O FOCO DA NOSSA ATENÇÃO

Geral reclama do "padrão imposto" pela mídia, pela internet, pelas atrizes e blogueiras... quando o padrão não tá sendo imposto coisíssima nenhuma, não tem na constituição e não existe lei obrigatória nesse sentido -- esse modelo tem sido sugerido pelo sistema e a gente tá topando. Tamos buscando loucamente nos enquadrar num esquema que não serve, que faz a gente procurar um ideal não-humano: nem as moças da capa da revista são, na vida real, como parecem ser na capa! Esse 'ideal' tira a beleza existente na imperfeição, ensina a gente a evitar frustração no lugar de lidar e crescer com elas, faz a gente se pautar por estímulos externos e não no que a gente tem dentro.

Mas ó: a gente aqui acha que tem receita pra fazer acontecer um resultado diferente da opressão e da insatisfação e da pequenez que a gente sente quando lê revistas de moda ou quando passeia pelo instagram da blogueira.

Abrir mão dessa quantidade louca de estímulos externos -- ou mesmo SELECIONAR que estímulos a gente permite que estejam presentes no nosso universo pessoal. Revistas femininas que apontam o dedo pra outras mulheres (é todo mundo igual! Não tem por que não ter tolerância e carinho pela nossa semelhante!), programas de TV que fazem piada de gordinhas, Facebook de gente que acha graça em julgamentos de qualquer tipo, Instagram de meninas que incentivam comparação e competição ("minha bolsa é mais cara", "meu corpo é mais malhado", "viajo mais que todo mundo", "minha família e meus filhos são perfeitos" aff) ... não deveriam ganhar um segundo sequer da nossa atenção. NEM UM SEGUNDO DA NOSSA ATENÇÃO!

E mais: a gente mesma devia boicotar toda conversa -- essas de todo dia, entre amigas -- que incitem julgamento, que apontem o dedo, que fomentem comparação e não colaboração. Pode ser um desafio o exercício de pensar positivamente sobre outras pessoas, quaisquer que sejam, a procurar o lado bom de tudo que acontece (mesmo das coisas ruins) -- mas ó, é exercitando tolerância com outros que a gente naturalmente passa a ser mais tolerante consigo mesma. Um mundo novo começa na nossa casa (alguém muito importante disse isso não disse?).

A gente devia pegar a atenção que dedica hoje aos sites e revistas de celebridade e focar na gente mesma, em estímulos que nos levem pra dentro pra gente investigar quem a gente é e que tipo de pessoa queremos nos tornar. O mesmo tempo que a gente PERDE investigando a vida aparentemente glamourosa da blogueira poderia render conversas profundas e sinceras, horas na terapia, aulas de ioga, desenvolvimento de hobbies, brincadeiras, visitas à exposições, planejamento de viagens, experiências na cozinha (boas de fazer e de comer - nham!) e mais. Esses são estímulos que ajudam a gente a se observar, a pensar sobre a gente mesma, a ter clareza do que a gente quer sentir e do que é importante de verdade pra gente. O foco da nossa atenção devia estar 100% aí, NO QUE RENDE! Trazer esses estímulos pro cotidiano só dependem da gente, e criar essas oportunidades de autoconhecimento dá chance da gente criar um caminho novo -- e não só responder e seguir caminhos criados e estabelecidos que, mil vezes, não funcionam pra gente.

Se conhecer inevitavelmente rende segurança e a cada desafio superado (mesmo os pequeninos!) a gente vai crescendo em autoconfiança -- mas não é fácil. Fácil é comprar tudo que as revistas/blogueiras sugerem que a gente compre... mas né, não rende satisfação: a gente compra, leva pra casa, usa uma vez ou outra e eventualmente passa a querer outra coisa. É só COISA! Toda mudança e todo aperfeiçoamento é gradual -- é humano ser assim, a gente não é robô! -- e demanda disposição, atenção-intenção, foco e treino. É exercitando o que faz a gente sentir o que se quer sentir que, uma hora, essa sensação passa a fazer parte da gente e da vida naturalmente, vira hábito bom. Mas tem que querer, tem que dar atenção e tem que treinar. Let's?

Essas idéias foram inspiradas pela GabyFresh que escreveu no FAQ do blog dela isso daqui, quando perguntaram o que fazer pra ser confiante como ela: "Don’t participate when friends or colleagues make fun of another woman’s body, celebrity or otherwise. Do not participate in diet talk. Wear clothes that you feel good in and that express your personality. Pamper yourself with a spa day. Take a long bath, read a good book, and focus on being grateful for all the absolutely amazing things your body is able to do. Many people aren’t so lucky! Remember that cultivating your inner beauty is so much more important than anything you can buy at a store or any number on a scale." ((Obrigada Flavia Stefani pro compartilhar com a gente!))