COMO A GENTE USA A MODA

looks do desfile da marca Balenciaga no outono de 2007, criados pelo estilista Nicolas Ghesquière, que se inspirou na moda de rua e num mix de referências étnicas e multiculturais, \o/ enxergando um 'streetstyle' que não existe só em NY ou Londres ou Paris

looks do desfile da marca Balenciaga no outono de 2007, criados pelo estilista Nicolas Ghesquière, que se inspirou na moda de rua e num mix de referências étnicas e multiculturais, \o/ enxergando um 'streetstyle' que não existe só em NY ou Londres ou Paris

Tempos atrás a gente leu uma entrevista feita pela revista Cláudia com o professor João Braga, com quem a gente teve aulas de História da Moda aqui em SP, durante a nossa formação como consultoras de estilo. No texto o professor organizou todo um pensamento sobre como a gente usa a moda hoje, nos nossos dias -- bem diferente da época das "grandes tendências", quando décadas inteiras eram caracterizadas por um mesmo tipo de moda.

O professor fala de uma maneira da moda acontecer no nosso tempo, e a gente aqui na ODE acha que isso pode funcionar ao contrário no exercício pessoal \o/ servindo de direção pras escolhas de vestir que a gente faz toda manhã. Em vez de partir da moda, parte da nossa própria vontade -- e então a gente segue usufruindo das ideias que essa moda oferece pra gente, independente do tempo em que a gente vive, do que tá nas vitrines, do que vem sendo desfilado por grandes marcas. 

Na matéria o João Braga diz que entende que, hoje, existe "uma nova forma de criatividade que não consiste na invenção de novas proporções, e sim nas novas possibilidades de combinar o que já existe -- esse é o ponto forte da moda na nossa época." E completa dizendo que essa 'nova criatividade' pode ser colocada em prática de três maneiras:

CROSS OVER:

quando a gente mistura elementos de tempos diferentes, mas bem marcantes -- tipo roupas com características dos anos 80 com outras coisas dos anos 60.

CROSS CULTURE:

quando a gente mistura elementos de culturas diferentes, tipo peças feitas com tecido peruano com peças de modelagem africana -- de etnias/paisagens facilmente identificáveis e diferentes.

HI-LO:

quando a gente mistura extremos, tipo peças super festivas, elegantonas, com outras básicas e bem informais; ou quando a gente mistura peças de grandes grifes tradicionais/luxuosas com outras compradas bem baratinhas; ou mesmo quando junta no mesmo look peças vintage com outras super modernas.

Agora imagina essas três receitas coladas como lembrete na porta do guarda-roupa: a graça (da nossa moda) não é inventar tudo super novo, mas sim ter ideias novas. E aí é possível (até) se aplicar em buscar referências do que se veste em lugares diferentes, procurar conhecer características marcantes das décadas passadas na moda, entender a história por trás da fundação das grandes maisons centenárias da moda, estudar e ampliar repertório... e então colocar tudo no filtro da agenda do dia, do humor da manhã, das sensações que se quer ter -- e escolher o que vestir, individualizando ao máximo o look, fazendo valer a própria história como maior referência de todas.

"Tendência", no nosso tempo, é misturar tudo que se tem com personalidade, com cara própria -- exercitando coordenações pra alcançar, quem sabe!, uma aparência única, autêntica, "exclusiva". Mesclando AS NOSSAS PRÓPRIAS INTERPRETAÇÕES do que é étnico, do que é marcante em cada tempo da moda, do que é barato e caro e tradicional e luxuoso e clássico e passageiro.

 E é nesse exercício --de treinar o olhar pra enxergar potencialidades no próprio guarda-roupa-- que a gente exercita estilo pessoal e ganha mais e mais segurança no vestir.

(post original de dezembro de 2011, revisado e atualizado: o tempo se diverte quando a gente voa!)

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