ESTILO PESSOAL ANTI-ESTEREÓTIPOS

Nossa consultoria de estilo aqui na Oficina trabalha estilo pessoal como escolhas -- então todo mundo tem estilo, já que todo mundo faz escolhas na vida. Nossos trabalhos começam querendo mapear as escolhas que vem sendo feitas por cada cliente (que comida se come, que transporte se usa, que viagens se faz, a que filmes e séries se assiste, que hobbies se tem e assim por diante) pra entender de que jeito essas escolhas podem também direcionar o que se veste todo dia, pra toda ocasião.

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Desde 2012 (quando a gente lançou o nosso curso de formação e, logo na sequência, escreveu o nosso 1º livro) o jeito ODE de tratar estilo pessoal vem sendo organizado e re-organizado assim: em forma de prioridades de vida e prioridades de alma. Tem a ver com sensações e motivações e demandas de vida, e partem de valores pessoais pra (só então) direcionar escolhas de vestir. Não parte das roupas que já estão no guarda-roupa, mas sim da experiência humana que se quer ter/construir na vida. <3

Na Escola de Personal Stylists (láááá em 2001) a gente aprendeu a trabalhar com "7 estilos universais" e um deles era muito estereotipadamente nomeado de 'estilo romântico'. No nosso trabalho aqui na ODE a gente traduziu essa primeira direção pra forma das prioridades de alma e de vida com que trabalha, e então re-organizamos a idéia de feminino pensando em caminhos possíveis: um feminino mais doce e fofucho, que a gente chamava de mais 'mulherzinha', e um outro mais sexy e exuberante, que a gente chamava 'mulherão'.

Com o tempo e com a experiência profissional a gente vem entendendo que a (nossa) cultura Ocidental definiu valores e sentimentos HUMANOS como "qualidades" femininas ou masculinas. Sabemos que não é assim que a banda toca (alô pluralidades, alô singularidades!), e já tem bastante movimento sendo feito corrigir essa percepção e re-conquistar o direito da gente ser o que quiser. Não fluimos mais num mundo tão dividido: as coisas tem se transformado, as mentalidades estão mudando, tudo acontecendo ao mesmo tempo agora. ;-)

A gente vem abrindo espaço, no nosso trabalho de consultoria de estilo, pra entender o que foi culturalmente considerado masculino e feminino -- sem julgamentos, sem ideia de certo ou errado, de maior ou menor. Tudo é valor humano! Então, atentas às mudanças do mundo e da nossa visão dele <3 a gente mexeu nas nomenclaturas usadas aqui. No lugar de mulherzinha e mulherão, agora percebemos ser possível trabalhar ideias de feminino fazendo 'oposição ao que é culturalmente considerado masculino', ainda em duas vias possíveis: pela sutileza ou pela força. Num sentido menos 'de menina' e 'de menino' e mais Yin ou Yang, sabe como?

Pensa: tem um jeito da gente fluir no mundo mais caracteristicamente flexível, maleável, com cuidado consigo e com os outros e com forte conexão com sentimentos; mais pro aconchego, mais pra delicadeza, mais nos grupos pequenos e nos bastidores, nas beiradas. :) Com volume mais baixo, com tempo mais vagaroso, com melodia.

E também tem jeito de fluir pela força, com a crença de que se pode tudo, de que tudo é possível ("é possível dar conta de tudo"). Com orgulho de quem se é, do próprio corpo e de onde esse corpo pode chegar. De um jeito visceral, intuitivo, conectado com os sentidos -- pra estar "no topo da cadeia", pra dominar o mundo! Sempre alerta, aberta, pronta pra avançar se for preciso.

Um jeito não exclui o outro, e não necessariamente tem a ver com o que se entende por "características femininas". E não só isso: nosso trabalho de consultoria ainda olha pra quem tem prioridades diferentes, tipo estar adequada, chamar atenção/impactar, se sentir confortável -- de muitas maneiras possíveis, com aplicações e usos bem variados.

No curso de formação em consultoria e no nosso 1º livro a gente ensina como identificar essas prioridades e também como trabalhar construção de identidade visual a partir delas. E esse não é um jeito fechado de trabalhar: a gente organizou nesses materiais as prioridades com que já teve contato ao longo da nossa experiência profissional, mas pode existir tanto mais que isso! E na medida em que a gente conhece mais, aprende mais, as visões de prioridades e de mundo vão demandando atualizações, ajustes.

Assim a gente sente que nossa metodologia evolui junto com a gente mesma, com nossas clientes, com o mundo todo em volta. A instituição do "certo x errado" vai perdendo valor pra tudo (e não só pra moda!), ao mesmo tempo em que a vida vai sendo construída e fudamentada em pontos de vista múltiplos, complementares, ricos de possibilidades.