COMPRAS INTELIGENTES POR UM MUNDO MELHOR

Renato Russo cantou em Índios (alô 1986!!!) que ia ser incrível se "ao menos uma vez tivesse de volta todo o ouro entregue a quem conseguiu o convencer que era prova de amizade se alguém levasse embora até o que ele não tinha" - tipo isso. Imagina que a gente tem feito compras pra participar de grupos, pra se sentir mais parecida com outras pessoas, pra se "auto-amar" desse jeito meio torto (já que às vezes a gente entra numa doideira que o mundo ou a vida não amam tanto a gente - bem loucas). A gente se deixa convencer (muito pela internet, muito pelas revistas femininas!) que precisa ter coisas... quando, né, a gente já é tão legal. Agora pensa que se, como no desejo da música de Legião Urbana, a gente pudesse ter de volta todo o dinheiro gasto por sugestão externa (e não por motivação interna, autêntica, vontade genuína vinda do coração) em blusa sapato bolsa lenço tricô colete jaqueta de couro etc etc etc --> a essa hora, com esse gasto todo de volta, a gente teria dinheiro pra viajar, pra fazer cursos e crescer como pessoa, pra desenvolver hobby, pra arrumar a casa, pra comer mais vezes em restaurantes gostosos, pra mil outras coisas.

Ainda em Índios o Renato Russo diz que adoraria "provar que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante". A gente se reconhece o/ ces ce reconhecem? Roupa é apresentação/representação de quem a gente é, como diz o Ted Polhemus. A gente não precisa de tanto pra entregar pro mundo essa representação, pra se apresentar na forma visual. E cada vez mais a gente não só pensa nisso como tenta também exercitar na vida real, na prática, com clientes em cada provador em que trabalha: a idéia de comprar o essencial, o que pode render muito, o que pode estar por anos no armário, o que cria vínculo e passa a significar alguma coisa pra gente. É sobre isso que a gente conversa nesse vídeo feito pelo site Ecoera, comandado pela Chiara Gadaleta: sobre um novo jeito de consumir pra construir assim, através de clareza, hábitos novos e exercício prático de consciência (!!!), um universo mais legal pra gente viver -- e quem sabe até se divertir com moda. E que ilustrações maaaaaaaais bonitinhas, vejam só. :)

No finzinho de Índios, Renato Russo diz que queria "ao menos uma vez fazer com que o mundo soubesse que seu nome está em tudo e que mesmo assim, ninguém diz ao menos 'obrigado'". A gente tá entendendo que o mundo tá em tudo, em quem a gente é e no que a gente faz -- e a gente quer ser legal pra esse mundo, quer muito dizer obrigado.  E que troca boa é fazer a nossa parte e ainda ficar gatinha gastando o dinheiro que ganha com inteligência. O mais simples pode sim ser o mais importante. É ou não é?