SÍNDROME DE ESTOCOLMO

No finzinho de abril o Yvan, dono do blog Face Hunter, avisou que tava se mudando de Paris pra Londres. Disse que as pessoas mais velhas em Paris mantinham seu senso de estilo mas que os jovens perderam essa herança e não ousavam mais, não impressionavam. Yvan disse que se mudou pra continuar "caçando personalidades em vez de somente tendências", gente que vira 'curador do seu próprio estilo'. street-style-blogs-pqn.jpg

Que os sites de streetstyle estão meio obrigando a indústria da imagem de moda a se mexer de um jeito incômodo (pra ela), mas provavelmente definitivo: esses sites são mais dinâmicos, mais ricos, mais abrangentes e - melhor parte - mais inspiradores. Mesmo. Não tem nada melhor do que ver alguém da vida real usando algo que faz o nosso olho brilhar, que dá vontade de usar também: porque é como se a gente tivesse mais garantia de que que rola, de que não foi tão milimetricamente calculado (como nos editoriais), de que corpos da vida real também podem, e não só modelas.

No texto da coluna Última Moda da Folha de SP de sexta passada o jornalista Alcino Leite Neto fala dessa nova dinâmica e da 'mudança da geopolítica fashion': "cidades até então ignoradas pelos fashionistas - como Estocolmo (Suécia), Helsinque (Finlândia) e Reykjavík (Islândia) - passaram a ganhar peso igual às chamadas 'capitais da moda'. "As grandes semanas de moda podem até continuar nos mesmos lugares, mas a inspiração não virá mais de lá" (essa última frase é do Face Hunter)."

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Incluir referências (sutilezas) da cultura e do costume regional no vestir faz super diferença, e acrescenta ainda mais personalidade ao vestir - (Balenciaga fez todo um desfile fundamentado nisso) - a gente aqui no BR devia fazer mais, de um jeito mais inteligente. O Face Hunter mesmo, quando esteve aqui, achou a gente bem tradicional no vestir - e olha que ele tava na Bienal, durante o SPFW, hein? A gente precisa mesmo perder o medo das cores, se deixar experimentar outras modelagens (e volumes também, por que não?), parar de se achar "fashion" por nada e se inspirar meeeesmo.

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A gente precisa perder a preguiça e dedicar um tempinho aos brechós que a gente tem aqui - poucos e difíceis, mas é o que a gente tem.... O Alcino ainda reclamou na coluna que os poucos blogs brasileiros que se dedicam a registrar streetstyle (existe isso aqui?) não são atualizados há muito. A gente acha, de verdade, que a gente pode reaprender a ser legal no vestir, pelo menos pra tentar acompanhar o povo sueco, mas com a nossa cara, com dna. Aí, sim, vai dar vontade de ver 'blogs brasileiros de streetstyle'.