POR QUE A GENTE PREFERE COMPRAR EM LOJAS PEQUENAS (em especial nas não-estrangeiras)

 

"You cannot get through a single day without having an impact on the world around you.What you do makes a difference, and you have to decide what kind of difference you want to make." (Jane Goodall)

 

Aqui na Oficina a gente tem preferido comprar de marcas independentes, menores, de perto da gente (brasileiríssimas) e com donos que cuidam de tudo ou quase tudo da marca: da criação, da origem dos materiais, do transporte, dos funcionários, etc. A gente tem exercitado essa preferência tanto no nosso trabalho como consultoras de estilo quanto na hora de abastecer os nossos próprios guarda-roupas.

A gente entende que quando uma marca pertence a um grande grupo de investidores, fica quase impossível rastrear todos os processos comuns a uma operação comercial. E aí 2, 3 ou 4 pessoas (os investidores) ganham muuuito dinheiro contratando centenas/milhares de outras pessoas pra cuidar da operação toda, e toda essa gente ganha bem menos. Assim a gente acaba entregando nosso dindin pra quem já tem dinheiro demais da conta, e não pra quem trabalha diretamente com o que produz.

A idéia, pra gente, tem sido considerar várias hipóteses para chegar em uma opção melhor no final. Isso quer dizer, distribuir melhor o dinheiro que a gente entrega nas compras, tentar impactar menos no ambiente (escolhendo materiais naturais e orgânicos/menos tratados com produtos químicos, que sejam mais duráveis, que não demandem transporte de longe, que venham com menos embalagem). Junto com isso a gente tem procurado fazer escolhas éticas — procurando conhecer produções próprias, feitas por gente trabalhando com assistência e dignidade, usando fornecedores/produtores que sejam remunerados direitinho, comunidades que sejam beneficiadas pela venda, etc.

Essa prática depende de informação e a gente tem colocado mais e mais energia na busca desse conhecimento: a gente faz perguntas nas lojas, manda e-mail pras marcas, conversa com quem sabe mais que a gente, troca demais com quem tá exercitando isso há mais tempo. Até nisso empresas/lojas/marcas pequenas funcionam melhor: quanto menos gente envolvida, quanto menos grandiosidade de operação, mais acesso a respostas a gente tem.

Mas isso é escolha pessoal nossa — e na medida em que a gente aprende (e procura aprender mais), a gente vai também aperfeiçoando nossas escolhas. Ninguém é 100% correto e "não impactante". Mas a trajetória tem sido legal demais: já que essa é a nossa área (de atuação profissional) a gente acaba tendo mais chances de impactar um tanto mais pro bem do que pro mal. A gente sente que essas pequenas mudanças são possíveis - e que muitas vezes não envolvem tirar mais dinheiro do bolso, e sim repensar nossas necessidades e desejos.

Mais desse nosso aprendizado aqui:

((colaborou com a gente nesse texto a Fê Canna))