NOSSA VERSÃO (REAL!) DO CAPSULE WARDROBE

A idéia do guarda-roupa cápsula apareceu na década de 70, quando uma dona de boutique em Londres \o/ pensou num grupo de peças “essenciais e que nunca saem de moda” como um fundamento de guarda-roupa funcional: pelo menos 2 pares de calças, um vestido ou uma saia, uma jaquetinha, um casaco, um tricô, 2 pares de sapatos e 2 bolsas. A sugestão era, a partir desse grupo de peças, incrementar com o que fosse preciso a cada nova estação do ano.

Essa idéia tem sido revisitada com fórmulas prontas, que sugerem montar um guarda-roupa completão com 37 peças apenas. As blogueiras gringas que testam esse guarda-roupa cápsula ainda completam a experiência com um período mínimo de 3 meses sem compras, pra fazer valer ainda mais a versatilidade dessas peças entre si. UAU!

FUNDAMENTOS AQUI NA OFICINA

A gente aqui tem testado variações do guarda-roupa cápsula sem encaixotar a idéia em categorias ou números ou listas prontas. Nossas clientes de consultoria tem experimentado com a gente, no guarda-roupa, os mesmos fundamentos de uma mala inteligente de viagem: ter só o que se AMA, o que dá muito certo, o que é apropriado pra vida e pro corpo.

Então nossa proposta de guarda-roupa cápsula é personalizável, tem estrutura e técnica simples de exercitar… mas só funciona com raciocínio (aqui não tem fórmula pronta pra nada!). E não achamos, aqui, que guarda-roupa cápsula precisa ser ‘re-feito’ a cada estação: temos comprovado na prática que, a partir de um bom começo com menos coisas — mas com coisas mais coordenáveis e úteis entre si — qualquer conjunto de peças pode ser incrementado de acordo com necessidades específicas.)

MENOS COISAS, MUITO MENOS

No lugar de estabelecer um número X de peças, a gente sugere diminuir quantidade tirando do guarda-roupa TODOS OS EXCESSOS, tudo que não ajuda. Vale repassar o acervo que se tem procurando deixar SOMENTE:

  • o que tem uma super qualidade
  • o que tem caimento excelente, sensacional (e tem que vestir pra conferir!)
  • o que tem função (especialmente em relação a estilo de vida)
  • o que a gente AMA 100% sem ressalva alguma.

Durante esse repasse é pra ficar do olho nos ajustes: só vale consertar pra ter na experiência do guarda-roupa cápsula o que tiver tudo a ver com toooodas as premissas do guarda-roupa cápsula. E então, separar entre o excesso retirado o que pode ser doado (e pra doar tem que estar consertado, é muito sem dignidade doar/vender coisa estragada né), o que pode ser vendido (e tem que estar higienizado, não pode vender/doar coisa suja ou com cheirinho ruim alô!), e o que pode ser guardado numa mala (longe da vista!) pra ser reavaliado numa mudança de temperatura, de propósito, ou só até dar segurança de doar ou vender. ;-)

MAIS VARIEDADE, SEM REPETIÇÕES

Não adianta ter bem menos coisas, desentulhar o armário, mas ter tudo repetido ou equivalente. Look com camisa é sempre look com camisa, independente se é camisa jeans, camisa de seda ou camisa de alfaiataria; look com calça jeans é sempre look com calça jeans, mesmo se uma calça é justinha, outra largona, outra mais curta. Entende?

Pro guarda-roupa cápsula funcionar no primeiro fundamento (ter menos coisas!) ele precisa desse outro fundamento: ter variedade, e o máximo de variedade que for possível. Selecionar peças por tipo, tentando não repetir propósito, caimento, função. Melhor ter 1 camisa, 1 blusa, 1 camiseta, 1 tricô… do que várias de cada uma dessas, mesmo que em cores diferentes. E aí, é bem eficaz ter (proporcionalmente) mais partes de cima do que partes de baixo — pra versatilizar ao máximo essas partes de baixo (também bem diferentes entre si) criando muitos looks pra cada uma delas só com a variação das partes de cima.

