O QUE É SE VESTIR BEM? RONALDO FRAGA RESPONDE!

Ronaldo Fraga não é apenas autoridade para falar de moda, ele é autoridade para falar de identidade, do quanto é importante imprimir nossa marca pessoal em tudo que fazemos: na nossa roupa, moradia, comida, modos. Ele nos recebeu na casa dele, em Belo Horizonte, e falou justamente da importância da autenticidade e da herança afetiva em um tempo em que tudo ficou tão banalizado pelo excesso de consumo e de informação.

spoiler: tem a ver com autoconhecimento, brasilidade e apropriação. ;-)
spoiler: tem a ver com autoconhecimento, brasilidade e apropriação. ;-)

Ouvir Ronaldo Fraga falar de identidade naquela casa tão brasileira, tomando suco de coco azedo feito pela mulher dele, foi tipo um workshop de como ser simples e nacional sem forçar a barra, sem ser caricato.

Não tinha como sair de lá sem parar pra refletir no quanto a gente precisa ficar o tempo inteiro atenta para não deixar que a vulgaridade --e ninguém aqui está falando em decote!-- entre pela fresta da porta. Seja de casa, seja do armário.

Nós fizemos uma única pergunta para ele: o que ainda pode ser entendido como se vestir bem e ter estilo em uma época em que tudo é tão massificado, em que as tendências já chegam digeridas e pasteurizadas e todo mundo pode consumir tudo porque tudo é disponibilizado em várias faixas de preço?

A resposta é de anotar na porta do armário:

“Em tempos de tamanha liberdade - talvez a moda nunca tenha sido tão democrática, com tantas fontes de informação e consumo -- a grande dificuldade é lidar com essa liberdade, porque lidar com liberdade não é fácil: demanda autoconhecimento e apropriação.

A grande dificuldade das pessoas é trazer pequenos vestígios de quem elas são nas suas escolhas: na escolha do que elas vão vestir, na escolha do que vão comer, na escolha da forma como vão morar. Fazer todos esses elementos dialogarem com a sua história, com a sua visão de mundo, não é fácil.

Pra mim, hoje se veste bem quem consegue trazer toda essa escrita da sua história pessoal e coletiva decodificada num botão de roupa, numa escolha de roupa que traduz seu autoconhecimento e sua autoestima.

O grande ponto que a moda nunca vai perder é o da autoestima porque se você não respeita a pessoa que você é, então você não tem condições de escolher uma roupa para essa pessoa e tudo sempre fica melhor em quem tem autoestima”.

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!