MINHA EXPERIÊNCIA COM O GUARDA-ROUPA CÁPSULA

por Gabi Barbosa*

Eu conheci o conceito do armário-cápsula quando estava insatisfeita com a maior parte das minhas roupas. Estava começando a entrar na vida adulta e um guarda-roupa cheio de camisetas de malha, calças jeans e pouquíssima inovação. Tinha muita coisa que não conseguia coordenar, uma bagunça de cores e só usava aquele 20% do armário.

Assim, acabei usando uma fórmula pronta do blog Un-Fancy, que me ajudou bastante nas diretrizes do meu armário. A maneira que Caroline, dona do blog, sugere é separar o armário-cápsula por estações, e foi assim que eu fiz, apesar de saber que o clima em Belo Horizonte pode ser bastante imprevisível. Além disso, determinei uma paleta de cores e fiz um gráfico tipo pizza para saber onde gastava mais o meu tempo - e, no momento, era bem mais no trabalho e em casa do que em cinema, saídas à noite ou jantar com o namorado. Então, comecei a olhar pra ele de maneira prática.

Nos 3 meses que passei com 37 peças (contando com os sapatos!), eu nunca imaginaria que não iria repetir nenhum look, mas foi o que aconteceu. Foram 13 blusas, 7 blusas de frio/casacos, 9 partes de baixo e 8 sapatos para meu armário de "inverno" (porque, né, BH não tem esse friozão). Para me ajudar, comprei um app chamado Stylebook Closet, que vira um guarda-roupa na palma da sua mão, onde dá para planejar os looks da semana e ainda ver estatísticas de quantas vezes cada peça foi usada. Uma boa maneira de perceber o que mais se usa e o que nem tanto.

Uma das partes mais importantes foi a viagem que fiz para dentro de mim mesma. O autoconhecimento é fundamental para criar um armário-cápsula assertivo (e isso vem com o tempo!). É parar de olhar para fora e perceber o que realmente amo, descartando aquilo que uso por convenção social. No meu caso, foram os saltos altos. Eles foram definitivamente abolidos da minha vida.

Não vou dizer que foi fácil não comprar durante esse tempo. Para quem estava acostumada a gastar dinheiro com roupas todo mês, precisei fazer um esforço. Mas o mais incrível é que eu comecei a dar mais valor às roupas que adquiri dali para frente. Comecei a perceber que roupa é feita para durar, não é descartável. Devorava os posts que aprofundavam no assunto para tentar adaptar no meu dia a dia. Aprendi bastante sobre composição de tecidos e acabamentos, e isso faz uma diferença e tanto na hora de investir em uma peça.

Durante essa aventura (como eu gosto de chamar), percebi que é extremamente possível viver com menos do que eu tenho - e que determinadas tendências são só uma maneira de gastar o meu suado dinheirinho com coisas que não vão durar nem um ano no armário. Hoje já não pratico mais o armário-cápsula, porque percebi que gosto de ter à mão todas as peças que eu tenho (o que não significa que eu nunca mais possa praticá-lo), mas tudo o que aprendi nesse período me acompanha atualmente.

As compras por impulso diminuíram para quase 0%, comecei a me inteirar do movimento compre de quem faz e, com menos peças, parece que a criatividade dá um salto sem levar tanto tempo para me arrumar todos os dias. Sempre me perguntaram "e se enjoar das peças?" e a minha dica é começar com uma meta possível - que tal 1 mês? Se der certo, dá para ir aumentando gradativamente para 2, 3 meses.

Precisar escolher um número limitado de peças me ajudou a perceber os itens que mais me representam no armário, e o que se encaixa melhor nas minhas necessidades atuais. Para mim, que já fui super perdida com o meu guarda-roupa, foi um bom desafio para me aventurar. :) Durante essa experiência, fiz algumas reflexões no meu blog sobre o armário-cápsula, vê só:

e se o seu guarda-roupa só tivesse 37 peças?
em busca de um armário minimalista #1
em busca de um armário minimalista #2
meu armário-cápsula de inverno 2015
algumas considerações sobre o armário-cápsula

*Gabi Barbosa é consultora de estilo, redatora e também assistente de conteúdo aqui na Oficina. Ela mora em BH e escreve no seu blog sobre tudo o que faz o seu olho brilhar.