É especialmente importante pensar num guarda-roupa cápsula variado em modelagens por conta dessa sequência aqui embaixo: se vai ser tudo nas mesmas cores, as diferenças entre as roupas precisam estar marcadas nas formas, nos tecidos, nos detalhes… pro acervinho não ficar sem-graça. Ó:

GRUPO RESTRITO DE CORES

Parte mais instigante (e divertida!) pra gente — e, na nossa experiência, também a mais facilitadora. \o/

É pra restringir voluntariamente as cores que se usa, pra montar um grupo coerente de peças — que funcionem 100% entre si: se tudo do guarda-roupa tem as mesmas cores, então tudo dá certo com tudo. Pra essa escolha não ser aleatória, a gente pode começar a pensar em 1) cores de base, 2) cores de suporte 3) cores pra pontuar. E cada uma de nós pode ter um grupo diferente dessas cores, com mais tons neutros ou mais tons coloridos; com mais tons claros ou mais tons escuros; mais lisos ou mais estampados… num grupo personalizadão e construído a partir do que já tá no armário.

Tem aqui 3 exemplos trabalhados na consultoria de estilo aqui na Oficina:

Cliente já tinha poucas roupas, mas muitos neutros e muitas corzinhas opacas, calmas. E queria um GR de maturidade, feminice, dinamismo… então a gente selecionou com ela as melhores peças do armário nessas cores. E a partir daí, tudo que ela tiver que adquirir pra incrementar o acervo vai vir numa dessas cores (até acessórios): a coisa toda vai crescendo em coerência e as mensagens de estilo vão sendo reforçadas na identidade.

Essa daqui tinha um guarda-roupa de muitas cores escuras, e queria impactar: fazia todo sentido trabalhar contrastes. Daí a seleção de claros e escuros, com uma variedade que permite também contrastar neutros e coloridões-igualmente-impactantes.

Grande demanda nesse guarda-roupa era acalmar, serenizar. Cliente até tinha muitas outras coisas coloridas, mas preferiu restringir geral pra alcançar essa sensação de limpeza visual, de elegância, de minimalista (pra juntar com a personalidade maximalista dela e então ter equilíbrio!).

((E esses grupos de cores podem evoluir e ser ampliados: usar rosa vai abrindo espaço pra outras peças em vinho, em vermelho… usar azul pode render boas novas aquisições em lilás ou roxo… base cinza pode derivar pra tons de bege — sabe como?))

TIPO DE PEÇA x ESTILO DE VIDA

Diminuir quantidade de peças não pode deixar ninguém na mão, sem ter o que vestir: o que faz parte do guarda-roupa cápsula tem que atender ao estilo de vida da dona do armário. Tem que ter mais peças do tipo que mais se usa pras atividades que mais preenchem a vida.

Faz um diagnóstico da sua rotina-de-vestir: ce passa mais tempo fazendo o quê? e em segundo lugar, o que mais ocupa os seus dias? e em terceiro lugar? e o que nem é tão frequente, mas é importante quando tem? e o que tipicamente você precisa vestir nessa ocasiões?

Então se uma vida tem mais trabalho do que lazer, tem que ter menos peças de lazer nesse armário e mais peças de trabalho. Se uma vida tem mais dias quentes do que dias frios, o armário tem que ter menos peças de frio e mais peças de calor. Se tem muita balada, se tem atividades específicas (igreja? eventos formais? hobbies?), a quantidade equivalente de peças tem que estar representada no guarda-roupa cápsula.

SÓ VEMOS VANTAGENS \o/

Tem gente que chama o processo de implementar um guarda-roupa cápsula de DETOX — e a gente concorda, faz sentido. Se livrar de excessos assim pode ser um respiro, raciocinar a seleção do que funciona de verdade pode quebrar paradigmas, fazer funcionar “a fórmula” na vida real pode render todo um novo relacionamento com o guarda-roupa e com o vestir. E usar muito tudo o que se tem dá um valor imenso ao dinheiro já gasto!

E, na prática, ter um acervo com menos coisas (variadas e muito coordenáveis entre si, num grupo de cores coerentíssimo e em materiais de qualidade que duram teeeempos) só facilita! Quem se acerta com pouca roupa monta coordenações em menos tempo, tem menos roupa pra lavar/passar, exercita criatividade e tem energia sobrando pra botar no que realmente importa na vida.


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