ROUPA PARA TIRAR O VISTO

Existem poucas coisas na vida mais chatas do que tirar visto para outros países. Geralmente, pagamos mil taxas, preenchemos mil fichas e ficamos horas intermináveis na fila. Para piorar, sempre tem um amigo da onça para nos convencer de que tirar o visto -seja para os Estados Unidos, Iêmen ou Jordânia- é dificílimo. O resultado da equação é o nervosismo. Na nossa aparência, todo esse nervosismo costuma se denunciar de duas maneiras: ou no exagero ou no desleixo. Quer dizer: ou a pessoa vai para a entrevista do visto muito mais arrumada do que precisa ou muito menos do que poderia.

A verdade é que em uma situação dessas, aparência conta bastante. O objetivo dos países com esse documento é fazer uma triagem entre as pessoas que eles acham que são mais ou menos propícias a causar problemas para eles. Esses problemas podem ser tanto imigração ilegal quanto crimes, baderna etc. Ou seja: parecer uma pessoa responsável, segura e legal conta pontos na triagem. Por outro lado, não precisa surtar -- a ocasião não é um concurso de miss e também turista não é pedinte, e ninguém recebe ou deixa de receber visto apenas pela roupa que usa.

visto

Entrevista de visto equivale em termos de formalidade a uma visita ao colega de trabalho que está no hospital ou a um advogado importante em seu escritório. É formal, mas não precisa exagerar.

Usar sapato com dedos de fora, por exemplo, não pega tão bem. Passa uma ideia muito malandra, de praia. Se quiser usar decote, prefira um que chegue até no máximo à linha da axila. Saias e vestidos podem se manter bem comportados. O comprimento mínimo fica quatro dedos acima dos joelhos.

Usar roupa justa pode marcar demais o corpo, mas também não é legal usar uma roupa tão larga que possa esconder uma metralhadora dentro. Um folgadinho confortável, acompanhando a silhueta sem grudar na pele, já resolve o problema.

Como a perspectiva é chegar ao Consulado de madrugada e só sair no começo da tarde, é bom se preparar para a mudança de temperatura durante esse período. Levar um cardigã e um lencinho para amarrar no pescoço que possam também enfeitar a alça da bolsa caso o calor aperte difinitivamente é uma boa ideia.

Usar elementos que passem essa imagem de moça bem cuidada, atenciosa -- como tecidos planos e naturais, unhas bem cuidadas para o momento tenso da entrega do passaporte e maquiagem leve -- é muito esperto em qualquer dia, sobretudo nesses em que a gente depende mais explicitamente da opinião dos outros.

Falou em formalidade, todo mundo pensa que preto é o canal. Acontece que preto passa essa imagens distante, inacessível, "fale com a minha mão". Bem melhor seria quebrar o gelo dessas entrevistas embaraçosas (como visto e emprego) com uma coordenação de cores não tão chamativas. Se a sua personalidade é mais carnavalesca, vale mesclar uma cor mais colorida com outra mais neutra. Já se a personalidade for calma, vá com dois neutros claros (claro é mais simpático que escuro!) e originais. Pode ser coordenação de cinza com bege, marinho com outro tom de azul ou verde oliva com creme, por exemplo.

Se nada der certo, recolha toda sua elegância e faça a Sol, berrando loucamente no Consulado e dizendo que todo mundo tem direito de ir para a Disney. Ou pegue seu RG e vá para Buenos Aires.

*Juliana Cunha é jornalista e colaboradora do blog da Oficina de Estilo, que sorte a nossa :) ce pode ler outros textos dela pra Oficina aqui -- e os textos autorais dela no Já Matei Por Menos, ó!