UM NOVO JEITO DE PENSAR O LUXO

Se o conceito de luxo tivesse ligado a dinheiro, não tinha porque a gente achar cafona a quantidade de Louis Vuitton e Mercedes e jóias da Cartier (tudo ao mesmo tempo) que se vê em clipes de rappers americanos, não é? Dinheiro, amigos, todo mundo que junta tem, por isso o jeito de pensar 'luxo' nos nossos dias tá super ligado ao que é imaterial: tem mais a ver com experiências, vontades autênticas, criação-educação, refinamento no agir (e no pensar!), emoções e relacionamentos e mais. Mas ok, quem movimenta isso tudo daí é o dinheiro -- por isso, tá tendo aqui em SP ontem, hoje e amanhã um congresso pra que empresários desse setor (luxuosos!) conversem sobre o seu mercado, conheçam mais profundamente o seu consumidor e pensem juntos, como grupo, em novas possibilidades de negócio. O evento chama Atualuxo e quer ser anual -- tamos participando e aprendendo muito com as palestras.

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O que mais se fala, nas palestras de empresários, econimistas e intelectuais (rá!) é que a gente precisa prestar atenção nos países emergentes (China, Rússia, Índia e na gente mesmo, aqui no BR). Diz que eles super vão dominar o mundo (do dinheiro) e que o que se espera, por conta disso, é que todo mundo comece a orientalizar gostos, hábitos de consumo, comportamentos e tals. Isso pode acontecer com marcas originais de lá crescendo tanto que cheguem até aqui, e que sejam nossas preferências na hora de comprar. O 'mercado do luxo' aqui no BR é super jovem, e existe mesmo (olha!) desde 2002, tipo isso -- o que significa pouca especialização, pouca gente treinada pra trabalhar bem com isso, mas muuuuuuitas possibilidades de crescimento. Diz que os empresários precisam focar no interior do BR, em gente que tem super poder de consumo mas que tá longe de SP e perto do agronegócio, sabe como?

E sabe o quê? Diz que 70% do que é movimentado de dinheiros no mercado de luxo do BR tem a ver com... moda! Roupas e acessórios são item favorito da mulherada (que é maioria nesse grupo de consumidores), antes de carros, relógios, cosméticos e outros itens 'deluxe'.

Parte mais legal: uma das pesquisas apresentadas (ontem) no Atualuxo diz que os empresários do luxo justificam suas vendas primeiro por conta do glamour das suas marcas, em segundo lugar por conta da exclusividade dos produtos e por último por causa do atendimento personalizado que suas lojas oferecem. Daí, na mesma pesquisa perguntam, pra quem compra, quais as suas motivações. As justificativas são (1º) qualidade do produto, (2º) exclusividade e (3º) atendimento personalizado. O aspecto emocional que envolve o produto de luxo desperta o desejo da compra, mas o consumidor justifica a compra pelo aspecto racional! É tipo uma guerra, sentimento x razão: a gente é movida por vontade, por glamour mesmo, mas diz que é porque "vai durar" ou "não vai estragar nunca" - e é bem verdade, não é?!??

((post original de 02 de setembro de 2008))