TENDÊNCIA AGORA É VONTADE

Em aulas de história da moda a gente estuda a 'era vitoriana', a 'era espacial', o 'flower power', os 'anos oitenta' e outros movimentos de moda que marcaram época. Hoje não tem mais isso: os desfiles que a gente vê podem mostrar micro e mini tendências, um bilhão delas, mas não dá pra identificar grandes temas ou tendências unificadas em superblocos -- não desse jeito, como graaandes influências no vestir de todo mundo, todo dia. Pode ser que isso tenha a ver com o ritmo frenético dos calendários de desfiles em grandes "capitais da moda" (alô mil coleções desfiladas o ano todo em muitas temporadas em Paris, Milão, Londres e NY). Pode também (é claro!) ter a ver com o "advento" do fast-fashion -- Zaras e H&Ms e Renners e Pra Sempre 21s despertaram o mercado de moda pra uma urgência louca nas vendas. E aí possovelmente aconteceu: vendas mais rápidas, mil pequenas e figazes vontades-relâmpago no lugar de grandes e longínquas tendências.

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O que importa é que a gente tá vivendo o tempo mais “tem pra todo mundo” que já se viu.. Não existe uma vontade unânime: é a melhor hora pra escolher como se quer ser e como se quer parecer todo dia, a cada ocasião. Todo mundo pode tudo e tá fácil exercitar individualidade e estilo pessoal. Escolher com coerência e algum carinho por si mesma já rende meio caminho andado. Não existe pessoa sem personalidade, sem estórias pra contar. Existe quem não comunica sua personalidade através do que veste (isso existe mesmo!) - mas não existe ninguém vazio, ninguém sem opinião, sem desejo, sem objetivo, sem grupo de amigos, sem atividades e coisas pra fazer no dia-a-dia.

Assim, dá pra ter uma vontade diferente todo dia e ainda ter cara 'da gente mesma'.  Esse é o segredo: se aproveitar/se apropriar da multiplicidade de 'mini e micro tendências' que a moda oferece hoje pra moldar nosso próprio rótulo, nossas singularidades, nossa identidade visual. Com consistência, com coerência, com algum charme :) e sem chatice, sem regrinha. Ninguém depende de direção de ninguém pra se vestir como realmente é – e pra se enxergar direitinho em frente ao espelho, né?