!