O QUE A GENTE ACHA É SOBRE A GENTE MESMA

Tempos atrás a gente compartilhou numa das nossas newsletters um texto do jornal Nexo que explica como opinião não é argumento, não rende debate benéfico. Essa idéia é o que sustenta a nossa decisão aqui na ODE de compartilhar conteúdo todos os dias na internet e incentivar conversas significativas, mas não abrir espaço pra comentários negativos ou mesmo neutros-não-positivos (decisão também explicadinha aqui!). No texto o autor ainda diz que “nós, brasileiros, temos péssima educação argumentativa; e que confundimos discussão com briga sem saber lidar bem com críticas”. Por conta desse compartilhamento na news, a nossa leitora Maria Rita mandou email perguntando pra gente:

“Não soa contraditório? Quem quer dialogar não tem que estar aberto a críticas e comentários negativos — e não só a aplausos?”

E a gente acha que não tem contradição aí não! Opinião não é argumento e também é algo bem diferente de crítica.

A gente mesma não produz conteúdo qualquer que diga somente “achamos verde e azul lindos juntos” ou “vejam que coordenação maravilhosa”. A gente estrutura toda legenda/todo post com os argumentos técnicos que conduziram pro resultado fotografado, sabendo que (isso sim) pode servir pra quem tá lendo. Nosso conteúdo quer propor idéias ilustradas em looks, pensadas pra entregar serviço de consultoria de estilo, questionamento, possíveis novas experiências a quem lê e se disponibiliza a exercitar, a raciocinar, se apropriar e personalizar.

Sabe por quê? Porque o que a gente acha é sobre a gente mesma, e não sobre o objeto da conversa.

Quando alguém responde ao nosso conteúdo com “eu não usaria isso” ou “acho isso feio”, a gente nem tem o que responder — é direito de todo serzinho humano usar ou não usar o que quiser, ou avaliar qualquer coisa como bonita ou feia de acordo com suas referências e gosto pessoal. E né, isso não rende conversa alguma, é fato e pronto-cabou.

Bem diferente é quando a gente recebe comentários tipo “eu não usaria porque, diferente do que ces dizem nesse post, eu não acho que esse comprimento fotografado na cliente alonga as minhas pernas”. Aí sim a gente consegue seguir, argumentar tecnicamente de volta, sugerir outras possibilidades de se tentar/usar, mostrar maneiras da leitora fazer acontecer (se ela quiser).

Entende? :)

Opinião vem do EU e geralmente vem filtrada por hábitos/práticas pessoais, é povoadíssima de adjetivos, sem muita reflexão ou questionamento. Argumento tem mais a ver com idéias, com propostas, com perguntas, com expansão de horizonte intelectual. \o/

Nessa forma de pensar, nem os comentários ultra-elogiativos tipo “achei isso maravilhoso, ficou lindo” rendem essa conversa que a gente AMA ter. E provocar esses debates (pr’além do eu) é a nossa maior motivação — não só no nosso trabalho de compartilhamento de conteúdo, mas em TODAS as nossas entregas profissionais. Na consultoria de estilo pessoal e nas aulas que a gente dá, nossa metodologia junta a técnica de consultoria de estilo com o exercício da empatia.

Vale ler também o texto "Não quero mais mudar o mundo" do Daniel Larusso, que diz que "quando todo mundo está gritando, falar baixo e escutar o outro é um ato revolucionário".

+ EMPATIA NA CONSULTORIA DE ESTILO
+ COMPETIÇÃO x COOPERAÇÃO
+ MENOS PATRULHA, MAIS APRENDIZADO
+ LOOK DO DIA NÃO É PRA PERSONAL STYLISTS